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@CrisRibeiro

Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 211

Você não é difícil.
É muuuito.

Difícil de engolir
sem que rasgue por dentro.

Calei.
Aceitei a frase.

Engoli o choro
como quem tranca
um animal na jaula.

A dor latiu baixo.
Nenhum escândalo.

Fiz café.
E, veja só,
ainda servi.

Sorri.

Os pães estavam quentes.
O recheio de estricnina
também.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 209



SOU EU QUEM LAMBE

Sou eu quem lambe.
Com olhos fechados
e intenções escancaradas.

Sou eu quem abaixa a guarda:
a tua.

Quem desce,
sem pressa,
pelos degraus vulneráveis
do teu querer.

Lambo onde o medo mora.
Onde o nome não chega.
Onde o desejo sussurra:
“É aqui.”

Não aviso.
Insinuo.
Respiro perto o bastante
para tua pele confessar sozinha.

Sou eu quem curva o mundo
com a ponta da língua.

Não há vulgaridade.
Há vértice.
Há um templo
que reconhece a língua como oferenda.

E quando tua voz falha,
quando teu corpo se entrega em silêncio rouco:
eu sigo.

Porque sou eu quem lambe.
E quem lambe,
governa.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio208

CEGUEIRA PROVOCADA

Fechou os olhos.
Acolheu
a cegueira.

Não suportou
me sentir
inteira.

Escolha dele.

Ouviu.
Cada sílaba
do que não podia
nomear.

As entrelinhas,
as pausas,
os silêncios
escancarados
que eu
teimava
em gritar.

Fez bico pro gosto:
amargo.

Cuspiu.

Disse:
“te quero.”
Disse:
“você é livre.”

E em cada linha do discurso
uma cela com vista para o mar.

Soltou minha mão
como um homem nobre
solta o que não sabe tocar.

Mas os dedos dele
ainda rondavam
minha garganta.

Puxou de volta
não com pegada,
com lógica.

Essas armadilhas
que desmontam
um “não”
desfazendo o laço.

Aceitou migalhas
restos mornos
de um banquete
que eu já
não queria
servir.

E eu fiquei:
sua mulher,
seu altar.

mesmo ele
sem nunca
ter aprendido
a
ajoelhar.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 207


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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 206

Intenção

Além do gesto manso,
na fenda oculta
da artimanha,

ler o silêncio
como ourives:
ouro oculto
no ruído.

Desnudar o afeto
sem remanso,
tatear o risco
no abrigo oferecido.

Por trás do riso
solto e encantado,
do afago doce,
(tão bem medido),
do elogio
em tom ensaiado,
do tempo:
presente ou fingido.

Assim, talvez,
num gesto atento,
eu dissesse
sem me ferir contigo:

se és armadilha
em astucioso alento
ou és laço,
meu destino
doce,
meu abrigo.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 205

Faço interessantes viagens
todos os dias

por sua boca, peito
e olhos perfeitos.

Percorro o meu corpo
ao som da sua voz

sonhando que, um dia,
não o faça a sós.

Check-IN, checkOUT

check-IN, checkOUT,

check-IN, checkOUT:

Knockout!

Crs   Carneiro

Repost de 23/O3/24
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 204

Multiverso do Eu

Múltiplos eus
em múltiplos versos:

versos meus,
versos reversos.
Eus dispersos…

Sou eu,
sou outra,
sou eco,
sou rastro.

Me multiplico no verbo,
me fragmento no ato.

Sou um,
sou muitas,
sou nenhuma.

Cada eu
um espasmo.
Cada verso
um recomeço.

Me leio,
me verso,
me erro.

Me Uni-verso.

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 203

início, meio e sim.

Falta pele.
Sobra espera.
Bato na porta certa,
com o coração aberto.
Vou.
E no ir,
me faço casa,
me faço volta,
me faço mundo.

Prefiro mãos.
Não peço promessas.
Teto que abrace,
olho que entenda.
E fica.

Sou recomeço.
E se estiveres
(a)fim,
serás o meio.
Sim!

Crs Ribeiro
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@CrisRibeiro
há 7 meses
Público
#Desafio 203

207 dias
e nenhum deles pediu desculpa.

O tempo, cão sem dono,
me levou na coleira sem perguntar.

Janeiro jurou promessas,
julho já esqueceu o nome.

No relógio:
tic-tac-tic-tanto-faz.

Me restam 159 pedaços de futuro
para colar com cuspe e coragem.

(e ainda espero
que um deles
seja poema
ou pelo menos
sexta-feira)

Crs Ribeiro
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