EXÍLIO DE SI A consagração do silêncio · Capítulo 47 de 51
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EXÍLIO DE SI

EXÍLIO DE SI

choro na boca do travesseiro

quando durmo

tu vens

quando acordo

já fostes

viajo um continente inteiro para te ver por horas

troco a fome pelo dinheiro da passagem

mudo de cidade

troco de pele

leio qualquer promessa como decreto divino

o dedo roga à tela por uma mensagem tua

procuro teu nome no horóscopo

creio na santa conjunção de planetas

numa sorte que me devolva tua boca

meus dias são gestos de ti

a paixão é um exílio de si

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