#Desafio 254
Gosto da rua:
áspero.
Asfalto mastigando os pés.
Silêncio cheira a medo.
Sombras engolem pensamentos.
Nada se mexe.
Tudo tropeça.
Eu, mulher,
ando só.
Cada ruído
um soluço da alma.
Cada gato no breu
um alerta de olhos.
Te procuro nos vãos.
Mais uma vez:
sou eu por mim.
A rua não fala.
Só lembra que existir
é atravessar o breu
com os ossos expostos;
com o coração à mostra
sem ninguém
para segurar.
Crs Ribeiro
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#Desafio 253
Yin e Yang
Sou sombra e luz
silêncio e grito;
frio que me arde
peso que me leva.
Sou entrega
resistência;
riso que chora
mar calmo
onda que me quebra.
Tudo se encontra.
Tudo se opõe.
E eu me lanço:
sou inteira
sou nada.
Sou o instante
que não acaba.
Crs Ribeiro
Yin e Yang
Sou sombra e luz
silêncio e grito;
frio que me arde
peso que me leva.
Sou entrega
resistência;
riso que chora
mar calmo
onda que me quebra.
Tudo se encontra.
Tudo se opõe.
E eu me lanço:
sou inteira
sou nada.
Sou o instante
que não acaba.
Crs Ribeiro
#Desafio 252
Cicatriz
Gerou
rasgou
bofetada
na pele:
ecoou
Ferida tosca
sorriu
ardeu
sumiu
Véu de vento
sussurro miúdo
linha tênue
pulsa muda
floresce sem dó
sem alarde
Anos queimam
tarde após tarde
riscou
rompeu
riu
enganou
me fodeu
explodiu.
Crs Ribeiro
Cicatriz
Gerou
rasgou
bofetada
na pele:
ecoou
Ferida tosca
sorriu
ardeu
sumiu
Véu de vento
sussurro miúdo
linha tênue
pulsa muda
floresce sem dó
sem alarde
Anos queimam
tarde após tarde
riscou
rompeu
riu
enganou
me fodeu
explodiu.
Crs Ribeiro
#Desafio 251
Menina linda
cabelos em brasas
sardas salpicam, sapateiam, sussurram
tranças tricotam trapalhadas
Saltando de pedra em pedra
no céu baixo da infância
pula-pula, ploc-ploc
amarelinha rasgando o tempo
Pernas longas, leves
olhos que engolem o mundo
antes que ele acabe
Ela ri
e o chão se curva cativo
aos seus pés
O tempo se dissolve
tic-tac, tic-tac
em passos, pulos, inspirações
E tudo que existe
tateia, toca, treme, dá o timbre
se esconde
respira
vive dentro dela
Crs Ribeiro
Menina linda
cabelos em brasas
sardas salpicam, sapateiam, sussurram
tranças tricotam trapalhadas
Saltando de pedra em pedra
no céu baixo da infância
pula-pula, ploc-ploc
amarelinha rasgando o tempo
Pernas longas, leves
olhos que engolem o mundo
antes que ele acabe
Ela ri
e o chão se curva cativo
aos seus pés
O tempo se dissolve
tic-tac, tic-tac
em passos, pulos, inspirações
E tudo que existe
tateia, toca, treme, dá o timbre
se esconde
respira
vive dentro dela
Crs Ribeiro
#Desafio 250
Beijo
Sombras,
toques
Rosto
encostado
na brisa
Silêncio
que curva
o mundo
Lábios
que se encontram
sem pressa
Segredos
que a pele
entende
antes da boca
Leve,
doce
Você
sou
eu
Eternos
Crs Ribeiro
*** O Beijo, de Edvard Munch
Beijo
Sombras,
toques
Rosto
encostado
na brisa
Silêncio
que curva
o mundo
Lábios
que se encontram
sem pressa
Segredos
que a pele
entende
antes da boca
Leve,
doce
Você
sou
eu
Eternos
Crs Ribeiro
*** O Beijo, de Edvard Munch
#Desafio 249
Ciúme
Sussurro inquieto.
Erva daninha
que aperta.
Acalme-se.
Amor
não é estufa;
é vento
que espalha sementes
sem forçar brotos.
O outro floresce
você também:
cada pétala
em seu tempo;
cada raiz
respirando.
Liberdade não seca;
aduba.
Alimente o próprio jardim
com a sombra
da beleza
que cresce
longe de você.
Afrouxe as correntes:
desamarre
as trepadeiras
que prendem o peito.
É leve amar…
sem cercas
sem estacas
que sufocam o caule.
Descubra
que o coração
é solo fértil,
onde tudo que se planta
cresce.
E nunca se esgota.
Crs Ribeiro
*** Quadro Ciúme, de Edvard Munch
Ciúme
Sussurro inquieto.
Erva daninha
que aperta.
Acalme-se.
Amor
não é estufa;
é vento
que espalha sementes
sem forçar brotos.
O outro floresce
você também:
cada pétala
em seu tempo;
cada raiz
respirando.
Liberdade não seca;
aduba.
Alimente o próprio jardim
com a sombra
da beleza
que cresce
longe de você.
Afrouxe as correntes:
desamarre
as trepadeiras
que prendem o peito.
É leve amar…
sem cercas
sem estacas
que sufocam o caule.
Descubra
que o coração
é solo fértil,
onde tudo que se planta
cresce.
E nunca se esgota.
Crs Ribeiro
*** Quadro Ciúme, de Edvard Munch
#Desafio 247
Gritou.
Nada respondeu.
Olhos vazios.
Mãos fechadas.
Silêncio que pesa.
Rugiu.
Animal antigo.
Corpo nu.
Pele riscava
a própria carne.
Sangue quente
escorrendo verdade.
Pisou no chão do mundo
que fingia não existir.
Cada passo, um golpe.
Cada marca, um juramento.
Ninguém socorreu.
Ninguém viu.
Ninguém podia.
A dor era dela.
A resistência, dela.
A vida, dela.
Respirou fundo.
Rugido contido.
Fogo no olhar.
Incandescente.
Invencível.
No silêncio do abandono,
ela se erguia.
Sempre.
Crs Ribeiro
*** Quadro O grito, de Edvard Munch.
Gritou.
Nada respondeu.
Olhos vazios.
Mãos fechadas.
Silêncio que pesa.
Rugiu.
Animal antigo.
Corpo nu.
Pele riscava
a própria carne.
Sangue quente
escorrendo verdade.
Pisou no chão do mundo
que fingia não existir.
Cada passo, um golpe.
Cada marca, um juramento.
Ninguém socorreu.
Ninguém viu.
Ninguém podia.
A dor era dela.
A resistência, dela.
A vida, dela.
Respirou fundo.
Rugido contido.
Fogo no olhar.
Incandescente.
Invencível.
No silêncio do abandono,
ela se erguia.
Sempre.
Crs Ribeiro
*** Quadro O grito, de Edvard Munch.
#Desafio 246
Abro o caderno
aponto o lápis
mordo a borracha
mastigo tédio cru.
O dia cinza-arrogante
tem um bebê chorando
o caminhão de lixo passando
um carro berrando
saldão imperdível.
Na pia
a torneira pinga.
Um compasso perfeito
para minha falta de inspiração
que tenta me convencer:
não tenho nada a dizer.
Mas, veja só
o peito me trai:
desperta ensolarado
como se houvesse
um azul lá fora
que nao recebeu
o memorando do caos.
Crs Ribeiro
Abro o caderno
aponto o lápis
mordo a borracha
mastigo tédio cru.
O dia cinza-arrogante
tem um bebê chorando
o caminhão de lixo passando
um carro berrando
saldão imperdível.
Na pia
a torneira pinga.
Um compasso perfeito
para minha falta de inspiração
que tenta me convencer:
não tenho nada a dizer.
Mas, veja só
o peito me trai:
desperta ensolarado
como se houvesse
um azul lá fora
que nao recebeu
o memorando do caos.
Crs Ribeiro
#Desafio 245
A Rosa Esquecida
Ninguém
me quis.
Lábios pálidos
demais
para o festim
dos olhos.
Pétalas poucas.
Sem a abundância
dos buquês de luxo.
Mas havia ventre.
Seiva ardendo
em silêncio.
Perfume febril
pedindo
bocas.
Caule
latejando:
coxa que espera.
Cravaram-me na terra,
abri-me em espasmos.
Raízes-dedos
buscando calor.
Gozei
o escuro.
Bebi
húmus.
Penetrei
a sombra.
Fome antiga.
Flores de vitrine:
Belas.
Rápidas.
Órfãs.
Vasos frios
sem orgasmo.
Sem raiz.
Eu, esquecida
Aprendi
a eternidade
na penetração
da terra.
Não sou ornamento.
Sou carne.
Úmida.
Sou boca.
Aberta.
Sou rosa.
Inteira.
Crs Ribeiro
A Rosa Esquecida
Ninguém
me quis.
Lábios pálidos
demais
para o festim
dos olhos.
Pétalas poucas.
Sem a abundância
dos buquês de luxo.
Mas havia ventre.
Seiva ardendo
em silêncio.
Perfume febril
pedindo
bocas.
Caule
latejando:
coxa que espera.
Cravaram-me na terra,
abri-me em espasmos.
Raízes-dedos
buscando calor.
Gozei
o escuro.
Bebi
húmus.
Penetrei
a sombra.
Fome antiga.
Flores de vitrine:
Belas.
Rápidas.
Órfãs.
Vasos frios
sem orgasmo.
Sem raiz.
Eu, esquecida
Aprendi
a eternidade
na penetração
da terra.
Não sou ornamento.
Sou carne.
Úmida.
Sou boca.
Aberta.
Sou rosa.
Inteira.
Crs Ribeiro
#Desafio 244
Pele de Papel
O lápis invade.
A folha treme.
Carne branca:
pele de escrever.
Arranha.
Penetra.
Revela o que a alma
não quer mostrar.
Promessas quebram.
Palavras queimam.
Nada fica.
Tudo arde.
Às vezes é mais:
gozo que explode,
sol no quarto,
grito no peito.
Escrevo para durar.
Mal e sal
na mesma boca.
O papel me veste,
me morde,
me salva.
Imortal.
Que morde.
Crs Ribeiro
Pele de Papel
O lápis invade.
A folha treme.
Carne branca:
pele de escrever.
Arranha.
Penetra.
Revela o que a alma
não quer mostrar.
Promessas quebram.
Palavras queimam.
Nada fica.
Tudo arde.
Às vezes é mais:
gozo que explode,
sol no quarto,
grito no peito.
Escrevo para durar.
Mal e sal
na mesma boca.
O papel me veste,
me morde,
me salva.
Imortal.
Que morde.
Crs Ribeiro