NÃO EXISTE
NÃO EXISTE
não me venhas
não me toques
porque não lhe fiz convite
porque não lhe quero nem à sombra,
perto de uma costela que lhe possa dar acesso
não me olhes
não me vejas
porque cá, dentro do cobertor invisível do limbo,
reflito o céu, que é azul; as maritacas, que brincam felizes; eu, que não existo…
não me queira
não me leia
porque nada que aqui eu seja, sou
porque nada que aqui escrevo, é
não, não, não, não, não
não me deixe em paz
não existe paz