Sete de setembro As Primaveras · Capítulo 15 de 70
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Sete de setembro

Sete de setembro

I

Foi um dia de glória! - O povo altivo

Trocou sorrindo as vozes de cativo

Pelo cantar das festas!

O leão indomável do deserto

Bramiu soberbo, dos grilhões liberto,

No meio das florestas!

Lá no Ipiranga do Brasil o Marte

Enrolado nas dobras do estandarte

Erguia o augusto porte;

Cercada a fronte dos lauréis da glória

Soltou tremendo brado da vitória:

- Independência ou morte!

O santo amor dos corações ardentes

Achou eco no peito dos valentes

No campo e na cidade;

E nos salões - do pescador nos lares,

Livres soaram hinos populares

À voz da liberdade!

II

Anos correram; - no torrão fecundo

Ao sol de fogo deste novo-mundo

A semente brotou;

E franca e leda, a geração nascente

À copa altiva da árvore frondente

Segura se abrigou!

A roda da bandeira sacrossanta

Um povo esperançoso se levanta

Infante e a sorrir!

A nação do letargo se desperta,

E - livre - marcha pela estrada aberta

Às glórias do porvir!

O país, n'alegria todo imerso,

Velava atento à roda só dum berço.

Era o vosso, Senhor!

Vós do tronco feliz doce renovo,

Vede agora, Senhor, na voz do povo

Quão grande é seu amor!

Rio - 1858.

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