Capítulo X A Silveirinha · Capítulo 10 de 20
Obra Menu

Capítulo X

Nada entorpece a alma de um indki duo, como a dôr de uma desilusão... A Silveirinha tinha enfiado á pressa uma capa, posto sobre os cabelos revoltos o chapéu desabado e saido para a rua, com a anciã de um asfixiado pelo ar livre. Precizava desabafar o coração opresso, contar ao padre Pierre tudo que se tinha passado, acolher-se toda na consolação da sua meiguice e do seu bom conselho. A essa hora, deveria ele estar na igreja, ensinando o catecismo ás meninas, um grupo de crianças pobres que havia de comungar a primeiro de Maio. Felizes, essas criaturinhas, que assim podiam entregar a sua alma á devoção sem que ninguém se opuzesse á sua vontade! Comquanto não morasse longe da igreja, a Silveirinha tomou um carro, para evitar encontros importunos e acabar depressa com a aflição que a torturava. Ao chegar á igreja, sentiu um grande desapontamento — encontrou-a fechada. Que fazer? perguntou ela a si mesma, fixando no ar lindo e um pouco frio do dia um olhar interroga tivo. Sem acreditar no que os seus olhos viam, deceu ainda do carro para empurrar a porta do templo, que lhe parecia no momento como uma fortaleza inexpugnável. Tudo se fechava diante do seu caminho; tudo mudava de aspeto, ameaçando-a de abandono. Ela correra para o padre Pierre, como uma criança corre para a mãi num instante de pavor, e até esse refugio se lhe negava de um modo tão imperativo e absoluto! Entretanto, ela precisava de alguém que a ouvisse, que lhe emxugasse as lagrimas, que lhe apontasse a estrada a seguir, por que já não percebia nada, no caos do seu desespero. Surgiu-lhe então, repentinamente na lembrança a figura da sua mestra preferida no colégio. Iria contar-lhe as atribulações do seu espirito, pedirlhe um afago das suas mãos suaves e que a deixasse rezar na capela, no mesmo lugar em que se ajoelhava em pequena, para pedir a Deus de mãos postas perdão por se ter casado com um hereje tão irredutível, um pecador tão impenitente! Voltou de novo para o carro, deu ao cocheiro o endereço com modo quasi inconciente e deixou-se levar, respirando com força o ar, que lhe arrefecia a carne. Mas estava escrito que o seu dia havia de ser de 1 jtS decepções : ao aproximar-se do portão do colégio, viu perto dele um grupo de amigas em que figurava a Magdalena, muito risonha e palreira, com um enorme ramo de rosas brancas na mão. Aborreceu-a a presença da sua antiga condicipula e só para não ter de lhe apertar a mão e sofrer indagações, ordenou ao cocheiro que seguisse para diante e não parasse senão á sua ordem. Que estaria fazendo ali a Magdalena, parada na rua com as outras, em ar de quem espera? Para quem seriam aquelas rosas? Para o altar do padre Pierre, talvez... Talvez... E como levava flores e ia alegre e tranqüila, o encontraria de certo de mãos estendidas e lábios sorridentes! A tarde desmaiava em tons opalinos, e a aragem vinha da serra, impregnada do cheiro acre das matas, agitar os cabelos da Silveirinha, que toda se encolhia a um canto do carro, sem saber que resolução tomar. Voltar para casa sem um conselho, sem um desabafo? Nunca. A sua casa agora metia-lhe medo. Era como uma jaula em que ela fosse entregar o seu corpo débil ás garras de uma fera violenta... Depois de ter saído não poderia entrar sem nova orientação. E quem lha daria? Por si só, náo a encontrava, não a encontraria nunca. Vinham-lha logo novos temores: Teria o marido dado pela sua falta? Estaria ele I ',() alarmando a casa com interrogações aflitivas? Se ele se zangasse ainda mais; paciência. O que ela fazia, fazia-o para seu bem, dele, e pela própria salvação da sua alma. A abnegação cristã tem limites; tinha-se esforçado até ao sacrifício, para iluminar o espirito desvairado do marido, mas não perigaria também a sua alma consentindo ela em tão perigosa convivência? De cada uma das curtas palavras que dissera e que ouvira do marido levantavam-se sombras que lhe obscureciam a razão. Tinha resolvido fugir-lhe, emquanto não se desse o milagre da sua conversão. Na ausência, redobraria de ardor na sua fé, obedeceria em tudo á vontade de Deus, humildemente, até que o suspirado raio de luz iluminasse o trevoso espirito do ateu. Só então voltaria para ele. Antes, nunca. Arrepiava-se com a idéa de que a sua vida matrimonial a levasse ao inferno. Cada beijo trocado com aquele homem sem fé já a tinha com certeza impelido para as penas eternas. Considerava-se agora uma vitima do diabo. Fora por sugestão do diabo que tinha consentido em ser a esposa, a intima, de uma criatura herege e a quem ela amava, apezar de tudo, ás vezes com um desejo torpe, vergonhoso, animal. A' sua imaginação, mal nutrida por uma literetura superficial, acudia a idéa da tentação de Margarida. Ela era a Margarida. O desgraçado do U O marido era o Fausto, e o Mefistofeles andava invisivelmente mas poderosamente esparso no are diluido nas águas que ela tinha respirado e bebido, desde o seu primeiro encontro com o medico, em casa de uma amiga comum. Comprehendia agora porque motivo experimentara então ao vel-o aquela sensação inexplicável de que seria um dia sua mulher. Na maneira forte porque ele lhe apertou a mão, na franqueza quasi brutal com que olhou para os seus olhos timidos, ela sentiu enunciado o direito da posse, o domínio de uma vontade a que teria de obedecer. Fora tão extranho e tão profundo esse sentimento, que, sendo mais tarde informada de que o medico era umlivre-pensador, não teve o mais leve sobresalto, persuadida que tinha sido inspirada pelo seu anjo da guarda para salvar aquele homem transviado, com a sua fé e o seu devotamento. Mas o que supuzera ter sido um segredo do céu não fora senão uma insinuação do Inimigo. Sentia-se agora por isso tranzida de espanto, disposta a todos os sacrifícios para o esconjuro do mal. Bateria a sua alma, conspurcada pelo pecado mortal, nas duras pedras do arrependimento elaval-a-ia com lagrimas até fazel-a resplandecer de pureza e de alvura. Por penitencia sofreria o mal da saudade e fal-o-ia sofrer. Depois de contar tudo ao padre Pierre e de ouvir o seu santo conselho, partiria para a casa da madrinha, num sertão mil 5 l neiro, ou entraria para um convento. Preferia o convento. Depois de andar por varias ruas o cocheiro voltou por deliberação própria á porta da igreja. Como já estivesse aberta, a Silveirinha embarafustou por ela, caminhando por entre as suas paredes caiadas até á capela-mór, sem vêr ninguém, até que surgiu de um lado o sacristão informando-a de que o padre Pierre estava na sacristia á espera das meninas para o catecismo. E como lhe notasse a expressão alterada do rosto, aconselhou : — Tendo pressa, é bom ir falhar-le antes que cheguem as crianças... Se é para acudiraum moribundo, deixa-se tudo... — Obrigada... Padre Pierre estava sentado de costas para uma janela em que o sol poente punha cores de vitral, e essa luz de fora dava-lhe aos cabelos loiros e crespos que lhe engrinaldavam o solidéu preto, refulgencias luminosas de aureola de ouro. Vendo a Silveirinha caminhar para ele com passo desigual e ar esgazeado, estendeu-lhe as duas mãos brancas e perguntou-lhe, com uma voz embebida em doçura : — Venez, monenfant... venez! — Oh, mon père! — Que vous êtes bouleversée! voyons, ducourage, ma douce brebis, du courage... Asseyewous... vous ri êtes pas prudente de me venir chercher à cette l5a A SlLVEIRINHA — — — — • — — — — — — - . - - - - , ^ . ~ — — ^ - — — — - - - . - . - . - ^ — - - . . - . — — — — - . — — ^ — - — - J . — - . ^ . ^ . - . J . . - J . - . - - . - — 1 _ i n r | . . I M 1 > | I | | ^ heure-ci... en toutcasje vous écoute. Parlez... mait parlez donc! A Silveirinha rompeu, então, a falar a meia voz, num desespero, contando toda a cena passada entre ela e o marido, sem esconder mesmo nenhum detalhe, nem as apreciações que o medico fazia a respeito do padre, o seu querido confessorl Era indispensável que ele soubesse tudo, para poder guial-a depois com mão segura no caminho da salvação. A' proporção que ela falava, o padre ia pouco a pouco mudando de aspeto, sem que nenhum traço nem nenhum gesto exprimisse entretanto a violência da sua impressão. A meiguice habitual do seu modo transformava-se em reserva. Ele ouvia sem falar, cerrando os olhos como para náo deixar penetrar neles a influencia daquele rosto de mulher, ou para não deixar transparecer a expressão do seu sentimento. Quando a Silveirinha interrompia a sua narração, á espera de uma pergunta ou de um conselho, ele permanecia silencioso e grave, á espera, por sua vez, que a torrente continuasse. E a torrenta continuava, refletindo idéas já expostas, repetindo admoestações, ralhos, censuras, ciúmes... A frieza austera do seu confessor desnorteava a Silveirinha. Não era aquilo que ela esperava. 0 refugio consolador que a sua alma buscara parel 5 3 cia fechado por uma porta de bronze, ainda mais inviolável que a da própria igreja. Por que seria que o padre Pierre não lhe segurava agora as mãos, como das outras vezes, e não fazia penetrar até ao fundo dos seus olhos tristes a inefável doçura dos seus olhos azuis? Porque seria que ele afastava agora, comum movimento bem perceptível, a cadeira em que estava, da sua cadeira, cada vez que ela, num ímpeto de confidencia, procurava aproximar-se mais? Que se evolaria da sua pessoa, para assim transformar a alma piedosa do amigo na alma fria de um juiz? Por que se fazia mudo, quando forçosamente adivinhava que a única voz que a sustinha na vida era a sua? Por que se transformava a expressão sorridente da sua boca numa expressão amarga e desdenhosa? Seria crivei que ela já estivesse tão contaminada da peçonha do pecado, que ele a julgasse indigna do seu interesse e temesse o seu contado? Seria crivei que ele não se debruçasse sobre a sua agonia, vendo-a caída em tão fundo precipício? Quando ela terminou, exhausta, num soluço, o padre continuou ainda silencioso. Lá fora, na igreja, as crianças já reunidas para o catecismo, começavam a rezar alto a ladainha. Silveirinhaenxugou os olhos inundados e ousou interrogar o seu confessor de modo mais urgente : 9. l51 — Pôde fazer-me entrar já amanhã para um convento? Diga. Ele olhou-a com frieza. Depois disse, com serenidade e altivez: — Volte para a sua casa. Peça perdão a seu marido. O seu lugar é junto dele e para sempro. Náo creia que o demônio se tenha imiscuído na sua vida: quem a inspirou foi Deus. Trate de fazer pela bondade o que não conseguirá nunca pela violência : que a luz dn crença penetre, cedo ou tarde, na alma que o seu anjo da guarda a aconselhou a iluminar. Até á hora da morte náo se deve abandonar nenhum ímpio a si próprio. Volte para casa, procure ser esposa dedicada e mãi fecunda. E' nos filhos que as mulheres melhor podem servir o amor de Deus. Eu rezarei por ambos. — Padre!... — murmurou Silveirinha, com olhar de queixa e de espanto, estendendo-lhe as mãos, á espera do afago costumado. Mas as mãos do padre Pierre continuaram imóveis e ele disse, ainda no mesmo tom pausado, frio e imperativo: — Náo volte a ver-me. Quando quizer confessar-se, procure o padre Gil, ou outro padre qualquer. A mim, não. Nunca mais. A Silveirinha sentia-se desmaiar. — E compreenda que seu marido não ó um homem vulgar, que se deixe vencer por atos de rebeldia nem convencer por argumentos apaixonal55 dos. Mais convirá com ele empregar a doçura e a persuasão da verdade, por meios brandos, tenazes, mas delicados e respeitosos... — Sem o seu amparo? Não; sem o seu conselho eu sinto que não conseguirei nada, nada! Oh, monsenhor, por que retirar-me a suaproteção, por que me abandonar, depois de tantas promessas?.. Padre Pierre olhou-a com severidade. — A senhora não me compreendeu. Eu não lhe prometi nada... Acalme os seus nervos. A sua excitação fal-a imprudente. De resto, a senhora sempre foi imprudente... — Porque não me disse isso nunca? Por que esperou por esta hora de desespero para maguarme com essa censura ? Diga, porquê?! E como o padre Pierre a olhasse com extranheza e rispidez, ela suspirou : — Perdôe-me, monsenhor, eu nem sei o que digo; sou muito infeliz... Nesse ponto a Silveirinha interrompeu o que ia dâer, abalada por um grande choque: Magdalena entrava na sacristia, sobraçando o seu ramo de rosas. — Padre Pierre? — Venez. monenfant. E os lindos olhos do padre se descerraram numa grande chama azul. Todo ele se transformava num sorriso: aquele sorriso a que tanto se acostumara a pobre Silveirinha, e que era o próprio l 5 6 sol para o seu coração friorento... E ela que náo supuzera nunca vêr esse sorriso dirigido para outra! Topando com a sua antiga colega, n Magdalena fingiu um espanto em que transparecia um fio de ironia, e disse : — Ah ! Guiomar, você estava aqui! — Gomo vê. — Eu não podia supor... desculpe. — Não faz mal. — Faz. Náo gosto de ser indiscreta. — Não foi indiscreta. Eu vou-me embora; disse a Silveirinha procurando dominar o azedume que maugrado seu transparecia na sua voz. — Ora essa! vai-se embora porque eu cheguei? — Também não quero ser indiscreta...! — Ah, por isso não. Eu não tenho segredos... — Nem eu... — Então fiquemos ambas! — Não, interveio o padre. Madame Jordão acabava justamente de se despedir de mim. Parte brevemente para o Rio. — Já?! Pois eu ficarei em Petropolis até o fim de Maio!... — E' porque você é menos friorenta do que eu. Faz muito bem. — Como sempre! — E' bom não se gabar demais... — Obrigada pelo conselho. \"f] E como Magdalena se voltasse para o padre e o padre para Magdalena, a Silveirinha saiu, de cabeça erguida e olhos secos. Entrou no carro como um autômato e foi só depois de ele se pôr em movimento que ela pensou na sua situação, culpando-se de ter sido excessivamente franca para com o seu confessor. Maldizia o açodamento com que repetira todas as palavras acusatorias do marido e as suas raivas contra a Magdalena. Percebia, infelizmente já tarde, que o padre Pierre se sentia agora incompatibilizado com ela, que tudo entre ambos estava acabado e da peor maneira. E não se podia explicar como viver sem a presença, embora furtiva, do seu querido amigo espiritual e como sem ele poderia completar a sua obra de religião e de piedade... Como um estatuario, que por um gesto desastrado fizesse cair e esfarelar-se no chão a estatua amorosa em cuja laboração trabalhasse ha mezes no angustiado ardor de uma idéa fixa, assim a Silveirinha julgava ter, com um simples gesto, destruído para sempre o seu ideal. E que fazer agora, o que fazer? — Peça perdão a seu marido... dissera-lhe Pierre. Como se lhe fosse fácil a ela pedir perdão!... E, querendo pensar na atitude do marido e preparar-se para o enfrentar com dignidade, pensava na atitude do padre Pierre, na sua frieza, nas suas palavras duras de admoestação. l58 Nunca supuzera poder vel-o assim ríspido e inflexível. A culpa fora dele, que a chamara para si, a envolvera toda no calor da sua voz cheia de modalidades carinhosas, na cadência dos seus gestos protetores, nas promessas de a conduzir através de todos os escolhos até ao almejado triurafo do seu amor. A culpa fora dele, que a absorvera, a escravizara á sua influencia, para a repelir depois sem comiseração. Afeita ao seu amparo, certa de que só dele podia vir a palavra decisiva que a fizesse conquistar a conversão do marido, a Silveirinha não sabia agora como se poderia conduzir na vida. Era como um cego no meio do tumulto das ruas, a quem o guia tivesse repentinamente retirado a mão. Tinha a impressão de ir ser esmagada logo ao primeiro passo. Percebia bem : Magdalena tinha tirado o seu lugar na afeição do padre Pierre. Era sempre a mesma, aquela Magdalena dos ditos mordazes e das invejas pequeninas! — Volte para casa e peça perdão a seu marido, — tinha-lhe dito o seu confessor. E ela, que lhe obedecia sempre tão cegamente, por que relutava agora em fazel-o? Quando, por fim entrou em casa, perguntou á criada, nervosamente : — Meu marido? l5V) — Está no escritório com o Sr. Silveira. — Ah, meu pai... — Veio ha bocado. Têm ambos perguntado pela senhora para toda a parte, pelo telefone. Quer que eu vá avisal-os? — Não. Eu vou. Dê-me primeiro um copo d'água gelada. Parece que estou com febre... — Logo se vê, a senhora está com feições de doente... A Silveirinha não respondeu e instantes depois caminhava pelo corredor até á porta do escritório, que abriu timidamente. 0 marido estava em pé, olhando por uma janela aberta para o arvoredo do quintal, com o ar absorto de quem interroga o desconhecido. 0 pai lia tranqüilamente em uma cadeira de balanço. Ao sentil-a, voltaram ambos a cabeça, rapidamente. Silveirinha caminhou de vagar até junto do medico, pegou-lhe na mão que pendia inerte ao longo do corpo e disse com voz clara e comovida : — Perdoa-me... Como o marido não respondesse imediatamente, atônito, o pai indagou sem se poder conter : — Mas onde estavas, afinal, que perguntámos a toda gente por ti e ninguém nos soube responder!? — Estava na igreja, e vim de lá firme no proIÔO posito de respeitar as idéas de meu marido, e partir para o Rio, quando elequizer... — Para a Europa! para a Europa! ó que vocôs vão. Para que diabo serve então o dinheiro? Mas na igreja, esse tempo todo? Forte paciência... Olhem que vocês as mulheres lèm idéas!... A melhor igreja, é o lar. Fica sabendo — é o lar! Ainda calado, o Dr. Jordão contemplou a mulher demoradamente. Viu-lhe vestígios de lagrimas nos olhos, e notou-lhe a extrema palidez do rosto, transtornado e aflito. O que deveria ter sofrido essa criaturinha inflexível e nervosa para chegar àquele estado de abatimento e de humildade... Na verdade haveria razão para tão graves atitudes? Ela não o ofendera na sua honra, fora uma questão de leviandade que por sua vez ele tinha sublinhado de um modo demaziadamente brutal... — Precizamos aprender a ser felizes! disse ele por fim, aconchegando a cabeça da mulher ao seu largo peito, onde o coração batia com força.

1/1
Menu

Fazer anotação