#desafio 365 dias
Dia 21 - Parte-palavra
Só escrevendo
Percebo de quantos mundos somos feitos.
Por exemplo:
Há uma parte de mim que é sempre estrada.
Parte-palavra,
Que é sempre menos muros que ponte;
Que é sempre menos esconderijo que libertação.
Talvez seja por isso que os olhos
Ligeiros do mundo me intriguem tanto.
A outra parte, no entanto,
É, de pousadas, feita.
E, nessas horas,
Apenas teus ombros se sobressaem.
Sylvvia Rubraurora
@sylvviarubra
Sylvvia Rubraurora
85
posts
35
seguidores
41
seguindo
@ksfernandes
K. S. Fernandes
@rafael-sguJI
Rafael
@virginia-carvalho-xoror
Virgínia Carvalho
@jjr
Jason Da Silva Cajazeira Junior
@ricardolloco
Ricardo LLoco
@autorsilviojunior
Silvio Junior
@purapoesia
Adriel Alves Magalhaes
@tamarasfawkes
Tamara S. Fawkes
@carlommarcello
Carlo M. Marcello
@autorpedrobarretho
Pedro Rogério Villar Barreto
@rodrigosantos
Rodrigo Santos
@brunosower
Bruno Sower
@josimary184
Josimary Medeiros Giosa
@carlajaia
Carla Torres Pereira Carrion
@inifadadresch
Inifada Dresch
@jessicaS
Jéssica Santos
@luanaescritora
Luana Oliveira
@marialima
Maria D. Lima
@tibianchini
Tiago Bianchini Fidalgo
@gilvana74
Gilvana Mara Pereira Situba
@brunob612
Bruno Barboza
@deivesferraz
Deives Gabriel Ferraz
@Branca20
Branca
@MarU
Mar.U
@aleituracria
A Leitura Cria
@eduliguori
EDU LIGUORI
@cadantasautora
Carolina Dantas
@fksilvain
F. K. Silvain
@ariazenite
Aria Zênite
@JuNaiane
Jusley Naiane
@Albertobusquets
Alberto Knobbe Busquets
@CrisRibeiro
Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
@calorliterario_
Lidiane Queiroz Bastos
@literunico
Eder B. Jr.
@eniovedovello
Enio Vedovello
@ricardolloco
Ricardo LLoco
@autorsilviojunior
Silvio Junior
@danielcaetano
Daniel Caetano
@EscritosdeVitorHugo
Vitor Hugo Oliveira de Araújo
@purapoesia
Adriel Alves Magalhaes
@diegorbor
Diego Rbor
@tamarasfawkes
Tamara S. Fawkes
@carlommarcello
Carlo M. Marcello
@autorpedrobarretho
Pedro Rogério Villar Barreto
@rodrigosantos
Rodrigo Santos
@brunosower
Bruno Sower
@yolanda187
Yolanda Rodrigues Vasconcellos
@josimary184
Josimary Medeiros Giosa
@paulafernandapoesias
Paula Fernanda de Araújo
@carlajaia
Carla Torres Pereira Carrion
@inifadadresch
Inifada Dresch
@mariadriano
Mari Adriano
@jessicaS
Jéssica Santos
@cassescreve
Cass Razzini
@marialima
Maria D. Lima
@tibianchini
Tiago Bianchini Fidalgo
@bianca
Bianca Leão
@Comtodapoesiaa
Yuri Izidio
@alemdisse
Além Santos
@andreajguesse
Andrea J Guesse
@Cilene
CILENE RESENDE
@novidadesliterunico
Novidades Literunico
@deivesferraz
Deives Gabriel Ferraz
@Branca20
Branca
@MarU
Mar.U
@aleituracria
A Leitura Cria
@eduliguori
EDU LIGUORI
@feelings
Feelings
@cadantasautora
Carolina Dantas
@fksilvain
F. K. Silvain
@berthamachadoo
Bertha Machado
@JuNaiane
Jusley Naiane
@Albertobusquets
Alberto Knobbe Busquets
@CrisRibeiro
Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
@calorliterario_
Lidiane Queiroz Bastos
@literunico
Eder B. Jr.
Série por #
#desafio
#desafio
· Em andamento
#desafio 365 dias
Dia 20 - Fale sobre um livro que aborda fortemente assuntos sociais e políticos.
O tema de hoje me fez lembrar logo de um livro super experimental da literatura brasileira (e, mais precisamente, pernambucana): Agá (1974), de Hermilo Borba Filho. Este livro foi o tema da minha monografia de final de curso (Bacharelado em Letras, UFPE) e eu corri para procurar se ainda eu tinha o arquivo salvo no computador e... descobri que não tenho mais! Então, o texto a seguir vai ficar com as lacunas criadas pelo meu esquecimento, visto que se trata de uma leitura feita em 2006.
Agá é um romance que levanta a bandeira antifascista, denunciando os governos ditatoriais da América Latina. Publicado pela primeira vez em 1974 com um capítulo autocensurado, o autor chama estou versão de “Versão Cor de Rosa”, como uma ironia, visto que seu teor é uma denúncia ao regime em questão. Só em 2019 foi lançada da “Versão Vermelha”.
O livro é constituído de contos, cada um com seu “eu narrador” diferente, mas que se cruzam na mesma realidade social; além disso, temos trechos ilustrados como uma história em quadrinhos e texto para peça de teatro.
É um romance maduro, visceral, cheio de ironia, e que colocou Hermilo como um dos melhores escritores brasileiros de sua época.
Dia 20 - Fale sobre um livro que aborda fortemente assuntos sociais e políticos.
O tema de hoje me fez lembrar logo de um livro super experimental da literatura brasileira (e, mais precisamente, pernambucana): Agá (1974), de Hermilo Borba Filho. Este livro foi o tema da minha monografia de final de curso (Bacharelado em Letras, UFPE) e eu corri para procurar se ainda eu tinha o arquivo salvo no computador e... descobri que não tenho mais! Então, o texto a seguir vai ficar com as lacunas criadas pelo meu esquecimento, visto que se trata de uma leitura feita em 2006.
Agá é um romance que levanta a bandeira antifascista, denunciando os governos ditatoriais da América Latina. Publicado pela primeira vez em 1974 com um capítulo autocensurado, o autor chama estou versão de “Versão Cor de Rosa”, como uma ironia, visto que seu teor é uma denúncia ao regime em questão. Só em 2019 foi lançada da “Versão Vermelha”.
O livro é constituído de contos, cada um com seu “eu narrador” diferente, mas que se cruzam na mesma realidade social; além disso, temos trechos ilustrados como uma história em quadrinhos e texto para peça de teatro.
É um romance maduro, visceral, cheio de ironia, e que colocou Hermilo como um dos melhores escritores brasileiros de sua época.
#desafio 365 dias
Dia 19 - Fale sobre um livro que narre fatos históricos.
"O Queijo e os Vermes", escrito por Carlo Ginzburg, foi publicada em 1976. É o único livro que eu li com uma abordagem da micro-história, cuja narração historiográfica parte de indivíduos ou eventos aparentemente pequenos para remontar as crenças e peculiaridades de uma época.
Apesar de parecer, o livro não é ficcional. O autor busca arquivos do Vaticano para remontar a vida de Menocchio, um moleiro italiano do século XVI, que foi julgado pela Inquisição por heresia.
O título "O Queijo e os Vermes" é uma metáfora que o protagonista usa para explicar sua visão do universo: ele acredita que o mundo era feito de uma massa caótica, como o queijo, do qual surgiam os vermes, que ele identificava como anjos. E foram estas ideias nada ortodoxas que levaram Menocchio a ser julgado pela Inquisição.
Dia 19 - Fale sobre um livro que narre fatos históricos.
"O Queijo e os Vermes", escrito por Carlo Ginzburg, foi publicada em 1976. É o único livro que eu li com uma abordagem da micro-história, cuja narração historiográfica parte de indivíduos ou eventos aparentemente pequenos para remontar as crenças e peculiaridades de uma época.
Apesar de parecer, o livro não é ficcional. O autor busca arquivos do Vaticano para remontar a vida de Menocchio, um moleiro italiano do século XVI, que foi julgado pela Inquisição por heresia.
O título "O Queijo e os Vermes" é uma metáfora que o protagonista usa para explicar sua visão do universo: ele acredita que o mundo era feito de uma massa caótica, como o queijo, do qual surgiam os vermes, que ele identificava como anjos. E foram estas ideias nada ortodoxas que levaram Menocchio a ser julgado pela Inquisição.
#desafio 365 dias
Dia 18 - Comente a respeito de um livro que fala sobre preconceito.
Vou usar este espaço hoje para falar de um dos meus livros – Deu Match! Às vezes pinta um final feliz.
Que nossa sociedade é preconceituosa, não é novidade para ninguém. Dentre tantas formas engessadas de ver o mundo – segregando pessoas por conta delas – existe o preconceito de classe, que leva muita gente à marginalização e à invisibilidade.
Nunca saiu da minha cabeça um estudo que certa vez li, cujo tema era a invisibilidade social de certas profissões. No livro Deu Match!, o protagonista é Marcos, um pedreiro que vive na pele essa exclusão social por conta de seu trabalho.
A seguir, um trechinho para vocês conferirem:
"Certa manhã, o elevador de serviço entrou em manutenção. Um homem engravatado, que lhe dirigiu a palavra como se fosse um incômodo muito grande, lhe deu autorização para usar um dos elevadores principais. Marcos entrou e aguardava que as portas se fechassem, quando um segurança pôs a mão para impedir, ordenando:
— Saia, a presidente chegou! Espere outro.
Ele saiu. Por mais humilhante que fosse, havia se acostumado a trabalhar para gente rica e era sempre aquilo: o valor do pagamento podia ser atrativo, porém você tinha que aturar aquele tipo de atitude."
Sylvvia Rubraurora
Dia 18 - Comente a respeito de um livro que fala sobre preconceito.
Vou usar este espaço hoje para falar de um dos meus livros – Deu Match! Às vezes pinta um final feliz.
Que nossa sociedade é preconceituosa, não é novidade para ninguém. Dentre tantas formas engessadas de ver o mundo – segregando pessoas por conta delas – existe o preconceito de classe, que leva muita gente à marginalização e à invisibilidade.
Nunca saiu da minha cabeça um estudo que certa vez li, cujo tema era a invisibilidade social de certas profissões. No livro Deu Match!, o protagonista é Marcos, um pedreiro que vive na pele essa exclusão social por conta de seu trabalho.
A seguir, um trechinho para vocês conferirem:
"Certa manhã, o elevador de serviço entrou em manutenção. Um homem engravatado, que lhe dirigiu a palavra como se fosse um incômodo muito grande, lhe deu autorização para usar um dos elevadores principais. Marcos entrou e aguardava que as portas se fechassem, quando um segurança pôs a mão para impedir, ordenando:
— Saia, a presidente chegou! Espere outro.
Ele saiu. Por mais humilhante que fosse, havia se acostumado a trabalhar para gente rica e era sempre aquilo: o valor do pagamento podia ser atrativo, porém você tinha que aturar aquele tipo de atitude."
Sylvvia Rubraurora
#desafio 365 dias
#
Dia 17 - Trecho de Loucuras de um Luto
"Ele encostou seu nariz em meu cangote, respirando meu cheiro, levando suas mãos firmes dos meus quadris até meus se1os, sem deixar de me apertar contra si, senão eu cairia. Gemi quando suas mãos expuseram-nos pelo decote, e tomaram os meus mam1los entre os dedos, apertando-os, ao mesmo tempo e na mesma intensidade. Outra onda de prazer — agora emanando dos meus pe1tos — me fez ansiar que aquele homem me f0desse com seu c4r4lho, o qual era espremido contra minha b*nda.
Até então meu pescoço pendia para frente, se desacostumando da posição na qual fiquei. Com esforço, ergui minha cabeça, vendo as mãos que seguravam meus se1os.
Aquelas mãos. Eu conhecia a p0rra daquelas mãos!"
#
Dia 17 - Trecho de Loucuras de um Luto
"Ele encostou seu nariz em meu cangote, respirando meu cheiro, levando suas mãos firmes dos meus quadris até meus se1os, sem deixar de me apertar contra si, senão eu cairia. Gemi quando suas mãos expuseram-nos pelo decote, e tomaram os meus mam1los entre os dedos, apertando-os, ao mesmo tempo e na mesma intensidade. Outra onda de prazer — agora emanando dos meus pe1tos — me fez ansiar que aquele homem me f0desse com seu c4r4lho, o qual era espremido contra minha b*nda.
Até então meu pescoço pendia para frente, se desacostumando da posição na qual fiquei. Com esforço, ergui minha cabeça, vendo as mãos que seguravam meus se1os.
Aquelas mãos. Eu conhecia a p0rra daquelas mãos!"
#desafio 365 dias
Dia 16 - Perguntas
Um dia me lançaram duas perguntas: 1. Se a criança que você era te visse/conhecesse hoje, o que ela provavelmente te perguntaria? 2. Se você encontrasse com a criança que você já foi, que pergunta faria a ela? Delas, nasceu o texto a seguir.
Aproximei-me.
Ela estava sentada em um canto estratégico da sala: se alguém por ali circulasse, não a veriam, mas, entre os braços da poltrona, dava para ver o desenho animado na tela. Observei por poucos instantes e decidi ir embora, pois não havia nada mais ali para mim. Dei de costas e foi quando ela me surpreendeu:
— Por que você não é bailarina?
Questionou-me de modo inocente. Me enraiveci. Tornei em sua direção, querendo explodir em gritos. Me contive um pouco e respondi com outra pergunta:
— E por que você não sai desse canto?
Ela se assustou e desatou a chorar. Me senti mal por isso, pois eu sabia toda a história. Agachei-me à sua altura e lhe estendi a mão.
— Vamos passear.
Fomos até o quintal. Dolores, nosso gato com nome de gata, corria e subia no coqueiro, depois desaparecia entre as plantas. Ficamos em silêncio, até que ela quis saber:
— A gente vai fazer tudo certo?
— Não — eu disse rindo. — Até porque fazer tudo certo é chato. Como acordar cedo.
Ela odiava acordar cedo.
— Desculpa por você não ser bailarina. — Ela conseguiu se expressar.
— Não se culpe. Culpa é um sentimento desnecessário e cristão. Não somos cristãs — me pus de joelhos, para ficar com meus olhos na altura dos dela. — Nós devemos nos sentir responsáveis, mas nunca culpadas.
Eu ainda ia falar mais, quando nossa mãe chamou da cozinha.
— Aproveite-a — eu disse, mesmo sabendo que ela o faria mesmo sem conselhos.
— Ela vai ficar com a gente, não é?
— É. Para sempre.
Sylvvia Rubraurora
Dia 16 - Perguntas
Um dia me lançaram duas perguntas: 1. Se a criança que você era te visse/conhecesse hoje, o que ela provavelmente te perguntaria? 2. Se você encontrasse com a criança que você já foi, que pergunta faria a ela? Delas, nasceu o texto a seguir.
Aproximei-me.
Ela estava sentada em um canto estratégico da sala: se alguém por ali circulasse, não a veriam, mas, entre os braços da poltrona, dava para ver o desenho animado na tela. Observei por poucos instantes e decidi ir embora, pois não havia nada mais ali para mim. Dei de costas e foi quando ela me surpreendeu:
— Por que você não é bailarina?
Questionou-me de modo inocente. Me enraiveci. Tornei em sua direção, querendo explodir em gritos. Me contive um pouco e respondi com outra pergunta:
— E por que você não sai desse canto?
Ela se assustou e desatou a chorar. Me senti mal por isso, pois eu sabia toda a história. Agachei-me à sua altura e lhe estendi a mão.
— Vamos passear.
Fomos até o quintal. Dolores, nosso gato com nome de gata, corria e subia no coqueiro, depois desaparecia entre as plantas. Ficamos em silêncio, até que ela quis saber:
— A gente vai fazer tudo certo?
— Não — eu disse rindo. — Até porque fazer tudo certo é chato. Como acordar cedo.
Ela odiava acordar cedo.
— Desculpa por você não ser bailarina. — Ela conseguiu se expressar.
— Não se culpe. Culpa é um sentimento desnecessário e cristão. Não somos cristãs — me pus de joelhos, para ficar com meus olhos na altura dos dela. — Nós devemos nos sentir responsáveis, mas nunca culpadas.
Eu ainda ia falar mais, quando nossa mãe chamou da cozinha.
— Aproveite-a — eu disse, mesmo sabendo que ela o faria mesmo sem conselhos.
— Ela vai ficar com a gente, não é?
— É. Para sempre.
Sylvvia Rubraurora
#desafio 365 dias
Dia 15 - Fale sobre um livro que você sentiu que não poderia fazer mais nada enquanto não terminasse de ler.
Eu sou uma pessoa que, normalmente, não gosto de humor. Porém, um dia tropecei no Guia do Mochileiro das Galáxias (1979) e o humor sarcástico de Douglas Adams me prendeu de uma forma inesquecível.
É um dos poucos livros (no caso o primeiro volume da trilogia de cinco livros!) que me tirou o sono e eu vi amanhecer. Também é um dos poucos livros que eu, vez por outra, pego para reler trechinhos.
No livro, é narrada a história de Arthur Dent, quando este descobre que a Terra está prestes a ser destruída para a construção de uma via expressa hiperespacial!!!!
Amo demais o humor irreverente, os trocadilhos e as críticas sociais.
E lembre-se: "Não entre em pânico" (Don't Panic) e sempre leve uma toalha consigo!
Dia 15 - Fale sobre um livro que você sentiu que não poderia fazer mais nada enquanto não terminasse de ler.
Eu sou uma pessoa que, normalmente, não gosto de humor. Porém, um dia tropecei no Guia do Mochileiro das Galáxias (1979) e o humor sarcástico de Douglas Adams me prendeu de uma forma inesquecível.
É um dos poucos livros (no caso o primeiro volume da trilogia de cinco livros!) que me tirou o sono e eu vi amanhecer. Também é um dos poucos livros que eu, vez por outra, pego para reler trechinhos.
No livro, é narrada a história de Arthur Dent, quando este descobre que a Terra está prestes a ser destruída para a construção de uma via expressa hiperespacial!!!!
Amo demais o humor irreverente, os trocadilhos e as críticas sociais.
E lembre-se: "Não entre em pânico" (Don't Panic) e sempre leve uma toalha consigo!
#desafio 365 dias
Dia 14 - Nota de Rodapé
De toda a imagem poética,
a que menos te representa
é a de nota de rodapé.
(Anotação para um depois.
Uma conversa talvez.
Um conto certamente).
És uma obra inacabada.
No sentido Foucaultiano de obra.
De um conjunto tão esparso
que qualquer limite
seria um mero recorte do discurso.
(Ideia para um artigo.
Uma aula sobre metáforas.
Quem sabe uma publicação).
A questão é que a essência
é sempre a mudança.
E a ironia aqui se mostra:
só nos percebemos modificados
porque existe uma essência outra,
ainda que inabarcável.
(O silêncio de nossa filosofia
para sempre
nunca publicada).
Sylvvia Rubraurora
Dia 14 - Nota de Rodapé
De toda a imagem poética,
a que menos te representa
é a de nota de rodapé.
(Anotação para um depois.
Uma conversa talvez.
Um conto certamente).
És uma obra inacabada.
No sentido Foucaultiano de obra.
De um conjunto tão esparso
que qualquer limite
seria um mero recorte do discurso.
(Ideia para um artigo.
Uma aula sobre metáforas.
Quem sabe uma publicação).
A questão é que a essência
é sempre a mudança.
E a ironia aqui se mostra:
só nos percebemos modificados
porque existe uma essência outra,
ainda que inabarcável.
(O silêncio de nossa filosofia
para sempre
nunca publicada).
Sylvvia Rubraurora
#desafio 365 dias
Dia 13 - Jukebox
Agora me dou conta de que acordei. Sem álcool. Eu peço, e o garçom me olha com desgosto. Sem álcool, eu repito, e espero você entender.
Agora me dou conta de que, quanto mais falo, mais me visto de não-ditos. Ergo-me, arrastando a cadeira solenemente, como se o bar fosse um grande palco – eu toda cênica –, e você me olha, todo blasé, como se tudo não passasse de um poema marginal.
Caminho ambígua, como se tanto pudesse me meter para fora do bar, quanto se fosse à jukebox, que agora canta algo alegre, como se houvesse palavras confortáveis nas quais me amparar. Tanto faz, os olhos que você debruça sobre mim não se importam com o caminho tomado. Eles se encravam em minhas costas, mas meus passos firmes maquiam todo esse sentimento de areia movediça em que piso.
Minhas músicas preferidas sempre foram as do lado B. Grito, sem me virar. E meu tom de voz é meio de ódio, meio de incredulidade. Talvez eu diga isso por capricho e o bêbado, da mesa mais próxima, aplaude. Ponho uma moeda e o salão se enche do que eu queria ter dito. Porque a letra da canção, sim, essa fala de como o vinho que você me trouxe se tornou meu sangue…
E agora me dou conta de que estou recitando isso e me voltando à direção da mesa onde você estava sentado e agora me dou conta de que você não está mais lá e agora me dou conta de que você na verdade nunca esteve.
Sylvvia Rubraurora
Dia 13 - Jukebox
Agora me dou conta de que acordei. Sem álcool. Eu peço, e o garçom me olha com desgosto. Sem álcool, eu repito, e espero você entender.
Agora me dou conta de que, quanto mais falo, mais me visto de não-ditos. Ergo-me, arrastando a cadeira solenemente, como se o bar fosse um grande palco – eu toda cênica –, e você me olha, todo blasé, como se tudo não passasse de um poema marginal.
Caminho ambígua, como se tanto pudesse me meter para fora do bar, quanto se fosse à jukebox, que agora canta algo alegre, como se houvesse palavras confortáveis nas quais me amparar. Tanto faz, os olhos que você debruça sobre mim não se importam com o caminho tomado. Eles se encravam em minhas costas, mas meus passos firmes maquiam todo esse sentimento de areia movediça em que piso.
Minhas músicas preferidas sempre foram as do lado B. Grito, sem me virar. E meu tom de voz é meio de ódio, meio de incredulidade. Talvez eu diga isso por capricho e o bêbado, da mesa mais próxima, aplaude. Ponho uma moeda e o salão se enche do que eu queria ter dito. Porque a letra da canção, sim, essa fala de como o vinho que você me trouxe se tornou meu sangue…
E agora me dou conta de que estou recitando isso e me voltando à direção da mesa onde você estava sentado e agora me dou conta de que você não está mais lá e agora me dou conta de que você na verdade nunca esteve.
Sylvvia Rubraurora
#desafio 365 dias
Dia 12 - Escreva sobre o livro mais complexo que você já leu.
Se a linguagem é o material do escritor, tenho para mim que quanto mais complexa seja a linguagem torna-se mais complexa a obra. Pensando nisso, creio que o livro mais complexo que li foi Grande Sertão: Veredas de João Guimarães Rosa, publicado em 1956.
Toda palavra parece única nesta obra, que é narrada pelo protagonista Riobaldo, nos contando de suas experiências humanas no palco chamado Sertão brasileiro.
Sinto como se Guimarães Rosa, ao utilizar-se de uma linguagem repleta de neologismos e regionalismos, reinventasse a linguagem do homem sertanejo.
E não é apenas a linguagem que é complexa, mas também o relacionamento entre Riobaldo e “Reinaldo”, um amor proibido que coloca em xeque padrões sociais e trazendo de modo tão intricado o tema do amor proibido.
Dia 12 - Escreva sobre o livro mais complexo que você já leu.
Se a linguagem é o material do escritor, tenho para mim que quanto mais complexa seja a linguagem torna-se mais complexa a obra. Pensando nisso, creio que o livro mais complexo que li foi Grande Sertão: Veredas de João Guimarães Rosa, publicado em 1956.
Toda palavra parece única nesta obra, que é narrada pelo protagonista Riobaldo, nos contando de suas experiências humanas no palco chamado Sertão brasileiro.
Sinto como se Guimarães Rosa, ao utilizar-se de uma linguagem repleta de neologismos e regionalismos, reinventasse a linguagem do homem sertanejo.
E não é apenas a linguagem que é complexa, mas também o relacionamento entre Riobaldo e “Reinaldo”, um amor proibido que coloca em xeque padrões sociais e trazendo de modo tão intricado o tema do amor proibido.