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Capítulo 35 · Chamas Celestes

Capítulo 35

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Saphyre e Kaeidh passaram mais uma noite na ilha flutuante. Ao amanhecer, despediram-se de Àsgar e foram com Leigh e Sorag até a carruagem, onde preparavam as bagagens para a viagem até a floresta secreta dos faunos. Tarwin e Ambhar também se aprontavam. Leigh se aproximou de Saphyre, enquanto Sorag conversava com Tarwin. — Eu acho que irei com Tarwin e Faleey, tudo bem? Saphyre olhou para ela, sorrindo. — Claro. Tarwin e Sorag parecem muito amigos, não é mesmo? Fiquei realmente surpresa com a amizade dos dois.

Parece que Sorag arrumou um super-herói. — Sim, eu também estou muito surpresa com isso tudo. — O que pensa fazer? — Pretendo deixar as coisas acontecerem. Saphyre sorriu e deu pequenos pulinhos. — Ahh, eu prevejo felicidade à vista. — Abraçou-a. — Seu irmão especulou. Me diga: o que eu posso dizer a ele? — Diga que eu falarei com ele depois e explicarei tudo. Mas pode falar que Tarwin é meu âme sœur. — Ele vai ficar surpreso. Temo que leia minha mente.

Nós seguimos seu conselho: fomos à ilha em que Kae e Tarwin fizeram uma cabana. Lugar maravilhoso. Tarwin podia te levar lá também. E, por fim, nos conectamos. É surreal… parece que somos um, muito mais do que antes. Principalmente naquela hora. Foi impactante! — Sim… Saphyre, me conte como foi isso. Eu não sei se senti o mesmo com Sharif. Às vezes vejo vocês e sinto que eu não tive essa conexão. Sempre achei estranho, mas não lia os pensamentos de Sharif, nem ele os meus. Achava estranho… só que agora, vendo

isso tão de perto, acredito que cometi um erro, mas como eu poderia? — Vou especular com Kaeidh. E, no mais, parece que estamos voando para a biblioteca mais fantástica do planeta. Talvez encontremos algo sobre isso em algum livro. — Eu espero que sim. Teve algo que não fiz também. Eu senti e só fui e me prometi a Sharif, mas, agora pensando bem… Kaeidh, quando sentiu que era você, foi até os anciãos etéreos. Eles confirmaram que era você. E eu deveria ter feito o mesmo. Não fiz.

Mesmo quando conheci Tarwin, deveria ter ido, mas me senti com vergonha por ter dois âme sœur. Achei que seria duramente julgada. E se eu cometi um erro? — Querida, todos cometemos erros. Não se julgue tão duramente. Se você errou, pagou por este erro todo este tempo. Não se esqueça de que você sofreu muito também. Pense que agora pode ser a hora de ser feliz. Saphyre segurou as mãos dela. Leigh disse que se daria uma chance a mais.

Abraçaram-se, e Leigh caminhou para a carruagem que Tarwin pedira para providenciarem. Faleey sentou em sua própria carruagem. Tarwin, Leigh e Sorag subiram em outra. Kaeidh foi para a carruagem dele com Saphyre, e Ambhar embarcou com eles. As três carruagens subiram ao mesmo tempo. Faleey enviou as coordenadas e todos partiram. A viagem durou poucas horas. Passaram pelo interior das cidades do mar Sesânico e, depois, voaram por algum tempo acima do oceano.

Ao longe surgiu uma ilha enorme, construída em uma cratera e protegida de tudo — extremamente fortificada, cheia de árvores e plantas: realmente uma floresta. Kaeidh, claramente, ficou surpreso. Ali, as chances de serem atacados eram mínimas… talvez. Não agora, com Borag tendo transformado um century em tentri, mas quem sabe?

Próximo ao limite da floresta havia uma plataforma com coberturas para pouso de todo tipo de veículos voadores — ou seres com asas. As praças e ruas da enorme cidade estavam movimentadas, em sua maioria com faunos, mas havia uma variedade enorme de seres indo de um lado para o outro, entrando e saindo de prédios. Inclusive alguns que Saphyre e Ambhar nunca haviam visto. Kaeidh mostrou a elas as selkies: várias estavam à beira-mar, sentadas ou recostadas em pedras, extremamente belas.

Muitos faunos se sentavam ao lado delas, conversando, e alguns outros brincavam inteiramente dentro da água. Havia também uma casta de ninfas — as nereides — que passeavam na faixa de areia branca em frente ao mar quase nuas. Usavam apenas uma faixa de véu sobre os seios e outra na cintura, deixando costas, barriga e pernas à mostra. Eram seguidas por alguns seres que tentavam acompanhá-las, oferecendo braço ou mão.

Pousaram na plataforma e, imediatamente, alguns faunos vieram conversar e levar as carruagens para a parte coberta. Entraram nas ruas da cidade com Faleey à frente, guiando-os diretamente até um castelo construído de pedras bege intercaladas, repleto de heras entre uma e outra. A construção era impressionante. — Este é o castelo. Ele é grande porque, em sua maioria, ele é uma biblioteca. Apenas dez por cento do castelo é destinado à moradia.

O restante se divide, além da biblioteca, em salas de estudos, salas de ciência e salas de criadores. Ah, também temos alojamentos para estudantes. — Sensacional, Faleey. Este é um excelente jeito de se usar um castelo. — Obrigado, rei Kaeidh. Vou acompanhá-los a seus quartos para que vocês descansem ou usem do seu tempo para o que

quiserem. Se quiserem conhecer o castelo, peçam a qualquer um que virem, que com certeza guiarão vocês. Entraram por um hall enorme, ricamente mobiliado e com muitas flores. Havia lamparinas acesas por todos os cômodos por onde passavam. Faleey os levou por uma escada larga que saía do meio do hall e subia por dois andares. Entraram em um corredor no primeiro andar e, nele, viam-se oito portas. Faleey indicou a primeira, a segunda, a terceira, a quarta e a quinta. — Consegui colocá-los nesta mesma ala.

Espero que tudo esteja a contento de vocês, reis e senhoritas. Tenham uma boa noite. — Estará, Faleey. Tenho certeza de que se esforçaram muito para nos dar conforto. Obrigado. — respondeu Tarwin. — Ah, quase me esqueci. O jantar costuma ser servido às oito da noite. Agora vou separar os livros e, se quiserem, já podem pegar um na biblioteca para ler no fim da noite. Com sua licença. Faleey despediu-se. Kaeidh e Saphyre entraram no quarto designado para eles.

Era espaçoso, e havia um cômodo ao lado: uma sala de banho completa, inclusive com água fria e aquecida — talvez pelo pequeno vulcão que haviam visto de cima, na parte de trás da cratera. Saphyre começou a se despir, e Kaeidh a acompanhou, pegando as malas com as roupas que haviam comprado na feira no dia anterior. Todas as peças de ambos eram de tecido dracônico — uma segurança para não ficarem nus no caso de Saphyre pegar fogo, e também pela beleza e textura inigualáveis do tecido na pele.

Era realmente agradável ao toque. Saphyre caminhou nua até a água aquecida e entrou. O corpo de pele castanha perfeita se estendeu deliciosamente na banheira. Encostou o pescoço na borda arredondada e suspirou. Kaeidh ficou parado na porta, olhando sua âme sœur. Deuses… como havia sido afortunado. A criatura mais

maravilhosa que já havia visto: os lábios mais lindos, os olhos verdes, os cabelos espessos e cacheados roçando os quadris arredondados e voluptuosos. Os seios deliciosos, as auréolas marrons… e aquelas pernas compridas e torneadas. Só fazia seu coração acelerar — e lembrar de tudo que fizeram na noite retrasada e na noite passada. O fogo abrasador dela o queimando a ponto de estilhaçar seu corpo de tanto prazer. Ela abriu os olhos e encontrou os dele. — Humm… eu vi e senti tudo que você pensou.

E senti a reação do seu corpo ao me analisar. Você sente a reação do meu corpo ao ver tudo isso em sua mente? — perguntou ela. — Sinto. Ah, se sinto, meu amor. — disse ele, caminhando até ela. Sua ereção pesada balançando enquanto andava. — Deuses… eu amo seu cheiro, seu corpo, Kae. — Ela se levantou e pulou no colo dele. A água espirrou por todo lado. Os dois se abraçaram e ele a segurou firme. Carregou-a para a bancada e sentou-a ali. Penetrou-a rapidamente, a vulva dela completamente úmida para ele.

Seus lábios procurando os dela, e a língua entrando e saindo no ritmo das estocadas. A liberação veio rápida e gigante. Ambos fervendo e tremendo com a força dos orgasmos juntos. Ser a âme sœur de Kaeidh era a melhor coisa que ela tinha vivido. Nada no mundo se comparava com ele: com seu cheiro e sua alegria de estar com ela em todos os momentos — e, ainda mais agora, saber exatamente o que ele experienciava junto com ela. Era… ela nem sabia nomear. — Eu também não sei nomear, meu amor. E não precisamos nomear.

Só vamos viver isso. Saíram do quarto e foram explorar a cidade. Ambhar estava na praça, olhando tudo e conversando com vários seres. Um deles era uma fada macho. Ele contou a ela que havia ficado na biblioteca de outros locais, mas viajara até ali para descobrir e aprender mais — a convite do rei Faleey.

Saphyre perguntou o nome dele. — Meu nome é Kasphio. — Seria você, Kasphio, o descendente dos bibliotecários? — perguntou Kaeidh. — Sim, sou eu mesmo. Mas geralmente não falamos disso, pois… você sabe. Borag matou a todos. Eu sou o que sobrou da casta de meu pai, Darcid. Eu espero que isso fique aqui. — Não se preocupe, Kasphio. Sou o rei Kaeidh, e este é o rei Tarwin do mar Filórdico. E esta é A Esquecida e sua irmã, Ambhar. Estávamos procurando por você.

Chamas Celestes

Sinopse

Em um mundo marcado por guerras antigas, pactos esquecidos e poderes que jamais deveriam ser despertados, as chamas não nascem do fogo, nascem da escolha. Quando sinais de um desequilíbrio voltam a surgir, reinos inteiros entram em alerta. Dragões desaparecem, portais são abertos nas entranhas das montanhas e forças que haviam sido seladas começam a se mover nas sombras. No centro desse caos está um segredo capaz de mudar o destino de todos: um poder ancestral ligado às Chamas Celestes, cuja existência foi apagada da história. Entre alianças frágeis, traições silenciosas e conflitos que atravessam raças e territórios, personagens são forçados a confrontar não apenas inimigos externos, mas também aquilo que carregam dentro de si. Uma decisão cobra um preço. E a verdade revelada ameaça incendiar todo o mundo conhecido. Chamas Celestes é um romance de fantasia que combina intrigas políticas, magia antiga e tensão crescente, conduzindo o leitor por um universo onde o passado insiste em retornar — e onde nem todos sobreviverão ao despertar das chamas.

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Chamas Celestes

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