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Capítulo 31 · Chamas Celestes

Capítulo 31

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Ficou olhando para o espelho a cada minuto. Se ele estivesse apenas com desejo, isso poderia ser uma diversão entre os dois. Não dava para se apaixonar por alguém em alguns dias, não é? Filanthe não tinha muita certeza. Parecia que havia algo mais do que desejo. A pele dele. Os cabelos. E as pequenas escamas em alguns lugares… Era tão excitante. Era desejo. Mas, se fosse só isso, por que não sentiu o mesmo pelos primos dele? Também eram lindos, grandes e tinham pequenas escamas.

Zenit era super sexy com os cabelos trançados no topo da cabeça. Mas ele não era Àsgar. Era somente Àsgar que a interessava: a curva do lábio, a testa franzida e o rosto sempre tão sério. Queria muito ver o sorriso dele. Nunca tinha visto. Mas, se começasse isso, teria que ser cautelosa, falar a verdade sempre. Ele teria que prometer que seria somente sexo. Amizade e troca.

Ambos seriam beneficiados, porque, tirando o sexo do caminho, as coisas ficariam mais tranquilas, mais relaxadas, e menos propensas a dispersar como naquela tarde: ele prestando atenção nela e ela prestando atenção nele — no corpo dele, nos olhos, na boca, na mandíbula tão forte. Queria morder ele de tão gostoso. Será que ele deixaria? Olhou o espelho de novo. Ela não sabia o que fazer com aquilo. Talvez fosse encantado. Pegou-o na mão, tocou as bordas, olhando a si mesma — o reflexo úmido dentro da água.

As gotículas escorrendo pela pele, a água já fria. O espelho embaçou e ela passou a ponta dos dedos para limpar. O vidro tremulou, e do outro lado apareceu a imagem de Àsgar. Ela se assustou e deixou o espelho cair na água. Mergulhou as mãos várias vezes para pegá-lo. — Será que ele me vê? Passando as mãos no fundo da banheira, encontrou a

superfície lisa, segurou e puxou para cima, tampando os seios com um dos braços. Àsgar estava virado de lado; não olhava para o espelho. — Já posso olhar? — perguntou, com a voz rouca, ainda olhando para o lado. — Oh… s-sim. Desculpe. Eu me assustei. Você deixou isso e não me explicou o que fazer. Estou trancada aqui há anos, não faço ideia… Ele embaçou com o vapor do banho, fui limpar e você apareceu. — Me perdoe. Eu devia ter avisado e te ensinado a usar.

Eu acho que vi mais do que deveria, já que o espelho caiu na água, mas virei a cabeça. Não se preocupe. — Eu… queria falar com você. Sobre isso. — Sobre… — O que estamos sentindo. Parece que está se tornando um problema, não é? — Sim. Me desculpe. Eu levarei a comida e sairei sem te importunar novamente. — Não. Não é isso que eu estou pensando. Bem… faz muitos anos, na verdade. Bem mais do que trezentos… que eu não faço nada. E eu também sinto desejo, sabe?

E acho que você hoje não teve desejo por ler livros de feitiçaria, não é? — Não. Eu não senti desejo pelo livro. — E eu senti desejo por você também. E pensei que… Ela parou, percebendo o som do vento. — Você está voando? — Sim. Eu estou a caminho daí. O coração dela subiu à garganta e voltou. Não pensou que seria assim. Achou que conversariam e, com calma, ponderariam e marcariam um dia. Mas ele estava indo até ali. Agora. — Eu… Àsgar pousou em uma árvore e falou: — Você mudou de ideia?

— Eu pensei que a gente ia conversar sobre isso. — Podemos conversar, Filanthe. Se você quiser, eu entro, me sento na poltrona e conversamos. Se não chegarmos a um acordo, eu vou embora novamente. Se você concluir que não quer isso… — Eu quero. Mas vai ser apenas sexo e nada mais. Promete? — Eu não sei se posso prometer isso. Mas prometo que, se você disser que não quer mais, eu vou respeitar. — Sim? — Sim. Prometo. — Eu pensei que seria uma coisa a menos para nos distrair.

Depois, podemos focar nos livros e nas outras coisas. — Sim. — Sim… — disse ela, e observou enquanto ele voava; logo depois, ele falou: — Abra a porta, Filanthe. — Um minuto. Ela se levantou, saiu da água, puxou a toalha, secou a maior parte do corpo, pegou a camisola aberta na frente, amarrou na cintura, jogou os cabelos soltos para trás e foi até a porta. Abriu, e, quando menos esperava, ele já estava com ela nos braços. O corpo enorme enlaçado ao dela, os lábios a poucos centímetros dos seus.

Àsgar caminhou para dentro da casa com ela suspensa, presa por um dos braços e encostada ao corpo dele. Fechou as portas e as trancou sem soltá-la, olhando nos olhos dela. A respiração dos dois era rápida. — Tem certeza, Filanthe? — Sim — respondeu ela, meio engasgada. Então ele desceu os lábios sobre os dela e, apesar do tamanho descomunal, a delicadeza do beijo era inacreditável.

Filanthe suspirou quando a língua dele invadiu suavemente sua boca, entrelaçando-se à dela e puxando devagar, sugando com cuidado; depois voltando, deliciosamente lento. Ele caminhou com ela de costas até a mesa de jantar e a colocou em cima. Soltou os lábios bem devagar e desceu salpicando o rosto, o

nariz e o pescoço dela de beijos — cada pequena manchinha de sarda — até chegar ao decote da camisola, que já estava parcialmente aberta e só cobria, de fato, a barriga, os seios e as costas. — Mais cedo eu reparei nessas sardas… em como elas desapareciam pelo decote do seu vestido e em como eu queria beijá-las uma a uma pelo seu corpo. Pontuou cada palavra com beijos, deslizando as mãos enormes pelos ombros dela. Desnudou boa parte do colo, e a camisola ficou presa apenas nos bicos túrgidos dos seios.

Filanthe soltou suspiros; a cabeça, antes jogada para trás, inclinou-se para a frente. Ela mantinha os olhos levemente abertos, vendo cada beijo. Tinha esquecido o quão maravilhoso era — e, ao mesmo tempo, tudo parecia novo. As sensações que aquele dragão trazia: língua, beijos, o corpo tão quente.

Filanthe deslizou as mãos pelos cabelos dele enquanto ele descia, puxando a roupa dela mais um pouco para baixo, expondo os seios e rodeando-os de beijos até a aréola, com uma lentidão agonizante, até que, enfim, a boca dele tomou um seio e sugou com paixão. Ela o encarou enquanto ele fazia isso, e foi a coisa mais sensual que já tinha visto. Gemeu alto. Àsgar levantou o olhar e sorriu.

Ele deslizou para o outro lado e repetiu, fazendo Filanthe atirar a cabeça para trás, arquear as costas e empurrar os seios na direção dele. As mãos dele escorregaram pela cintura dela, descendo ainda mais a camisola. Filanthe abriu as coxas, e as correntes tilintaram. Àsgar parou. Olhou para ela e a abraçou pela cintura, colocando a cabeça entre os seios e a barriga dela. Ficou ali por um instante. Filanthe entendeu: ele sofria por ela. — Não se preocupe. Eu estou bem. Ficaram assim por alguns minutos.

— Onde é sua cama? Quero que você esteja confortável, não

sentada numa mesa dura. — Fica ali, naquela porta. Ele a pegou escarranchada na cintura e a carregou. Abriu a porta, viu a banheira ainda cheia. — Eu quase enlouqueci quando o espelho caiu e passou pelo seu corpo molhado até o seu quadril. Eu tive, sem querer, um vislumbre… virei o rosto rápido, mas, se eu estava duro antes… você não tem noção de como fiquei depois. Àsgar pegou a mão dela e colocou por cima da calça. Filanthe sentiu o volume e o acariciou por cima do tecido. — Estou em desvantagem aqui…

então, o que acha de começar a tirar a sua roupa? — provocou ela. — Ah… eu vou tirar. Ele a colocou gentilmente na cama. Puxou as fitas que prendiam a camisola na cintura, abrindo-as por completo e deixando o tecido cair no colchão. A beleza dela, revelada: um corpo deslumbrante, repleto de sardas por toda parte. Àsgar a encarou, faminto. — Ainda tem muitos lugares para beijar… muitas sardas… Ela prendeu o ar, só de imaginar. — Isso vai levar tempo. Ele se ajoelhou na cama e inclinou o corpo em direção a ela.

Deslizou os dedos desde o lábio inferior, descendo pelo pescoço, passando por cima de uma aréola. Alternava o olhar entre os olhos dela, os cabelos esparramados no lençol branco, e as mãos que agora apertavam a coxa dele, causando arrepios pelo corpo todo. Ela se sentia desejada. Queria que ele se sentisse assim também. Àsgar a beijou e fez com a boca o mesmo caminho que fizera com as mãos, arrancando arquejos e pequenos gemidos.

Ela sentiu a respiração dele nos pelos úmidos e, em seguida, o choque do prazer imediato quando ele a tomou na boca. — Àsgar! — gritou, tomada pela intensidade.

Quando conseguiu respirar de novo, puxou-o para um beijo profundo, sentindo o sabor dele misturado ao dela. Puxou a roupa que ele usava; o tecido deslizou dos ombros largos, e Filanthe sentiu a textura da pele e as pequenas ondulações de escamas em lugares estratégicos. Abriu os olhos: a beleza dele era impressionante. Quis beijar cada canto dele, como ele fizera com ela. E faria. Mas, primeiro, queria vê-lo nu — o que era difícil com ele em cima dela, acariciando e beijando.

Empurrou-o pelos ombros, tentando descer mais a roupa. — Quer que eu pare? — Não! Eu quero você nu! Eu não consigo tirar suas roupas. Àsgar riu. Um riso delicioso. Filanthe quis ver aquele sorriso sempre. Reparou que as presas eram maiores que os outros dentes, o que deixava tudo ainda mais sensual. Ele se levantou, ajoelhando ao lado dela. Filanthe se sentou e, impaciente, arrancou a camisa do corpo dele. Os olhos passearam por cada porção de pele que se revelava.

Enquanto ele continuava tocando o corpo dela, ela beijava o peito másculo e passava as mãos, sentindo. Os olhos dela desceram para a calça — a última coisa. Filanthe puxou o cós pelos quadris dele de uma só vez. — Deusa-mãe… — escapou. Era… grande. — Eu vou bem devagar. Se doer, eu paro. — Sim. Confesso que fiquei um pouco preocupada. — Se você vier por cima, talvez seja melhor, porque você controla. Eu fico imóvel. Ela riu. — Você não precisa ficar imóvel. Eu quero que você goste disso tanto quanto eu.

Àsgar se deitou. Filanthe se agachou ao lado dele, inclinou o

corpo e o beijou. E, como ele, enquanto beijava, foi explorando o corpo com as mãos. Depois, deitou parte do corpo sobre o dele, acariciou a virilha e tocou a ereção. Àsgar estava a ponto de gritar; o suor descia pela testa. Filanthe se acomodou, com os quadris sobre os dele. A glande roçou os pelos da entrada úmida; ela desceu e o capturou com os músculos. Àsgar gemeu; ela também.

A sensação de preenchimento — algo que ela achou que jamais teria de novo — era tão desejada, tão esperada, que Filanthe foi se encaixando aos poucos, excitada demais para ter medo. Olhando-o nos olhos, desceu mais um pouco… e mais um pouco, sentindo a pressão deliciosa. Mexeu o quadril para testar, e o prazer a inundou. Quando percebeu, ele já estava inteiro. Montada nele, Filanthe desviou o olhar do rosto dele para ver a junção dos dois. Àsgar também olhou.

Ela começou a se mover: lenta no início, depois mais rápida. E, quando se deu conta, Àsgar já estava sentado, de frente, abraçando-a. Os corpos unidos se moviam juntos, num ritmo perfeito; os seios dela deslizavam no peito dele. Os olhos presos um no outro, a necessidade crescendo, o desejo aumentando com o atrito… até que as sensações explodiram. Exaustos, permaneceram abraçados. Àsgar a colocou de lado, ainda dentro dela, e ali, colados, adormeceram.

Chamas Celestes

Sinopse

Em um mundo marcado por guerras antigas, pactos esquecidos e poderes que jamais deveriam ser despertados, as chamas não nascem do fogo, nascem da escolha. Quando sinais de um desequilíbrio voltam a surgir, reinos inteiros entram em alerta. Dragões desaparecem, portais são abertos nas entranhas das montanhas e forças que haviam sido seladas começam a se mover nas sombras. No centro desse caos está um segredo capaz de mudar o destino de todos: um poder ancestral ligado às Chamas Celestes, cuja existência foi apagada da história. Entre alianças frágeis, traições silenciosas e conflitos que atravessam raças e territórios, personagens são forçados a confrontar não apenas inimigos externos, mas também aquilo que carregam dentro de si. Uma decisão cobra um preço. E a verdade revelada ameaça incendiar todo o mundo conhecido. Chamas Celestes é um romance de fantasia que combina intrigas políticas, magia antiga e tensão crescente, conduzindo o leitor por um universo onde o passado insiste em retornar — e onde nem todos sobreviverão ao despertar das chamas.

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Chamas Celestes

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