Capítulo XLIX
Capítulo XLIX
Saíamos do pátio por trás da cozinha quando minha comadre nos gritava:
— Não vão se demorar, que a comida está num instantinho.
Salomé quis fechar a portinhola de trancas por onde havíamos entrado no cacaueiral; mas eu me pus a fazê-lo enquanto ela dizia:
— Que fazemos com Fermín, que é tão falador?
— Tu verás.
— Já sei: deixe estarmos mais adiante, e eu o engano.
Cobria-nos a densa sombra do cacaueiral, que parecia não ter limites. A beleza dos pés de Salomé, que a saia de pancho azul deixava visíveis até acima dos tornozelos, ressaltava sobre a vereda negra e a folhagem seca. Meu afilhado ia atrás de nós, arremessando cascas de espigas e caroços de abacate aos cucaracheros cantores e às nagüiblancas que gemiam sob as folhagens. Ao chegar ao pé de um cachimbo, Salomé se deteve e disse a seu irmão:
— Será que as vacas vão sujar a água? Com certeza, porque a esta hora estão no bebedouro de cima. Não há outro remédio senão ir correndo espantá-las: corre, minha vida, e vê que não vão comer o socobe que deixei esquecido na forquilha do chiminango. Mas cuidado para não quebrares os trastes nem deixares cair nada. Já estás lá.
Fermín não se fez repetir a ordem: bem é verdade que ela lhe fora dada da maneira mais doce e comprometedora.
— Viu? — perguntou-me Salomé, encurtando o passo e olhando para os ramos com distração mal fingida.
Pôs-se logo a mirar os próprios pés, como se contasse seus passos lentos; e eu interrompi o silêncio que guardávamos, dizendo-lhe:
— Vejamos, que é o que há, e com que te têm moída?
— Pois aí verá que me dá não sei quê contar-lhe.
— Por quê?
— É que hoje me parece tudo tão triste e... o senhor agora tão sério.
— É impressão tua. Começa, porque depois não se poderá. Eu também tenho algo muito bom para te contar.
— Tem? O senhor primeiro, pois.
— De jeito nenhum — respondi-lhe.
— Então é assim a coisa? Pois ouça: mas prometa-me não dizer nadinha daquilo que...
— Naturalmente.
— Pois o que acontece é que Tiburcio virou um leviano e um ingrato, e anda procurando bobagens para me dar desgostos; faz agora coisa de um mês que estamos de mal sem que eu lhe tenha dado motivo.
— Nenhum? Estás bem certa?
— Olhe... eu juro.
— E qual motivo ele te disse que tem para estar assim, depois de te haver querido tanto?
— Tiburcio? Lambido que é: ele não me quer nadinha. No começo eu não sabia por que ficava mal-humorado a cada instante, e depois caí na conta de que tudo era porque imaginava que eu fazia boa cara ao primeiro que via. Diga-me o senhor, pode-se aguentar isso quando uma é honrada? Primeiro deu em crer uma bobagem, e o senhor entrou na dança.
— Eu também?
— Quando é que ia escapar!
— E o que ele acreditava?
— Para que dizer, se o senhor já imaginará: tudo porque o viu vir algumas vezes a casa e porque tenho carinho pelo senhor. Como não havia de ter, não é?
— E ele se convenceu afinal de que pensava um disparate?
— Assim me custou lágrimas e boas palavras para trazê-lo à razão.
— Crê-me que sinto haver sido causa disso.
— Não se incomode, porque, se não fosse com o senhor, não teria faltado outro de quem ele fizesse maus juízos. Ouça, que ainda não lhe disse o melhor. Meu taita amansava potros para o menino Justiniano, e ele teve de vir ver uns bezerros que estavam em negócio: numa das ocasiões em que o branco veio, Tiburcio o encontrou aqui.
— Aqui?
— Não se faça de bobo; em casa. Para castigo dos meus pecados, tornou a encontrá-lo outra vez.
— Creio que já vão duas, Salomé.
— Oxalá tivesse sido só isso: também o encontrou num domingo à tarde, quando veio pedir água.
— São três.
— Nada mais, porque embora tenha vindo outras vezes, Tiburcio não o viu; mas me parece que lhe contaram.
— E tudo isso te parece nada, em dois pratos?
— O senhor também dá na mesma? Agora, pois! Tenho eu culpa de que esse branco dê em vir? Por que meu taita não lhe diz que não volte, se é que pode?
— É que há coisas simples, difíceis de fazer.
— Ah, pois: isso mesmo digo eu a Tiburcio; mas tudo tem remédio, e disso não me atrevo a falar-lhe eu.
— Que ele se case logo contigo; não é isto?
— Se tanto me quer... Mas ele agora quando... e é capaz de acreditar que eu sou qualquer uma.
Salomé tinha os olhos marejados, e depois de dar mais alguns passos, deteve-se para enxugar as lágrimas.
— Não chores — disse-lhe —: estou certo de que ele não crê tal coisa: tudo isso é obra de ciúmes e nada mais; verás como se remedeia.
— Não pense; menos tibante havia de ser. Porque lhe disseram que é filho de cavalheiro, já ninguém lhe chega ao tornozelo em sua fanfarronice, e ele imagina que não há mais ninguém senão ele... Caramba! Como se eu fosse alguma negra boçal ou alguma manumissa como ele. Agora está metido lá pelas provincianas, e tudo para me fazer bater o pé, porque bem o conheço: muito me alegraria que nhô José o mandasse às favas.
— É preciso que não sejas injusta. Que tem de particular que esteja trabalhando de jornal na casa de José? Isso quer dizer que aproveita o tempo; pior seria se passasse os dias vadiando.
— Olhe que eu sei quem é Tiburcio. Menos enamorado havia de ser...
— Mas porque tu lhe pareças bonita, no que maldita graça há, hão de parecer-lhe também bonitas quantas vê?
— Por isso mesmo.
Eu ri da resposta, e ela, torcendo os olhos, disse:
— Ora veja! E isso lhe faz cócegas por quê?
— Mas não vês que estás fazendo com Tiburcio exatamente o mesmo que ele faz contigo?
— Valha-me Deus! Eu que faço?
— Pois estás com ciúmes.
— Isso sim que não!
— Não?
— E se ele quis assim? Ninguém me tira da cabeça que, se nhô José consentisse, esse inconstante se casaria com Lucía, e, se não fosse porque Tránsito já pertence a outro, até com ambas, se o deixassem.
— Pois fica sabendo que Lucía ama desde pequena um irmão de Braulio que logo virá; e não tenhas dúvida, porque Tránsito me contou.
Salomé ficou pensativa. Chegávamos já ao fim do cacaueiral, e, sentando-se sobre um tronco, disse-me, balançando com os pés pendentes uma planta de boas-tardes:
— Então diga, que lhe parece bom fazer?
— Dás-me permissão para contar a Tiburcio o que conversamos?
— Não, não. Pelo que o senhor mais queira, não vá fazer isso.
— Eu apenas te pergunto se consentes.
— Tudinho?
— As queixas sem os agravos.
— É que cada vez que me lembro do que ele imagina de mim, nem sei o que digo... Veja: parece-me melhor não contar-lhe, porque, se já não me quer, depois andará dizendo que me cansei de chorar por ele e que quis contentá-lo.
— Então convence-te, Salomé, de que não há modo de remediar tuas penas.
— Ah, que trabalho! — exclamou, pondo-se a chorar.
— Vamos, não sejas covarde — disse-lhe, apartando-lhe as mãos do rosto —: lágrimas de teus olhos valem muito para que as derrames aos borbotões.
— Se Tiburcio acreditasse nisso, eu não passaria as noites chorando até adormecer, de vê-lo tão ingrato e de ver que, por causa dele, meu taita pegou implicância comigo.
— Que queres apostar comigo que amanhã à tarde Tiburcio vem ver-te e contentar-te?
— Ai! Confesso-lhe que não teria com que pagar-lhe — respondeu-me, estreitando-me a mão nas suas e aproximando-a de sua face. — Promete-me?
— Muito infeliz e tolo devo ser se não o conseguir.
— Veja que lhe tomo a palavra. Mas, por sua vida, não vá contar a Tiburcio que estivemos assim tão sozinhos e... Porque ele torna a dar naquela do outro dia, e isso sim seria botar tudo a perder. Agora — acrescentou, começando a subir a cerca —, vire-se para lá e não me veja saltar, ou saltemos juntos.
— Escrupulosa andas; antes não eras tanto.
— É que todos os dias tenho mais vergonha do senhor. Suba, pois.
Mas, como sucedeu que Salomé, para cair do outro lado, encontrou dificuldades que eu não encontrei, ficou sentada em cima da cerca, dizendo-me:
— Olhem o menino; diga agu. Pois agora não desço se o senhor não se virar.
— Deixa que eu te ajude; vê que se faz tarde e minha comadre...
— Acaso ela é como aquele?... E assim como quer que eu desça? Não vê que, se me enrosco...
— Deixa-te de dengues e apoia-te aqui — disse-lhe, oferecendo-lhe meu ombro.
— Faça força, pois, porque eu peso como... uma pluma — concluiu, saltando agilmente. — Vou ficar muito convencida, porque conheço muitas brancas que já quiseram saltar assim as cercas.
— És uma boquirrubia.
— Isso é o mesmo que piquicaliente? Porque então vou me entrompar com o senhor.
— Vais o quê?
— Adeus!... E não entende? Pois que vou me zangar. Que faria eu para saber como o senhor é quando fica bem bravo? É capricho que tenho.
— E se depois não pudesses contentar-me?
— Ai, ai, ai! Não hei de ter visto eu que o coração do senhor vira um yuyo se me vê chorando.
— Mas isso será porque sei que não o fazes por coqueteria.
— Que não faço o quê? Como é a história?
— Co-que-te-ria.
— E isso que quer dizer? Diga-me, que de verdade não sei... Só se for coisa má... Então me guarde bem guardadinha, já ouviu?
— Belo negócio! Enquanto tu a desperdiças.
— Vejamos, vejamos: daqui não passo se não disser.
— Irei sozinho — respondi-lhe, dando alguns passos.
— Jesus! Eu era capaz até de revolver-lhe a água. E com que toalha se secaria?... Nada, diga-me o que é que eu desperdiço. Já vou imaginando o que é.
— Dize.
— Será... será amor?
— O mesmo.
— E que remédio? Porque quero esse convencido? Se eu fosse branca, mas bem branca; rica, mas bem rica... sim que haveria de querer o senhor; não?
— Parece-te assim? E que faríamos com Tiburcio?
— Com Tiburcio? Por gostar de abrir a asa para todas, púnhamo-lo de administrador e o manteríamos aqui — disse, fechando a mão.
— Não me conviria o plano.
— Por quê? Não gostaria que eu o quisesse?
— Não é isso, mas o destino que te agrada para Tiburcio.
Salomé riu com toda a vontade.
Havíamos chegado ao riachinho, e ela, depois de pôr a toalha sobre a relva que devia servir-me de assento à sombra, ajoelhou-se numa pedra e pôs-se a lavar o rosto. Logo que acabou, ia desatar da cintura um lenço para se secar, e eu lhe apresentei a toalha, dizendo-lhe:
— Isso te fará mal se não te banhares.
— Quase... quase que volto a me banhar; e a água está tão morninha. Mas refresque-se o senhor um pouco; e agora que venha Fermín, enquanto o senhor acaba, dou eu um mergulho no poço de baixo.
Já em pé, ficou olhando-me, e sorria maliciosa enquanto passava as mãos úmidas pelos cabelos. Por fim, disse-me:
— Acreditará que eu sonhei que era certo tudo o que vinha lhe dizendo?
— Que Tiburcio já não te queria?
— Que nada! Que eu era branca... Quando despertei, entrou-me uma tristeza tão grande que, no dia seguinte, que era domingo, na paróquia não pensei senão no sonho enquanto durou a missa: sentada lavando aí onde o senhor está, cismei a semana inteira com isso mesmo e...
Interromperam as inocentes confidências de Salomé os gritos de “chiiino! chiiino!” que, do lado do cacaueiral, dava meu compadre chamando os porcos. Salomé assustou-se um pouco e, olhando em torno, disse:
— E este Fermín, que virou fumaça... Banhe-se depressa, pois; que eu vou procurá-lo rio acima, não seja que se mande sem nos esperar.
— Espera-o aqui, que ele virá procurar-te. Tudo isso é porque ouviste meu compadre. Imaginas que ele não gosta que nós dois conversemos?
— Que conversemos, sim, mas... depende.
Saltando com suma agilidade sobre as grandes pedras da margem, desapareceu por trás dos frondosos carboneros.
Os gritos do compadre continuavam e me fizeram pensar que a confiança dele em mim tinha seus limites. Sem dúvida nos seguira de longe por entre o cacaueiral, e somente ao perder-nos de vista resolvera chamar a vara. Custodio ignorava que sua recomendação já estava diplomaticamente cumprida, e que aos mil encantos de sua filha alma nenhuma podia ser mais cega e surda que a minha.
Regressei à casa ao passo de Salomé e Fermín, que iam carregados de zumbos de cabaça: ela fizera uma rodilha com seu lenço e colocara sobre ela, na cabeça, o rústico cântaro, que, sem ser sustentado por mão alguma, não impedia o donoso corpo da condutora de ostentar toda a sua soltura e graça de movimentos.
Logo que Salomé saltou como da primeira vez, agradeceu-me com um “Deus lhe pague” e seu sorriso mais brejeiro, acrescentando:
— Em pagamento disso, estive jogando para o senhor, lá de cima, enquanto se banhava, guabinhas, flores de carbonero e venturosas; não as viu?
— Sim, mas pensei que alguma partida de macacos estaria por ali acima.
— Como o senhor se faz de desentendido: e eu que por pouco não levo uma queda ao subir no guabo.
— E és tão boba que acreditas que não percebi que eras tu quem lançava as flores rio abaixo?
— Como Juan Ángel me contou que na fazenda jogam rosas na fonte quando o senhor vai banhar-se, eu joguei na água o melhor que havia no mato.
Durante a comida tive ocasião de admirar, entre outras coisas, a habilidade de Salomé e de minha comadre para assar pintones e quesillos, fritar bolinhos, fazer pandebono e dar ponto à geleia. Nas idas e vindas de Salomé à cozinha, pus meu compadre a par do que a moça queria em realidade e do que eu pensava fazer para tirá-los, um e outro, de apuros. No pobre não cabia o contentamento; e até algumas chanças sobre a boa vontade com que ela me servia à mesa dirigiu à minha companheira de passeio, o que já era muito alcançar depois de sua zanga com ela.
Passadas as horas de calor, às quatro da tarde, a casa era uma revolta arca de Noé: os patos começaram a atravessar por ordem de famílias a salinha; as galinhas a amotinar-se no pátio e ao pé da ameixeira, onde em forquilhas de goiabeira descansava a canoinha em que meu cavalo comia milho; os perus crioulos pavoneavam-se inchados e devolviam os gritos de duas papagaias maiceras que chamavam por uma Benita, que devia ser a cozinheira; e os porcos guinchavam, tentando introduzir as cabeças por entre as travessas da porta de golpe. A tudo isso é preciso acrescentar os gritos de meu compadre ao dar ordens e os de sua mulher espantando os patos e chamando as galinhas. Foram longas as despedidas e as promessas que meu compadre me fez de recomendar-me muito ao Milagroso de Buga para que eu me saísse bem na viagem e voltasse depressa. Ao despedir-me de Salomé, que procurou naquele momento não estar perto dos demais, ela me apertou muito a mão e, olhando-me talvez mais que afetuosamente, disse-me:
— Olhe bem que conto com o senhor. A mim não me diga adeus para essa sua viagem de porra... porque nem que seja me arrastando, hei de sair ao caminho para vê-lo, se é que não chega de passagem. Não se esqueça de mim... veja que, se não, eu não sei o que faço com meu taita.
Do outro lado de uma das quebradas que, por entre as sinuosas fitas de bosque, descem ruidosas a encosta, ouvi uma voz sonora de homem que cantava:
Saiu do arvoredo o cantor, e era Tiburcio, que, com a ruana pendurada de um ombro e apoiando no outro um bordão de cuja ponta pendia uma trouxinha, entretinha o caminho contando por instinto suas penas à solidão. Calou-se e deteve-se ao divisar-me, e, depois de uma saudação risonha e respeitosa, disse-me logo que me aproximei:
— Caramba! O senhor sobe tarde e a toda pressa... Quando o retinto sua... De onde vem assim sorvendo os ventos?
— De fazer umas visitas, e a última, para tua fortuna, foi à casa de Salomé.
— E fazia tempo que não ia.
— Muito o senti. E há quanto tempo não vais tu?
O moço, de cabeça baixa, pôs-se a despedaçar com o bordão uma plantinha de lulo, e por fim levantou os olhos para mim, respondendo:
— Ela tem culpa. Que lhe contou?
— Que és um ingrato e um ciumento, e que ela morre por ti: nada mais.
— Então tudo isso ela lhe disse? Mas nesse caso guardou o melhor.
— O que chamas de melhor?
— As festas que tem com o menino Justiniano.
— Ouve-me aqui: crês que eu possa estar enamorado de Salomé?
— Como havia de crer?
— Pois Salomé está tão enamorada de Justiniano quanto eu dela. É necessário que estimes a moça pelo que vale, que, para teu bem, é muito. Tu a ofendeste com teus ciúmes, e, contanto que vás contentá-la, ela te perdoará tudo e te quererá mais que nunca.
Tiburcio ficou meditabundo antes de responder-me com certo acento e ar de tristeza:
— Olhe, menino Efraín, eu a quero tanto, que ela nem imagina os apertos que me fez passar neste mês. Quando a gente tem seu gênio como Deus me deu o meu, tudo se aguenta, menos que façam a gente de bobo — perdoe-me sua mercê a má palavra. Eu, que lhe estou dizendo que Salomé tem culpa, sei o que digo.
— O que tu não sabes é que, ao me contar hoje teus agravos, ela se desesperou e chorou até me dar pena.
— De verdade?
— E eu inferi que a causa de tudo és tu. Se a queres como dizes, por que não te casas com ela? Uma vez em tua casa, quem haveria de vê-la sem que tu o consentisses?
— Confesso-lhe que sim, pensei em me casar, mas não me resolvi: primeiro porque Salomé me deixava sempre desconfiado, e segundo porque eu não sei se nhô Custodio ia querer dá-la a mim.
— Pois sobre ela já sabes o que te disse; e quanto ao meu compadre, eu respondo por ele. É necessário que procedas racionalmente, e que, em prova de que acreditas em mim, esta mesma tarde vás à casa de Salomé e, sem te dares por entendido de tais sentimentos, lhe faças uma visita.
— Caramba com sua pressa! Então responde por tudo?
— Sei que Salomé é a moça mais honesta, bonita e prendada que podes encontrar, e, quanto aos compadres, sei que a darão a ti com muitíssimo gosto.
— Pois aí verá que estou me animando a ir.
— Se deixas para depois, e Salomé se despeita e a perdes, não terás de quem te queixar.
— Vou, patrão.
— Combinado; e é inútil exigir-te que me avises como te vai, porque estou certo de que me ficarás agradecido. E adeus, que vão dar cinco horas.
— Adeus, meu patrão, Deus lhe pague. Sempre lhe direi o que acontecer.
— Cuidado para não ir entoar, onde Salomé te ouça, esses versos que vinhas cantando.
Tiburcio riu antes de me responder:
— Parecem-lhe ofensivos? Até amanhã, e conte comigo.