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Capítulo 33 · Chamas Celestes

Capítulo 33

33 de 40 ≈ 10 min de leitura

Àsgar! Onde se enfiou? Estávamos procurando você.

— Um muro. — disse Zarin. — A fada Tamany encontrou Sírius. Está com ele e tem muito mais. Eles estão em cima de

— Que bom, temos duas histórias para complementar uma à outra. — disse Àsgar. — Travalt colocará a minha numa joia e vocês verão. Tenho muito a compartilhar também. Onde está Kae? Tem que chamar a todos. Há muitas coisas importantes para mostrar e conjecturar. — Vou chamá-los. Kae está no castelo. Vamos. Entraram e foram seguindo rapidamente até a sala de reuniões. Chamariam também todos os outros reis e rainhas que ainda estavam na feira, aproveitando o final do festival.

— Safin, teremos mais uma reunião, com informações valiosas. Por favor, chame todos os reis e rainhas que ainda estão aqui e informe os que não estiverem. — Sim, rei Àsgar. Farei isso imediatamente. — Safin respondeu e saiu apressado da sala. Eles entraram e Travalt indicou a cadeira para que Àsgar se sentasse. — Travalt, na verdade preciso que pegue duas memórias nas quais eu estava na floresta vigiando duas bruxas… e depois uma conversa que ouvi pelo espelho, com a imagem escura. — Ah, sim, já vejo.

Pelo que me disse, já encontrei as duas lembranças. Travalt começou colocando um dos dedos bem no meio da testa de Àsgar enquanto, na outra mão, segurava um cristal. Uma luz ondulante, como pequenos tentáculos, começou a sair da testa de Àsgar e subir pelo dedo de Travalt, passando por seus braços e indo diretamente até a joia. Após alguns segundos, Travalt parou

e colocou a joia em cima da mesa. Pegando outra joia na pequena bolsa transversal, fez o mesmo procedimento. Por fim, colocou as duas lado a lado, em cima da mesa. — Pronto! Agora só nos resta esperar pelo restante das pessoas e mostrar tudo isso a elas. Foram chegando aos poucos e, mais ou menos quarenta minutos depois, Safin abriu a porta para o último. Tarwin entrou e logo fechou a porta. Em seguida, chegaram Kaeidh, Saphyre, Ambhar, Zarin, Zenit, Shatir, Soldyn, Faleey, Morlond, Vêon, Alanda e Bravy.

Grahara havia voltado para sua cidade. Enquanto se acomodavam, Àsgar pediu que comida e bebida fossem servidas ali, pois estava faminto. Safin foi até a cozinha providenciar. — Bom… como vocês sabem, Sírius foi encontrado por Tamany e, além dessas informações, temos estas que eu consegui antes do amanhecer e depois no início da noite. Prestem bastante atenção a tudo, enquanto vou me familiarizando com as novidades de Sírius.

As joias, recém-cheias das memórias de Àsgar, foram postas para funcionar, e as imagens e sons de tudo que Àsgar viu e ouviu foram vistos e ouvidos por todos os presentes. A maioria ficou deveras nervosa ou furiosa pela absurda situação ali posta. Começaram a entender, de verdade, o tanto de injustiças que houve no tempo em que não observaram de perto as necessidades de todos os habitantes do planeta.

Ficaram extremamente incomodados e chocados com o tanto de sofrimento que, juntos, ignoraram, seguindo com suas vidas perfeitas atrás do muro de proteção, enquanto quem foi expulso injustamente estava sendo escravizado, sequestrado e morto. Agora, viram com os próprios olhos a injustiça que, no início, queriam manter oculta para não terem que fazer absolutamente nada a respeito.

Shatir tinha lágrimas nos olhos. Ela tinha um filho e uma filha e não imaginava vê-los transformados em tentri. Não sabia nem o que faria se isso, um dia, ocorresse. — Precisamos impedir, urgentemente, que mais coisas assim ocorram. — disse ela, com a voz embargada. — Deuses… um century transformado em tentri. E não é porque é um century, não importa a raça… é horrendo. — Vocês deduziram o que ele queria dizer, quando falou que o sangue não pode ser desperdiçado? Sangue de quem? — perguntou Bravy. — Se me permitem…

— Faleey se levantou; seus óculos escorregavam para a ponta do nariz e, olhando por cima da lente, falou: — aposto que o sangue mencionado é o sangue de um elemental. Vejam bem… — Ele olhou a todos, mas em especial Saphyre e Ambhar. — Vocês teriam coragem de dar uma picadinha no dedo? Qualquer uma das duas? — Eu faço. — disse Saphyre. — Alguém tem algo para cortar? Nesse instante, Safin entrou com um carrinho, e duas dragões fêmeas foram colocando as comidas e bebidas na mesa. — Ah…

eu ia oferecer a minha faca, mas esta está limpa. Bem melhor. Pegue aqui, Saphyre. — disse Àsgar. — Tem certeza, tarine? — perguntou Kaeidh, protetor. — Tenho, sim. — Ela pegou a faca afiada e passou na ponta do dedo. Apertou, e saiu uma gorda gota dourada, que caiu na mesa. — Ah, sim… agora vejam. Saphyre, você poderia desejar ter a gota de volta ao seu dedo e imaginar ele se curando? — Ah… tudo bem. — Ela olhou a gota em cima da madeira maciça e desejou que ela voltasse ao dedo e curasse a ferida.

A gota cambaleou e flutuou, deixando a madeira sem nenhum vestígio de que algo tinha estado ali. Viajou pelo ar até o dedo de Saphyre e entrou de volta na pele. A abertura do corte se fechou e a cicatriz virou apenas pele normal, como se nunca tivesse sido cortada.

As pessoas em volta ficaram completamente chocadas. — Deusa-mãe… água-vida! — exclamou Soldyn. — Que poder é esse?! — perguntou Vêon. — Nunca, em minha vida, vi algo parecido! — Que espécie de bruxaria é esta? — falou Morlond. — Não há bruxaria — disse Faleey — nem feitiço. Eles, os elementais, são descendentes diretos da Mãe Água-Vida. Foram os primeiros a serem criados, os mais puros. Eles têm controle sobre todas as criaturas… só não querem ter. São puros demais em sua essência para desejar isso.

Mesmo os das mais diversas misturas de raças. Ele apontou para Saphyre e Ambhar. — Elas são uma raridade ainda mais rara do que um elemental. No início, na história, o sangue dos elementais era usado para consolidar a mistura de raças e torná-las melhoradas, mas, infelizmente, passou a ser usado para o mal há muito, muito tempo. Vejam bem: chegou uma época em que não podiam mais misturar seu sangue a outras espécies, porque tornava os nascidos da mistura extremamente poderosos…

assim como Saphyre, Ambhar e a irmã delas — olhou para as duas — que deduzo ser a noiva poderosa de Borag. — Deuses… faz todo sentido. — falou Tarwin. — Algo explodiu a porta de entrada do porão onde minha mãe e meu pai nos trancaram. E se foi o Borag? Ele tem quais poderes? Alguém sabe dizer? — perguntou Saphyre. — Não temos. Faz muito tempo que ergueram o muro de proteção. Nós nunca vimos Borag e não vimos como foi a guerra. — disse Kaeidh. — Sim, faz muito tempo. Mas Sírius sabe o que ele faz…

pelo menos, acho que sabe algo sobre isso. Temos que falar com ele. Mas o problema é que não podemos sair voando em direção à montanha. — falou Kaeidh.

— Eu acho que, se tem alguém que sabe, essas seriam as bruxas com quem Àsgar entrou em contato recentemente. — ponderou Soldyn. — Sim… pensei o mesmo. Vou falar com elas amanhã novamente, espero. — informou Àsgar. — Então, teremos que catalogar todas essas coisas que já sabemos, juntamente com suas datas. E também descobrir os poderes de Borag, óbvio. — falou Tarwin. — Precisamos saber com o que vamos lidar. — O fato é que o sangue de um elemental carrega muito poder.

Então, se Borag está retirando esse sangue para usá-lo… de que forma ele usa? — perguntou Faleey. — Para isso, eu tenho meus invisíveis. — disse Alanda. — Tamany já está com Sírius e logo Joren me enviará um parecer. Eles estão tentando achar a entrada da casa, castelo, cabana ou túnel onde Borag vive dentro da montanha. Depois, vão se assegurar de se misturarem com a lama, para tirar todo o cheiro deles, e entrarão. Não demorarão a enviar notícias. Espero. — Sim…

e Sírius entrou em contato com Tamany e eles vão tentar falar com a elfa. Não sabem quem ela é, por enquanto. Sabem apenas que Borag a visita todos os dias e que construiu um oásis para ela atrás de um muro tão alto e largo que parece uma fortaleza. — Agora estou me lembrando que Emeraldy andava distraída antes de nossos pais nos colocarem dentro do porão com o portal. — falou Ambhar. — Estava sorridente, pensativa e sonhadora. Perguntei, e ela disse que tinha conhecido alguém.

Achei que era alguém da vila em que vivíamos, sabe? A gente voltava da escola e ela ia… então nunca estávamos juntas com ela, porque eu e Saphyre somos mais velhas e ela é a mais nova. Ela estava fazendo o curso para a faculdade, e nós estávamos à frente dela: eu, um ano; e Saphyre, dois. Lembra, Saphyre?

— Não muito… mas me lembro de ela ter falado que conheceu alguém, sim. Eu estava tão atarefada com as provas que nem prestei muita atenção nela. — disse Saphyre. — E se foi Borag… o rapaz que ela conheceu? — perguntou Ambhar. — Não saberemos… não enquanto não a acharmos. E aos seus pais também. — disse Àsgar a Saphyre e Ambhar. Conversaram mais um pouco, ponderando e voltando a ouvir as memórias, tentando encaixar as poucas peças do quebra-cabeça.

Os reis e rainhas se dispersaram e se despediram, prometendo manter contato com Àsgar, Kaeidh e Tarwin. Àsgar reforçou que enviassem seus guerreiros e não guerreiros — os voluntários — para treinarem com os dragões, principalmente os que não tinham experiência em terra, como os tritões e sereias do mar Báltico e Sesânico.

Já que Tarwin sempre fizera questão de treinar seu povo em água e terra, e estavam sempre com os dragões — que voavam constantemente para o mar Filórdico —, não necessitaria enviar sua armada até as ilhas flutuantes. Alanda também falou que tinha contato direto com Kaeidh, já que seus reinos eram muito cooperativos entre si e estavam sempre se falando. Assim que recebesse alguma notícia, enviaria aos outros. Faleey sentou-se mais uma vez com eles após a saída dos outros reis.

— Gostaria de ficar, e, quando formos, iremos juntos. Já falei com meus secretários e já está tudo sendo desmontado nos quartos. Fiz bem em pedir para abrirem espaço em quatro quartos? Ou é pouco? Quem irá? Kaeidh olhou para Saphyre. — Com certeza iremos. E precisamos de um quarto apenas. Ambhar? — Sim, irei sozinha… acho.

— Minha irmã Leigh irá com meu sobrinho. Serão mais dois quartos. — apontou Kaeidh. — Eu irei também. — falou Tarwin. — Quanto mais pessoas para estudar os livros, melhor, não acham? — Serão cinco quartos, então. Colocarei vocês em alas diferentes, mas farei o possível para que todos estejam confortáveis. Planejaram a viagem para o dia seguinte. Àsgar disse que não poderia ir, pois estaria vigiando as bruxas e em volta da floresta. Kaeidh seguiu com Saphyre e Ambhar até os quartos. Estavam todos cansados e iriam dormir. O dia seguinte seria longo.

Chamas Celestes

Sinopse

Em um mundo marcado por guerras antigas, pactos esquecidos e poderes que jamais deveriam ser despertados, as chamas não nascem do fogo, nascem da escolha. Quando sinais de um desequilíbrio voltam a surgir, reinos inteiros entram em alerta. Dragões desaparecem, portais são abertos nas entranhas das montanhas e forças que haviam sido seladas começam a se mover nas sombras. No centro desse caos está um segredo capaz de mudar o destino de todos: um poder ancestral ligado às Chamas Celestes, cuja existência foi apagada da história. Entre alianças frágeis, traições silenciosas e conflitos que atravessam raças e territórios, personagens são forçados a confrontar não apenas inimigos externos, mas também aquilo que carregam dentro de si. Uma decisão cobra um preço. E a verdade revelada ameaça incendiar todo o mundo conhecido. Chamas Celestes é um romance de fantasia que combina intrigas políticas, magia antiga e tensão crescente, conduzindo o leitor por um universo onde o passado insiste em retornar — e onde nem todos sobreviverão ao despertar das chamas.

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