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Capítulo 13 · Chamas Celestes

Capítulo 13

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Amanhecendo o dia, Zarin, Zenit, Kaeidh, Samy e Fion começaram a preparar as coisas para a caça do dia. Os dragões nadavam bem e eram certeiros na caçada dentro do mar, mas não podiam ficar muito tempo dentro d’água. Eram como o tiro de um canhão no mar: batiam na água tão forte e rápido que era difícil escapar deles. Geralmente voltavam com um ou outro ser já abatido, o qual colocavam nos cestos com cuidado e respeito, por o animal ter dado sua vida, agradecendo à Mãe Vida pelo alimento.

A competição sempre era por melhor mergulho e melhor caça do dia. Kaeidh teria guelras e rapidez, mas não tanto quanto os dragões. Zenit passava muito tempo à beira-mar com Zarin; eram inseparáveis. Os irmãos eram quase iguais em quase todos os aspectos: aparência, altura, sorrisos e cabelos. Mas Zenit tinha um apreço maior pela caça dentro do mar. Não pela caça em si, mas pela queda e pelo mergulho.

Zenit sempre subia a uma altura maior do que os outros, conferindo, assim, maior velocidade no mergulho e caças maiores também, pois subia a ponto de os animais menores passarem despercebidos, já que não os enxergava. Todos se transformaram e subiram aos céus para iniciar a caça. Logo que Kaeidh entrou no mar, quando a água já estava acima da cintura, em seus pés e braços saíram barbatanas e sua pele se transformou, ficando mais lisa.

Ele levantou as mãos para trançar os cabelos rente à cabeça e os amarrou, satisfeito. Tarwin apareceu bem ao seu lado nesse instante, acompanhado dos tritões do dia anterior. — Está sexy, Kae — disse ele em tom de brincadeira. Riram. — Bom dia, pronto para a caçada?

— Bom dia, Tarwin. Bom dia a todos. Estamos prontos. Estão todos a postos lá em cima. Temos sua permissão para entrarmos? — É claro! Venham! Mergulharam e nadaram rapidamente, as guelras no pescoço de Kae fazendo o trabalho que deveriam, deixando-o respirar normalmente embaixo d’água. Tarwin ia à frente com sua cauda castanha de escamas esverdeadas e brilhantes, tão veloz que Kae e os outros ficavam apenas atrás quando ele queria. Era por essa e outras qualidades que ele era o rei do Mar Filórdico.

Kae esteve presente na competição que o tornou rei, e ele se destacou em todas. Se direcionaram à parte mais funda do mar, onde estavam os maiores animais. Eles sabiam quais poderiam ser caçados, pois, quando tinham filhotes, soltavam um sinal em ondas sonoras, característico de proteção à prole. E isso também era perceptível pela postura mais agressiva do animal. Então, caçavam apenas os que estavam mais idosos e que já tinham feito sua parte nas águas.

Esses animais praticamente se ofereciam à caça e nadavam mais lentamente do que os outros. O que não era tão lento assim, porque, geralmente, em suas idades plenas, eram os animais mais velozes das águas. Passaram pelo banco de corais e frutas marinhas, onde uma quantidade de tritões já coletava os excedentes para levar à festa. Os bancos de corais produziam tanto alimento quanto as árvores que davam frutas em terra, e suas pequenas ou grandes ramificações forneciam da mais doce à mais salgada fruta.

As salgadas eram usadas para dar sabor aos assados e sopas servidos nos eventos, e também em muitas vilas, a diversos seres que viviam à beira-mar ou dentro dele. Alguns tritões, apesar de viverem na água, passavam o dia na praia com suas famílias mestiças e se alimentavam de comidas que serviam a eles e aos seus familiares. Eles tinham uma alimentação

muito mais diversificada do que os tritões que moravam apenas no mar. Saindo dos enormes bancos de corais e seguindo para a parte mais profunda do mar, Kae viu ao longe a vila e o castelo de pedra do rei Tarwin. Acenou para os tritões conhecidos abaixo e continuaram em seu caminho. Olhando acima, viu os dragões pairando logo após a superfície, seguindo-os para a parte abissal do mar. Chegando próximo ao local da pesca, Kae olhou a escuridão abaixo deles e milhares de olhos o olharam de volta.

Era um pouco aterrorizante imaginar que, a qualquer momento, podia ser engolido por um animal gigante. Tinham que ficar atentos, pois os sadics, animais muito grandes com enormes braços e bocarras, gostavam de brincar com a comida, aterrorizando-a antes de finalmente matá-la. E eram silenciosos. Mas soltavam sons ocasionais, parecidos com bloobs, formados pelos seus gases, alertando apenas o tritão mais experiente de que estavam por perto.

No mais, você poderia nadar ao lado de um deles e não o ver na escuridão, até se ver cativo de seus compridos braços, ser chacoalhado e jogado até enlouquecer e depois mastigado pelos dentes afiados, ainda vivo. Tarwin diminuiu a velocidade e equiparou seu nado ao dos demais. Falou telepaticamente com Kae sobre a visão que tinha, além da visão de Kae. Ao acenar para a frente, indicou a direção, e eles foram para onde ele apontava.

Tarwin tinha a visão de quilômetros à frente dele, diferente dos demais seres terrestres, que usavam lupas ou qualquer outro equipamento. Quando menos esperavam, Zenit mergulhou a alguns metros ao lado deles. Pegando rapidamente o animal gigantesco com as presas, o magnífico dragão nadou a toda velocidade em direção aos céus. Foi tão rápido que nem mesmo Tarwin havia visto, já que não havia olhado naquela direção.

Depois disso, começaram a avistar mais e mais animais. E todos foram à caça. Dos mais novos aos mais idosos, tritões e sereias, alguns com arpões, outros com facas e até mesmo com os dentes, foram retirando os animais da água e levando-os para a superfície, onde Samy e Fion estavam com os cestos preparados. Kae e Tarwin avistaram ao mesmo tempo um gigantesco animal chamado dokenar.

Então Kae, armado com um coral espinhoso de pontas agudas e cortantes, nadou em direção a ele, cortando o animal rapidamente para que não sofresse. Tarwin, chegando logo após Kae empurrar o animal para a superfície, avistou outro praticamente do lado. Quando disparou, nadando pelas águas para caçá-lo, viu vindo do outro lado um sadics, que engoliu parte do animal que Tarwin estava para pegar.

No momento em que o sadics fez uma curva com a cabeça para chacoalhar o animal, Tarwin retirou a água do local em que estavam, formando uma bolha de ar dentro do mar profundo. O sadics, arregalando os olhos, tentou sair da bolha, mas era como se fosse uma prisão gigante de ar. Enquanto o animal ia perdendo as forças, Tarwin entrou na bolha e, caminhando, chegou próximo ao sadics e à presa morta, caídos no fundo da bolha, e finalizou o sadics com seu arpão.

Nesse instante, a bolha se desfez e Tarwin, com sua força descomunal, levou ambos os animais, puxando cada um com uma mão para a superfície, onde Zarin também carregava a sua captura até Samy e Fion. Zenit fez outras pescas espetaculares. Ele caçava longe de todos para não correr riscos de acertar alguém que estivesse próximo. Seus mergulhos eram efetivos e bem sincronizados; via- se que ele sabia o que estava fazendo, resultado de muito treino e muitos anos de caça.

Tarwin era misericordioso, mas extremamente mortal. Precisava ser para garantir o alimento de seu povo e de si mesmo. Uma das sereias, chamada Mênadie, era amiga de infância de

Tarwin, e percebia-se de longe o quanto eles se complementavam em várias ocasiões. Os outros tritões e sereias também eram muito experientes e fizeram uma excelente pesca naquele dia. Voltaram para a praia com os cestos lotados e famintos. Tarwin sentou-se junto à fogueira, onde três enormes caldeirões ferviam com as pescas e frutos do mar. Estava relaxado, tomando sua bebida de Frutas da Lua e comendo, depois de muito tempo, os pescados cozidos.

Só comia assim quando Kae ou um dos outros seres, amigos dele, vinham visitar. Gostava de aproveitar o máximo de tempo com seus amigos de longa data, já que agora era um rei e tinha responsabilidades com seu povo. Pensava em voar logo após a comida para aproveitar o festival. Mênadie iria ficar em seu lugar como rainha suplente. Ela era a escolha correta, ainda mais depois da caça, vendo como completava suas ações, por vezes finalizando a pesca e capturando a presa.

Como agora estava solícita, ajudando a todos a servir. Ela merecia sua confiança pela bondade e dedicação ao povo. Mênadie era uma visão. Seu povo tinha a pele castanha, e Mênadie ainda tinha escamas ao lado das orelhas, parecendo que havia colocado pérolas ali. Seus cabelos desciam em ondas azuis até os ombros. Tarwin gostaria que ela tivesse tudo que merecia. Era praticamente como uma irmã para ele. E ele mal podia esperar pelo festival. Fazia muitos, muitos anos que não saía do Mar Filórdico.

Estavam se alimentando e quem terminava ajudava a limpar e desmontar o acampamento. Zenit e Zarin foram às extremidades do acampamento e apagaram o fogo que haviam colocado no final da tarde anterior, enquanto Fion e Samy se transformaram novamente para ter as cestas colocadas em seus torsos. Depois das duas cestas acopladas neles, Zenit e Zarin também se transformaram e esperaram que colocassem as cestas remanescentes. Kaeidh sentou-se em sua carruagem e Tarwin foi

junto. Subiram lentamente e os tritões e sereias acenaram, se despedindo. Partindo para as ilhas flutuantes, Kaeidh havia combinado com os dragões que viajariam o mais rápido possível para as ilhas, já que estavam com uma carga valiosa que não poderia se perder. E, como velocidade era um dos pontos fortes tanto dos dragões quanto da carruagem, chegariam em apenas algumas horas.

Chamas Celestes

Sinopse

Em um mundo marcado por guerras antigas, pactos esquecidos e poderes que jamais deveriam ser despertados, as chamas não nascem do fogo, nascem da escolha. Quando sinais de um desequilíbrio voltam a surgir, reinos inteiros entram em alerta. Dragões desaparecem, portais são abertos nas entranhas das montanhas e forças que haviam sido seladas começam a se mover nas sombras. No centro desse caos está um segredo capaz de mudar o destino de todos: um poder ancestral ligado às Chamas Celestes, cuja existência foi apagada da história. Entre alianças frágeis, traições silenciosas e conflitos que atravessam raças e territórios, personagens são forçados a confrontar não apenas inimigos externos, mas também aquilo que carregam dentro de si. Uma decisão cobra um preço. E a verdade revelada ameaça incendiar todo o mundo conhecido. Chamas Celestes é um romance de fantasia que combina intrigas políticas, magia antiga e tensão crescente, conduzindo o leitor por um universo onde o passado insiste em retornar — e onde nem todos sobreviverão ao despertar das chamas.

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Chamas Celestes

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