TEMPESTADE
TEMPESTADE
há um corpo de nuvem
se despindo no horizonte.
quando tudo é promessa de queda
aguarda-se de joelhos
há uma sedução
nas coisas prestes a ruir
a chuva vem com a língua dos deuses
lamber o vidro e
provocar relâmpagos no ventre do céu
eu, mulher de telhado,
rendo a pele
porque o mundo, antes de desabar,
é mais bonito
e mais cruel