TENHO QUE IR A consagração do silêncio · Capítulo 32 de 51
Obra Menu

TENHO QUE IR

TENHO QUE IR

os livros na estante são todos cúmplices

o sofá guarda afundamentos

marcas severas do reconhecimento do seu corpo

não há mais nada a pedir

o amor está inteiro sobre a mesa

um coração arrancado à força,

pulsando lento

oferenda da falta de um passo

diante do mundo

os olhos ardem um naufrágio sem gritos

no lamento de quem

não sabe nadar

e nas mãos geladas que não salvam

o silêncio da sala pisa em fotografias,

paredes e memórias

até alcançar o peito vazio

e ocupar o lugar do que foi arrancado

na porta, o seu cheiro misturado ao jasmim

um corpo saindo

e o coração morto, no sofá

1/1
Menu

Fazer anotação