Folha negra As Primaveras · Capítulo 53 de 70
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Folha negra

Folha negra

Sinhá,

Um outro mancebo

Alegre, poeta e crente,

Soltara um canto fervente

De amor talvez! - de alegria,

E aqui nas folhas do livro

Deixara - amor e poesia.

Mas eu que não tenho risos

Nem alegrias tão pouco,

Nem sinto esse fogo louco

Que a mocidade consome,

Nas brancas folhas do livro

Só posso deixar meu nome!

É triste como um gemido,

É vago como um lamento;

- Queixume que solta o vento

Nas pedras duma ruma

Na hora em que o sol se apaga

E quando o lírio s'inclina!...

Grito de angústia do pobre

Que sobre as águas se afoga,

Cadáver que bóia e voga

Longe da praia querida,

Grito de quem n'agonia

- Já morto - se apega à vida!

Vozes de flauta longínqua

Que as nossas mágoas aviva,

Soluço da patativa,

Queixume do mar que rola,

Cantiga em noite de lua

Cantada ao som da viola!...

Saudades do pegureiro

Que chora o seu lar amado,

- Calado e só - recostado

Na pedra dalgum caminho...

Canção de santa doçura

Da mãe que embala o filhinho!...

Meu nome!... É simples e pobre

Mas é sombrio e traz dores,

- Grinalda de murchas flores

Que o sol queima e não consome...

- Sinhá!... das folhas do livro

É bom tirar o meu nome!...

Setembro - 1858.

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