*Hiatos*
Ao calar do poeta,
uma coisa é certa e inefável:
Um deserto sem escrita
e de palavras rarefeitas?
Nada é mais instável!
Cada grão é sentimento intempesto
prestes a sangrar poesia...
Entre prantos, gargalhadas
e eventuais trovoadas,
é monção de emotiva teimosia!
Com dura leveza
e livre correnteza
até o fim do mundo mundano
ou o próximo cristalizar,
tomem cuidado com o sertão-poeta:
Ele está a uma lágrima de distância
para (re)virar mar!
Alberto Busquets.
#Desafio 030
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#desafio - 30
A realidade me assusta,
Não ter você aqui.
Quem me cativa o afeto
Está tão longe de mim.
Ainda assim me sinto sua.
É como se morassemos
na mesma rua.
Na rua da saudade
Numa casinha simples,
Adornada de felicidade
O meu amor repousa
Embalado pela esperança
Com a ingenuidade
de uma criança.
Sonha com o amanhã
Espera pelo futuro incerto
Cada dia que passa,
Um passo mais perto.
Jusley Naiane
A realidade me assusta,
Não ter você aqui.
Quem me cativa o afeto
Está tão longe de mim.
Ainda assim me sinto sua.
É como se morassemos
na mesma rua.
Na rua da saudade
Numa casinha simples,
Adornada de felicidade
O meu amor repousa
Embalado pela esperança
Com a ingenuidade
de uma criança.
Sonha com o amanhã
Espera pelo futuro incerto
Cada dia que passa,
Um passo mais perto.
Jusley Naiane
A DOR DENTRO DE MIM
Às vezes eu me sinto preso, preso em correntes que não consigo romper.
Há dias em que enlouqueço e vejo eu mesmo, enforcando a mim mesmo! Eu vejo ódio nos olhos dele, ele está cansado de ser tão patético! Cansado de tentar de novo, cansado de fracassar em tudo.
Há dias em que me sinto esquecido, colocado em segundo plano, por todos e por mim mesmo! E não me pergunte quem são os culpados, pois podem ser eu e todos, ou eu e nenhum deles.
Os culpados eu pouco conheço, embora eu certamente seja o principal deles, mas eu sei o que eu sinto, e viver comigo mesmo tem sido doloroso.
Não sei se um dia eu consigo ser mais que um desenho borrado em um quadro mal apagado, não sei se um dia eu consigo ser mais que uma sombra perdida em meio a escritos sem sentido.
Mas eu sei que a morte vem sem atrasos, e espero ser mais do que sou antes que ela chegue.
(Esse eu não ia postar, mas acho que ficou bom o suficiente pra não ficar guardado, espero que gostem!❤️啕)
Às vezes eu me sinto preso, preso em correntes que não consigo romper.
Há dias em que enlouqueço e vejo eu mesmo, enforcando a mim mesmo! Eu vejo ódio nos olhos dele, ele está cansado de ser tão patético! Cansado de tentar de novo, cansado de fracassar em tudo.
Há dias em que me sinto esquecido, colocado em segundo plano, por todos e por mim mesmo! E não me pergunte quem são os culpados, pois podem ser eu e todos, ou eu e nenhum deles.
Os culpados eu pouco conheço, embora eu certamente seja o principal deles, mas eu sei o que eu sinto, e viver comigo mesmo tem sido doloroso.
Não sei se um dia eu consigo ser mais que um desenho borrado em um quadro mal apagado, não sei se um dia eu consigo ser mais que uma sombra perdida em meio a escritos sem sentido.
Mas eu sei que a morte vem sem atrasos, e espero ser mais do que sou antes que ela chegue.
(Esse eu não ia postar, mas acho que ficou bom o suficiente pra não ficar guardado, espero que gostem!❤️啕)
Dia 260
Desprendimento
Ela caminha sem olhar para trás,
Os dedos se abrem, sem temor.
Desprendimento não desarma
Apenas liberta do que era dor.
Na alma, não pesa a renúncia,
Mas a leveza do que partiu.
Desprendimento é a constância
De que o que foi, se. cumpriu.
Ela não se curva ao lamento,
Nem se acorrenta ao que passou.
Desprendimento se solta ao vento,
Que sopra onde o tempo sumiu
Soltar nunca é perder,
Mas abrir espaço para o que chegou
Desprendimento é o saber,
Que a vida é rio que nunca secou
Eder B. Jr.
Desprendimento
Ela caminha sem olhar para trás,
Os dedos se abrem, sem temor.
Desprendimento não desarma
Apenas liberta do que era dor.
Na alma, não pesa a renúncia,
Mas a leveza do que partiu.
Desprendimento é a constância
De que o que foi, se. cumpriu.
Ela não se curva ao lamento,
Nem se acorrenta ao que passou.
Desprendimento se solta ao vento,
Que sopra onde o tempo sumiu
Soltar nunca é perder,
Mas abrir espaço para o que chegou
Desprendimento é o saber,
Que a vida é rio que nunca secou
Eder B. Jr.
Com o palco vazio
ela entrou silenciosa
rodopiou suavemente
olhou para os lados
procurou segredos
ocupou o espaço sem alarde
movimentos precisos
leve e flutuando no ar
foi ampliando sua presença cênica
mostrava seu talento, delicadeza
o olhar calmo
o sorriso aberto
os cabelos brilhando
a bailarina chegou
(ele sorriu sem que ela visse)
os braços ritmados
as pernas alongadas
os pés precisos
(encanto)
ela estava apenas se aquecendo
no silêncio do teatro ainda fechado
(mas no fundo sentia sua presença)
nesse balé enfeitiçado
cisnes negros e brancos
se encontram e descobrem
seus medos, seus amores
(ele está lá, mais perto do que ela pensa)
Edu Liguori
ela entrou silenciosa
rodopiou suavemente
olhou para os lados
procurou segredos
ocupou o espaço sem alarde
movimentos precisos
leve e flutuando no ar
foi ampliando sua presença cênica
mostrava seu talento, delicadeza
o olhar calmo
o sorriso aberto
os cabelos brilhando
a bailarina chegou
(ele sorriu sem que ela visse)
os braços ritmados
as pernas alongadas
os pés precisos
(encanto)
ela estava apenas se aquecendo
no silêncio do teatro ainda fechado
(mas no fundo sentia sua presença)
nesse balé enfeitiçado
cisnes negros e brancos
se encontram e descobrem
seus medos, seus amores
(ele está lá, mais perto do que ela pensa)
Edu Liguori
Descubra uma palavra nova,
Leia algumas páginas de um livro,
Assista uma matéria sobre um tema desconhecido,
Aprenda a dizer "oi" em outro idioma,
Ensaie uma música,
Por favor,
Por você,
Não deixe que o dia termine,
Sem que tenha crescido
Um pouco.
Leia algumas páginas de um livro,
Assista uma matéria sobre um tema desconhecido,
Aprenda a dizer "oi" em outro idioma,
Ensaie uma música,
Por favor,
Por você,
Não deixe que o dia termine,
Sem que tenha crescido
Um pouco.
#desafio 365 dias
Dia 29 - a dançarina
Ela dançava. Se por felicidade ou desespero, nunca saberei
Convenço-me que pelos dois.
Ela dançava descalça; seus pés deviam ter 40 anos de passos desritmados. Mas os seus gestos, naquela praça, destoavam dos nossos gestos de esperadores de ônibus e transeuntes anônimos.
A dança talvez fosse um modo de não ser invisível.
Enquanto dançava, afastava de si o cidadão de bem que lhe pensava como criminosa, por dar outro ritmo à praça; chamava para si a atenção da criança, que nunca vira aquilo.
Afinal fomos educados que a dança é para a festa. Ou para o pecado. E, normalmente, estas estão juntas.
Pego meus ônibus, inerte. E me pego pensando em quantas vezes ela repetiria aquela coreografia.
Dia 29 - a dançarina
Ela dançava. Se por felicidade ou desespero, nunca saberei
Convenço-me que pelos dois.
Ela dançava descalça; seus pés deviam ter 40 anos de passos desritmados. Mas os seus gestos, naquela praça, destoavam dos nossos gestos de esperadores de ônibus e transeuntes anônimos.
A dança talvez fosse um modo de não ser invisível.
Enquanto dançava, afastava de si o cidadão de bem que lhe pensava como criminosa, por dar outro ritmo à praça; chamava para si a atenção da criança, que nunca vira aquilo.
Afinal fomos educados que a dança é para a festa. Ou para o pecado. E, normalmente, estas estão juntas.
Pego meus ônibus, inerte. E me pego pensando em quantas vezes ela repetiria aquela coreografia.
#Desafio 365 dias (029 de 365)
Hoje não vou postar um poema ou crônica. Em vez disso, vou explicar meu processo de escrita. Acho muito legal a gente pensar nos processos...
Eu sempre tive dificuldade pra escrever coisas muito compridas (por incrível que pareça ), então eu faço assim:
-primeiro, eu "imagino" que acabei de ler o livro que eu vou escrever. E vou fazer um resumo do livro pra um amigo, como se estivesse contando a história pra ele. Esse resumo tem umas três páginas e conta tudo do livro, até o fim e os plots (então, não é uma sinopse).
- Depois, eu vejo se a história ficou boa e incremento, em um novo "resumo mais detalhado" (que ocupa cerca de 10/15 páginas).
- Aí, eu abro um programa chamado TRELLO, que eu usava quando era funcionário público. Lá, eu organizo capítulo a capítulo, como ficarão os diálogos, quais as resoluções de dilemas antigos e onde ficam os fios soltos, tudo isso. Também retalho os personagens, é claro: como pensam, do que gostam, quais visões de mundo, onde eles mudam a cada capítulo, como percebem as coisas (mais sensitivos? Mais auditivos?)
-O próximo passo é resumir cada capitulo e alterar a ordem dos pontos de resolução, novos conflitos, etc (isso pensando em não deixar muita coisa solta ao mesmo tempo; vai resolvendo e abrindo novos dilemas).
Nesse momento, às vezes, eu já crio uma ou duas páginas de diálogos e narrativas, para dar "o tom" da história, com que nível de ironia, humor, tipo de vocabulário, etc.
Depois que tudo isso está pronto, praticamente o livro está terminado. Basta sentar e contar as partes que já estão lá, organizadas. Raramente eu mexo em algumas coisas na estrutura (porque tudo já está bem amarrado e qualquer mudança causará um efeito cascata).
Começam as revisões, que vão me mostrar se tudo ficou previsível demais ou linear demais... É nessa hora que eu penso em ritmo - em quais momentos a narrativa deve ficar mais rápida e caótica, em quais outros vai ficar mais lenta para que algumas mensagem seja martelada, etc.
-Hora de passar pra alguém ler. Normalmente, o que vem depois dissoné uma ou outra alteração pontual.
Digamos que eu seja mais que um arquiteto: eu sou quase um engenheiro.
Para poemas, eu conto outro dia.
PS: Esse post surgiu de uma conversa na página da @carlajaia - recomendo a todos irem lá pra ler como ela faz .
Hoje não vou postar um poema ou crônica. Em vez disso, vou explicar meu processo de escrita. Acho muito legal a gente pensar nos processos...
Eu sempre tive dificuldade pra escrever coisas muito compridas (por incrível que pareça ), então eu faço assim:
-primeiro, eu "imagino" que acabei de ler o livro que eu vou escrever. E vou fazer um resumo do livro pra um amigo, como se estivesse contando a história pra ele. Esse resumo tem umas três páginas e conta tudo do livro, até o fim e os plots (então, não é uma sinopse).
- Depois, eu vejo se a história ficou boa e incremento, em um novo "resumo mais detalhado" (que ocupa cerca de 10/15 páginas).
- Aí, eu abro um programa chamado TRELLO, que eu usava quando era funcionário público. Lá, eu organizo capítulo a capítulo, como ficarão os diálogos, quais as resoluções de dilemas antigos e onde ficam os fios soltos, tudo isso. Também retalho os personagens, é claro: como pensam, do que gostam, quais visões de mundo, onde eles mudam a cada capítulo, como percebem as coisas (mais sensitivos? Mais auditivos?)
-O próximo passo é resumir cada capitulo e alterar a ordem dos pontos de resolução, novos conflitos, etc (isso pensando em não deixar muita coisa solta ao mesmo tempo; vai resolvendo e abrindo novos dilemas).
Nesse momento, às vezes, eu já crio uma ou duas páginas de diálogos e narrativas, para dar "o tom" da história, com que nível de ironia, humor, tipo de vocabulário, etc.
Depois que tudo isso está pronto, praticamente o livro está terminado. Basta sentar e contar as partes que já estão lá, organizadas. Raramente eu mexo em algumas coisas na estrutura (porque tudo já está bem amarrado e qualquer mudança causará um efeito cascata).
Começam as revisões, que vão me mostrar se tudo ficou previsível demais ou linear demais... É nessa hora que eu penso em ritmo - em quais momentos a narrativa deve ficar mais rápida e caótica, em quais outros vai ficar mais lenta para que algumas mensagem seja martelada, etc.
-Hora de passar pra alguém ler. Normalmente, o que vem depois dissoné uma ou outra alteração pontual.
Digamos que eu seja mais que um arquiteto: eu sou quase um engenheiro.
Para poemas, eu conto outro dia.
PS: Esse post surgiu de uma conversa na página da @carlajaia - recomendo a todos irem lá pra ler como ela faz .
Reflexão
és tu mais do que um reflexo
oɥןǝdsǝ ɹǝs oɐ̰u ɐɹɐd 'ɹıʇǝןɟǝɹ
és tu mais do que um reflexo
oɥןǝdsǝ ɹǝs oɐ̰u ɐɹɐd 'ɹıʇǝןɟǝɹ
Defendo a guerrilha
dos poeticamente armados.
Que não nos falte munição!
Entre rajadas de empatia
e certeiras gentilezas ao alvo,
que combatamos
a violenta tempestade!
Sejamos patriotas
da própria humanidade!
Cavemos trincheiras-abraços
sob amorosas bandeiras
de humanística compreensão!
Alberto Busquets.
#Desafio 29
dos poeticamente armados.
Que não nos falte munição!
Entre rajadas de empatia
e certeiras gentilezas ao alvo,
que combatamos
a violenta tempestade!
Sejamos patriotas
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Cavemos trincheiras-abraços
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Alberto Busquets.
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