Tira-se a cortina
O espetáculo se avizinha.
Ela, que toda tímida, acuada , amarrada, se obrigava a ser cordata, agora se agiganta , brilha!
No palco, ela encanta, mostra a que veio,
Seus sapatos dourados, vestem os passos acertados, antes incertos, mas agora, completamente embasados.
Embasados na sua inteligência e na sua interpretação de mundo.
Ela é grande, já extravasou suas viseiras.
Viva, repleta, ela não é metade, como a fizeram acreditar .
Essa moça, é inteira!
Eliz Leão
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Poema para quem tem fôlego
(Considerem essa a minha estreia no SEXXXTOU... E espero não decepcionar )
Eu, sentado.
Ela, no meu colo, senta.
Ela, de imediato, sente.
Pele com pele, sem tecidos obstruindo,
Sem barreiras.
Calor do corpo.
Do meu, do seu.
Embaça os óculos - ela os tira
Só precisa me ver
Com os olhos do desejo.
Molhados. Eu, de suor,
Ela, de tesão.
Escorrega, mas encaixa.
Sempre encaixa.
Seus seios, fartos e ofegantes,
Envolvem meu rosto:
Também eu não vejo mais nada,
Só a maciez da tua pele e do teu cheiro.
Sobe um pouco, desce um pouco
De leve devagar cadenciado
Respiração começando a pesar
Como o teu corpo pesando
no meu rígido membro em chamas
Em chamas
Ele se afoga em ti.
Molhado, mas em chamas.
Vai-e-vem, te acariciando por dentro.
Uma serpente a te dar botes e te envenenar.
Meus dedos passeiam de leve
Eriçando seus pêlos e mamilos
Sentindo sua pele se arrepiar
Quase sem tocar.
Escorrega. Prazer demais
Mel demais.
Um pouco mais forte, um pouco mais
Intenso a cada instante.
Não há pressa, mas há urgência
Em beijar teu corpo, e perceber
Teus lábios semi-abertos
Teus olhos semi-fechados.
Minhas mãos não querem parar:
Te leio como se fosse em Braille:
Tua pele cheia de pontinhos arrepiados,
Dizendo: "Me come gostoso"
"Me come, gostoso!"
"Gostoso!"
Me come com os olhos, com a boca em cima em baixo
Me come de todas as formas possíveis.
As palavras vão saindo, à revelia:
Não são mais seios, membro, ânus:
O decoro exige "bunda, cu, pau, peito".
A ocasião exige palavras de gala.
"Foda-se o decoro", penso eu.
"Foda-me gostoso", diz você.
A mesma língua, o mesmo
Vocabulário acadêmico,
Onde imperam os "Ah!s" e "Uh!s".
Meus lábios se incendeiam no teu peito,
Minhas mãos passeiam pela sua bunda,
Meu dedo roça no teu cu.
"Posso?", penso.
E então, sinto você estremecer
Prender a respiração, travar de leve
E sorrir e mexer e me agarrar o pescoço:
"Posso!", penso.
Cabeça para trás, a sentir a minha invasão
Meu dedo atrevido onde não deve
- Ou deve?
A aumentar a velocidade e intensidade
Da montanha-russa de emoções e sentidos.
Mergulhado na intensidade da sua Xana,
Envolvido no aperto do seu rabo
Mordiscando de leve seus biquinhos aguçados,
Me sinto seu e sei que és minha, ao menos agora.
Volúpia. Urgência. Afoita e entregue,
Rebola e arfa, e esfrega, e geme...
Envolvo em minhas mãos os seus cabelos
Seguro sua nuca, puxo pra mim.
Toda pra mim.
Tesão. Insustentável. Incontrolavel.
Interminável.
Sinto suas unhas de afundarem nas minhas costas
E um gemido de gozo e contrair da espinha
E uma travadinha de leve na pelve,
Como a não deixar que eu saia de lá de dentro.
Músculos tesos que se contraem.
Movimentos voltando ao normal,
Mais leves e frouxos e repletos de satisfação.
Olhas para mim com um sorriso bobo:
"Acabou comigo", me diz, sussurrando.
Deixa seu corpo relaxar sobre o meu,
Mas eu, ainda duro e sedento, dedo enfiado lá atrás,
Respondo: Não... Ainda não acabei...
(Considerem essa a minha estreia no SEXXXTOU... E espero não decepcionar )
Eu, sentado.
Ela, no meu colo, senta.
Ela, de imediato, sente.
Pele com pele, sem tecidos obstruindo,
Sem barreiras.
Calor do corpo.
Do meu, do seu.
Embaça os óculos - ela os tira
Só precisa me ver
Com os olhos do desejo.
Molhados. Eu, de suor,
Ela, de tesão.
Escorrega, mas encaixa.
Sempre encaixa.
Seus seios, fartos e ofegantes,
Envolvem meu rosto:
Também eu não vejo mais nada,
Só a maciez da tua pele e do teu cheiro.
Sobe um pouco, desce um pouco
De leve devagar cadenciado
Respiração começando a pesar
Como o teu corpo pesando
no meu rígido membro em chamas
Em chamas
Ele se afoga em ti.
Molhado, mas em chamas.
Vai-e-vem, te acariciando por dentro.
Uma serpente a te dar botes e te envenenar.
Meus dedos passeiam de leve
Eriçando seus pêlos e mamilos
Sentindo sua pele se arrepiar
Quase sem tocar.
Escorrega. Prazer demais
Mel demais.
Um pouco mais forte, um pouco mais
Intenso a cada instante.
Não há pressa, mas há urgência
Em beijar teu corpo, e perceber
Teus lábios semi-abertos
Teus olhos semi-fechados.
Minhas mãos não querem parar:
Te leio como se fosse em Braille:
Tua pele cheia de pontinhos arrepiados,
Dizendo: "Me come gostoso"
"Me come, gostoso!"
"Gostoso!"
Me come com os olhos, com a boca em cima em baixo
Me come de todas as formas possíveis.
As palavras vão saindo, à revelia:
Não são mais seios, membro, ânus:
O decoro exige "bunda, cu, pau, peito".
A ocasião exige palavras de gala.
"Foda-se o decoro", penso eu.
"Foda-me gostoso", diz você.
A mesma língua, o mesmo
Vocabulário acadêmico,
Onde imperam os "Ah!s" e "Uh!s".
Meus lábios se incendeiam no teu peito,
Minhas mãos passeiam pela sua bunda,
Meu dedo roça no teu cu.
"Posso?", penso.
E então, sinto você estremecer
Prender a respiração, travar de leve
E sorrir e mexer e me agarrar o pescoço:
"Posso!", penso.
Cabeça para trás, a sentir a minha invasão
Meu dedo atrevido onde não deve
- Ou deve?
A aumentar a velocidade e intensidade
Da montanha-russa de emoções e sentidos.
Mergulhado na intensidade da sua Xana,
Envolvido no aperto do seu rabo
Mordiscando de leve seus biquinhos aguçados,
Me sinto seu e sei que és minha, ao menos agora.
Volúpia. Urgência. Afoita e entregue,
Rebola e arfa, e esfrega, e geme...
Envolvo em minhas mãos os seus cabelos
Seguro sua nuca, puxo pra mim.
Toda pra mim.
Tesão. Insustentável. Incontrolavel.
Interminável.
Sinto suas unhas de afundarem nas minhas costas
E um gemido de gozo e contrair da espinha
E uma travadinha de leve na pelve,
Como a não deixar que eu saia de lá de dentro.
Músculos tesos que se contraem.
Movimentos voltando ao normal,
Mais leves e frouxos e repletos de satisfação.
Olhas para mim com um sorriso bobo:
"Acabou comigo", me diz, sussurrando.
Deixa seu corpo relaxar sobre o meu,
Mas eu, ainda duro e sedento, dedo enfiado lá atrás,
Respondo: Não... Ainda não acabei...
*Inteira*
Quero toques múltiplos,
boca sugando meus mamilos,
dedo no meu cu,
respiração ofegante,
encaixe alucinante,
desespero…
Sua mão forte
controlando o movimento…
ritmado…
Quero toque pesado,
grudado,
quase violento…
Quero fome!
Quero você sedento…
Quero sentir você,
metido e inteiro,
dentro.
Me dê o que eu gosto,
E do meu gozo,
receberá
todos os meus pulsares
involuntários,
como resposta.
Receberá meus calores,
lubrificando nossa foda.
Receberá meus gemidos
afrodisíacos
de satisfação
de mulher fogosa.
E ao fim,
notará que me tem inteira:
na carne
que com você goza,
desfeita,
até só restar
minha alma
em você.
MarU
#
Quero toques múltiplos,
boca sugando meus mamilos,
dedo no meu cu,
respiração ofegante,
encaixe alucinante,
desespero…
Sua mão forte
controlando o movimento…
ritmado…
Quero toque pesado,
grudado,
quase violento…
Quero fome!
Quero você sedento…
Quero sentir você,
metido e inteiro,
dentro.
Me dê o que eu gosto,
E do meu gozo,
receberá
todos os meus pulsares
involuntários,
como resposta.
Receberá meus calores,
lubrificando nossa foda.
Receberá meus gemidos
afrodisíacos
de satisfação
de mulher fogosa.
E ao fim,
notará que me tem inteira:
na carne
que com você goza,
desfeita,
até só restar
minha alma
em você.
MarU
#
#Desafio 145
*Eu adoro falar com você*
Eu adoro falar com você!
É incrível como a conversa flui,
como nos entendemos nas entrelinhas,
entre textos, sentimentos e poesias.
Somos compreendidos
e sentimos isso!
É uma interação fluída, genuína.
Falamos abertos,
como almas reconhecidas.
Vamos numa mesma conversa:
do choro e tristeza
a risadas e brincadeiras.
Como pássaros,
voamos alto…
e lá de cima,
despencamos de um penhasco
só pra sentir a adrenalina,
a euforia da vida…
Que é mais bonita
voando com você!
Falta tempo
para tantas palavras,
nessa ligação
que temos de almas.
Eu adoro falar com você,
sabia?
MarU
*Eu adoro falar com você*
Eu adoro falar com você!
É incrível como a conversa flui,
como nos entendemos nas entrelinhas,
entre textos, sentimentos e poesias.
Somos compreendidos
e sentimos isso!
É uma interação fluída, genuína.
Falamos abertos,
como almas reconhecidas.
Vamos numa mesma conversa:
do choro e tristeza
a risadas e brincadeiras.
Como pássaros,
voamos alto…
e lá de cima,
despencamos de um penhasco
só pra sentir a adrenalina,
a euforia da vida…
Que é mais bonita
voando com você!
Falta tempo
para tantas palavras,
nessa ligação
que temos de almas.
Eu adoro falar com você,
sabia?
MarU
"Que não se leve a sério este poema
Porque não fala do amor, fala da pena
E nele se percebe o meu cansaço
Restos de um mar antigo e de sargaço
Difícil dizer amor quando se ama
E na memória aprisionar o instante
Difícil tirar os olhos de uma chama
E de repente sabê-los na constante
E mesma e igual procura. E de repente
Esquecidos de tudo que já viram
Sonharem que são olhos inocentes
Ah, o mundo que os meus olhos assistiram...
Na noite com espanto eles se abriram
Na noite se fecharam, de repente. "
Hilda Hilst
Porque não fala do amor, fala da pena
E nele se percebe o meu cansaço
Restos de um mar antigo e de sargaço
Difícil dizer amor quando se ama
E na memória aprisionar o instante
Difícil tirar os olhos de uma chama
E de repente sabê-los na constante
E mesma e igual procura. E de repente
Esquecidos de tudo que já viram
Sonharem que são olhos inocentes
Ah, o mundo que os meus olhos assistiram...
Na noite com espanto eles se abriram
Na noite se fecharam, de repente. "
Hilda Hilst
Quem pudera imaginar
Quem ousaria sonhar!
Aquele amor,
Tão simplesmente,
Que acontece na alma da gente.
Tem empatia, tem coração,
Tem doer, que nunca sentiu,
Mas, se na tua alma sangra,
Sangro eu e inflama.
Mas tem estender, de mãos e abraços.
Tem presença, mesmo de longe.
Tem permanência.
Tem gostar de graça.
Tem conversa que é cura.
Tem sorriso em meio às lágrimas.
Porque tudo que é ela, é força.
Força, que por vezes perdemos,
E doamos uma à outra.
Tem fé, em si mesma.
Tem olhar que acolhe.
Tem certeza.
Quem podia imaginar,
Que ao se aproximar
O outono da vida,
Tanta flor, floresceria.
Eliz Leão
#festadascalcinhas
Quem ousaria sonhar!
Aquele amor,
Tão simplesmente,
Que acontece na alma da gente.
Tem empatia, tem coração,
Tem doer, que nunca sentiu,
Mas, se na tua alma sangra,
Sangro eu e inflama.
Mas tem estender, de mãos e abraços.
Tem presença, mesmo de longe.
Tem permanência.
Tem gostar de graça.
Tem conversa que é cura.
Tem sorriso em meio às lágrimas.
Porque tudo que é ela, é força.
Força, que por vezes perdemos,
E doamos uma à outra.
Tem fé, em si mesma.
Tem olhar que acolhe.
Tem certeza.
Quem podia imaginar,
Que ao se aproximar
O outono da vida,
Tanta flor, floresceria.
Eliz Leão
#festadascalcinhas
#Desafio 141
*Despertar*
Enquanto
o tempo não passa,
me interno em mim,
a recordar…
Recortes
de memórias inventadas,
palavras pensadas,
mas nunca faladas…
De momentos,
que criei
pra te encontrar.
Te viver,
paralelamente,
em pensamentos,
numa realidade
que nunca existiu…
Me liberta na vida
“de verdade”,
(de certa forma…)
Guiando meus passos
para uma verdade,
que ecoa
apenas dentro de mim.
São sonhos imaginados,
poemas idealizados,
desencorajados
pelas inconsistências da vida.
Nem por isso,
deixados de sonhar.
(Talvez,
em outra vida?)
Não somente recordar
memórias não vividas,
mas acordar
para a vida…
Num novo
despertar.
MarU
*Despertar*
Enquanto
o tempo não passa,
me interno em mim,
a recordar…
Recortes
de memórias inventadas,
palavras pensadas,
mas nunca faladas…
De momentos,
que criei
pra te encontrar.
Te viver,
paralelamente,
em pensamentos,
numa realidade
que nunca existiu…
Me liberta na vida
“de verdade”,
(de certa forma…)
Guiando meus passos
para uma verdade,
que ecoa
apenas dentro de mim.
São sonhos imaginados,
poemas idealizados,
desencorajados
pelas inconsistências da vida.
Nem por isso,
deixados de sonhar.
(Talvez,
em outra vida?)
Não somente recordar
memórias não vividas,
mas acordar
para a vida…
Num novo
despertar.
MarU
em QUEDA
ele cai
não grita. não chora.
só cai.
porque aprendeu cedo
que dor é coisa para calar.
asas partidas,
ossos rangendo sob o peso do mundo,
o sangue não escorre, seca por dentro.
há dias em que a vida
arranca seu voo com dentes,
e o enterra de pé,
pois não importa o que aconteça,
ele deve permanecer de pé.
mas, ainda assim,
em silêncio,
ele sente.
e tudo bem se o peito arder,
se os olhos tremerem,
se o chão for o único colo.
porque as lágrimas não choradas
são em si um mar inteiro,
e mesmo sem asas
há dignidade em tentar levantar.
ele cai
não grita. não chora.
só cai.
porque aprendeu cedo
que dor é coisa para calar.
asas partidas,
ossos rangendo sob o peso do mundo,
o sangue não escorre, seca por dentro.
há dias em que a vida
arranca seu voo com dentes,
e o enterra de pé,
pois não importa o que aconteça,
ele deve permanecer de pé.
mas, ainda assim,
em silêncio,
ele sente.
e tudo bem se o peito arder,
se os olhos tremerem,
se o chão for o único colo.
porque as lágrimas não choradas
são em si um mar inteiro,
e mesmo sem asas
há dignidade em tentar levantar.
Assassina
Matei noventa e nove
Com mãos firmes, olhos marejados,
degolei futuros como quem corta flores lindas demais para durar
Feita de carne e dilema,
visto preto desde que aprendi a decidir
Há noites em que ouço passos
são eles: os caminhos mortos,
arrastando promessas pelas sombras
e me chamando de volta pelo nome
que eu teria se tivesse sido outra
Caso ninguém tenha lhe avisado,
Insisto: escolher é um ato terminal
A vida não admite apelação,
nem visita íntima ao “e se”
O diabo desta vida
é que cada escolha feita
me faz cúmplice da estrada trilhada
e viúva de todas as outras
Sinto o cheiro do arrependimento
antes mesmo que ele brote em meus escombros
A nostalgia lambe meus pulsos nas madrugadas em que sonho com os rostos que não irei conhecer
Mato futuros com a frieza de quem ama
Não de desamor,
mas de sobrevivência.
Matei noventa e nove
Com mãos firmes, olhos marejados,
degolei futuros como quem corta flores lindas demais para durar
Feita de carne e dilema,
visto preto desde que aprendi a decidir
Há noites em que ouço passos
são eles: os caminhos mortos,
arrastando promessas pelas sombras
e me chamando de volta pelo nome
que eu teria se tivesse sido outra
Caso ninguém tenha lhe avisado,
Insisto: escolher é um ato terminal
A vida não admite apelação,
nem visita íntima ao “e se”
O diabo desta vida
é que cada escolha feita
me faz cúmplice da estrada trilhada
e viúva de todas as outras
Sinto o cheiro do arrependimento
antes mesmo que ele brote em meus escombros
A nostalgia lambe meus pulsos nas madrugadas em que sonho com os rostos que não irei conhecer
Mato futuros com a frieza de quem ama
Não de desamor,
mas de sobrevivência.
Um dia, eu serei nada.
O nada que rasteja entre o musgo da terra,
Junto aos vermes e seres minúsculos,
Que nutrem a mãe natureza.
Um dia, eu serei lembrança.
Lembrança doída, sofrida no início,
Mas que se dissipará, com o tempo.
Um dia, alguém que me conheceu,
Verá flores de algum jardim, ou uma borboleta, ou um simples dente de leão,
E se lembrará, das coisas que eu amei.
Da simplicidade que eu precisava na vida.
Da minha risada, das minhas piadas engraçadas e as não tão engraçadas.
Do sabor da minha comida.
Do meu cheiro.
Do meu coração.
Do que era mais importante pra mim.
Do meu choro.
Da minha voz.
Por isso, sigo, fazendo memórias, muitas delas gravadas,
Caso meu cérebro falhe na velhice.
Viver intensamente, tudo que eu sou, e tudo que tenho para dar.
Na infinitude do tempo,
Tudo desvanece,
Mas enquanto eu estiver viva,
Tudo que me importa,
É plantar sementes.
Você as regará?
Eliz Leão
O nada que rasteja entre o musgo da terra,
Junto aos vermes e seres minúsculos,
Que nutrem a mãe natureza.
Um dia, eu serei lembrança.
Lembrança doída, sofrida no início,
Mas que se dissipará, com o tempo.
Um dia, alguém que me conheceu,
Verá flores de algum jardim, ou uma borboleta, ou um simples dente de leão,
E se lembrará, das coisas que eu amei.
Da simplicidade que eu precisava na vida.
Da minha risada, das minhas piadas engraçadas e as não tão engraçadas.
Do sabor da minha comida.
Do meu cheiro.
Do meu coração.
Do que era mais importante pra mim.
Do meu choro.
Da minha voz.
Por isso, sigo, fazendo memórias, muitas delas gravadas,
Caso meu cérebro falhe na velhice.
Viver intensamente, tudo que eu sou, e tudo que tenho para dar.
Na infinitude do tempo,
Tudo desvanece,
Mas enquanto eu estiver viva,
Tudo que me importa,
É plantar sementes.
Você as regará?
Eliz Leão