Capítulo VIII María · Capítulo 9 de 66
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Capítulo VIII

Capítulo VIII

Ao princípio da noite, Emma chamou à minha porta para que eu fosse à mesa. Lavei o rosto para ocultar os vestígios das lágrimas e mudei de roupa para desculpar minha demora.

Maria não estava na sala de jantar, e em vão imaginei que suas ocupações a haviam feito atrasar-se mais que de costume. Notando meu pai um assento desocupado, perguntou por ela, e Emma a desculpou dizendo que, desde aquela tarde, tivera dor de cabeça e já dormia. Procurei não me mostrar impressionado; e, fazendo todo esforço para que a conversa fosse amena, falei com entusiasmo de todas as melhorias que encontrara nas propriedades que acabávamos de visitar. Mas tudo foi inútil: meu pai estava mais fatigado que eu e retirou-se cedo; Emma e minha mãe levantaram-se para ir deitar as crianças e ver como estava Maria, o que lhes agradeci, sem que já me surpreendesse esse mesmo sentimento de gratidão.

Embora Emma tenha voltado à sala de jantar, a sobremesa não durou muito tempo. Felipe e Eloísa, que haviam insistido para que eu tomasse parte em seu jogo de cartas, acusaram meus olhos de sonolentos. Ele havia solicitado inutilmente a minha mãe permissão para acompanhar-me no dia seguinte à montanha, razão pela qual se retirou descontente.

Meditando em meu quarto, julguei adivinhar a causa do sofrimento de Maria. Recordei a maneira como eu saíra do salão depois de minha chegada e como a impressão que me causou o tom confidencial dela fora motivo de que eu lhe respondesse com a falta de tino própria de quem reprime uma emoção. Conhecendo já a origem de sua pena, teria dado mil vidas para obter seu perdão; mas a dúvida veio agravar a perturbação de meu espírito. Duvidava do amor de Maria. Por que, pensava eu, empenha-se meu coração em crê-la submetida a este mesmo martírio? Considerei-me indigno de possuir tanta beleza, tanta inocência. Censurei em mim esse orgulho que me havia ofuscado a ponto de me fazer crer objeto de seu amor, quando eu era merecedor apenas de seu carinho de irmã. Em minha loucura, pensei com menos terror, quase com prazer, em minha próxima viagem.

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