CRÔNICAS DE FOGO E ÁGUA
CRÔNICAS DE FOGO E ÁGUA
gosto do jeito que me fazes ruborizar
que leva os meus dentes sobre o canto do lábio pra sorrir
gosto do jeito que me mordes quando estamos juntos
mas quero mais
quero arranhar a sua pele para que sintas como arde
a minha fome
e quero lamber essa ferida
quero os seus lábios nos meus quando os pulsos presos na
parede
e quero o hematoma dessa prisão
quero a minha língua perto da sua orelha e o seu arrepio na
minha barriga
quero a marca quente desses dedos apertando minha pele como se fosse o caminho da memória
esquecendo-me da falta de ar que é não saber onde estás
serei a própria gravidade que te encaixa
e escorre-me pelo infinito
vamos brincar com fogo?
quero que você se queime
INCENDIÁRIA
assisto a labaredas desenhando curvas no ar
línguas de fogo sussurram-me os segredos das fagulhas
que dançam sobre paixões reacesas
a pele incendiária exibe o ardor das marcas rubras forjadas
pelos seus dedos
rogo para que tudo que há de combustível pegue fogo
e que tudo o que for líquido escorra