Mocidade As Primaveras · Capítulo 43 de 70
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Ninon, Ninon, que fais tu de la vie?

L'heure s'enfuit, le jour succede au jour.

Rose ce soir, demain flétrie,

Comment vis-tu, toi qui n'as pas d'amour?!

Musset.

Doce filha da lânguida tristeza

Ergue a fronte pendida - o sol fulgura!

Quando a terra sorri-se e o mar suspira

Por que te banha o rosto essa amargura?!

Por que chorar quando a natura é risos,

Quando no prado a primavera é flores?

- Não foge a rosa quando o sol a busca

Antes se abrasa nos gentis fulgores.

Não! - Viver é amar, é ter um dia

Um amigo, uma mão que nos afague;

Uma voz que nos diga os seus queixumes,

Que as nossas mágoas com amor apague.

A vida é um deserto aborrecido

Sem sombra doce, ou viração calmante;

- Amor - é a fonte que nasceu nas pedras

E mata a sede à caravana errante.

Amai-vos! disse Deus criando o mundo,

Amemos! - disse Adão no paraíso,

Amor! - murmura o mar nos seus queixumes,

Amor! - repete a terra num sorriso!

Doce filha da lânguida tristeza

Tua alma a suspirar de amor definha...

- Abre os olhos gentis à luz da vida,

Vem ouvir no silêncio a voz da minha!

Amemos! Este mundo é tão tristonho!

A vida, como um sonho - brilha e passa;

Porque não havemos p'ra acalmar as dores

Chegar aos lábios o licor da taça?

O mundo! o mundo! - E que te importa o mundo?

- Velho invejoso, a resmungar baixinho!

Nada perturba a paz serena e doce

Que as rolas gozam no seu casto ninho.

Amemos! - tudo vive e tudo canta...

Cantemos! seja a vida - hinos e flores;

De azul se veste o céu... vistamos ambos

O manto perfumado dos amores.

Doce filha da lânguida tristeza

Ergue a fronte pendida - o sol fulgura!

- Como a flor indolente da campina

Abre ao sol da paixão tua alma pura!

Setembro - 1858.

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