Borboleta As Primaveras · Capítulo 27 de 70
Obra Menu

Borboleta

Borboleta

Borboleta dos amores,

Como a outra sobre as flores,

Porque és volúvel assim?

Porque deixas, caprichosa,

Porque deixas tu a rosa

E vais beijar o jasmim?

Pois essa alma é tão sedenta

Que um só amor não contenta

E louca quer variar?

Se já tens amores belos,

P'ra que vais dar teus desvelos

Aos goivos da beira-mar?

Não sabes que a flor traída

Na débil haste pendida

Em breve murcha será?

Que de ciúmes fenece

E nunca mais estremece

Aos beijos que a brisa dá?...

Borboleta dos amores,

Como a outra sobre as flores,

Porque és volúvel assim?

Porque deixas, caprichosa,

Porque deixas tu a rosa

E vais beijar o jasmim?!

Tu vês a flor da campina,

E bela e terna e divina,

Tu dás-lhe o que essa alma tem;

Depois, passado o delírio,

Esqueces o pobre lírio

Em troca duma cecém!

Mas tu não sabes, louquinha,

Que a flor que pobre definha

Merece mais compaixão?

Que a desgraçada precisa,

Como do sopro da brisa,

Os ais do teu coração?

Borboleta dos amores,

Como a outra sobre as flores,

Porque és volúvel assim?

Porque deixas, caprichosa,

Porque deixas tu a rosa

E vais beijar o jasmim?

Se a borboleta dourada

Esquece a rosa encarnada

Em troca duma outra flor;

Ela - a triste, molemente

Pendida sobre a corrente,

Falece à míngua d'amor.

Tu também minha inconstante

Tens tido mais dum amante

E nunca amaste a um só!

Eles morrem de saudade,

Mas tu na variedade

Vais vivendo e não tens dó!

Ai! és muito caprichosa!

Sem pena deixas a rosa

E vais beijar outras flores;

Esqueces os que te amam...

Por isso todos te chamam:

- Borboleta dos amores!

Rio - 1858.

1/1
Menu

Fazer anotação