CRÔNICAS DE FOGO E ÁGUA A consagração do silêncio · Capítulo 24 de 51
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CRÔNICAS DE FOGO E ÁGUA

CRÔNICAS DE FOGO E ÁGUA

gosto do jeito que me fazes ruborizar

que leva os meus dentes sobre o canto do lábio pra sorrir

gosto do jeito que me mordes quando estamos juntos

mas quero mais

quero arranhar a sua pele para que sintas como arde

a minha fome

e quero lamber essa ferida

quero os seus lábios nos meus quando os pulsos presos na

parede

e quero o hematoma dessa prisão

quero a minha língua perto da sua orelha e o seu arrepio na

minha barriga

quero a marca quente desses dedos apertando minha pele como se fosse o caminho da memória

esquecendo-me da falta de ar que é não saber onde estás

serei a própria gravidade que te encaixa

e escorre-me pelo infinito

vamos brincar com fogo?

quero que você se queime

INCENDIÁRIA

assisto a labaredas desenhando curvas no ar

línguas de fogo sussurram-me os segredos das fagulhas

que dançam sobre paixões reacesas

a pele incendiária exibe o ardor das marcas rubras forjadas

pelos seus dedos

rogo para que tudo que há de combustível pegue fogo

e que tudo o que for líquido escorra

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