Fragmento As Primaveras · Capítulo 68 de 70
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O mundo é uma mentira, a glória - fumo,

A morte - um beijo, e esta vida um sonho

Pesado ou doce, que s'esvai na campa!

O homem nasce, cresce, alegre e crente

Entra no mundo c'o sorrir nos lábios,

Traz os perfumes que lhe dera o berço,

Veste-se belo d'ilusões douradas,

Canta, suspira, crê, sente esperanças,

E um dia o vendaval do desengano

Varre-lhe as flores do jardim da vida

E nu das vestes que lhe dera o berço

Treme de frio ao vento do infortúnio!

Depois - louco sublime - ele se engana,

Tenta enganar-se p'ra curar as mágoas,

Cria fantasmas na cabeça em fogo,

De novo atira o seu batel nas ondas,

Trabalha, luta e se afadiga embalde

Até que a morte lhe desmancha os sonhos.

Pobre insensato - quer achar por força

Pérola fina em lodaçal imundo!

- Menino louro que se cansa e mata

Atrás da borboleta que travessa

Nas moitas do mangal voa e se perde!...

Dezembro - 1858.

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