TENHO QUE IR
TENHO QUE IR
os livros na estante são todos cúmplices
o sofá guarda afundamentos
marcas severas do reconhecimento do seu corpo
não há mais nada a pedir
o amor está inteiro sobre a mesa
um coração arrancado à força,
pulsando lento
oferenda da falta de um passo
diante do mundo
os olhos ardem um naufrágio sem gritos
no lamento de quem
não sabe nadar
e nas mãos geladas que não salvam
o silêncio da sala pisa em fotografias,
paredes e memórias
até alcançar o peito vazio
e ocupar o lugar do que foi arrancado
na porta, o seu cheiro misturado ao jasmim
um corpo saindo
e o coração morto, no sofá