BAGAGEM
BAGAGEM
não levo nada leve
a mala é daquelas antigas
sem rodinhas.
tem vestidos que nunca dancei
entre dentes que trincaram orações;
um sem número de palavras não ditas
dobradas entre as costelas;
as promessas que não se cumpriram
emboladas dentro do sutiã.
o medo vai espetando um alfinete na língua.
um caderno para existir
e ossos finos como grafite
escrevendo a beleza
enquanto ela sangra devagar
e envelhece