Capítulo XII María · Capítulo 13 de 66
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Capítulo XII

Capítulo XII

A lua, que acabava de elevar-se cheia e grande sob um céu profundo, acima das altíssimas cristas dos montes, iluminava as encostas selváticas, branqueadas aqui e ali pelas copas dos yarumos, prateando as espumas das torrentes e difundindo sua claridade melancólica até o fundo do vale. As plantas exalavam seus aromas mais suaves e misteriosos. Aquele silêncio, interrompido somente pelo rumor do rio, era mais grato que nunca à minha alma.

Apoiado de cotovelos no caixilho de minha janela, eu imaginava vê-la em meio aos roseirais entre os quais a surpreendera naquela primeira manhã: estava ali recolhendo o ramo de açucenas, sacrificando seu orgulho ao seu amor. Era eu quem iria, dali por diante, turbar o sono infantil de seu coração: poderia já falar-lhe de meu amor, fazer dela o objeto de minha vida. Amanhã! Palavra mágica na noite em que nos disseram que somos amados! Seus olhares, ao encontrarem-se com os meus, já nada teriam a ocultar-me; ela se embelezaria para minha felicidade e meu orgulho.

Nunca as auroras de julho no Cauca foram tão belas como Maria quando se apresentou a mim no dia seguinte, momentos depois de sair do banho, a cabeleira de castanho sombreado solta e meio encaracolada, as faces de uma cor de rosa suavemente desvanecida, mas em alguns momentos avivada pelo rubor; e brincando em seus lábios carinhosos aquele sorriso castíssimo que revela, nas mulheres como Maria, uma felicidade que não lhes é possível ocultar. Seus olhares, já mais doces que brilhantes, mostravam que seu sono não era tão plácido como costumara ser. Ao aproximar-me dela, notei em sua fronte uma contração graciosa e apenas perceptível, espécie de fingida severidade de que muitas vezes usou comigo quando, depois de me deslumbrar com toda a luz de sua beleza, impunha silêncio a meus lábios, prestes a repetir aquilo que ela tão bem sabia.

Já era para mim uma necessidade tê-la constantemente a meu lado; não perder um só instante de sua existência entregue ao meu amor; e, feliz com o que possuía e ainda ávido de ventura, tratei de fazer da casa paterna um paraíso. Falei a Maria e a minha irmã do desejo que haviam manifestado de fazer alguns estudos elementares sob minha direção: elas tornaram a entusiasmar-se com o projeto, e decidiu-se que desde aquele mesmo dia se daria início.

Converteram um dos ângulos do salão em gabinete de estudo; despregaram alguns mapas de meu quarto; desempolveram o globo geográfico que, no escritório de meu pai, permanecera até então ignorado; duas mesas de console foram despojadas de adornos para servirem de mesas de estudo. Minha mãe sorria ao presenciar toda aquela desordem que nosso projeto aparelhava.

Reuníamo-nos todos os dias por duas horas, durante as quais eu lhes explicava algum capítulo de geografia, líamos algo de história universal e, na maioria das vezes, muitas páginas do Gênio do Cristianismo. Então pude avaliar toda a inteligência de Maria: minhas frases ficavam gravadas indelevelmente em sua memória, e sua compreensão se adiantava quase sempre, com triunfo infantil, às minhas explicações.

Emma surpreendera o segredo e se comprazia em nossa inocente felicidade. Como poderia eu ocultar-lhe, naquelas frequentes conferências, o que se passava em meu coração? Ela deve ter observado meu olhar imóvel sobre o rosto encantador de sua companheira enquanto esta dava uma explicação pedida. Vira tremer a mão de Maria se eu a colocava sobre algum ponto inutilmente procurado no mapa. E sempre que, sentado perto da mesa, com elas de pé a um e outro lado de meu assento, Maria se inclinava para ver melhor algo que estava em meu livro ou nas cartas, seu hálito, roçando meus cabelos, e suas tranças, ao deslizarem de seus ombros, perturbavam minhas explicações, e Emma podia vê-la endireitar-se pudorosa.

Em certas ocasiões, afazeres domésticos chamavam a atenção de minhas discípulas, e minha irmã tomava sempre a seu cargo ir desempenhá-los, para voltar algum tempo depois a reunir-se a nós. Então meu coração palpitava fortemente. Maria, com a fronte infantilmente grave e os lábios quase risonhos, abandonava às minhas alguma de suas mãos aristocráticas semeadas de covinhas, feitas para comprimir frontes como a de Byron; e seu acento, sem deixar de ter aquela música que lhe era peculiar, fazia-se lento e profundo ao pronunciar palavras suavemente articuladas que em vão eu tentaria recordar hoje; porque não tornei a ouvi-las, porque pronunciadas por outros lábios não são as mesmas, e escritas nestas páginas pareceriam sem sentido. Pertencem a outro idioma, do qual há muitos anos não vem à minha memória uma só frase.

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