SUOR
SUOR
o corpo arqueia, quente, teso
a respiração rasgada
em ondas curtas
cada gota escorre lenta
como se te esperasse na pele
os músculos estremecem
como recordassem teu toque
o mundo afunila
sou só
e o movimento que me abre em brasa
a língua úmida desliza pelo canto da boca
o ar entra em soluços
o chão geme sob meus pés
há um instante em que tudo desaparece
e o prazer pulsa feroz
em cada veia, cada poro, cada fibra
os gemidos se perdem no ar
misturados ao som ritmado do impacto
as veias queimam,
mordo os lábios
então paro; respiro, tremo, sorrio,
encosto as mãos nos joelhos,
sinto o suor arder no rosto...
terminei a corrida.