DOCE COMO A CHUVA
DOCE COMO A CHUVA
fala comigo
doce como a chuva
mesmo aqui
onde a terra abre feridas
e a cama é um chão árido
dá um pouco de voz molhada
a este corpo que não chega
ao fim do dia
sei que chove em teus olhos o choro
sobre as mãos que seguram nosso menino
ele não entende ainda
entende só o aperto
quando me solta os dedos
diz, por mim, que não dói
pois minha língua não chove mais
estala seca
como folha no deserto
quando puder
leva ele ao mar
deixa chover no rosto dele
ensina que a vida também
é água entrando pela boca
quando a gente menos espera
diz por mim o que te digo sem som:
você é a última palavra
ele, o último barulho
que amo