Meu coração sangra
Sempre que te vejo dizendo
palavras que precisa ouvir;
as quais eu não consigo dizer,
pois sou tão quebrada quanto você.
Sinto medo de reviver
todas as dores que acumulo
debaixo do tapete.
Eu te olho e vejo um lembrete
de que a vida não é tão fácil,
não é como eu gostaria que fosse.
#desafio 365/124
@CrisRibeiro
Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
372
posts
54
Seguidores
56
Seguindo
Séries por #
@eniovedovello
Enio Vedovello
@egdsx
Emmanuel Gomes
@jjr
Jason Da Silva Cajazeira Junior
@MiguelSoares
Luis Miguel Soares dos Santos
@bekagabypoeta8
Rebeka Gabrielly
@robsonmachado
Robson Luiz Fernandes Machado
@ellen
Ellen
@gledson489
Gledson Rogério Viana Raimundo
@cainafarias
Cainã Eli Araújo de Andrade Farias
@ricardolloco
Ricardo LLoco
@EscritosdeVitorHugo
Vitor Hugo Oliveira de Araújo
@purapoesia
Adriel Alves Magalhaes
@diegorbor
Diego Rbor
@rafaelaraujoescritor
RAFAEL ARAUJO
@tamarasfawkes
Tamara S. Fawkes
@andreza199
Andreza Pereira
@autorpedrobarretho
Pedro Rogério Villar Barreto
@rodrigosantos
Rodrigo Santos
@paulafernandapoesias
Paula Fernanda de Araújo
@pammellamarins
Pammella Marins
@rodrigo153
Rodrigo de almeida
@inifadadresch
Inifada Dresch
@deise129
Deise Lima
@mariadriano
Mari Adriano
@marcosadpereira
Marcos AD Pereira
@manuaraujo
Manuella Araújo
@ariadene113
Ariadene Caillot
@luanaescritora
Luana Oliveira
@fernandopaz
Fernando Paz de Alvarenga
@tibianchini
Tiago Bianchini Fidalgo
@shakespeare
William Shakespeare
@Comtodapoesiaa
Yuri Izidio
@yasmin97
Yasmin Oliveira
@rejoverso
Rejo Naldo
@brunob612
Bruno Barboza
@Cilene
CILENE RESENDE
@anete46
Anete Aparecida Bagli Mariosa
@sylvviarubra
Sylvvia Rubraurora
@marcoshmartinsescritor
Marcos H. Martins
@deivesferraz
Deives Gabriel Ferraz
@Branca20
Branca
@avaliador
Avaliador
@aleituracria
A Leitura Cria
@eduliguori
EDU LIGUORI
@cadantasautora
Carolina Dantas
@fksilvain
F. K. Silvain
@tiagoandreatto
Tiago do Amaral Andreatto
@ricardoathos
Ricardo Athos
@eliz_leao
Eliz Leão
@berthamachadoo
Bertha Machado
@JuNaiane
Jusley Naiane
@Albertobusquets
Alberto Knobbe Busquets
@calorliterario_
Lidiane Queiroz Bastos
@literunico
Eder B. Jr.
@eliz_leao
Eliz Leão
@jjr
Jason Da Silva Cajazeira Junior
@MiguelSoares
Luis Miguel Soares dos Santos
@bekagabypoeta8
Rebeka Gabrielly
@joaoedulima
João Eduardo Lima
@robsonmachado
Robson Luiz Fernandes Machado
@ellen
Ellen
@cainafarias
Cainã Eli Araújo de Andrade Farias
@ricardolloco
Ricardo LLoco
@EscritosdeVitorHugo
Vitor Hugo Oliveira de Araújo
@glaucofreitas
Glauco Freitas
@purapoesia
Adriel Alves Magalhaes
@diegorbor
Diego Rbor
@rafaelaraujoescritor
RAFAEL ARAUJO
@tamarasfawkes
Tamara S. Fawkes
@Annezinhadivulga
CRISTIANE NASCIMENTO DA CONCEIÇÃO
@autorpedrobarretho
Pedro Rogério Villar Barreto
@rodrigosantos
Rodrigo Santos
@autoramarianaaguiar
Mariana Alves Aguiar
@josimary184
Josimary Medeiros Giosa
@paulafernandapoesias
Paula Fernanda de Araújo
@inifadadresch
Inifada Dresch
@mariadriano
Mari Adriano
@marcosadpereira
Marcos AD Pereira
@cassescreve
Cass Razzini
@fernandopaz
Fernando Paz de Alvarenga
@marialima
Maria D. Lima
@tibianchini
Tiago Bianchini Fidalgo
@bianca
Bianca Leão
@classicos
Clássicos da Literatura
@shakespeare
William Shakespeare
@Comtodapoesiaa
Yuri Izidio
@versoparalelo
Fagner Mera
@Cilene
CILENE RESENDE
@sylvviarubra
Sylvvia Rubraurora
@marcoshmartinsescritor
Marcos H. Martins
@novidadesliterunico
Novidades Literunico
@deivesferraz
Deives Gabriel Ferraz
@Branca20
Branca
@MarU
Mar.U
@aleituracria
A Leitura Cria
@eduliguori
EDU LIGUORI
@feelings
Feelings
@cadantasautora
Carolina Dantas
@fksilvain
F. K. Silvain
@ricardoathos
Ricardo Athos
@berthamachadoo
Bertha Machado
@JuNaiane
Jusley Naiane
@Albertobusquets
Alberto Knobbe Busquets
@calorliterario_
Lidiane Queiroz Bastos
@lendasurbanas
Lendas Urbanas
@luanaescritora
Luana Oliveira
@poetaencantado
Poeta Encantado
@legiao
Urbana Legio Omnia Vincit
@_tissa_
Tissa The Artista
@literunico
Eder B. Jr.
Talvez eu ainda não saiba amar.
Estou sempre colocando os outros
em primeiro lugar
Seus desejos
acima dos meus
Suas vontades
acima das minhas
Seus sentimentos
acima dos meus
E eu?
Seria muito clichê
se eu falar...
que sou poeta, e não aprendi
a (me) amar?
#desafio 365/127
Estou sempre colocando os outros
em primeiro lugar
Seus desejos
acima dos meus
Suas vontades
acima das minhas
Seus sentimentos
acima dos meus
E eu?
Seria muito clichê
se eu falar...
que sou poeta, e não aprendi
a (me) amar?
#desafio 365/127
Ninguém me lê
como você.
Só você pode interpretar
tudo aquilo que não digo.
Especialista em desvendar
meus silêncios
e me enxergar
nas entrelinhas.
#desafio 365/128
como você.
Só você pode interpretar
tudo aquilo que não digo.
Especialista em desvendar
meus silêncios
e me enxergar
nas entrelinhas.
#desafio 365/128
#Desafio 130
*Segredo liberto*
Estamos tão perto!
Estamos tão longe!
Ninguém sabe ao certo
Onde o amor se esconde.
Estamos perdidos,
Mas nos encontramos.
Encontramos as chaves
Do cofre secreto,
Do segredo proibido!
Descoberto e Liberto.
MarU
*Poema de 16/01/2006.
*Segredo liberto*
Estamos tão perto!
Estamos tão longe!
Ninguém sabe ao certo
Onde o amor se esconde.
Estamos perdidos,
Mas nos encontramos.
Encontramos as chaves
Do cofre secreto,
Do segredo proibido!
Descoberto e Liberto.
MarU
*Poema de 16/01/2006.
#Desafio 131
*Beijo roubado*
O olhar safado,
O dizer calado.
Suspense,
Embaraço.
Atração controlada…
Insinuação descarada…
Te quero,
Ou não quero?
Caminho na estrada
Com alguém ao lado.
Você passa,
Você acena
E me engana
Com um beijo roubado.
MarU
* Poema de 04/10/2006.
*Beijo roubado*
O olhar safado,
O dizer calado.
Suspense,
Embaraço.
Atração controlada…
Insinuação descarada…
Te quero,
Ou não quero?
Caminho na estrada
Com alguém ao lado.
Você passa,
Você acena
E me engana
Com um beijo roubado.
MarU
* Poema de 04/10/2006.
#Desafio 132
*A escolha*
Sei que me lê
para se encontrar
em minhas palavras!
Degustando meus textos…
Interpretando no meio
o que ficou no passado.
Sei que você sabe
quando é sobre você!
Mesmo quando ignora,
tentando não transparecer.
Sei que se lembra
do que deixamos para trás!
Do que não houve tempo…
Do que sentimos,
mas calamos
antes que entreguemo-nos
demais.
Sei que escolhemos…
Mas como é que se faz,
quando, na verdade,
a escolha
é o coração
quem faz?
MarU
*A escolha*
Sei que me lê
para se encontrar
em minhas palavras!
Degustando meus textos…
Interpretando no meio
o que ficou no passado.
Sei que você sabe
quando é sobre você!
Mesmo quando ignora,
tentando não transparecer.
Sei que se lembra
do que deixamos para trás!
Do que não houve tempo…
Do que sentimos,
mas calamos
antes que entreguemo-nos
demais.
Sei que escolhemos…
Mas como é que se faz,
quando, na verdade,
a escolha
é o coração
quem faz?
MarU
#Desafio 133
*Resgate*
Planejei
dentro de mim
um resgate:
Fugir
com você
toda tarde.
Queria
te salvar
dos problemas.
Então,
armei todo
o meu esquema.
Com amor,
botei o plano
no papel…
E escrevi
pra você
um poema.
MarU
*Resgate*
Planejei
dentro de mim
um resgate:
Fugir
com você
toda tarde.
Queria
te salvar
dos problemas.
Então,
armei todo
o meu esquema.
Com amor,
botei o plano
no papel…
E escrevi
pra você
um poema.
MarU
Meu jeito desajeitado
Só queria outro jeito
Colado
Que me deixasse sem jeito
Corado
E me mostrasse que o melhor jeito
É estar ao lado
Mesmo calado
Fernando Paz
Só queria outro jeito
Colado
Que me deixasse sem jeito
Corado
E me mostrasse que o melhor jeito
É estar ao lado
Mesmo calado
Fernando Paz
Trauma (Fernando Paz)
É a trave da alma
De um espinho
Perfurante
Que sangra
Mas não coagula
Estrangula a lembrança
Destemperança
De um momento cristalizado
Sentimento pregado
Ecos de uma dor
Silenciosa
E que silencia
É ferida aberta
Da doença que fechou
Então qual a cura?
Amor próprio
Que incinera
O eu que passou
Das cinzas
Abre os braços
E voa
Para uma nova versão
Que faz as pazes
Com a guerra que travou
Entre mortas lembranças
Todas vencidas
Saber que se venceu
É a trave da alma
De um espinho
Perfurante
Que sangra
Mas não coagula
Estrangula a lembrança
Destemperança
De um momento cristalizado
Sentimento pregado
Ecos de uma dor
Silenciosa
E que silencia
É ferida aberta
Da doença que fechou
Então qual a cura?
Amor próprio
Que incinera
O eu que passou
Das cinzas
Abre os braços
E voa
Para uma nova versão
Que faz as pazes
Com a guerra que travou
Entre mortas lembranças
Todas vencidas
Saber que se venceu
O menino e o buraco
Era uma vez, um menino. Nasceu como todos os outros, mas tinha uma peculiaridade: um pequeno buraco no peito.
No início, era um buraco muito pequeno, quase imperceptível. Os pais tentaram fechá-lo assim que o perceberam, mas o buraco era tão pequeno que nem uma agulha passou.
Conforme crescia, o buraco crescia com ele.
Era uma criança comum e se divertia com esse pequeno detalhe, como quando a luz passava através dele e formava um arco-íris do outro lado ou quando a brisa o transpassava e ele se arrepiava com cócegas, caindo em seguida na gargalhada. A vida parecia simples e o buraco, um pequeno espaço para muitas brincadeiras.
Até que chegou o tempo de frequentar a escola e lá, o que antes era imperceptível se tornou evidente. As outras crianças apontavam, riam dele e embora não entendesse o que acontecia, começou a se perceber diferente. Ainda tentou se aproximar, mas as respostas eram sempre incisivas: “Aqui só há lugar para pessoas inteiras”. Mesmo sem querer, gradualmente, o menino começou a se afastar e tentar, desesperadamente, esconder o seu buraco, do qual passou a se envergonhar.
Descobriu que tinha habilidade para desenhar e sua primeira ideia foi desenhar um coração por cima. Isso, porque, nem os médicos sabiam como ele vivia, já que o buraco estava posicionado exatamente no lado esquerdo do peito. Embora sem comprovação, acredita-se que seu corpo todo pulsava como um coração e era o que o mantinha vivo.
Essa tentativa despertou alguma curiosidade alheia, mas não durou muito - o papel era muito fino e bastava um vento mais forte para que seu buraco fosse revelado.
Um dia, descobriu o violão. Nele, havia um buraco igual ao seu e ficou surpreso quando percebeu que as cordas faziam ressoar melodias que o acalmavam. Decidiu imitar e amarrou algumas cordas na sua pele e foi uma grande felicidade sentir seu corpo todo vibrar. E isso funcionou por um tempo. As pessoas paravam para ouvi-lo, mesmo que nunca escutassem o que tinha a dizer.
Seu corpo continuou a crescer e com ele, o buraco. As cordas de tão esticadas, não resistiram e se romperam. O menino se deparava, novamente, com o silêncio. Algumas lágrimas escorreram e, por um breve momento, quase soube o que era compaixão. Alguém se aproximou e tentou abraça-lo, mas os braços o transpassaram, fazendo com que a pessoa caísse do outro lado.
Em momentos assim, gostava de olhar o céu. Admirando a lua, como um buraco na noite por onde a luz passava. Sentia que eram feitos do mesmo mistério: ausências que traziam claridade.
Tentou se reinventar muitas vezes, buscando utilidades e formas de usar o buraco. E assim, se forçou a caber em lugares que não pertencia. E o que antes era um buraco, agora parecia um vazio.
Gradualmente, ninguém mais o enxergava (nem ele próprio), o buraco havia se tornado tão grande, que as pessoas viam através dele. O menino com um buraco agora era um buraco com um menino.
Sem saber mais o que fazer, se dirigiu a um abismo. Era um grande buraco também e imaginou que ali houvesse entendimento. Sozinho, gritou e ouviu o abismo responder com um eco. Estranhamente, ao se ouvir em uma resposta, se lembrou o que há muito havia esquecido: quem era. E algo inesperado aconteceu: naquele instante, o buraco se retraiu.
Ele gritou mais uma vez e a cada retorno, o buraco diminuía o suficiente para devolver sua humanidade e assim, decidiu percorrer todo o caminho de volta e a cada passo, seu buraco reduzia relembrando os dias felizes em que a luz formava arco-íris.
Até que em determinado ponto da estrada, uma luz, repentinamente, o ofuscou, fazendo que caísse no chão. Conforme seus olhos iam se adaptando, viu uma silhueta de alguém pela qual a luz transpassava. Nela, para sua surpresa, havia um buraco como o seu.
Ela estendeu as mãos e o levantou dizendo que estava em busca do mesmo abismo, que ele acabava de retornar. Com tantas semelhanças, seus buracos pareceram pequenos e sentaram lado a lado.
Riram juntos daquilo que até então os tinha feito chorar. Se entendiam, mesmo em seus eventuais silêncios até que se abraçaram e seus buracos ficaram sobrepostos como um eclipse, luz e sombra se encontraram naquele lugar.
Decidiram voltar juntos. Não haviam encontrado um ao outro; encontraram a si mesmos naquela surpreendente verdade: um buraco era apenas um lugar de preenchimento.
Era uma vez, um menino. Nasceu como todos os outros, mas tinha uma peculiaridade: um pequeno buraco no peito.
No início, era um buraco muito pequeno, quase imperceptível. Os pais tentaram fechá-lo assim que o perceberam, mas o buraco era tão pequeno que nem uma agulha passou.
Conforme crescia, o buraco crescia com ele.
Era uma criança comum e se divertia com esse pequeno detalhe, como quando a luz passava através dele e formava um arco-íris do outro lado ou quando a brisa o transpassava e ele se arrepiava com cócegas, caindo em seguida na gargalhada. A vida parecia simples e o buraco, um pequeno espaço para muitas brincadeiras.
Até que chegou o tempo de frequentar a escola e lá, o que antes era imperceptível se tornou evidente. As outras crianças apontavam, riam dele e embora não entendesse o que acontecia, começou a se perceber diferente. Ainda tentou se aproximar, mas as respostas eram sempre incisivas: “Aqui só há lugar para pessoas inteiras”. Mesmo sem querer, gradualmente, o menino começou a se afastar e tentar, desesperadamente, esconder o seu buraco, do qual passou a se envergonhar.
Descobriu que tinha habilidade para desenhar e sua primeira ideia foi desenhar um coração por cima. Isso, porque, nem os médicos sabiam como ele vivia, já que o buraco estava posicionado exatamente no lado esquerdo do peito. Embora sem comprovação, acredita-se que seu corpo todo pulsava como um coração e era o que o mantinha vivo.
Essa tentativa despertou alguma curiosidade alheia, mas não durou muito - o papel era muito fino e bastava um vento mais forte para que seu buraco fosse revelado.
Um dia, descobriu o violão. Nele, havia um buraco igual ao seu e ficou surpreso quando percebeu que as cordas faziam ressoar melodias que o acalmavam. Decidiu imitar e amarrou algumas cordas na sua pele e foi uma grande felicidade sentir seu corpo todo vibrar. E isso funcionou por um tempo. As pessoas paravam para ouvi-lo, mesmo que nunca escutassem o que tinha a dizer.
Seu corpo continuou a crescer e com ele, o buraco. As cordas de tão esticadas, não resistiram e se romperam. O menino se deparava, novamente, com o silêncio. Algumas lágrimas escorreram e, por um breve momento, quase soube o que era compaixão. Alguém se aproximou e tentou abraça-lo, mas os braços o transpassaram, fazendo com que a pessoa caísse do outro lado.
Em momentos assim, gostava de olhar o céu. Admirando a lua, como um buraco na noite por onde a luz passava. Sentia que eram feitos do mesmo mistério: ausências que traziam claridade.
Tentou se reinventar muitas vezes, buscando utilidades e formas de usar o buraco. E assim, se forçou a caber em lugares que não pertencia. E o que antes era um buraco, agora parecia um vazio.
Gradualmente, ninguém mais o enxergava (nem ele próprio), o buraco havia se tornado tão grande, que as pessoas viam através dele. O menino com um buraco agora era um buraco com um menino.
Sem saber mais o que fazer, se dirigiu a um abismo. Era um grande buraco também e imaginou que ali houvesse entendimento. Sozinho, gritou e ouviu o abismo responder com um eco. Estranhamente, ao se ouvir em uma resposta, se lembrou o que há muito havia esquecido: quem era. E algo inesperado aconteceu: naquele instante, o buraco se retraiu.
Ele gritou mais uma vez e a cada retorno, o buraco diminuía o suficiente para devolver sua humanidade e assim, decidiu percorrer todo o caminho de volta e a cada passo, seu buraco reduzia relembrando os dias felizes em que a luz formava arco-íris.
Até que em determinado ponto da estrada, uma luz, repentinamente, o ofuscou, fazendo que caísse no chão. Conforme seus olhos iam se adaptando, viu uma silhueta de alguém pela qual a luz transpassava. Nela, para sua surpresa, havia um buraco como o seu.
Ela estendeu as mãos e o levantou dizendo que estava em busca do mesmo abismo, que ele acabava de retornar. Com tantas semelhanças, seus buracos pareceram pequenos e sentaram lado a lado.
Riram juntos daquilo que até então os tinha feito chorar. Se entendiam, mesmo em seus eventuais silêncios até que se abraçaram e seus buracos ficaram sobrepostos como um eclipse, luz e sombra se encontraram naquele lugar.
Decidiram voltar juntos. Não haviam encontrado um ao outro; encontraram a si mesmos naquela surpreendente verdade: um buraco era apenas um lugar de preenchimento.