#Desafio 213
Fé
Fé?
Fé é ficar de pé
com o joelho do mundo
no seu pescoço.
É rir no esboço,
amar no esgoto,
escrever poesia
com o cotovelo
pressionando o rosto.
Não é trocadilho,
minha filha,
é trauma com rima.
Porque verso
não é enfeite
é arma branca,
lâmina linguística,
faca sem cabo
cravada no dicionário.
E eu sigo:
entre ser verbo
ou virar silêncio.
Entre rimar com raiva
ou calar com senso.
Mas hoje eu falo.
Hoje eu rasgo.
Hoje eu rimo.
Porque palavra é bala
e eu
sou o gatilho.
Crs Ribeiro
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#Desafio 212
NUA DE FILTRO
Penso,
logo embucho.
A existência não pesa no peito.
Pesa no estômago.
E arde.
Pergunto ao Uber:
— Para onde vai o ser?
Ele olha pelo retrovisor e diz:
— Depende do trânsito, moça.
E da tarifa dinâmica.
Desço nua de filtro,
cheia de sede.
Sem rumo,
mas com wi-fi.
Procuro um ser humano.
Acho um influencer
em jejum de afeto.
Tento subir
a escada da ideia,
mas tropeço
num story
com filtro de cachorro.
O mundo real
virou cenário desfocado
para o close certo.
Passo no RH.
Quero pedir a demissão de Deus.
Mas o chefe é algoritmo.
Só responde de segunda a sexta,
das 10h às 16h.
(Exceto feriados
e orações mal formuladas.)
No fim,
o mais sábio
era aquele bêbado
na fila do pão.
Olhou pra mim
com farelo nos lábios…
E disse:
— Tudo é relativo.
Inclusive o troco.
Eu ri.
Depois chorei.
Depois publiquei.
Crs Ribeiro
NUA DE FILTRO
Penso,
logo embucho.
A existência não pesa no peito.
Pesa no estômago.
E arde.
Pergunto ao Uber:
— Para onde vai o ser?
Ele olha pelo retrovisor e diz:
— Depende do trânsito, moça.
E da tarifa dinâmica.
Desço nua de filtro,
cheia de sede.
Sem rumo,
mas com wi-fi.
Procuro um ser humano.
Acho um influencer
em jejum de afeto.
Tento subir
a escada da ideia,
mas tropeço
num story
com filtro de cachorro.
O mundo real
virou cenário desfocado
para o close certo.
Passo no RH.
Quero pedir a demissão de Deus.
Mas o chefe é algoritmo.
Só responde de segunda a sexta,
das 10h às 16h.
(Exceto feriados
e orações mal formuladas.)
No fim,
o mais sábio
era aquele bêbado
na fila do pão.
Olhou pra mim
com farelo nos lábios…
E disse:
— Tudo é relativo.
Inclusive o troco.
Eu ri.
Depois chorei.
Depois publiquei.
Crs Ribeiro
#Desafio 211
Você não é difícil.
É muuuito.
Difícil de engolir
sem que rasgue por dentro.
Calei.
Aceitei a frase.
Engoli o choro
como quem tranca
um animal na jaula.
A dor latiu baixo.
Nenhum escândalo.
Fiz café.
E, veja só,
ainda servi.
Sorri.
Os pães estavam quentes.
O recheio de estricnina
também.
Crs Ribeiro
Você não é difícil.
É muuuito.
Difícil de engolir
sem que rasgue por dentro.
Calei.
Aceitei a frase.
Engoli o choro
como quem tranca
um animal na jaula.
A dor latiu baixo.
Nenhum escândalo.
Fiz café.
E, veja só,
ainda servi.
Sorri.
Os pães estavam quentes.
O recheio de estricnina
também.
Crs Ribeiro
#Desafio 209
SOU EU QUEM LAMBE
Sou eu quem lambe.
Com olhos fechados
e intenções escancaradas.
Sou eu quem abaixa a guarda:
a tua.
Quem desce,
sem pressa,
pelos degraus vulneráveis
do teu querer.
Lambo onde o medo mora.
Onde o nome não chega.
Onde o desejo sussurra:
“É aqui.”
Não aviso.
Insinuo.
Respiro perto o bastante
para tua pele confessar sozinha.
Sou eu quem curva o mundo
com a ponta da língua.
Não há vulgaridade.
Há vértice.
Há um templo
que reconhece a língua como oferenda.
E quando tua voz falha,
quando teu corpo se entrega em silêncio rouco:
eu sigo.
Porque sou eu quem lambe.
E quem lambe,
governa.
Crs Ribeiro
SOU EU QUEM LAMBE
Sou eu quem lambe.
Com olhos fechados
e intenções escancaradas.
Sou eu quem abaixa a guarda:
a tua.
Quem desce,
sem pressa,
pelos degraus vulneráveis
do teu querer.
Lambo onde o medo mora.
Onde o nome não chega.
Onde o desejo sussurra:
“É aqui.”
Não aviso.
Insinuo.
Respiro perto o bastante
para tua pele confessar sozinha.
Sou eu quem curva o mundo
com a ponta da língua.
Não há vulgaridade.
Há vértice.
Há um templo
que reconhece a língua como oferenda.
E quando tua voz falha,
quando teu corpo se entrega em silêncio rouco:
eu sigo.
Porque sou eu quem lambe.
E quem lambe,
governa.
Crs Ribeiro
#Desafio208
CEGUEIRA PROVOCADA
Fechou os olhos.
Acolheu
a cegueira.
Não suportou
me sentir
inteira.
Escolha dele.
Ouviu.
Cada sílaba
do que não podia
nomear.
As entrelinhas,
as pausas,
os silêncios
escancarados
que eu
teimava
em gritar.
Fez bico pro gosto:
amargo.
Cuspiu.
Disse:
“te quero.”
Disse:
“você é livre.”
E em cada linha do discurso
uma cela com vista para o mar.
Soltou minha mão
como um homem nobre
solta o que não sabe tocar.
Mas os dedos dele
ainda rondavam
minha garganta.
Puxou de volta
não com pegada,
com lógica.
Essas armadilhas
que desmontam
um “não”
desfazendo o laço.
Aceitou migalhas
restos mornos
de um banquete
que eu já
não queria
servir.
E eu fiquei:
sua mulher,
seu altar.
mesmo ele
sem nunca
ter aprendido
a
ajoelhar.
Crs Ribeiro
CEGUEIRA PROVOCADA
Fechou os olhos.
Acolheu
a cegueira.
Não suportou
me sentir
inteira.
Escolha dele.
Ouviu.
Cada sílaba
do que não podia
nomear.
As entrelinhas,
as pausas,
os silêncios
escancarados
que eu
teimava
em gritar.
Fez bico pro gosto:
amargo.
Cuspiu.
Disse:
“te quero.”
Disse:
“você é livre.”
E em cada linha do discurso
uma cela com vista para o mar.
Soltou minha mão
como um homem nobre
solta o que não sabe tocar.
Mas os dedos dele
ainda rondavam
minha garganta.
Puxou de volta
não com pegada,
com lógica.
Essas armadilhas
que desmontam
um “não”
desfazendo o laço.
Aceitou migalhas
restos mornos
de um banquete
que eu já
não queria
servir.
E eu fiquei:
sua mulher,
seu altar.
mesmo ele
sem nunca
ter aprendido
a
ajoelhar.
Crs Ribeiro
#Desafio 207
#PoesiaUrbana#PoesiaAutorais#VersoSolto#PoesiaNaPele#PoetasContemporâneos#PoesiaQueResiste#PalavraCravada#TextoSolto#PoemaDeRua#CrônicaPoética#LiberdadeEmVerso#PoetaDoAsfalto#GrafitePoético#VentoSemBagagem#EscrevoPorqueRespiro#VersosLivres#ArteDeRua#RascunhoDeMim#PoesiaÉProtesto#CrsRibeiro
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#Desafio 206
Intenção
Além do gesto manso,
na fenda oculta
da artimanha,
ler o silêncio
como ourives:
ouro oculto
no ruído.
Desnudar o afeto
sem remanso,
tatear o risco
no abrigo oferecido.
Por trás do riso
solto e encantado,
do afago doce,
(tão bem medido),
do elogio
em tom ensaiado,
do tempo:
presente ou fingido.
Assim, talvez,
num gesto atento,
eu dissesse
sem me ferir contigo:
se és armadilha
em astucioso alento
ou és laço,
meu destino
doce,
meu abrigo.
Crs Ribeiro
Intenção
Além do gesto manso,
na fenda oculta
da artimanha,
ler o silêncio
como ourives:
ouro oculto
no ruído.
Desnudar o afeto
sem remanso,
tatear o risco
no abrigo oferecido.
Por trás do riso
solto e encantado,
do afago doce,
(tão bem medido),
do elogio
em tom ensaiado,
do tempo:
presente ou fingido.
Assim, talvez,
num gesto atento,
eu dissesse
sem me ferir contigo:
se és armadilha
em astucioso alento
ou és laço,
meu destino
doce,
meu abrigo.
Crs Ribeiro
#Desafio 205
Faço interessantes viagens
todos os dias
por sua boca, peito
e olhos perfeitos.
Percorro o meu corpo
ao som da sua voz
sonhando que, um dia,
não o faça a sós.
Check-IN, checkOUT
check-IN, checkOUT,
check-IN, checkOUT:
Knockout!
Crs Carneiro
Repost de 23/O3/24
Faço interessantes viagens
todos os dias
por sua boca, peito
e olhos perfeitos.
Percorro o meu corpo
ao som da sua voz
sonhando que, um dia,
não o faça a sós.
Check-IN, checkOUT
check-IN, checkOUT,
check-IN, checkOUT:
Knockout!
Crs Carneiro
Repost de 23/O3/24
#Desafio 204
Multiverso do Eu
Múltiplos eus
em múltiplos versos:
versos meus,
versos reversos.
Eus dispersos…
Sou eu,
sou outra,
sou eco,
sou rastro.
Me multiplico no verbo,
me fragmento no ato.
Sou um,
sou muitas,
sou nenhuma.
Cada eu
um espasmo.
Cada verso
um recomeço.
Me leio,
me verso,
me erro.
Me Uni-verso.
Crs Ribeiro
Multiverso do Eu
Múltiplos eus
em múltiplos versos:
versos meus,
versos reversos.
Eus dispersos…
Sou eu,
sou outra,
sou eco,
sou rastro.
Me multiplico no verbo,
me fragmento no ato.
Sou um,
sou muitas,
sou nenhuma.
Cada eu
um espasmo.
Cada verso
um recomeço.
Me leio,
me verso,
me erro.
Me Uni-verso.
Crs Ribeiro