EM TRAVESSIA
EM TRAVESSIA
ainda o asfalto, às vezes, cheira a terra molhada
pode ser que a cidade tenha raízes
embora as árvores estejam presas em postes
e as bocas escondidas nas janelas
a cada esquina, o vento fareja o sal do meu pescoço
e o trânsito segue em fluxo sanguíneo
há algo vivo que persegue o pulso
ou talvez seja em mim que
rosna o som que atravessa a rua, a pele e a poeira