O baile! As Primaveras · Capítulo 50 de 70
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O baile!

O baile!

Se junto de mim te vejo

Abre-te a boca um bocejo,

Só pelo baile suspiras!

Deixas amor - pelas galas,

E vais ouvir pelas salas

Essas douradas mentiras!

Tens razão! Mais valem risos

Fingidos, desses Narcisos

- Bonecos que a moda enfeita -

Do que a voz sincera e rude

De quem, prezando a virtude,

Os atavios rejeita.

Tens razão! - Valsa, donzela,

A mocidade é tão bela,

E a vida dura tão pouco!

No burburinho das salas,

Cercada de amor e galas,

Sê tu feliz - eu sou louco!

E quando eu seja dormido

Sem luz, sem voz, sem gemido,

No sono que a dor conforta;

Ao concertar tuas tranças

No meio das contradanças

Diz tu sorrindo: "- Qu'importa?..

"Era um louco, em noites belas

"Vinha fitar as estrelas

"Nas praias, co'a fronte nua!

"Chorava canções sentidas

"E ficava horas perdidas

"Sozinho, mirando a lua!

"Tremia quando falava

"E - pobre tonto - chamava

"O baile - alegrias falsas!

"- Eu gosto mais dessas falas

"Que me murmuram nas salas

"No ritornelo das valsas. - "

Tens razão! - Valsa, donzela,

A mocidade é tão bela

E a vida dura tão pouco!

P'ra que fez Deus as mulheres,

P'ra que há na vida prazeres?

Tu tens razão... eu sou louco!

Sim, valsa, é doce a alegria,

Mas ai! que eu não veja um dia

No meio de tantas galas -

Dos prazeres na vertigem,

A tua coroa de virgem

Rolando no pó das salas!...

Julho - 1858.

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