Capítulo LXI María · Capítulo 62 de 66
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Capítulo LXI

Capítulo LXI

Foi-me impossível dar-me conta do que se passara comigo, numa noite em que despertei em um leito rodeado de pessoas e objetos que quase não podia distinguir. Uma lâmpada velada, cuja luz tornava mais opacas as cortinas da cama, difundia pelo silencioso quarto uma claridade indecisa. Tentei em vão incorporar-me; chamei, e senti que apertavam uma de minhas mãos; tornei a chamar, e o nome que debilmente pronunciava teve por resposta um soluço. Voltei-me para o lado de onde este saíra e reconheci minha mãe, cujo olhar ansioso e cheio de lágrimas estava fixo em meu rosto. Fez-me quase em segredo e com sua voz mais suave muitas perguntas para certificar-se de que eu estava aliviado.

— Então é verdade? — disse-lhe quando a recordação ainda confusa da última vez em que a havia visto veio à minha memória.

Sem responder-me, reclinou a fronte no travesseiro, unindo assim nossas cabeças.

Depois de alguns momentos tive a crueldade de dizer-lhe:

— Assim me enganaram!... Para que vim?

— E eu? — interrompeu-me, umedecendo meu pescoço com suas lágrimas.

Mas sua dor e sua ternura não conseguiam que algumas corressem de meus olhos.

Tratava-se sem dúvida de evitar-me toda emoção forte, pois pouco depois aproximou-se silencioso meu pai e apertou-me uma das mãos, enquanto enxugava os olhos sombreados pela insônia.

Minha mãe, Eloísa e Emma se revezaram naquela noite para velar junto ao meu leito, depois que o doutor se retirou prometendo uma lenta, mas positiva recuperação. Inutilmente elas esgotaram seus mais doces cuidados para fazer-me conciliar o sono. Assim que minha mãe adormeceu, vencida pelo cansaço, soube que fazia pouco mais de vinte e quatro horas que eu me achava em casa.

Emma sabia a única coisa que me faltava saber: a história de seus últimos dias... seus últimos momentos e suas últimas palavras. Sentia que para ouvir essas confidências terríveis faltava-me coragem, mas não pude dominar minha sede de dolorosos pormenores, e fiz-lhe muitas perguntas. Ela apenas me respondia com o acento de uma mãe que faz dormir o filho no berço:

— Amanhã.

E acariciava minha fronte com as mãos ou brincava com meus cabelos.

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