DESEQUILÍBRIO A consagração do silêncio · Capítulo 45 de 51
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DESEQUILÍBRIO

DESEQUILÍBRIO

danças como quem teme o chão

ainda que flertes com o abismo

enquanto giro no compasso de um peito exposto,

com a pele pronta

com o ventre disposto à vertigem

dois pra lá e dois pra cá,

quente,

úmida,

úmida,

quente,

como febre suando meu corpo conduzido pela sua mão

coletora de gotas que percorrem o escorregador de minha

coluna

arrepio com o som do ritmo secreto do nosso beijo

aflora o desejo de uma coreografia antiga

gemes,

no entanto, hesitas

hesitas,

no entanto, gemes

seria o carma da bailarina,

confiar sua vida

a quem não sabe dançar?

IMAGINÁRIO

toda vez que penso em ti, peconão me ajoelho a penitênciasquem me vê por foranão imagina como me consomes por dentronão sofro, porémapenas desejoagradeço não correr esse risco tão de pertoconfesso a ti,que não podes me redimir,que fantasio a primeira vezque pudesse sentir a tua respiraçãoa me percorrer,que fico indecisase irias me beliscar os seiosou apenas acariciá-los,não sabendo qual dos dois me agradaria maisse me beijarias docemente oume morderias os lábios até o protestopenso se poderia te dominar...e acabo reconhecendo que não sei se conseguiria,o que me aflige, ao passo que me enche de expectativasme alivia sua distância e me revolta querer que,ao passar por uma rua qualquer,me puxasse para si sem avisoe me beijasse até me sentir intimamente invadida

mexes comigo,passeias pelos meus sonhos inconscientese pelos conscientes tambémés produto do meu imaginário,habitante da minha insônia,distante do meu dia,assombração das minhas noites

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