VERSOS EM TUA CARNE
VERSOS EM TUA CARNE
traço labirintos da tua pele,
tal qual um mapa de luxúrias onde meu desejo naufraga
com a língua a decifrar teus silêncios úmidos,
sorvendo cada gota
do verbo quente que escorre de ti
tua carne é texto que decifro com os dedos,
palavra, pausa, expressão e gemido
onde passeio teus nervos ao percorrer
um poema vivo,
escrito com a saliva das vontades
quem mais desabita e faz morada dos teus quadris,
se não eu, que habito entre tuas pausas e súbitas urgências?
não te atrevas a negar a gramática reunida das nossas
discordâncias
nem os pontos finais engolidos
em sussurros roucos
sou alfabeto desfeito na fonética febril da tua entrega,
sílaba sem fôlego,
derretida no calor dos teus olhos
e entre teu gosto e meu vício,
entre tuas ordens e meu abandono,
admito
não há nada mais belo,
que amar como quem escreve
um pecado inteiro
em cada linha da tua pele