A brevidade do sopro
Que quebra na pele
Que deita os pêlos
E que aquece.
O fôlego, de vida
Que sopra ao falar
Que tem cheiro,
Paladar, num beijo.
E que marca
A existência
Que ao findar
Por um instante
Apaga a luz daquele olhar.
E que não percamos
O amar
Antes de tudo acabar.
Eliz Leão
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Quisera eu, ter asas,
Nos pés, na alma,
Quisera, voar,
Por entre flores,
De pensamentos.
Nuvens,
De encontro ao vento.
Quisera,
Que o meu coração medroso,
Guardasse seu medo, um pouco,
E que eu pudesse,
Me libertar,
Flutuando,
Por sobre as águas,
Desse mar imenso,
Que é a vida.
Transmuto,
Meus pensamentos,
Em quereres intensos,
Da saudade,
Que eu tinha,
Da coragem,
Que eu nunca tive,
De quebrar,
Dentro de mim,
Minhas próprias correntes.
E no final, eu sei,
Que sou apenas a casca,
De alguém que grita alto,
Sobre todos os horrores
Que passei,
Sem mudar nada,
Porque o medo,
Ainda me consome,
E o meu grito, só ecoa em mim.
Eliz Leão
Nos pés, na alma,
Quisera, voar,
Por entre flores,
De pensamentos.
Nuvens,
De encontro ao vento.
Quisera,
Que o meu coração medroso,
Guardasse seu medo, um pouco,
E que eu pudesse,
Me libertar,
Flutuando,
Por sobre as águas,
Desse mar imenso,
Que é a vida.
Transmuto,
Meus pensamentos,
Em quereres intensos,
Da saudade,
Que eu tinha,
Da coragem,
Que eu nunca tive,
De quebrar,
Dentro de mim,
Minhas próprias correntes.
E no final, eu sei,
Que sou apenas a casca,
De alguém que grita alto,
Sobre todos os horrores
Que passei,
Sem mudar nada,
Porque o medo,
Ainda me consome,
E o meu grito, só ecoa em mim.
Eliz Leão
1986
( @andreajguesse , seu poema me lembrou deste, que fiz há muito tempo... Obrigado pela lembrança e pela nostalgia, espero que goste)
Hoje o sol brilhou mais forte;
Olho a janela e lembro de uma manhã de 1986.
O céu azul de 86, o domingo de férias,
A manhã quente e sem barulhos de 1986.
Parece que vou ligar minha TV na sala,
Minha Telefunken de 14 polegadas,
Para assistir à Fórmula 1
E ver o Piquet ganhar e o Senna chegar em terceiro.
Depois vou subir no andar de cima do prédio,
Comer a macarronada da vó e assistir ao Silvio Santos
- Ela adorava o Silvio... E quem sabe, de noite,
Tia Cida aluga um VHS pra gente ver, já que só ela tem videocassete.
E, nesta manhã de 1986,
Vou sentar à mesa e sujar a toalha azul
Ao derramar guaraná Brahma sem querer...
Mas mamãe não liga, porque sou criança ainda.
E papai hoje está em casa,
E vai sentar no sofá de vime comigo e me mostrar
Aqueles livros todos que ficam no alto e não posso pegar sempre
E me contar do Cometa Halley, que vai passar por aqui em breve.
Descer na padaria da esquina e comprar um sorvete Yopa,
Porque faz muito calor aqui em 1986,
E jogar bola no estacionamento da frente,
E jogar Atari até de madrugada.
E o Sarney vai aparecer na TV, anunciando outro plano
E depois mudar de novo o nome da moeda,
Mas tudo bem, depois vou ver futebol,
Com aquela seleção maravilhosa de 1986.
E olhar na janela para ver o movimento,
Meninas nas ruas com lenços no pescoço,
E roupas coloridas, e calças largas
Voais da moda de 1986.
Mas a vida é de uma mão só:
O Senna morreu, a Vó morreu, o Zico já não joga...
E os lenços nas ruas, e as roupas coloridas
Já nem lembram uma moda que não existe mais.
Hoje o mundo é de barulho, é de internet,
É de black blocks e não de Diretas já.
É de carrões importados e coreanos
E não dos Fuscas e Brasílias e Escorts de 86.
Hoje as fotos não existem senão em pixels,
Que só vemos em telas de cristal líquido:
Onde foi parar aquele clicar e ficar na angústia,
Esperando para revelar e ver se ficou bom?
Onde foram as cores infinitas das fotografias,
As cores bregas e berrantes das camisetas?
Onde foram os encartes das revistas, os jornais impressos
As paredes cor cáqui e as geladeiras vermelhas?
Não foram; ficaram. Em 1986.
Nunca saíram de lá; nós é que saímos,
Para continuar a vida e a evolução das coisas,
Nesta marcha sempre em frente de um trem chamado Tempo.
( @andreajguesse , seu poema me lembrou deste, que fiz há muito tempo... Obrigado pela lembrança e pela nostalgia, espero que goste)
Hoje o sol brilhou mais forte;
Olho a janela e lembro de uma manhã de 1986.
O céu azul de 86, o domingo de férias,
A manhã quente e sem barulhos de 1986.
Parece que vou ligar minha TV na sala,
Minha Telefunken de 14 polegadas,
Para assistir à Fórmula 1
E ver o Piquet ganhar e o Senna chegar em terceiro.
Depois vou subir no andar de cima do prédio,
Comer a macarronada da vó e assistir ao Silvio Santos
- Ela adorava o Silvio... E quem sabe, de noite,
Tia Cida aluga um VHS pra gente ver, já que só ela tem videocassete.
E, nesta manhã de 1986,
Vou sentar à mesa e sujar a toalha azul
Ao derramar guaraná Brahma sem querer...
Mas mamãe não liga, porque sou criança ainda.
E papai hoje está em casa,
E vai sentar no sofá de vime comigo e me mostrar
Aqueles livros todos que ficam no alto e não posso pegar sempre
E me contar do Cometa Halley, que vai passar por aqui em breve.
Descer na padaria da esquina e comprar um sorvete Yopa,
Porque faz muito calor aqui em 1986,
E jogar bola no estacionamento da frente,
E jogar Atari até de madrugada.
E o Sarney vai aparecer na TV, anunciando outro plano
E depois mudar de novo o nome da moeda,
Mas tudo bem, depois vou ver futebol,
Com aquela seleção maravilhosa de 1986.
E olhar na janela para ver o movimento,
Meninas nas ruas com lenços no pescoço,
E roupas coloridas, e calças largas
Voais da moda de 1986.
Mas a vida é de uma mão só:
O Senna morreu, a Vó morreu, o Zico já não joga...
E os lenços nas ruas, e as roupas coloridas
Já nem lembram uma moda que não existe mais.
Hoje o mundo é de barulho, é de internet,
É de black blocks e não de Diretas já.
É de carrões importados e coreanos
E não dos Fuscas e Brasílias e Escorts de 86.
Hoje as fotos não existem senão em pixels,
Que só vemos em telas de cristal líquido:
Onde foi parar aquele clicar e ficar na angústia,
Esperando para revelar e ver se ficou bom?
Onde foram as cores infinitas das fotografias,
As cores bregas e berrantes das camisetas?
Onde foram os encartes das revistas, os jornais impressos
As paredes cor cáqui e as geladeiras vermelhas?
Não foram; ficaram. Em 1986.
Nunca saíram de lá; nós é que saímos,
Para continuar a vida e a evolução das coisas,
Nesta marcha sempre em frente de um trem chamado Tempo.
Bom dia !
Necessiti urgentemente de um profissional para fazer uma revisão ortográfica em obra literária estilo noveleta.
Necessiti urgentemente de um profissional para fazer uma revisão ortográfica em obra literária estilo noveleta.
Adiantei o pedido: uma água com gás, dois copos com limão fatiado e gelo.
Ele chegou. Pedi dois expressos sem açúcar.
Nos cumprimentamos como dois cotovelos adolescentes: ossudos e desajeitados.
Meu rosto quase ofereceu a boca. O hábito, às vezes, é mais forte do que a vontade.
Ele olhou para os nossos copos com olhos tristes.
- Você está bem? - dissemos ao mesmo tempo e sorrimos olhando para baixo, sem mostrar os dentes.
- Você primeiro. - Meneou com a cabeça.
- Tudo indo. É estranho. - Respondi.
- Eu também, muito estranho. - Ele tomou a vez.
Fiquei em silêncio. Tomei a água toda. Troquei a cruzada de pernas.
Coloquei a pasta com os papéis sobre a mesa. Peguei uma caneta na minha bolsa e levei a mão ao papel.
Ele a segurou. Olhei para nossas mãos juntas, senti o calor tão familiar… apertei a palma de sua mão com as pontas dos meus dedos, olhando para ele. Olhei de volta para as mãos, balancei a cabeça negativamente, com pesar.
Assinei e passei para ele o papel e a caneta.
Ele assinou olhando dentro dos meus olhos, sem olhar para o papel.
Não precisei piscar para as lágrimas rolarem dos meus olhos.
Levantei.
- Obrigada. Beijei-o na bochecha demoradamente.
- Já vai? Não tomou seu café! Ele alertou-me.
- Esfriou.
Eu saí. Olhando para trás, ele me assistia ir embora. Pensei que, assim como o café, se a gente deixar, o amor também esfria.
Ele chegou. Pedi dois expressos sem açúcar.
Nos cumprimentamos como dois cotovelos adolescentes: ossudos e desajeitados.
Meu rosto quase ofereceu a boca. O hábito, às vezes, é mais forte do que a vontade.
Ele olhou para os nossos copos com olhos tristes.
- Você está bem? - dissemos ao mesmo tempo e sorrimos olhando para baixo, sem mostrar os dentes.
- Você primeiro. - Meneou com a cabeça.
- Tudo indo. É estranho. - Respondi.
- Eu também, muito estranho. - Ele tomou a vez.
Fiquei em silêncio. Tomei a água toda. Troquei a cruzada de pernas.
Coloquei a pasta com os papéis sobre a mesa. Peguei uma caneta na minha bolsa e levei a mão ao papel.
Ele a segurou. Olhei para nossas mãos juntas, senti o calor tão familiar… apertei a palma de sua mão com as pontas dos meus dedos, olhando para ele. Olhei de volta para as mãos, balancei a cabeça negativamente, com pesar.
Assinei e passei para ele o papel e a caneta.
Ele assinou olhando dentro dos meus olhos, sem olhar para o papel.
Não precisei piscar para as lágrimas rolarem dos meus olhos.
Levantei.
- Obrigada. Beijei-o na bochecha demoradamente.
- Já vai? Não tomou seu café! Ele alertou-me.
- Esfriou.
Eu saí. Olhando para trás, ele me assistia ir embora. Pensei que, assim como o café, se a gente deixar, o amor também esfria.
O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é:
64 - Fale sobre um livro de paródia escrachada.
Aqui não tem "Dona Flor e seus dois maridos", tem "Aline e seus dois namorados". Mais um livro de quadrinhos da L&PM que eu adoro.
São tirinhas curtas explorando essa relação a três (olha, é um trisal em V, ela até sacaneia os dois dizendo para se divertirem sem ela e eles ficam com cara de pastel). Livro engraçado, recomendo.
#Link365TemasLivros
64 - Fale sobre um livro de paródia escrachada.
Aqui não tem "Dona Flor e seus dois maridos", tem "Aline e seus dois namorados". Mais um livro de quadrinhos da L&PM que eu adoro.
São tirinhas curtas explorando essa relação a três (olha, é um trisal em V, ela até sacaneia os dois dizendo para se divertirem sem ela e eles ficam com cara de pastel). Livro engraçado, recomendo.
#Link365TemasLivros
Desce em mim,
O calor dos teus lábios
Feito lua
Enfeitando a noite
Ilumina meus desejos
Feito luz
Invadindo
A eterna escuridão
Singra meus mares
Sedento
Por me beber
Inteira
Completa meu prazer
Com o seu
E explode
Me marcando com intensidade.
Tensiona seus musculos
Pele, torso
E ao me penetrar
Me ama e me torna
Uma, com sua própria existência.
Eliz Leão
O calor dos teus lábios
Feito lua
Enfeitando a noite
Ilumina meus desejos
Feito luz
Invadindo
A eterna escuridão
Singra meus mares
Sedento
Por me beber
Inteira
Completa meu prazer
Com o seu
E explode
Me marcando com intensidade.
Tensiona seus musculos
Pele, torso
E ao me penetrar
Me ama e me torna
Uma, com sua própria existência.
Eliz Leão
Olha o céu
vê os tons
tão suaves
tão profundos
Já pensou se…
num segundo
te trouxesse aos
meus dons?
Se o vento
enganado
te guiasse até
meu peito, eleito
e o destino
tão perfeito
te guardasse em
meu afago?
Se a lua nos unisse
se o tempo
adormecesse
e o amor que
a vida tece
nunca mais
se desfizesse…
Já pensou?
冀
vê os tons
tão suaves
tão profundos
Já pensou se…
num segundo
te trouxesse aos
meus dons?
Se o vento
enganado
te guiasse até
meu peito, eleito
e o destino
tão perfeito
te guardasse em
meu afago?
Se a lua nos unisse
se o tempo
adormecesse
e o amor que
a vida tece
nunca mais
se desfizesse…
Já pensou?
冀
Invento uma manobra
faço malabarismo
truque ou uma
desculpa qualquer
me enrolo nas palavras
tropeço na própria voz
Me faço de desentendida
mas é tudo ensaio
tudo jeito de te ter por perto
sem assustar o tempo
Quero você inteiro
sem metades, sem pressa
mas finjo que não ligo
porque quem quer demais
sempre corre o risco de perder.
Então desvio o olhar
mudo de assunto
brinco de ser distraída
mas fico esperando
qualquer sinal seu
pra desmontar o teatro
E te amar mais uma vez.
faço malabarismo
truque ou uma
desculpa qualquer
me enrolo nas palavras
tropeço na própria voz
Me faço de desentendida
mas é tudo ensaio
tudo jeito de te ter por perto
sem assustar o tempo
Quero você inteiro
sem metades, sem pressa
mas finjo que não ligo
porque quem quer demais
sempre corre o risco de perder.
Então desvio o olhar
mudo de assunto
brinco de ser distraída
mas fico esperando
qualquer sinal seu
pra desmontar o teatro
E te amar mais uma vez.
Sou caminhante,
errante,
em direção
ao meu destino.
Sou caminhante,
errante,
não abro mão
do meu caminho.
Piso em falso,
até tropeço,
me atropelo
em desatino.
Alma nua,
pés descalços,
me desmonto,
me refaço.
Perco o sonho,
me encontro,
reconstruo,
sonho alto.
Se desvio
do meu alvo,
logo volto,
já me acho.
Sou caminhante,
errante,
passo a passo
eu te alcanço.
Sou caminhante,
errante —
é você,
meu horizonte.
Jusley Naiane
#desafio 59/365
errante,
em direção
ao meu destino.
Sou caminhante,
errante,
não abro mão
do meu caminho.
Piso em falso,
até tropeço,
me atropelo
em desatino.
Alma nua,
pés descalços,
me desmonto,
me refaço.
Perco o sonho,
me encontro,
reconstruo,
sonho alto.
Se desvio
do meu alvo,
logo volto,
já me acho.
Sou caminhante,
errante,
passo a passo
eu te alcanço.
Sou caminhante,
errante —
é você,
meu horizonte.
Jusley Naiane
#desafio 59/365