VERSOS EM TUA CARNE A consagração do silêncio · Capítulo 44 de 51
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VERSOS EM TUA CARNE

VERSOS EM TUA CARNE

traço labirintos da tua pele,

tal qual um mapa de luxúrias onde meu desejo naufraga

com a língua a decifrar teus silêncios úmidos,

sorvendo cada gota

do verbo quente que escorre de ti

tua carne é texto que decifro com os dedos,

palavra, pausa, expressão e gemido

onde passeio teus nervos ao percorrer

um poema vivo,

escrito com a saliva das vontades

quem mais desabita e faz morada dos teus quadris,

se não eu, que habito entre tuas pausas e súbitas urgências?

não te atrevas a negar a gramática reunida das nossas

discordâncias

nem os pontos finais engolidos

em sussurros roucos

sou alfabeto desfeito na fonética febril da tua entrega,

sílaba sem fôlego,

derretida no calor dos teus olhos

e entre teu gosto e meu vício,

entre tuas ordens e meu abandono,

admito

não há nada mais belo,

que amar como quem escreve

um pecado inteiro

em cada linha da tua pele

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