Capítulo XI María · Capítulo 12 de 66
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Capítulo XI

Capítulo XI

Fiz esforços para mostrar-me jovial durante o resto do dia. À mesa, falei com entusiasmo das mulheres formosas de Bogotá e exaltei intencionalmente as graças e o engenho de P***. Meu pai comprazia-se em ouvir-me; Eloísa teria querido que a sobremesa durasse até a noite. Maria esteve calada; mas pareceu-me que suas faces empalideciam algumas vezes, e que sua cor primitiva não havia voltado a elas, assim como a das rosas que durante a noite enfeitaram um festim.

Perto do fim da conversa, Maria fingira brincar com a cabeleira de Juan, meu irmão de três anos de idade, a quem ela mimava. Suportou até o fim; mas, tão logo me pus de pé, dirigiu-se com a criança ao jardim.

Todo o resto da tarde e no princípio da noite foi necessário ajudar meu pai em seus trabalhos de escritório.

Às oito, e depois que as mulheres já haviam rezado suas orações de costume, chamaram-nos à sala de jantar. Ao sentar-me à mesa, fiquei surpreso ao ver uma das açucenas na cabeça de Maria. Havia em seu rosto belíssimo tal ar de nobre, inocente e doce resignação, que, como que magnetizado por algo até então desconhecido para mim nela, não me era possível deixar de fitá-la.

Menina carinhosa e risonha, mulher tão pura e sedutora como aquelas com quem eu havia sonhado, assim a conhecia; mas resignada diante de meu desdém, era nova para mim. Divinizada pela resignação, eu me sentia indigno de fixar um olhar sobre sua fronte.

Respondi mal a algumas perguntas que me fizeram sobre José e sua família. A meu pai não se podia ocultar minha perturbação; e, dirigindo-se a Maria, disse-lhe sorrindo:

— Bela açucena trazes nos cabelos: eu não vi dessas no jardim.

Maria, tentando disfarçar seu desconcerto, respondeu com voz quase imperceptível:

— É que dessas açucenas só há na montanha.

Surpreendi naquele momento um sorriso bondoso nos lábios de Emma.

— E quem as enviou? — perguntou meu pai.

A perturbação de Maria já era notável. Eu a fitava; e ela deve ter encontrado algo novo e alentador em meus olhos, pois respondeu com acento mais firme:

— Efraín jogou algumas no pomar; e nos pareceu que, sendo tão raras, era uma pena que se perdessem: esta é uma delas.

— Maria — disse-lhe eu —, se soubesse que essas flores eram tão estimáveis, eu as teria guardado... para vocês; mas me pareceram menos belas que as que são postas diariamente no vaso de minha mesa.

Ela compreendeu a causa de meu ressentimento, e um olhar seu mo disse tão claramente que temi que se ouvissem as palpitações de meu coração.

Naquela noite, à hora em que a família se retirava do salão, Maria estava casualmente sentada perto de mim. Depois de muito vacilar, disse-lhe enfim, com voz que denunciava minha emoção: «Maria, eram para ti; mas não encontrei as tuas».

Ela balbuciava alguma desculpa quando, tropeçando minha mão na sua sobre o sofá, retive-a por um movimento alheio à minha vontade. Deixou de falar. Seus olhos me olharam espantados e fugiram dos meus. Passou pela fronte, com angústia, a mão que tinha livre, e apoiou nela a cabeça, afundando o braço nu na almofada próxima. Fazendo enfim um esforço para desfazer esse duplo laço da matéria e da alma que em tal momento nos unia, pôs-se de pé; e, como concluindo uma reflexão começada, disse-me tão baixo que mal pude ouvi-la: «então... eu colherei todos os dias as flores mais lindas»; e desapareceu.

As almas como a de Maria ignoram a linguagem mundana do amor; mas se dobram, estremecidas, à primeira carícia daquele a quem amam, como a papoula dos bosques sob a asa dos ventos.

Acabava de confessar meu amor a Maria; ela me havia animado a confessar-lho, humilhando-se como uma escrava para recolher aquelas flores. Repeti com deleite suas últimas palavras; sua voz ainda sussurrava em meu ouvido: «então, eu colherei todos os dias as flores mais lindas».

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