Caixas de histórias
Hoje comecei a desmontar o estoque da RHJ em São Paulo. Nós terminamos nossa parceria, e preciso devolver os livros que estão aqui.
O sentimento é de... Não sei. É de que uma parte da vida foi embora.
A cada livro encaixotado, a cada estante esvaziada, me vinha na lembrança a beleza do estoque cheio, dos livros novos que chegavam, e que eu separava sempre um para ler em casa. A cada caixa fechada, o barulho da fita me trazia à lembrança o cansaço acumulado de feiras intermináveis, onde eu conhecia tantas pessoas adoráveis, interessantes, artistas.
Enfim, é duro perceber que a vida é toda feita de ciclos, alguns que nós nunca estamos preparados para fechar, outros que nem ousamos iniciar. Fico pensando no que eu poderia ter feito melhor (e, sim, tenho a autocrítica para saber que podia ter feito muitas coisas melhor). Fico pensando no passado que vivi, mais do que no futuro que preciso decidir.
Sou melancólico. Mais que isso: sou nostálgico. E isso é triste, porque, a cada ano, tenho menos vida para viver e mais coisas para recordar... Não sei lidar com isso. Não sei olhar pra frente. Mesmo que eu precise, porque, mês que vem, tenho prestações vencendo, agora sem o salário com o qual contava.
Não era para eu estar desesperado? Talvez eu esteja. Mas a dor da perda, da nostalgia, do que "poderia ter sido", é complexa; uma pessoa como eu sente muito mais que qualquer outra.
E o pior é que a nostalgia é uma dor doce, uma dor da qual nos alimentamos e nos confortamos. Não é uma dor que nos espeta, da qual queremos nos livrar. É uma amante sedutora e envolvente, que nos prende com a falsa ilusão de que precisamos dela. A nostalgia nos faz achar que é algo bom de se sentir, quando, na verdade, é apenas algo que deve ser guardado.
"Bola pra frente", dizem. "Você é muito mais capaz que isso". "Você tem potencial pra muito mais". Mas não sei ser assim. Vivo num luto sem fim, de tentativas falhas, de dor e saudade e desilusão. Mas me visto com a melhor máscara, com a melhor roupa e com o pouco que há de bom em mim para aparecer e criar e fingir que tenho algum sucesso.
Hoje, com os livros indo embora, sinto que perdi algo intangível, algo que vou ter saudade e vou remoer. Vou pensar milhões de vezes nas vezes em que estava indo para o Box, em que estava arrumando os livros e fazendo planos. Vou deixar doer, mesmo que seja uma coisa muito fugaz e melodramática - pois sou assim, e não sei sentir pouco.
Hoje perdi algo que não cabia em caixa nenhuma. Amanhã volto para desmontar as estantes.
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Leia-me como um Poema
Não é que o autista te viu e não quis falar com você;
É que ele estava com os olhos em algum lugar de Nárnia, que, neste universo paralelo, dividia as mesmas coordenadas com o espaço onde você estava.
Não é que ele não prestou atenção ao que você falava, porque não estava interessado;
É Que ele simplesmente estava ouvido todas as vozes que falam mais alto que você (inclusive aquela, do outro lado do vagão do trem).
Não é que ele esteja olhando para os seus peitos;
Ele está olhando é para o brilho diferente que aquele seu pingente faz sobre a luz.
Não é que ele esteja olhando pra sua bunda;
O que ele está mergulhado é no amassadinho do botão do bolso de trás, aquele que tem um furo levemente oblongo no meio.
Não, ele não está te encarando porque quer te seduzir;
Ele só está notando uma simetria entre duas minúsculas pintas ou poros do seu rosto, que formam padrões que podem inclusive ser lidos.
Ele não quer te desmentir ou te colocar em situações constrangedoras;
Ele só não consegue entender o que você diz, e, então, tenta explorar pra ver se te entende.
Esse é o autista.
Mas, lembre-se: às vezes, ele está interessado.
Às vezes, ele olha para os seus seios ou seu bumbum, pensando como alguém pode ter um corpo tão perfeito.
Às vezes, ele olha para o seu rosto escrutinando a beleza que há nos seus olhos, na sua boca, na comunhão entre ambos.
E, às vezes, ele se torna inconveniente apenas porque quer conhecer melhor aquela pessoa que tanto o atrai.
Nem sempre ele sabe lidar com o que vê, nem com o que sente. Ele quase nunca sabe...
Releve. Perdoe. Leia-o.
Nós somos pessoas adoráveis e apaixonantes, se você nos der a chance.
Não é que o autista te viu e não quis falar com você;
É que ele estava com os olhos em algum lugar de Nárnia, que, neste universo paralelo, dividia as mesmas coordenadas com o espaço onde você estava.
Não é que ele não prestou atenção ao que você falava, porque não estava interessado;
É Que ele simplesmente estava ouvido todas as vozes que falam mais alto que você (inclusive aquela, do outro lado do vagão do trem).
Não é que ele esteja olhando para os seus peitos;
Ele está olhando é para o brilho diferente que aquele seu pingente faz sobre a luz.
Não é que ele esteja olhando pra sua bunda;
O que ele está mergulhado é no amassadinho do botão do bolso de trás, aquele que tem um furo levemente oblongo no meio.
Não, ele não está te encarando porque quer te seduzir;
Ele só está notando uma simetria entre duas minúsculas pintas ou poros do seu rosto, que formam padrões que podem inclusive ser lidos.
Ele não quer te desmentir ou te colocar em situações constrangedoras;
Ele só não consegue entender o que você diz, e, então, tenta explorar pra ver se te entende.
Esse é o autista.
Mas, lembre-se: às vezes, ele está interessado.
Às vezes, ele olha para os seus seios ou seu bumbum, pensando como alguém pode ter um corpo tão perfeito.
Às vezes, ele olha para o seu rosto escrutinando a beleza que há nos seus olhos, na sua boca, na comunhão entre ambos.
E, às vezes, ele se torna inconveniente apenas porque quer conhecer melhor aquela pessoa que tanto o atrai.
Nem sempre ele sabe lidar com o que vê, nem com o que sente. Ele quase nunca sabe...
Releve. Perdoe. Leia-o.
Nós somos pessoas adoráveis e apaixonantes, se você nos der a chance.
#Desafio 188
*Fuja*
Fuja…
enquanto ainda há tempo!
Antes de se acostumar,
se entregar,
se prender,
antes de querer ficar,
antes de querer ser.
Fuja…
Não caia nessa conversa,
não queira pegar intimidade,
não queira fazer parte…
Antes que seja tarde,
previna-se, preveja.
Fuja!
Ouça.
Leia este alerta.
Já te deixarei avisado,
para não dizer que era “papo”.
O precavido ouviu o recado,
e você me ouça: não se perca!
Pois…
se ficar?
Talvez eu não queira mais ir…
e permaneça.
Pode acontecer
que eu fique como você,
bem aqui…
e, perdidamente apaixonada,
me entregue a uma paixão
não planejada…
Que surgiu,
assim de repente,
do nada…
de forma crescente,
mas ainda controlada.
Então,
seja eloquente…
Seria loucura!
Pois agora, não há desculpa.
Você é inteligente e está consciente,
não há “porquê” em tornar
nossas vidas complicadas!
Nosso “caso” exige
uma atitude drástica,
de autopreservação pura.
Fuja!
Fuja,
enquanto ainda
não sente nada minha falta.
Consequências de me amar
e me ter apaixonada
podem ser evitadas.
Fuja,
e não me diga nada!
ou…
você vai (vi)ver!
MarU
*Fuja*
Fuja…
enquanto ainda há tempo!
Antes de se acostumar,
se entregar,
se prender,
antes de querer ficar,
antes de querer ser.
Fuja…
Não caia nessa conversa,
não queira pegar intimidade,
não queira fazer parte…
Antes que seja tarde,
previna-se, preveja.
Fuja!
Ouça.
Leia este alerta.
Já te deixarei avisado,
para não dizer que era “papo”.
O precavido ouviu o recado,
e você me ouça: não se perca!
Pois…
se ficar?
Talvez eu não queira mais ir…
e permaneça.
Pode acontecer
que eu fique como você,
bem aqui…
e, perdidamente apaixonada,
me entregue a uma paixão
não planejada…
Que surgiu,
assim de repente,
do nada…
de forma crescente,
mas ainda controlada.
Então,
seja eloquente…
Seria loucura!
Pois agora, não há desculpa.
Você é inteligente e está consciente,
não há “porquê” em tornar
nossas vidas complicadas!
Nosso “caso” exige
uma atitude drástica,
de autopreservação pura.
Fuja!
Fuja,
enquanto ainda
não sente nada minha falta.
Consequências de me amar
e me ter apaixonada
podem ser evitadas.
Fuja,
e não me diga nada!
ou…
você vai (vi)ver!
MarU
Assim como as estrelas,
tem coisas
que são mais fáceis
de enxergar no escuro.
Às vezes eu recuo,
fico recluso,
apago as luzes em mim
para enxergar, enfim,
aquilo que estava oculto.
As respostas sempre vem,
quando eu paro e escuto
o silêncio que há também
aqui, no meu escuro.
Há um universo oculto
em mim.
#desafio 365/184
tem coisas
que são mais fáceis
de enxergar no escuro.
Às vezes eu recuo,
fico recluso,
apago as luzes em mim
para enxergar, enfim,
aquilo que estava oculto.
As respostas sempre vem,
quando eu paro e escuto
o silêncio que há também
aqui, no meu escuro.
Há um universo oculto
em mim.
#desafio 365/184
#Desafio 180
*Encruzilhada*
Bebeu a cachaça,
direto do vidro
na encruzilhada…
Pra enganar o frio
e as ideias atravessadas.
Assou o bicho…
que deu seu axé
na oferenda sagrada.
Agradeceu
aos céus e orixás,
por isso:
merenda encontrada.
Religião e tradição:
Aos devotos e atendidos,
todos gratos,
na encruzilhada,
ao improviso.
Lutando,
todos os dias,
por sua vida…
Mas hoje,
o mendigo vai comer!
… E viver
mais um dia,
por isso.
Laroyê! Laroyê!
Adorei as almas.
Ogunhê.
Atotô Obaluaiê.
Muito obrigada!
Muito obrigada!
MarU
*O texto acima é uma homenagem inspirada por uma cena real.
Escrevo com reverência, não como iniciada, mas como quem observa com respeito o sagrado nas ruas.
*Encruzilhada*
Bebeu a cachaça,
direto do vidro
na encruzilhada…
Pra enganar o frio
e as ideias atravessadas.
Assou o bicho…
que deu seu axé
na oferenda sagrada.
Agradeceu
aos céus e orixás,
por isso:
merenda encontrada.
Religião e tradição:
Aos devotos e atendidos,
todos gratos,
na encruzilhada,
ao improviso.
Lutando,
todos os dias,
por sua vida…
Mas hoje,
o mendigo vai comer!
… E viver
mais um dia,
por isso.
Laroyê! Laroyê!
Adorei as almas.
Ogunhê.
Atotô Obaluaiê.
Muito obrigada!
Muito obrigada!
MarU
*O texto acima é uma homenagem inspirada por uma cena real.
Escrevo com reverência, não como iniciada, mas como quem observa com respeito o sagrado nas ruas.
À Distância de um Olhar
Ela tocou a taça no queixo porque precisava do toque. O vinho tingia o cristal como um presságio. Os olhos dele, mesmo do outro lado da tela, tiravam suas roupas com mais precisão do que mãos ousadas.
“Você sempre me põe alguma vontade”, ele dissera.
“Qual a de hoje?”, ela provocara, já imaginando que leria uma boa resposta no calor que subia pelas coxas.
A mensagem chegou como um sussurro que atravessava o vidro:
“Começa com mergulhar os dedos na tua taça, depois na tua boca, te olhando os olhos de muito perto.”
Ela sentiu a boca se entreabrir, não pela surpresa, mas pela antecipação. O dedo úmido do vinho poderia ter sido dele, roçando seu lábio inferior, empurrando devagar para dentro, como quem oferece um segredo para ser guardado entre dentes e saliva.
“Essa carinha de reação é bem como pensei a sua boca mesmo”, ele completou.
Ela respondeu com um “hmmmm”, mas seu corpo inteiro falava outras línguas, outras urgências.
E então ele afundou mais fundo nas palavras:
“Se viesse um gemidinho assim, iriam também outros dois dedos na tua boceta, sem tirar os da tua boca e ainda te olhando os olhos de muito perto.”
A cena se desenhava perfeita em sua mente — os olhos fixos, os dedos orquestrando uma dança entre lábios e carne pulsante. Ela respondeu com um arrepio e uma confissão:
“que cena perfeita.”
E ele seguiu, sabendo que já não havia como parar e nem queria recuar:
“Os dedos todos e os olhos todos continuariam, até você gozar. Sem outro toque, sem mais proximidade do que estar perto, te olhando e tocando a boca e a boceta por dentro.”
Ela adorou a maldade dessa ideia, mas desafiou:
“Será que consegue? Ficar longe?”
“Consigo”, ele disse.
“A visão do teu corpo a essa curta distância e os teus movimentos… Eu seria capaz de te olhar assim muito tempo. Mas nem acho que seria preciso tanto tempo até você gozar.”
“Não, não seria”, ela admitiu mais rapidamente do que deveria.
E ele concluiu como quem sela um feitiço:
“O movimento do teu quadril, bicando nos meus dedos. Aqui, só a construção da cena me põe vontade de um gozo. Imaginar também o teu corpo ao ler, aumenta minha vontade.”
Ela fechou os olhos, imaginou o tamanho e a dureza da vontade, sendo empurrada para dentro de si.
E isso arruinou qualquer chance de um minuto a mais. Gozou com força e vazio. Sem vergonha e sem pele. Ali mesmo, entre letras, vinho e desejo teleguiado.
Ela tocou a taça no queixo porque precisava do toque. O vinho tingia o cristal como um presságio. Os olhos dele, mesmo do outro lado da tela, tiravam suas roupas com mais precisão do que mãos ousadas.
“Você sempre me põe alguma vontade”, ele dissera.
“Qual a de hoje?”, ela provocara, já imaginando que leria uma boa resposta no calor que subia pelas coxas.
A mensagem chegou como um sussurro que atravessava o vidro:
“Começa com mergulhar os dedos na tua taça, depois na tua boca, te olhando os olhos de muito perto.”
Ela sentiu a boca se entreabrir, não pela surpresa, mas pela antecipação. O dedo úmido do vinho poderia ter sido dele, roçando seu lábio inferior, empurrando devagar para dentro, como quem oferece um segredo para ser guardado entre dentes e saliva.
“Essa carinha de reação é bem como pensei a sua boca mesmo”, ele completou.
Ela respondeu com um “hmmmm”, mas seu corpo inteiro falava outras línguas, outras urgências.
E então ele afundou mais fundo nas palavras:
“Se viesse um gemidinho assim, iriam também outros dois dedos na tua boceta, sem tirar os da tua boca e ainda te olhando os olhos de muito perto.”
A cena se desenhava perfeita em sua mente — os olhos fixos, os dedos orquestrando uma dança entre lábios e carne pulsante. Ela respondeu com um arrepio e uma confissão:
“que cena perfeita.”
E ele seguiu, sabendo que já não havia como parar e nem queria recuar:
“Os dedos todos e os olhos todos continuariam, até você gozar. Sem outro toque, sem mais proximidade do que estar perto, te olhando e tocando a boca e a boceta por dentro.”
Ela adorou a maldade dessa ideia, mas desafiou:
“Será que consegue? Ficar longe?”
“Consigo”, ele disse.
“A visão do teu corpo a essa curta distância e os teus movimentos… Eu seria capaz de te olhar assim muito tempo. Mas nem acho que seria preciso tanto tempo até você gozar.”
“Não, não seria”, ela admitiu mais rapidamente do que deveria.
E ele concluiu como quem sela um feitiço:
“O movimento do teu quadril, bicando nos meus dedos. Aqui, só a construção da cena me põe vontade de um gozo. Imaginar também o teu corpo ao ler, aumenta minha vontade.”
Ela fechou os olhos, imaginou o tamanho e a dureza da vontade, sendo empurrada para dentro de si.
E isso arruinou qualquer chance de um minuto a mais. Gozou com força e vazio. Sem vergonha e sem pele. Ali mesmo, entre letras, vinho e desejo teleguiado.
Arde, pulsa,
Teu cerne em minha carne,
Esmiúça, o forno.
Ascendente, crescente.
Impulsa, entre minha coxas,
Úmidas.
A labareda, que alimenta,
Desde o início do dia.
E crepitando, escapa entre
Os lábios,
Os da boca e os do sexo.
Latejam, anseiam,
Teu falo.
Ébria de desejo,
Dispo, todas as coisas,
Que me tornam
Aparte, de ti.
E fluo, deliciosamente
Meus pensamentos,
Cativos do teu gozo,
Que acompanha o meu.
Meu sexo banha o teu.
Eliz Leão
Teu cerne em minha carne,
Esmiúça, o forno.
Ascendente, crescente.
Impulsa, entre minha coxas,
Úmidas.
A labareda, que alimenta,
Desde o início do dia.
E crepitando, escapa entre
Os lábios,
Os da boca e os do sexo.
Latejam, anseiam,
Teu falo.
Ébria de desejo,
Dispo, todas as coisas,
Que me tornam
Aparte, de ti.
E fluo, deliciosamente
Meus pensamentos,
Cativos do teu gozo,
Que acompanha o meu.
Meu sexo banha o teu.
Eliz Leão
Pode o amor
florescer de uma chuva
de ondas opacas
do vento forte
pode o amor
sobreviver lonjuras
reviver memórias
celebrar desfiles
pode o amor
desprezar o tempo
esquecer o nascimento
intensificar o grito
pode o amor
deixar o passado
despreocupar o futuro
e ser presente
pode
basta um beijo
Edu Liguori
florescer de uma chuva
de ondas opacas
do vento forte
pode o amor
sobreviver lonjuras
reviver memórias
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pode o amor
desprezar o tempo
esquecer o nascimento
intensificar o grito
pode o amor
deixar o passado
despreocupar o futuro
e ser presente
pode
basta um beijo
Edu Liguori
Eu carrego algo aqui dentro;
Algo maior do que eu.
Algo que foi forjado
entre sangue e lágrimas
de uma versão que precisou morrer
para que eu pudesse renascer.
Carrego aqui dentro
um ímpeto por liberdade
que não aceita prisão,
não aceita imposição,
não aceita ser submetido
ou subjugado
— Esse ímpeto sou eu —
Faca afiada de dois gumes;
Forjada por alguém
que sobreviveu.
#desafio 365/172
Algo maior do que eu.
Algo que foi forjado
entre sangue e lágrimas
de uma versão que precisou morrer
para que eu pudesse renascer.
Carrego aqui dentro
um ímpeto por liberdade
que não aceita prisão,
não aceita imposição,
não aceita ser submetido
ou subjugado
— Esse ímpeto sou eu —
Faca afiada de dois gumes;
Forjada por alguém
que sobreviveu.
#desafio 365/172
Arte, Cinto, Pele, Poesia
Entrei de roupa.
Saí atravessado.
Não foi o nu que me expôs
foi a poesia.
Cada palavra que li e ouvi
abria minha pele
como quem rasga um envelope suado
escrito com pressa e tesão.
Não performei.
Me confessei.
Na frente de corpos
que não pedem permissão pra gozar,
mas gozam como quem reza.
Vi bocas molhadas de verso,
outra de sêmen,
e umas que sabiam dizer "quero"
com o olhar cravado entre as pernas.
Teve gemido no palco,
e gemido que ninguém ouviu
mas que ficou gravado na carne de quem olhava.
Teve dor ritual,
tesão cênico,
arte que morde,
corda que prende,
e gozo que liberta.
Vi cenas.
Toquei outras.
Entrei nelas.
O sarau não acabou quando as luzes baixaram.
Acabou quando voltei pra casa
e ainda sentia a arte
escorrendo da minha pele.
Entrei de roupa.
Saí atravessado.
Não foi o nu que me expôs
foi a poesia.
Cada palavra que li e ouvi
abria minha pele
como quem rasga um envelope suado
escrito com pressa e tesão.
Não performei.
Me confessei.
Na frente de corpos
que não pedem permissão pra gozar,
mas gozam como quem reza.
Vi bocas molhadas de verso,
outra de sêmen,
e umas que sabiam dizer "quero"
com o olhar cravado entre as pernas.
Teve gemido no palco,
e gemido que ninguém ouviu
mas que ficou gravado na carne de quem olhava.
Teve dor ritual,
tesão cênico,
arte que morde,
corda que prende,
e gozo que liberta.
Vi cenas.
Toquei outras.
Entrei nelas.
O sarau não acabou quando as luzes baixaram.
Acabou quando voltei pra casa
e ainda sentia a arte
escorrendo da minha pele.