Na estrada As Primaveras · Capítulo 63 de 70
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Na estrada

Na estrada

Eu vi o pobre velho esfarrapado

- Cabeça branca - sentado pensativo

Dum carvalho ao pé;

Esmolava na pedra dum caminho,

Sem família, sem pão, sem lar, sem ninho,

E rico só de fé!

Era de tarde; ao toque do mosteiro

Seu lábio a murmurar rezava baixo,

- Ao lado o seu bordão;

E o sol, no raio extremo, lhe dourava

Sobre a fronte senil a dupla c'roa

De pobre e de ancião!

E o homem de metal vinha sorrindo

Contando ao companheiro os gordos lucros

Na usura de judeus;

O mendigo estendeu a mão mirrada,

E pediu-lhe na voz entrecortada:

- Uma esmola, por Deus!

O homem de metal embevecido

Em sonhos de milhões, por junto à pedra

Sem responder, passou!

O pobre recolheu a mão vazia...

O anjo tutelar velou seu rosto

Mas - Satanás folgou!

Rio - 1858.

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