Três cantos As Primaveras · Capítulo 46 de 70
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Três cantos

Três cantos

Quando se brinca contente

Ao despontar da existência

Nos folguedos de inocência,

Nos delírios de criança;

A alma, que desabrocha

Alegre, cândida e pura -

Nessa contínua ventura

É toda um hino: - esperança!

Depois... na quadra ditosa,

Nos dias da juventude,

Quando o peito é um alaúde,

E que a fronte tem calor;

A alma que então se expande

Ardente, fogosa e bela -

Idolatrando a donzela

Soletra em trovas: - amor!

Mas quando a crença se esgota

Na taça dos desenganos,

E o lento correr dos anos

Envenena a mocidade;

Então a alma cansada

Dos belos sonhos despida,

Chorando a passada vida -

Só tem um canto: - saudade!

Fevereiro - 1858.

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