MASTIGADA
MASTIGADA
e de repente o mundo te abandona,
arranca a pele e vai embora
e tu ficas a osso exposto, longe de tudo
com dois búzios de mar colados na cabeça
feito chifres gastos de um bicho acuado
escutando não mais o canto
mas um uivo cru, insistente
és tu que, pelo som da solidão,
foste mastigada por dentro