DOCE COMO A CHUVA A consagração do silêncio · Capítulo 35 de 51
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DOCE COMO A CHUVA

DOCE COMO A CHUVA

fala comigo

doce como a chuva

mesmo aqui

onde a terra abre feridas

e a cama é um chão árido

dá um pouco de voz molhada

a este corpo que não chega

ao fim do dia

sei que chove em teus olhos o choro

sobre as mãos que seguram nosso menino

ele não entende ainda

entende só o aperto

quando me solta os dedos

diz, por mim, que não dói

pois minha língua não chove mais

estala seca

como folha no deserto

quando puder

leva ele ao mar

deixa chover no rosto dele

ensina que a vida também

é água entrando pela boca

quando a gente menos espera

diz por mim o que te digo sem som:

você é a última palavra

ele, o último barulho

que amo

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