Perfumes e amor As Primaveras · Capítulo 23 de 70
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Perfumes e amor

Perfumes e amor

A flor mimosa que abrilhanta o prado

Ao sol nascente vai pedir fulgor;

E o sol, abrindo da açucena as folhas,

Dá-lhe perfumes - e não nega amor.

Eu que não tenho, como o sol, seus raios,

Embora sinta nesta fronte ardor,

Sempre quisera ao encetar teu álbum

Dar-lhe perfumes - desejar-lhe amor.

Meu Deus! nas folhas deste livro puro

Não manche o pranto da inocência o alvor,

Mas cada canto que cair dos lábios

Traga perfumes - e murmure amor.

Aqui se junte, qual num ramo santo,

Do nardo o aroma e da camélia a cor,

E possa a virgem, percorrendo as folhas,

Sorver perfumes - respirar amor.

Encontre a bela, caprichosa sempre,

Nos ternos hinos d'infantil frescor

Entrelaçados na grinalda amiga

Doces perfumes - e celeste amor.

Talvez que diga, recordando tarde

O doce anelo do feliz cantor:

- "Meu Deus! nas folhas do meu livro d'alma

Sobram perfumes - e não falta amor!"

Junho - 1858.

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