Bálsamo As Primaveras · Capítulo 18 de 70
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Bálsamo

Bálsamo

Eu vi-a lacrimosa sobre as pedras

Rojar-se essa mulher que a dor ferira!

A morte lhe roubara dum só golpe

Marido e filho, encaneceu-lhe a fronte,

E deixou-a sozinha e desgrenhada

- Estátua da aflição aos pés dum túmulo! -

O esquálido coveiro p'ra dois corpos

Ergueu a mesma enxada, e nessa noite

A mesma cova os teve!

E a mãe chorava,

E mais alto que o choro erguia as vozes!

No entanto o sacerdote - fronte branca

Pelo gelo dos anos - a seu lado

Tentava consolá-la

A mãe aflita

Sublime desse belo desespero

As vozes não lhe ouvia; a dor suprema

Toldava-lhe a razão no duro trance.

"Oh! padre! - disse a pobre s'estorcendo

Co'a voz cortada dos soluços d'alma -

"Onde o bálsamo, as falas d'esperança,

"O alívio à minha dor?!"

Grave e solene,

O padre não falou - mostrou-lhe o céu!

Rio - 1858

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