#desafio 365 dias
Dia 41 - Fale sobre o primeiro livro que você leu ou que você se recorda da história.
Eu esqueci muita coisa da minha infância, quase tudo na verdade. Porém lembro do primeiro livro que ganhei na infância "Pé de Pilão", de Mário Quintana.
Trata-se de um poema infantil, todo rimado. eu nunca esqueci dos versos iniciais, pois virou uma tradição eu lê-lo para meus sobrinhos, assim como minha mãe o leu quando eu não sabia ler.
"A vó do pato era uma fada
Que ficou enfeitiçada
Nunca, nunca envelhecia
E era loira como o dia!
Ai, que linda ela era
Agora é seca e amarela
Parece passa de gente
Não tem cabelo nem dente."
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#desafio 365 dias
Dia 40 - Meu Sorriso de Lua
A lua hoje se pintou para mim como um sorriso de palhaço: Sorria largamente para esconder um desassossego.
Sorri-lhe também. Mais por educação do que por simpatia.
A noite me era inquieta, como o corpo que se reconhece vida ainda no ventre. E quer rebentar. Quer fazer sangrar para poder surgir.
Sangrei. Mas senti-me única de novo.
Dia 40 - Meu Sorriso de Lua
A lua hoje se pintou para mim como um sorriso de palhaço: Sorria largamente para esconder um desassossego.
Sorri-lhe também. Mais por educação do que por simpatia.
A noite me era inquieta, como o corpo que se reconhece vida ainda no ventre. E quer rebentar. Quer fazer sangrar para poder surgir.
Sangrei. Mas senti-me única de novo.
#desafio 365 dias
Dia 39 - Poemas de outrora
Deveras o chão
é mais firme agora; a manhã
mais fria e o sonho
mais me apavora.
O papel está rebelde,
e a caneta com revolta...
A poesia é a chave e a chaga, a volta
sem volta, o desastre, o desarme.
Guerra insana em mim.
A mim, parece que sou atenta
detenta por um crime qualquer.
Sem qualquer juiz ou culpa
vou-me repetindo a desculpa
que já não sei me ser.
Dia 39 - Poemas de outrora
Deveras o chão
é mais firme agora; a manhã
mais fria e o sonho
mais me apavora.
O papel está rebelde,
e a caneta com revolta...
A poesia é a chave e a chaga, a volta
sem volta, o desastre, o desarme.
Guerra insana em mim.
A mim, parece que sou atenta
detenta por um crime qualquer.
Sem qualquer juiz ou culpa
vou-me repetindo a desculpa
que já não sei me ser.
#desafio 365 dias
Dia 38 - Poemas de outrora
Sim, eu escrevo desde que era muito jovem e fazia aqueles versos bem cheios de paixão adolescente. Hoje, eu inventei de revisitar alguns cadernos antigos e ler algumas coisas, vou compartilhar com vocês os menos ruins!
Dor (10/09/1997)
Chega a Lua na noite
Entrega-se à luz a flor
Pensamentos e sonhos
Trazem à garganta um clamor:
- Vem com a Lua, meu amor!
Despede-se da noite, a Lua
De saudades, enche-se a flor
Sonhos e pensamentos
Trazem ao coração uma dor:
- Não veio com a Lua, o meu amor.
Na noite, a Lua retorna
A flor enche-se de alegria
Nada de sonhos ou pensamentos
Pois era real o que eu via:
- O meu amor, a Lua trazia!
Dia 38 - Poemas de outrora
Sim, eu escrevo desde que era muito jovem e fazia aqueles versos bem cheios de paixão adolescente. Hoje, eu inventei de revisitar alguns cadernos antigos e ler algumas coisas, vou compartilhar com vocês os menos ruins!
Dor (10/09/1997)
Chega a Lua na noite
Entrega-se à luz a flor
Pensamentos e sonhos
Trazem à garganta um clamor:
- Vem com a Lua, meu amor!
Despede-se da noite, a Lua
De saudades, enche-se a flor
Sonhos e pensamentos
Trazem ao coração uma dor:
- Não veio com a Lua, o meu amor.
Na noite, a Lua retorna
A flor enche-se de alegria
Nada de sonhos ou pensamentos
Pois era real o que eu via:
- O meu amor, a Lua trazia!
#desafio 365 dias
Dia 37 - Poema
São dez anos.
Ou foram dez anos?
Quanto mais estudo linguagem,
mais me perco nas representações temporais.
Talvez por senti-los apenas como evento único,
seria mais correto dizer: é dez anos,
a despeito de meus enganos
ou do que a dona Norma diga.
Eu odeio dona Norma, na verdade.
Por ela, eu deveria ter chorado,
perdido o controle, ter ido à missa,
ter refletido sobre aquela premissa
de amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
Mas eu não consigo ser assim.
Pena. Não para mim, claro.
É dez anos sabendo da continuidade
de sua existência apenas no que sou,
daí só me restou o presente verbal.
O espelho me mostra seus olhos;
o espelho me mostra seus traços
adquiridos com a idade.
Eu sou tão ela, até mesmo no que ela
queria que eu não lhe tivesse sido.
Prefiro que pensem que esqueci.
Prefiro que pensem que não sinto.
Prefiro sempre ser aquele verso do Pessoa:
“Quem quer dizer o que sente/
não sabe o que há de dizer:/
Fala, parece que mente/
Cala, parece esquecer”.
Se é para ser, que seja poesia!
Dez anos com minha mãe em mim.
E nos rouxinóis que vejo por aí.
(nota: e agora já se passaram vinte...)
Dia 37 - Poema
São dez anos.
Ou foram dez anos?
Quanto mais estudo linguagem,
mais me perco nas representações temporais.
Talvez por senti-los apenas como evento único,
seria mais correto dizer: é dez anos,
a despeito de meus enganos
ou do que a dona Norma diga.
Eu odeio dona Norma, na verdade.
Por ela, eu deveria ter chorado,
perdido o controle, ter ido à missa,
ter refletido sobre aquela premissa
de amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
Mas eu não consigo ser assim.
Pena. Não para mim, claro.
É dez anos sabendo da continuidade
de sua existência apenas no que sou,
daí só me restou o presente verbal.
O espelho me mostra seus olhos;
o espelho me mostra seus traços
adquiridos com a idade.
Eu sou tão ela, até mesmo no que ela
queria que eu não lhe tivesse sido.
Prefiro que pensem que esqueci.
Prefiro que pensem que não sinto.
Prefiro sempre ser aquele verso do Pessoa:
“Quem quer dizer o que sente/
não sabe o que há de dizer:/
Fala, parece que mente/
Cala, parece esquecer”.
Se é para ser, que seja poesia!
Dez anos com minha mãe em mim.
E nos rouxinóis que vejo por aí.
(nota: e agora já se passaram vinte...)
#desafio 365 dias
Dia 36 - Afasia
Eu poderia ser mais clara, mas se teus olhos não veem é porque o tempo das pontes se fora: somos ilhas imersas em nevoeiro. E, sem mãos, sequer podemos remar até a outra margem. Somos corpos náufragos, sem algum fôlego, entretanto ainda lúcidos e com vida.
Poderia ser mais claro, se eu desenhasse. Até ergo meu braço e crio formas na espessa névoa. Formas de um lábio, um tanto decaído: um lábio de adeus. O mistério está em eu partir antes mesmo do aceno de encontro. Como se, de avistar a terra firme, eu apenas vivesse.
Mais claro seria se este céu se vestisse com meu nome e nele respingássemos nuvens pálidas nas formas do teu. Embora eu procure no infinito o manto azul desejado, o tecido se despetala e só nos resta aquela cortina negra e mofada de cinema antigo.
Mais claro não será porque não existe a forma exata em que eu possa definir os teus sentidos em mim.
Dia 36 - Afasia
Eu poderia ser mais clara, mas se teus olhos não veem é porque o tempo das pontes se fora: somos ilhas imersas em nevoeiro. E, sem mãos, sequer podemos remar até a outra margem. Somos corpos náufragos, sem algum fôlego, entretanto ainda lúcidos e com vida.
Poderia ser mais claro, se eu desenhasse. Até ergo meu braço e crio formas na espessa névoa. Formas de um lábio, um tanto decaído: um lábio de adeus. O mistério está em eu partir antes mesmo do aceno de encontro. Como se, de avistar a terra firme, eu apenas vivesse.
Mais claro seria se este céu se vestisse com meu nome e nele respingássemos nuvens pálidas nas formas do teu. Embora eu procure no infinito o manto azul desejado, o tecido se despetala e só nos resta aquela cortina negra e mofada de cinema antigo.
Mais claro não será porque não existe a forma exata em que eu possa definir os teus sentidos em mim.
#desafio 365 dias
Dia 35 - Fale sobre um de seus livros preferidos de ficção científica.
Trago hoje esse livro que li na minha adolescência e simplesmente amei! Blecaute (1986), segundo livro de Marcelo Rubens Paiva, foi o primeiro livro do autor que eu li (só depois fui ler Feliz Ano Velho e não, eu não li Ainda Estou Aqui).
Se trata de uma São Paulo distópica.
No livro, três amigos (Rindu, Mario e Martina) estavam explorando umas cavernas quando houve uma enchente que os impediu de sair. Quando finalmente conseguem, encontram uma São Paulo bem diferente - todos os habitantes haviam se tornado estátuas, como bonecos de cera.
É a partir desse plot que o Marcelo explora temas como: sobrevivência, fim da humanidade, relações humanas ante ao desconhecido. Tudo isso numa escrita bem envolvente.
Super indico!
Dia 35 - Fale sobre um de seus livros preferidos de ficção científica.
Trago hoje esse livro que li na minha adolescência e simplesmente amei! Blecaute (1986), segundo livro de Marcelo Rubens Paiva, foi o primeiro livro do autor que eu li (só depois fui ler Feliz Ano Velho e não, eu não li Ainda Estou Aqui).
Se trata de uma São Paulo distópica.
No livro, três amigos (Rindu, Mario e Martina) estavam explorando umas cavernas quando houve uma enchente que os impediu de sair. Quando finalmente conseguem, encontram uma São Paulo bem diferente - todos os habitantes haviam se tornado estátuas, como bonecos de cera.
É a partir desse plot que o Marcelo explora temas como: sobrevivência, fim da humanidade, relações humanas ante ao desconhecido. Tudo isso numa escrita bem envolvente.
Super indico!
#desafio 365 dias
Dia 34 - Fale sobre um de seus livros de poesia preferidos.
É raro, para mim, encontrar um livro de poemas que eu leio do início ao fim sem pular poemas, sem alterar a ordem, sem ser relapsa com alguma intenção do autor. Mas em “A Via Estreita”, de Alexei Bueno, seria um pecado fazer isso.
O livro é um itinerário poético e filosófico, dividido em dez Odes, e eu diria que ele é bem distinto do que costumo ver na literatura brasileira. Digo também que o poeta nos guia por uma ontologia do caminho humano.
O livro foi publicado em 1995 e ganhou prêmio de melhor livro de poesias da Biblioteca Nacional.
Um trechinho da Ode II:
“Não, não esperes em um outro corpo a resolução minúscula do mundo...
Perto, o cego se lamenta
Fustigando o chão com a bengala e chocalhando a caneca contra o céu,
Mas se ele amasse a treva como nós a amamos, nós que não a temos,
Nós que buscamos em outro, em um outro, que é sempre treva para nós,
A inapreensível luz da vida,
Então como ele dançaria em plena rua, como um pião vertiginoso,
Golpeando com a vara todos os rostos que jamais terá o desgosto de ver.
... Mas ele sabe que a treva é treva.”
Dia 34 - Fale sobre um de seus livros de poesia preferidos.
É raro, para mim, encontrar um livro de poemas que eu leio do início ao fim sem pular poemas, sem alterar a ordem, sem ser relapsa com alguma intenção do autor. Mas em “A Via Estreita”, de Alexei Bueno, seria um pecado fazer isso.
O livro é um itinerário poético e filosófico, dividido em dez Odes, e eu diria que ele é bem distinto do que costumo ver na literatura brasileira. Digo também que o poeta nos guia por uma ontologia do caminho humano.
O livro foi publicado em 1995 e ganhou prêmio de melhor livro de poesias da Biblioteca Nacional.
Um trechinho da Ode II:
“Não, não esperes em um outro corpo a resolução minúscula do mundo...
Perto, o cego se lamenta
Fustigando o chão com a bengala e chocalhando a caneca contra o céu,
Mas se ele amasse a treva como nós a amamos, nós que não a temos,
Nós que buscamos em outro, em um outro, que é sempre treva para nós,
A inapreensível luz da vida,
Então como ele dançaria em plena rua, como um pião vertiginoso,
Golpeando com a vara todos os rostos que jamais terá o desgosto de ver.
... Mas ele sabe que a treva é treva.”
#desafio 365 dias
Dia 33 - Desapego
Eu penso na festa que não fomos, quando você dançaria desastrosamente, porque dançar é a última coisa que sabes fazer. Mas, convenhamos, eu estaria muito bêbada para dançar bem. Porque eu até danço bem, até que a vodca me leva a fazer movimentos estranhos com a cabeça e eu perco o eixo facilmente.
O que isso importaria, afinal, se acabaríamos mesmo em risadas escandalosas dentro de um táxi? Você fingindo que o sono nem estava chegando e eu louca para sair logo daquele carro, pois o movimento estava me dando enjoo? Desculpa… eu até me repito em alto som, porque sei que eu vomitaria no elevador do teu prédio.
Por mais que eu queira pensar em um sexo louco, com a gente se pegando, se querendo, se embolando, penso mesmo que apagaríamos. Eu ainda com gosto azedo na boca e você sequer tirou a camisa que estava vomitada na manga. Nada dos teus pelos. Nem do teu cheiro. Nem de nada.
Paro por aí porque depois lembro que tudo isso é mentira de uma mulher que nunca soube o que era verdade.
Dia 33 - Desapego
Eu penso na festa que não fomos, quando você dançaria desastrosamente, porque dançar é a última coisa que sabes fazer. Mas, convenhamos, eu estaria muito bêbada para dançar bem. Porque eu até danço bem, até que a vodca me leva a fazer movimentos estranhos com a cabeça e eu perco o eixo facilmente.
O que isso importaria, afinal, se acabaríamos mesmo em risadas escandalosas dentro de um táxi? Você fingindo que o sono nem estava chegando e eu louca para sair logo daquele carro, pois o movimento estava me dando enjoo? Desculpa… eu até me repito em alto som, porque sei que eu vomitaria no elevador do teu prédio.
Por mais que eu queira pensar em um sexo louco, com a gente se pegando, se querendo, se embolando, penso mesmo que apagaríamos. Eu ainda com gosto azedo na boca e você sequer tirou a camisa que estava vomitada na manga. Nada dos teus pelos. Nem do teu cheiro. Nem de nada.
Paro por aí porque depois lembro que tudo isso é mentira de uma mulher que nunca soube o que era verdade.
#desafio 365 dias
Dia 32 - Fale sobre um livro que trate de uma grande mudança impactante na vida do protagonista.
“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.”
Pois é assim que se inicia o livro A Metamorfose, de Franz Kafka.
Dito isto, pensem comigo: qual mudança na vida de uma pessoa poderia ser maior do que, do nada, acordar metamorfoseado numa “barata”? Deixo aqui a plaquinha “convença-me do contrário”!
Nota: Franz Kafka tinha síndrome de impostor! Se ele tinha, imagina eu.
Dia 32 - Fale sobre um livro que trate de uma grande mudança impactante na vida do protagonista.
“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.”
Pois é assim que se inicia o livro A Metamorfose, de Franz Kafka.
Dito isto, pensem comigo: qual mudança na vida de uma pessoa poderia ser maior do que, do nada, acordar metamorfoseado numa “barata”? Deixo aqui a plaquinha “convença-me do contrário”!
Nota: Franz Kafka tinha síndrome de impostor! Se ele tinha, imagina eu.