#Desafio 223
Rios Soltos, Mesmo Leito
Não há posse,
não há vassalagem.
Nem corpo,
nem desejo.
Somos rios soltos,
colidindo,
rasgando,
abraçando o mesmo chão.
Mordeste o silêncio.
Doeu.
Aceitou que o amor arde
em fogueiras distintas
e ainda aquece o mesmo leito.
Tua mão na minha, agora,
não prende.
Explora, explode,
sente o sangue,
a vida nua
escorrendo entre nós.
Amor:
visível, cortante,
a olho nu,
tão claro que cega.
E, inteira,
te digo:
a liberdade que fere
é a que gruda,
não larga,
não morre:
nos mantém.
Crs Ribeiro
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#Desafio 222
A VIDA ERA
RETÂNGULO
C H E I O D E
L I N H A S
D U R A S
TUDO TINHA
B O R D A
C A N T O
E S Q U I N A
que
brei
meu
pró
prio
contorno
as paredes cederam
o ar entrou
o som entrou
eu entrei
soltei
perguntas
no ar
e elas
voltaram
dançando
o que era virou
peso onda
o que era pressa virou maré
amor
leveza
onde antes havia muro
agora
só
há
movimento.
Crs Ribeiro
A VIDA ERA
RETÂNGULO
C H E I O D E
L I N H A S
D U R A S
TUDO TINHA
B O R D A
C A N T O
E S Q U I N A
que
brei
meu
pró
prio
contorno
as paredes cederam
o ar entrou
o som entrou
eu entrei
soltei
perguntas
no ar
e elas
voltaram
dançando
o que era virou
peso onda
o que era pressa virou maré
amor
leveza
onde antes havia muro
agora
só
há
movimento.
Crs Ribeiro
#Desafio 221
222 de 365
Três vezes o pulso,
batida do tempo
suspenso,
eco de silêncios
entrelaçados:
ritmo denso.
Dois,
a dualidade:
sombra e luz,
prumo e desvio,
em gesto tríplice,
a cifra seduz.
No vão
da espera,
o instante
revela:
sem pressa
no toque,
nem eco
na tela.
Número que dança
entre finito e eterno,
guarda e liberta,
no campo das horas,
a beleza
encoberta.
Crs Ribeiro
222 de 365
Três vezes o pulso,
batida do tempo
suspenso,
eco de silêncios
entrelaçados:
ritmo denso.
Dois,
a dualidade:
sombra e luz,
prumo e desvio,
em gesto tríplice,
a cifra seduz.
No vão
da espera,
o instante
revela:
sem pressa
no toque,
nem eco
na tela.
Número que dança
entre finito e eterno,
guarda e liberta,
no campo das horas,
a beleza
encoberta.
Crs Ribeiro
#Desafio 220
Ele chegou lento…
manhã fria que se espreguiça na vidraça.
Mês da nova idade.
Novos ciclos.
Talvez caminhos que o destino rabisque
com a ponta cega de um lápis.
Pelo que palpita o teu peito?
O que ainda ousa querer?
Vai ter coragem…
de fazer?
A vida é só passagem:
dias a mais,
vida a menos.
E enquanto fingimos eternidade,
os sonhos criam poeira nos ossos.
Agosto não é acaso.
É a gosto de quem
segura as rédeas.
Tudo é direção.
A vida só floresce
para quem decide.
A caixa de Pandora
se abriu há muito.
Entre escombros e ruínas,
sobrou algo pequeno,
teimoso,
indomável:
Esperança.
Ela está olhando pra você.
E não vai esperar para sempre.
Crs Carneiro
Ele chegou lento…
manhã fria que se espreguiça na vidraça.
Mês da nova idade.
Novos ciclos.
Talvez caminhos que o destino rabisque
com a ponta cega de um lápis.
Pelo que palpita o teu peito?
O que ainda ousa querer?
Vai ter coragem…
de fazer?
A vida é só passagem:
dias a mais,
vida a menos.
E enquanto fingimos eternidade,
os sonhos criam poeira nos ossos.
Agosto não é acaso.
É a gosto de quem
segura as rédeas.
Tudo é direção.
A vida só floresce
para quem decide.
A caixa de Pandora
se abriu há muito.
Entre escombros e ruínas,
sobrou algo pequeno,
teimoso,
indomável:
Esperança.
Ela está olhando pra você.
E não vai esperar para sempre.
Crs Carneiro
#Desafio 219
O Riso que Me Habita
Pai, vento que ri.
Sorriso que ainda abre ruas
dentro de mim.
Voz com cheiro de domingo
e som manso de chuva chegando.
Me ensinou que a vida
é coisa para se gostar.
Que tristeza é só intervalo
para beber da própria fonte.
Que felicidade não se guarda:
é vinho bebido no instante.
Seresteiro de luas cheias.
Festeiro de noites sem pressa.
Carinho servido em mãos quentes.
Amor de raiz funda.
Sensibilidade que não se exibe:
toca, silenciosa,
onde mais dói
e mais cura.
Tudo o que sou de melhor
veio dele:
o riso que me habita,
o amor que me atravessa,
e esse jeito de olhar o mundo
como quem sussurra:
— Vai, menina…
a vida é tua festa.
Crs Ribeiro
O Riso que Me Habita
Pai, vento que ri.
Sorriso que ainda abre ruas
dentro de mim.
Voz com cheiro de domingo
e som manso de chuva chegando.
Me ensinou que a vida
é coisa para se gostar.
Que tristeza é só intervalo
para beber da própria fonte.
Que felicidade não se guarda:
é vinho bebido no instante.
Seresteiro de luas cheias.
Festeiro de noites sem pressa.
Carinho servido em mãos quentes.
Amor de raiz funda.
Sensibilidade que não se exibe:
toca, silenciosa,
onde mais dói
e mais cura.
Tudo o que sou de melhor
veio dele:
o riso que me habita,
o amor que me atravessa,
e esse jeito de olhar o mundo
como quem sussurra:
— Vai, menina…
a vida é tua festa.
Crs Ribeiro
#Desafio 218
Ao Teu Morrer
Que nunca
se quebre
o encanto,
que teu
corpo,
manto
e pranto,
me arranca
ao amanhecer.
Ao toque,
minha febre
inflama,
sou chama
que em ti
derrama,
erguendo-me
para
te obedecer.
Prenda-me
como
quem ama,
me açoita
como
quem clama,
e depois
me faça
estremecer.
Não ouses
compaixão
no rito,
me consuma
até
o infinito,
faz-me gritar,
me desfazer.
Que dure
o sempre
insano,
te quero
fera
e humano,
me afoga
sem
se conter.
O tempo,
em nós,
dissolve,
meu tesão
em ti
revolve:
só finda
ao
teu morrer.
Crs Ribeiro
Ao Teu Morrer
Que nunca
se quebre
o encanto,
que teu
corpo,
manto
e pranto,
me arranca
ao amanhecer.
Ao toque,
minha febre
inflama,
sou chama
que em ti
derrama,
erguendo-me
para
te obedecer.
Prenda-me
como
quem ama,
me açoita
como
quem clama,
e depois
me faça
estremecer.
Não ouses
compaixão
no rito,
me consuma
até
o infinito,
faz-me gritar,
me desfazer.
Que dure
o sempre
insano,
te quero
fera
e humano,
me afoga
sem
se conter.
O tempo,
em nós,
dissolve,
meu tesão
em ti
revolve:
só finda
ao
teu morrer.
Crs Ribeiro
#Desafio 217
Do Amor, Restou a Louça
Café sem açúcar,
beijo sem língua.
A rotina os risca
com navalha cínica.
“Quer jantar fora?”
ele ousa dizer.
“Quero sair de mim”,
ela pensa, a arder.
A carne esfria,
o vinho se esconde.
Brindam o tédio
com gelo e remédio.
Corpos colidem,
sem se entender.
Costas se amam
pra não doer.
E nas fotos, a farsa:
sorrisos domados.
O amor? Um ladrão —
roubou-se calado.
E pairando no ar,
um aviso sutil:
Cuidado: o amor vence,
mas morre em abril.
Crs Ribeiro
Do Amor, Restou a Louça
Café sem açúcar,
beijo sem língua.
A rotina os risca
com navalha cínica.
“Quer jantar fora?”
ele ousa dizer.
“Quero sair de mim”,
ela pensa, a arder.
A carne esfria,
o vinho se esconde.
Brindam o tédio
com gelo e remédio.
Corpos colidem,
sem se entender.
Costas se amam
pra não doer.
E nas fotos, a farsa:
sorrisos domados.
O amor? Um ladrão —
roubou-se calado.
E pairando no ar,
um aviso sutil:
Cuidado: o amor vence,
mas morre em abril.
Crs Ribeiro
#Desafio 216
Sentido Único
(com duplo sentido)
Ando por ruas
que me atravessam.
Viro esquinas,
mas sou eu que desvio
do que não sei nomear.
O destino,
é só um acidente
que se vestiu de escolha.
Todo dia é expediente,
mas nunca o bastante
para dar conta
do que lateja
entre um suspiro e outro.
O que sinto
varia.
Com juros,
sem carência.
Na vitrine da vida,
tudo reluz.
Mas o que é ouro?
E o que é purpurina
que finge profundidade?
Lugar de fala se vende.
Silêncio, não.
Tem quem ouça com a epiderme
e quem veja com os móveis da sala.
Sou poeta.
Inquilina do avesso.
Moro na dobra das palavras,
na rachadura
entre o sentido e o delírio.
Meu vocabulário é torto
feito corpo apaixonado.
Mas minha fé…
essa caminha
descalça
e não
tropeça,
mesmo
nas
ruínas.
Crs Ribeiro
Sentido Único
(com duplo sentido)
Ando por ruas
que me atravessam.
Viro esquinas,
mas sou eu que desvio
do que não sei nomear.
O destino,
é só um acidente
que se vestiu de escolha.
Todo dia é expediente,
mas nunca o bastante
para dar conta
do que lateja
entre um suspiro e outro.
O que sinto
varia.
Com juros,
sem carência.
Na vitrine da vida,
tudo reluz.
Mas o que é ouro?
E o que é purpurina
que finge profundidade?
Lugar de fala se vende.
Silêncio, não.
Tem quem ouça com a epiderme
e quem veja com os móveis da sala.
Sou poeta.
Inquilina do avesso.
Moro na dobra das palavras,
na rachadura
entre o sentido e o delírio.
Meu vocabulário é torto
feito corpo apaixonado.
Mas minha fé…
essa caminha
descalça
e não
tropeça,
mesmo
nas
ruínas.
Crs Ribeiro
#Desafio 215
Entre o Verbo e a Viga
Há de ver, cidade.
Tanta pressa no passo,
tanto peso no prazo.
O afeto:
moeda mais cara da praça.
Tem quem trabalhe por amor
e receba cansaço.
E segue:
amar é teimosia.
Na ladeira dos dias,
subo ereta,
mas o coração
escorrega.
Sanidade,
às vezes,
é só não sentir.
Forma demais,
fome de menos.
Paz armada
até os dentes.
Verso
vira prosa.
Prosa
vira nada.
Milagre
só com carimbo
e firma reconhecida.
Vou entre:
tempo & templo,
santo & centro,
ser & servir…
Pedem silêncio.
Dou.
Não é paz,
é sede
de alguma verdade.
Verso é bisturi:
corta,
sangra,
cura bonito.
Já fui verbo,
viga,
vírgula.
Hoje sou
ponto de interrogação
pedindo colo
no travesseiro da pressa.
No fim, eu sei:
viver é verbo
que pede conjunção.
E o amor…
ainda é a melhor delas.
Crs Ribeiro
Entre o Verbo e a Viga
Há de ver, cidade.
Tanta pressa no passo,
tanto peso no prazo.
O afeto:
moeda mais cara da praça.
Tem quem trabalhe por amor
e receba cansaço.
E segue:
amar é teimosia.
Na ladeira dos dias,
subo ereta,
mas o coração
escorrega.
Sanidade,
às vezes,
é só não sentir.
Forma demais,
fome de menos.
Paz armada
até os dentes.
Verso
vira prosa.
Prosa
vira nada.
Milagre
só com carimbo
e firma reconhecida.
Vou entre:
tempo & templo,
santo & centro,
ser & servir…
Pedem silêncio.
Dou.
Não é paz,
é sede
de alguma verdade.
Verso é bisturi:
corta,
sangra,
cura bonito.
Já fui verbo,
viga,
vírgula.
Hoje sou
ponto de interrogação
pedindo colo
no travesseiro da pressa.
No fim, eu sei:
viver é verbo
que pede conjunção.
E o amor…
ainda é a melhor delas.
Crs Ribeiro
#Desafio 214
RUÍDO BONITO
A cidade
é um ruído bonito:
todo mundo grita.
ninguém escuta.
Meu peito,
rádio velho,
chiando em estação
no dial errado.
Tenho medo
de virar rodapé
que ninguém lê,
mas que,
de repente,
toca num lugar escondido
de alguém distraído.
Escrevo cartas
com cheiro de adeus.
Não envio.
Não sei pra onde.
Só sei que doem menos
quando viram papel.
Desejo menos dor,
ou — que ousadia —
um cafuné decente,
de olhos fechados,
sem urgência.
Sei que sou difícil,
não me edito.
Amo com todas as falhas
e ainda assim,
não sou esse erro
que tentam deletar
com frieza e clique.
Ás vezes
acordo flor
e o dia me cinza:
me apago devagar.
Mas logo
me rego
com café forte,
lágrima quente
e poesia crua.
Essa noite sonhei
com uma voz que sussurrava:
“tá tudo bem não saber.”
Acordei com essa frase
pendurada no peito
feito medalha
ou promessa.
Se me cruzar por aí,
me lê devagar.
Tenho entrelinhas,
sou cheia de espinhos,
mas também escondo abraços
em tudo o que escrevo.
(talvez até em você)
com amor
(e esse medo bonito
de quem sente demais),
Crs Ribeiro
RUÍDO BONITO
A cidade
é um ruído bonito:
todo mundo grita.
ninguém escuta.
Meu peito,
rádio velho,
chiando em estação
no dial errado.
Tenho medo
de virar rodapé
que ninguém lê,
mas que,
de repente,
toca num lugar escondido
de alguém distraído.
Escrevo cartas
com cheiro de adeus.
Não envio.
Não sei pra onde.
Só sei que doem menos
quando viram papel.
Desejo menos dor,
ou — que ousadia —
um cafuné decente,
de olhos fechados,
sem urgência.
Sei que sou difícil,
não me edito.
Amo com todas as falhas
e ainda assim,
não sou esse erro
que tentam deletar
com frieza e clique.
Ás vezes
acordo flor
e o dia me cinza:
me apago devagar.
Mas logo
me rego
com café forte,
lágrima quente
e poesia crua.
Essa noite sonhei
com uma voz que sussurrava:
“tá tudo bem não saber.”
Acordei com essa frase
pendurada no peito
feito medalha
ou promessa.
Se me cruzar por aí,
me lê devagar.
Tenho entrelinhas,
sou cheia de espinhos,
mas também escondo abraços
em tudo o que escrevo.
(talvez até em você)
com amor
(e esse medo bonito
de quem sente demais),
Crs Ribeiro