FRACASSO A consagração do silêncio · Capítulo 27 de 51
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FRACASSO

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um passo em falso e a borda foi abismo

um gesto a mais e a água me engoliu

ah, se o amor soubesse do meu sismo,

ter-me-ia, talvez, onde não caiu

e eu, tão certa de ser travessia

afundei-me na piscina do engano

o riso, que era lume, em agonia

fez-se um silêncio desumano

caí, sim, fracassei

depois caí melhor, mais docemente

quase o triunfo… mas falhei, eu sei,

com a elegância de quem mente ao presente

e houve, ainda, a queda nobre, a monumental,

de tripla pirueta e desatino

a água fugiu, restou-me o temporal

de uma vergonha em riso cristalino

quantos céus perdi por descuido mudo,

quantas travessias não levei ao fim!

tudo foi quase e quase foi tudo…

o amor, o riso e o tombo sobre mim

se ainda houver borda, volto a caminhar

por teimosia ou fé ou desvario

um dia, ao lado de nossos netos, hei de contar

como é bela a queda… antes do vazio

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