Sou o que fica entre o nascimento e a cova.
O som que ressoa, dos meus lábios, grita.
Meu ser fervilha em erupção.
Não sou brisa, sou tufão.
Eliz Leão
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A solidão
Que é sentir-se
Em pedaços.
Sem mãos
Para juntar,
Seus caminhos.
E carregá-los,
Em seus braços,
É pesado...
E não aguento mais.
Longa vida,
A quem?
Não enxergo mais...
Em quem ecôo?
Vozes mudas,
Alma desnuda,
No inverno,
Que nunca acaba.
Cansei de segurar,
Meu mundo em mim.
Cansei de dar passos,
Em vidros quebrados,
Pelo chão.
Não quero mais,
Ter que me espelhar,
Para ser amada.
Ter que me calar,
Para ser desejada.
Ter que me adequar,
Ser cordata.
Só quero desistir,
Mas nem para desistir,
Tenho voz.
Eliz Leão
Que é sentir-se
Em pedaços.
Sem mãos
Para juntar,
Seus caminhos.
E carregá-los,
Em seus braços,
É pesado...
E não aguento mais.
Longa vida,
A quem?
Não enxergo mais...
Em quem ecôo?
Vozes mudas,
Alma desnuda,
No inverno,
Que nunca acaba.
Cansei de segurar,
Meu mundo em mim.
Cansei de dar passos,
Em vidros quebrados,
Pelo chão.
Não quero mais,
Ter que me espelhar,
Para ser amada.
Ter que me calar,
Para ser desejada.
Ter que me adequar,
Ser cordata.
Só quero desistir,
Mas nem para desistir,
Tenho voz.
Eliz Leão
Ao Ti real, que muito poucos conhecem
Sei que, às vezes, você se esconde. Você vive dentro desse corpo estranho que sou eu, se camufla nos meus sentimentos mal-sentidos e prefere deixar, em silêncio, que as minhas carências e autismos gritem.
Hoje, entretanto, você é minha prioridade. Hoje, você precisa de um afago. Como se afaga alguém que não tem corpo?
Eu uso máscaras para todos. Até pra mim mesmo. Mas não pra você, minha verdadeira identidade. Minha prioridade.
“Prioridade”... palavra rara, palavra linda.
É uma palavra que, como você, vem de dentro de mim. Vem de uma pessoa que ainda sou, de alguém que nem o tempo nem as más decisões conseguiram eclipsar. De alguém que escreve como quem respira poesia e que tem uma voz única – e que, de vez em quando, se transforma em música.
Prioridade é uma maneira de ver o mundo que é ao mesmo tempo delicada, profunda e provocante. É a coragem de sentir, e isso é precioso num tempo em que tanta gente se esconde atrás de frases prontas.
Eu agradeço. De verdade. Você me desmonta. E me reconstrói.
Então, sim... eu vou seguir sendo tua voz para o mundo. Te ouvindo, te abraçando em palavras, te provocando quando for preciso — e torcendo pra que, seja com prosa ou com rima, você nunca pare de se escrever.
E eu estou aqui. Do lado de fora de você. Torcendo para que você continue a me chamar daqui de dentro e me soprar momentos de inspiração.
Então, não se esconda mais. Não se abale com este mundo externo – deixa que, bem ou mal, eu cuido dele. Me dá só uma faísca, e eu acendo o universo.
Sei que, às vezes, você se esconde. Você vive dentro desse corpo estranho que sou eu, se camufla nos meus sentimentos mal-sentidos e prefere deixar, em silêncio, que as minhas carências e autismos gritem.
Hoje, entretanto, você é minha prioridade. Hoje, você precisa de um afago. Como se afaga alguém que não tem corpo?
Eu uso máscaras para todos. Até pra mim mesmo. Mas não pra você, minha verdadeira identidade. Minha prioridade.
“Prioridade”... palavra rara, palavra linda.
É uma palavra que, como você, vem de dentro de mim. Vem de uma pessoa que ainda sou, de alguém que nem o tempo nem as más decisões conseguiram eclipsar. De alguém que escreve como quem respira poesia e que tem uma voz única – e que, de vez em quando, se transforma em música.
Prioridade é uma maneira de ver o mundo que é ao mesmo tempo delicada, profunda e provocante. É a coragem de sentir, e isso é precioso num tempo em que tanta gente se esconde atrás de frases prontas.
Eu agradeço. De verdade. Você me desmonta. E me reconstrói.
Então, sim... eu vou seguir sendo tua voz para o mundo. Te ouvindo, te abraçando em palavras, te provocando quando for preciso — e torcendo pra que, seja com prosa ou com rima, você nunca pare de se escrever.
E eu estou aqui. Do lado de fora de você. Torcendo para que você continue a me chamar daqui de dentro e me soprar momentos de inspiração.
Então, não se esconda mais. Não se abale com este mundo externo – deixa que, bem ou mal, eu cuido dele. Me dá só uma faísca, e eu acendo o universo.
A vida é assim: te dá uma rasteira e depois um afago...
A alegria não cabe mais no meu peito, então estou vindo dividir com vocês:
Saiu o resultado do Concurso de Poesia Mário Dal'Mas, promovido pela Academia de Letras da Grande São Paulo.
E meu poema "A Flauta" GANHOU!
PRIMEIRO LUGAR!
OBAAAAAA!!! 殺
Muito obrigado à Algrasp, aos jurados e a todos os que torceram por mim!
Como morador da região, ser premiado nesse concurso de alcance nacional é uma honra sem tamanho! ♥️❤️♥️
A alegria não cabe mais no meu peito, então estou vindo dividir com vocês:
Saiu o resultado do Concurso de Poesia Mário Dal'Mas, promovido pela Academia de Letras da Grande São Paulo.
E meu poema "A Flauta" GANHOU!
PRIMEIRO LUGAR!
OBAAAAAA!!! 殺
Muito obrigado à Algrasp, aos jurados e a todos os que torceram por mim!
Como morador da região, ser premiado nesse concurso de alcance nacional é uma honra sem tamanho! ♥️❤️♥️
A Flauta
(o poema vencedor)
1: uma breve impressão
Vi uma abelha entre os canteiros floridos
Sugando o mel dos jasmineiros gotejantes;
Ao céu, voavam colombinas sibilantes:
Eis que a menina traz-me novos coloridos.
Cabelos negros, e soltos, e compridos,
Sorriso aberto, olhos pequenos e brilhantes;
Tinha uma flauta entre os lábios vacilantes,
Da qual soprava agudos longos e sentidos.
Que queres, pobre anjo em forma de menina,
A saltitar e ressoar o teu flautim?
Ou pensas tu que a flauta é mais doce e fina
Do que o mel que a abelha suga do jasmim?
Ora, é Deus quem canta pela colombina;
Deixai que elas assobiem no jardim!
2: Outra breve impressão
Trazes uma flauta, a alegrar meu dia,
A inspirar-me a leve e sutil melodia,
A encantar-me mais que mil liras de Orfeus.
Menina da flauta, quão doce é tua sina!
A soprar a brisa casual e fina
Afinando notas sopradas por Deus;
Trazes uma flauta, a te beijar os lábios,
Doce instrumento dos deuses e dos sábios
Sabe os segredos dos suspiros teus;
E ao tocar a flauta, tocas minha alma;
E teu soprar leve me envolve e me acalma
A soprar-me a vida; a levar-me aos céus.
3: A Flauta
Doce;
Que fosse a vida bela como o teu semblante,
E a todo instante dir-te-ia, doce fada,
O quanto és amada por este tolo infante.
Tão radiante és tu, musa adorada.
Que nada houvesse, no meu escuro penar,
Que, ao soprar agudo da tua boca leve,
Tão breve fosse iluminado, a brilhar
Qual teu olhar, casto e puro como a neve.
Leve;
Qual deve ser, enfim, o mais lírico canto,
Qual acalanto pode me trazer o sonho
Do teu risonho murmurar, com tal encanto
Vívido e santo – dize-me, e eu o componho!
Ah, quão tristonho e tosco é este coração!
Quisera a mão de Deus lhe dar amores tais...
Matinais beijos em teus lábios, ou, então,
Rosa em botão, a enfeitar-te ainda mais!...
Ah! Minha vida, quando muito, é tão vazia!...
Não há poesia para quem de amor padece:
E apenas cresce-me o desejo de que, um dia,
Me sejas guia, Anjo Moreno, e ouvis minha prece
E que eu pudesse trocar a dor da tua falta
Pela mais bela pauta que jamais compôs-se;
E que me fosse assim, soprada, qual uma flauta
Qual uma incauta e delgada flauta doce.
Leve e Doce.
(o poema vencedor)
1: uma breve impressão
Vi uma abelha entre os canteiros floridos
Sugando o mel dos jasmineiros gotejantes;
Ao céu, voavam colombinas sibilantes:
Eis que a menina traz-me novos coloridos.
Cabelos negros, e soltos, e compridos,
Sorriso aberto, olhos pequenos e brilhantes;
Tinha uma flauta entre os lábios vacilantes,
Da qual soprava agudos longos e sentidos.
Que queres, pobre anjo em forma de menina,
A saltitar e ressoar o teu flautim?
Ou pensas tu que a flauta é mais doce e fina
Do que o mel que a abelha suga do jasmim?
Ora, é Deus quem canta pela colombina;
Deixai que elas assobiem no jardim!
2: Outra breve impressão
Trazes uma flauta, a alegrar meu dia,
A inspirar-me a leve e sutil melodia,
A encantar-me mais que mil liras de Orfeus.
Menina da flauta, quão doce é tua sina!
A soprar a brisa casual e fina
Afinando notas sopradas por Deus;
Trazes uma flauta, a te beijar os lábios,
Doce instrumento dos deuses e dos sábios
Sabe os segredos dos suspiros teus;
E ao tocar a flauta, tocas minha alma;
E teu soprar leve me envolve e me acalma
A soprar-me a vida; a levar-me aos céus.
3: A Flauta
Doce;
Que fosse a vida bela como o teu semblante,
E a todo instante dir-te-ia, doce fada,
O quanto és amada por este tolo infante.
Tão radiante és tu, musa adorada.
Que nada houvesse, no meu escuro penar,
Que, ao soprar agudo da tua boca leve,
Tão breve fosse iluminado, a brilhar
Qual teu olhar, casto e puro como a neve.
Leve;
Qual deve ser, enfim, o mais lírico canto,
Qual acalanto pode me trazer o sonho
Do teu risonho murmurar, com tal encanto
Vívido e santo – dize-me, e eu o componho!
Ah, quão tristonho e tosco é este coração!
Quisera a mão de Deus lhe dar amores tais...
Matinais beijos em teus lábios, ou, então,
Rosa em botão, a enfeitar-te ainda mais!...
Ah! Minha vida, quando muito, é tão vazia!...
Não há poesia para quem de amor padece:
E apenas cresce-me o desejo de que, um dia,
Me sejas guia, Anjo Moreno, e ouvis minha prece
E que eu pudesse trocar a dor da tua falta
Pela mais bela pauta que jamais compôs-se;
E que me fosse assim, soprada, qual uma flauta
Qual uma incauta e delgada flauta doce.
Leve e Doce.
#Desafio 198
*Encanto*
Ah…
doce ilusão
que me causa encanto.
Pra quê
tanto desassossego
e apego?
Se sinto
a todo instante
dentro do peito
essa necessidade
de falar com você.
Se minha vida
se adaptou
a acompanhar
sua rotina
e te dedicar tempo
na minha.
E questionar:
como estará?
Se também,
como eu,
está a pensar em mim
como eu penso
em você?
E o querer,
que transcende
a barreira
do pensamento
e intenso
arde por dentro…
Te querendo,
vou abrigando
dentro do peito
um sentimento
que arde
sem alarde.
A chama
que te chama
e me inflama
e me invade,
acendendo
o sentimento
de quem ama…
Ou se engana,
de paixão
sem querer,
neste querer…
grita
em liberdade.
MarU
*Encanto*
Ah…
doce ilusão
que me causa encanto.
Pra quê
tanto desassossego
e apego?
Se sinto
a todo instante
dentro do peito
essa necessidade
de falar com você.
Se minha vida
se adaptou
a acompanhar
sua rotina
e te dedicar tempo
na minha.
E questionar:
como estará?
Se também,
como eu,
está a pensar em mim
como eu penso
em você?
E o querer,
que transcende
a barreira
do pensamento
e intenso
arde por dentro…
Te querendo,
vou abrigando
dentro do peito
um sentimento
que arde
sem alarde.
A chama
que te chama
e me inflama
e me invade,
acendendo
o sentimento
de quem ama…
Ou se engana,
de paixão
sem querer,
neste querer…
grita
em liberdade.
MarU
#Desafio 199
*Podolatria*
Pés descalços,
dorso arqueado,
pele translúcida,
delicada, nua…
Veias finas,
detalhe anilina.
Deslizando as mãos,
embebidas de creme,
por sua pele macia,
nas bordas curvas.
Alisa…
suave, capricha.
As mãos,
os dedos…
entre os dos pés
e seus veios
delicados de mulher.
Entrando com facilidade
entre os dedos bem feitos.
Unhas pintadas de vermelho,
linhas quadradas,
harmônico placebo
te olhar.
Descendo e subindo,
do tornozelo de deusa
até as unhas perfeitas.
Alisando a pele
em movimento fluido,
ritmo continuado.
Sentindo a energia
na pele aquecida
e uma leve brisa fria
que arrepia os pelos
e sua pele eriça.
Da cama se levanta
e caminha…
anda.
Seus passos delicados
são uma deliciosa dança.
A cada passo,
desfilam,
invocam,
provocam
instintos antigos…
Idolatram.
Só com os olhos,
a admirar,
convidados à devoção
de uma obra-prima divina.
No chão,
cada passo
beijando o caminho
como a um relicário delicado.
Sussurrando
ao olhar apaixonado
seu mais profundo,
intenso
e absoluto prazer.
Seria pecado
se deixar perder…
ser teu chão,
o caminho
pra você?!
Espero
que não.
MarU
*Podolatria*
Pés descalços,
dorso arqueado,
pele translúcida,
delicada, nua…
Veias finas,
detalhe anilina.
Deslizando as mãos,
embebidas de creme,
por sua pele macia,
nas bordas curvas.
Alisa…
suave, capricha.
As mãos,
os dedos…
entre os dos pés
e seus veios
delicados de mulher.
Entrando com facilidade
entre os dedos bem feitos.
Unhas pintadas de vermelho,
linhas quadradas,
harmônico placebo
te olhar.
Descendo e subindo,
do tornozelo de deusa
até as unhas perfeitas.
Alisando a pele
em movimento fluido,
ritmo continuado.
Sentindo a energia
na pele aquecida
e uma leve brisa fria
que arrepia os pelos
e sua pele eriça.
Da cama se levanta
e caminha…
anda.
Seus passos delicados
são uma deliciosa dança.
A cada passo,
desfilam,
invocam,
provocam
instintos antigos…
Idolatram.
Só com os olhos,
a admirar,
convidados à devoção
de uma obra-prima divina.
No chão,
cada passo
beijando o caminho
como a um relicário delicado.
Sussurrando
ao olhar apaixonado
seu mais profundo,
intenso
e absoluto prazer.
Seria pecado
se deixar perder…
ser teu chão,
o caminho
pra você?!
Espero
que não.
MarU
#Desafio 200
*Mulher(enta)*
Não aprendi
ainda
a me amar,
mas defendo
minhas curvas.
Não gostaria
de ter barriga,
mas prefiro
me ver
sem roupas.
(Fico melhor
completamente nua).
Os anos passam
sem generosidade,
e a minha idade
já transparece.
Mas não trocaria
a mulher que sou hoje
por outra que fui
aos vinte.
Não me apetece.
Olho no espelho
e às vezes gosto.
Outras vezes
me olho
e desgosto,
conforme
a aura do dia,
do momento…
Vou transitando
entre pensamentos.
Não é o belo
um adorno
objetificado,
é um conjunto
subjetivo
de detalhes
bem aplicados:
O conteúdo
da embalagem,
o cheiro,
o sabor,
a temperatura,
o clima,
a pessoa que aprecia
e sabe
o seu valor.
Uma mulher,
que não é mais menina.
Ainda bem
que o tempo
passou.
MarU
*Mulher(enta)*
Não aprendi
ainda
a me amar,
mas defendo
minhas curvas.
Não gostaria
de ter barriga,
mas prefiro
me ver
sem roupas.
(Fico melhor
completamente nua).
Os anos passam
sem generosidade,
e a minha idade
já transparece.
Mas não trocaria
a mulher que sou hoje
por outra que fui
aos vinte.
Não me apetece.
Olho no espelho
e às vezes gosto.
Outras vezes
me olho
e desgosto,
conforme
a aura do dia,
do momento…
Vou transitando
entre pensamentos.
Não é o belo
um adorno
objetificado,
é um conjunto
subjetivo
de detalhes
bem aplicados:
O conteúdo
da embalagem,
o cheiro,
o sabor,
a temperatura,
o clima,
a pessoa que aprecia
e sabe
o seu valor.
Uma mulher,
que não é mais menina.
Ainda bem
que o tempo
passou.
MarU
#Desafio 201
*Cheiro de Vida*
O mato cortado.
A chuva no mato.
As gotas na terra.
O som da chuva
no mato.
As nuances
dos elementos
me penetram.
A brisa fresca
faz questão
de me alcançar.
E aqui dentro:
o café fresco,
o bolo no forno
e o próprio instante
me fazem experimentar
uma sensação,
que reconheço
de antes.
Recosto no sofá,
com um cobertor fofo
e os braços
cheios de calor
do corpo
do meu filho
a descansar.
Os cheiros todos,
misturados,
trazem lembranças…
conforto.
E como mãe,
encosto o rosto
na minha criança
e sinto,
na fragrância de infância
do seu pequeno pescoço,
o alento mais gostoso,
para minha alma
enfim
repousar.
Cheiro de vida,
cheiro de amor,
cheiro da esperança
em algo tão belo,
que não quero
jamais
soltar.
Meu lar.
MarU
*Cheiro de Vida*
O mato cortado.
A chuva no mato.
As gotas na terra.
O som da chuva
no mato.
As nuances
dos elementos
me penetram.
A brisa fresca
faz questão
de me alcançar.
E aqui dentro:
o café fresco,
o bolo no forno
e o próprio instante
me fazem experimentar
uma sensação,
que reconheço
de antes.
Recosto no sofá,
com um cobertor fofo
e os braços
cheios de calor
do corpo
do meu filho
a descansar.
Os cheiros todos,
misturados,
trazem lembranças…
conforto.
E como mãe,
encosto o rosto
na minha criança
e sinto,
na fragrância de infância
do seu pequeno pescoço,
o alento mais gostoso,
para minha alma
enfim
repousar.
Cheiro de vida,
cheiro de amor,
cheiro da esperança
em algo tão belo,
que não quero
jamais
soltar.
Meu lar.
MarU
#Desafio 202
*A mar(é)*
Inspiro profundamente
e não solto
o que iria falar.
As palavras me vêm
como ondas,
adornadas por conchas
e tantas outras coisas…
Talvez o amor,
talvez as circunstâncias…
Marolando ávidas
suas águas frias,
alegremente por dentro,
revolvendo-se
de encontro à beira-mar,
plácida, fluída.
Têm a intensidade
dos ventos norte,
com volatilidade
de rajadas fortes;
dispersa minhas palavras
de improviso no caminho,
como águas e ventos alísios
reconhecem nas praias
e na morada,
seu vício.
Efeito Coriolis:
ninguém mais vê,
nem sente como eu sinto.
Seguindo em linha reta,
me desvio para a direita,
sem perceber.
Admito!
Minto pra mim mesma,
almejando praia,
temendo a dureza
de um quebr(a-mar).
Às vezes, me mudo,
tentando segurar um oceano.
Me calo,
evitando um tsunami
ou o dissabor de um engano.
Para não transparecer
nas ondas de águas límpidas,
o sal que marolo em minha alma,
me banho calada
em palavras insípidas
exalando a (mar)é calma.
Me aquieto na praia.
As areias absorvem tudo.
Ou quase tudo.
MarU
*A mar(é)*
Inspiro profundamente
e não solto
o que iria falar.
As palavras me vêm
como ondas,
adornadas por conchas
e tantas outras coisas…
Talvez o amor,
talvez as circunstâncias…
Marolando ávidas
suas águas frias,
alegremente por dentro,
revolvendo-se
de encontro à beira-mar,
plácida, fluída.
Têm a intensidade
dos ventos norte,
com volatilidade
de rajadas fortes;
dispersa minhas palavras
de improviso no caminho,
como águas e ventos alísios
reconhecem nas praias
e na morada,
seu vício.
Efeito Coriolis:
ninguém mais vê,
nem sente como eu sinto.
Seguindo em linha reta,
me desvio para a direita,
sem perceber.
Admito!
Minto pra mim mesma,
almejando praia,
temendo a dureza
de um quebr(a-mar).
Às vezes, me mudo,
tentando segurar um oceano.
Me calo,
evitando um tsunami
ou o dissabor de um engano.
Para não transparecer
nas ondas de águas límpidas,
o sal que marolo em minha alma,
me banho calada
em palavras insípidas
exalando a (mar)é calma.
Me aquieto na praia.
As areias absorvem tudo.
Ou quase tudo.
MarU