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Capítulo 34 · Chamas Celestes

Capítulo 34

34 de 40 ≈ 14 min de leitura

Borag ultrapassou as portas de seu castelo e andou pelo túnel até a beira da plataforma coberta onde seus escravos haviam criado uma espécie de alojamento para seus tentris. Abriu uma das portas na qual tinha sua mais bela criação, seu century tentri. Passou a mão pelos antes brancos e brilhantes pelos, que agora haviam escurecido, e sentiu o animal estremecer. Admirou as asas potentes e os músculos desenvolvidos. Ele era sua mais perfeita criatura. Riu, satisfeito. — Olá, Alazôr…

está nervoso hoje, ou apenas com medo? Saiba que você é valioso para mim. Não vou feri-lo. Aproveito muito as viagens em suas costas. Não tema. Soltou as correntes do torso e percebeu, consternado, que ele havia se machucado. — Kirn! — chamou seu servo, e voltou a afagar Alazôr. — Provavelmente estava tentando se soltar, não é? Está se sentindo solitário, sem alguém da sua raça? Não se preocupe…

irei encontrar uma century e trazê-la para que vocês possam me dar lindos centurizinhos, que irão me servir exatamente como você, Alazôr. Mal posso esperar para que minhas experiências deem frutos. E você vai ter a honra de ser meu primeiro tentri papai. Alazôr estremeceu e se mexeu inquieto, batendo as fortes patas no solo arenoso. — Senhor! — respondeu o jovem elfo que Borag mantinha acorrentado pelo pescoço para cuidar dos tentris. Ele entrou na baia tropeçando nos próprios pés.

De cabeça baixa, permaneceu em frente a Borag, esperando receber ordens. Apesar de ser tão alto quanto Borag, mantinha-se tão encurvado que parecia bem mais baixo. — O que foi, Kirn? O que ocorreu para Alazôr ficar assim?!

— Não sei, senhor… ele ficou bem ativo durante o dia. Eu tentei acalmá-lo, mas não obtive sucesso. Desculpe, senhor. Vou cuidar para que ele se aquiete na próxima vez. Borag olhou o elfo e o estapeou. Kirn se encolheu ainda mais, segurando a parte do rosto que agora sangrava por causa do anel afiado que Borag usava para este objetivo. Borag virou-se, calmamente, para Alazôr. — Está vendo o que você causou ao pobre Kirn? Espero que isso não aconteça novamente. Estamos entendidos?

Alazôr balançou a cabeça e depois abaixou-se, em sinal de rendição. — Somente eu posso machucar o que me pertence. Kirn, traga algo que o ajude a se curar. Imediatamente. E mande avisar Troilla que estou indo, para que ela me receba adequadamente em sua ala. — Sim, senhor… imediatamente, senhor. Kirn saiu às pressas para avisar alguém, que deveria informar Troilla. Borag acariciou mais uma vez seu tentri e saiu da baia. Passou pelo túnel em direção aos porões, descendo as escadas assobiando.

Pegou o corredor de sempre e notou alguns dos escravos andando rapidamente de um lado para o outro, completando suas tarefas. Baixavam a cabeça quando passavam por ele. Sentiu-se mais do que satisfeito. Passara tanto tempo sozinho e agora, com tantos servos, estava mais do que bem atendido. Às vezes, sentia-se irritado e entediado; então, sentado em seu trono, mandava jogar um ou outro no fosso de lava do salão principal. Era divertido ver a pele fritar.

O cheiro, então, era muito bom — um cheiro que sempre lembrava Borag de seu irmão, Soborn: o próximo detentor do reino, o título que Borag queria para si mesmo. Por isso, havia tentado absorver o poder do irmão — muito maior que o seu — sem sucesso. Então, Soborn, após perceber o objetivo de Borag, entrou em luta corporal com ele.

Borag acabou empurrando-o para o fogo infinito, a fonte de todo o poder de seu reino, no planeta Gorath. Para encobrir o feito, Borag disse que ele e o irmão conversavam diante do precipício e que foram atacados por um assassino; durante a luta, o irmão acabou derrubado no desfiladeiro. Seu pai, o rei Haemon Gritthyre, não aceitou a morte do primogênito e jurou guerra, se não assumissem quem matou Soborn.

Sem respostas de nenhum dos reinos, entrou em guerra com o planeta todo, destruindo quem se opunha a ele e conquistando impérios, matando reis e tomando exércitos e tronos para si, torturando muitos para descobrir quem enviou o mercenário. Após anos de guerra, Borag — finalmente indicado pelo pai como sucessor do trono — foi desmascarado. Um dos serviçais da ala de limpeza contou ao rei que vira a luta entre Borag e Soborn e que Borag havia jogado Soborn no fogo infinito.

O rei Haemon mandou prender o serviçal por não ter falado antes e enviou Fiodor, seu general de confiança, para buscar o corpo de Soborn onde o servo havia dito que estava. E encontrou a prova. O corpo de Soborn estava mesmo na caverna e, em seu rosto, havia a marca do anel de Borag. O fogo infinito, infelizmente, não deformava o corpo: apenas tirava a vida de quem caísse ou fosse jogado lá, conservando todas as características da vítima.

Borag, como sempre mantinha espiões no castelo, foi avisado de que seria morto pelo pai. Roubou, em um porto, uma nave e foi embora do planeta, levando seus espiões para que pudesse se alimentar de suas essências durante a viagem. Guiado por sua sede de poder, passava de planeta em planeta quando estes tinham magia… até chegar ao planeta Kalimares. Um oásis de poderes sobrenaturais. Borag sugava a energia e a magia de seus seres sem que eles percebessem que estavam sendo sugados.

De tão poderosa a essência do planeta, decidiu fazer dele seu lar. Os poderes eram

tantos e tão surpreendentes que Borag não se cansava. Aquilo o atraía como um ímã. Mas nada se comparava a elementais. Entrou na cela de Mona. — Mona, minha querida… boa noite. Como está se sentindo hoje? E seu querido Sátio? Espero que esteja bem. Sem delongas hoje: tenho muito o que fazer. Ela nem respondeu, e ele mostrou a filha dela no espelho. — Pronto. Ela está bem, como sempre. — Retirou o espelho da frente de Mona, guardando-o no bolso novamente. — Preciso hoje de dois cálices, por favor.

— disse, estendendo o pequeno bisturi. Mona pegou o bisturi, baixou a cabeça e cortou uma das veias. Deixou escorrer nas duas taças, derrubando um pouco na bandeja quando mudou de uma taça para outra. Borag imediatamente afastou a taça para um lado, passou o dedo para colher as gotas caídas e levou à boca. — Eu não vi minha filha o suficiente, Borag… por favor. — disse Mona. — Outro dia, prometo, queridinha. Hoje estou com pressa. Mas não fique triste… quem sabe eu passe aqui na volta.

Você sabe que dia de experimento é especial para mim. Sorveu todo o sangue da taça e lambeu o fundo até a última gota. Pegou a outra taça e saiu da cela com ela, em direção à sala de experiências. Iria transformar uma century fêmea. Alazôr iria se divertir até o final daquela semana. Borag iria assistir ao cruzamento, é claro: queria averiguar se haveria centurizinhos tentri, nascidos — e não transformados. Seria maravilhoso. Ele seria um deus.

Caminhando a passos largos, entrou na sala enorme que chamava de laboratório. Troilla já estava ali esperando e fez uma mesura apropriada. — Rei Borag, eu o aguardava. — disse ela, sedutora. — Troilla, tem tudo pronto?

— Sim, meu senhor. Só falta sua magia e o conteúdo do seu recipiente. — Excelente, minha querida. Excelente. Foram para a mesa, onde havia um monte de recipientes de vidro, e em alguns deles corria partes da matéria escura que ele retirava de si mesmo e que fazia parte dos tentri. Atrás de um vidro, numa sala fechada, estava a century fêmea de pelagem perolada, deitada em uma maca, com vários fios e mangueiras de líquidos que entrariam em sua pele.

Borag adicionou algumas gotas do precioso sangue de Mona e começou o processo, enviando a mistura — que borbulhava ao se misturarem — pela mangueira, até a century. A pele brilhante dela começou a estremecer e a repuxar, os músculos trepidando e ondulando. Borag entrou na sala em que a century estava. Colocou as duas mãos na cabeça dela e lançou sua magia para que a parte de si mesmo penetrasse em todas as partes da century, comandando seus fluidos a ocuparem tudo.

Borag fitou a century, que estava completamente imóvel, até que ela abriu os olhos. E, neles, Borag viu a fumaça dançando: o reflexo de sua alma. O processo estava completo. A manteria ali por dois dias e depois a levaria para Alazôr. Tinha certeza de que ele adoraria cruzar com ela. Era jovem, bonita e esbelta. Uma bela century. Saiu da sala feliz. Troilla veio, toda balançante. — Parabéns, rei Borag… esta noite mereceria uma comemoração, não acha?

— Vejo que está toda desejosa, Troilla, mas não estou com paciência para agradar ninguém. Somente para que me agradem. Portanto, pode ir procurar algum servo que faça isso para você. E, quando o fizer, me chame; gostaria de ver. Sabe como me excitam pornografias.

— Posso marcar um encontro com algumas bruxas e alguns servos seus, se quiser. — Quero, mas não chame Salyan. Ela estava com uma ideia ridícula de que eu me casaria com ela. Vamos ao próximo experimento. Quero uma elfa hoje. Providenciou alguém? — Sim. Eu e Jadier encontramos uma bobinha passeando pela floresta. Estava com ela na cela, pois gritava muito e me irritou. Já a calei, e está na cabine à direita, meu senhor. — Jadier, hein? O que estavam fazendo na floresta antes do anoitecer?

— Juntando ervas, meu senhor… para o ensinamento de sua filha, Kaly. — Oh, sim. E como estão os ensinamentos dela? Faz dois dias que não a vejo… ela anda dormindo à noite e passando os dias acordada? — Sim, meu senhor, mas é apenas pelo aprendizado dela. Nós temos que sair da montanha, e no escuro é mais difícil ver buracos no caminho. Tentamos uma noite e voltamos machucadas porque tropeçamos em raízes e pedregulhos. — Que lástima. Bem… vamos ao que interessa.

Entraram na porta seguinte e Borag viu, ao longe, uma linda elfinha deitada em uma maca. Imediatamente pingou o sangue de Mona na mistura dos recipientes e esperou a fusão. Quando o líquido começou a fluir pela mangueira para dentro do peito da elfa, Borag entrou na pequena sala e segurou a cabeça dourada dela. Comandou sua essência para que a preenchesse completamente… e assim foi. Borag sorriu ao ver a beleza da elfa se modificar ao transformar-se em uma tentri. Novamente, a alegria do êxito o preencheu.

Riu alto. — Servos elfos tentri… o poder disso é inebriante. Preciso transformar mais deles.

— Transformará, rei Borag, e eu estarei aqui para ajudá-lo. Amanhã teremos mais, eu asseguro. Pegarei algum da floresta, se conseguir encontrar… talvez um macho? — Sim, minha querida. Seria maravilhoso colocá-los para transar e procriar meus próprios tentri, como pensei em fazer com os century. Brilhante, não? — Brilhante, meu rei. Extremamente brilhante. — Sim, Troilla… depois diga à minha filha que não me agrada muito que ela não venha me ver durante a noite. — Mantê-la-ei mais tempo acordada à noite, senhor.

Mais alguma coisa? Ele a olhou enquanto sorvia o restante do sangue da taça, o que o deixou mais excitado do que antes, quando tomou a primeira. Pensou em aproveitar que ela estava desejosa. — Mudei de ideia. Antes de ir, vá até algum local e chame dois servos elfos: uma fêmea e um macho. Estou excitado. Encontre-me em meu trono. Quero ser admirado. — falou, enquanto colocava um dos dedos, ainda molhado de sangue, dentro da boca e sugava.

Troilla, empolgada, abaixou-se numa reverência e saiu apressada para procurar algum servo de seu agrado. Escolheu uma que trabalhava na cozinha, de compleição delicada; enfeitiçou-a para que sentisse desejo e caminhou até o estábulo para pegar algum trabalhador braçal. Viu um deles sem camisa, carregando alguns animais grandes para alimentar os tentri, e decidiu por ele. Chegando perto, tocou o elfo e ele imediatamente a seguiu, tocando o corpo dela. Troilla sorriu, à espera do prazer que viria.

Borag era muito habilidoso nas artes do sexo — e muito sequioso por prazer, tanto quanto por poder. E, quando exercia seu poder sexual sobre os outros — fossem machos ou fêmeas —, sempre ficava feliz. Troilla também se beneficiava muito disso. Apenas não podia demonstrar qualquer tipo de sentimento por ele, pois, se isso ocorria, ele logo dispensava… como fez com Salyan.

Chegando à sala do trono, Borag já se encontrava sentado, usando apenas um manto. Estava com as pernas abertas, o corpo musculoso praticamente exposto, e uma de suas bruxas já estava ali, nua aos seus pés, acariciando-o com as mãos e os lábios. Troilla se aproximou e começou a se despir, antecipando o prazer que sentiria naquela noite. — Ah, aí está você, Troilla. Não foi rápida o suficiente; tive que chamar Sirant para me deixar animado enquanto você não vinha. — Procurei os mais belos para lhe satisfazer, Borag.

Veja. Puxou os dois elfos, que já se acariciavam e estendiam as mãos para tocar Troilla, ambos puxando e tirando as peças de roupa que os cobriam. — Deveras adoráveis. Aproximem-se agora e se juntem a Sirant aqui. Ela é muito habilidosa com a língua. Mas, antes, tirem todas as roupas. Quero ver cada detalhe do que acontecer aqui. Troilla sorriu e retirou as próprias roupas, enquanto olhava Borag nu, com o órgão completamente ereto.

O elfo se aproximou de um lado e a elfa do outro; ambos começaram a beijar Borag na boca e roçar seus corpos na coxa dele, enquanto Troilla se juntou a Sirant num beijo íntimo em Borag, cada uma deslizando a língua de um lado, fazendo as línguas se encontrarem no topo. Borag estava em êxtase, produzido pelo excesso do sangue de Mona e pela excitação do sexo em grupo. Uma das coisas de que ele nunca se fartaria era sexo e sangue: sangue elemental nas veias e sexo com variados seres.

Os dois ao mesmo tempo eram soberbos. O melhor que poderia ter. Quem sabe, com o tempo, sua linda princesa Emeraldy aceitasse participar das duas atividades: dando o sangue enquanto transavam com vários servos. Pensava em começar a juntar um harém de machos e fêmeas, alimentá-los, tratá-los bem, deixá-los limpos e perfumados a seu gosto para que fizessem sexo com ele e com Emeraldy quando se casassem e ela fosse sua rainha. Seria divino. O sexo dos deuses.

Pensando nisso, excitou-se ainda mais. Passando a beijar o macho, deslizou a boca pelo peito desnudo dele e segurou sua masculinidade, puxando-o para mais perto. Colocou a elfa entre eles, de costas, deitada no próprio peito, e a penetrou. Sirant imediatamente passou a lamber a junção dos dois, e Borag rugiu de prazer. O elfo, completamente enlouquecido pela visão, puxou Troilla e a penetrou, enquanto ela sugava Sirant. Ficaram o restante da madrugada trocando de um parceiro para o outro, até caírem exaustos — e Borag deixá-los ali, indo para seu quarto. Mal podia esperar pelo dia seguinte para ter mais alguns seres para transformar. E, quem sabe, faria mais uma rodada de sexo após beber o sangue de Mona.

Chamas Celestes

Sinopse

Em um mundo marcado por guerras antigas, pactos esquecidos e poderes que jamais deveriam ser despertados, as chamas não nascem do fogo, nascem da escolha. Quando sinais de um desequilíbrio voltam a surgir, reinos inteiros entram em alerta. Dragões desaparecem, portais são abertos nas entranhas das montanhas e forças que haviam sido seladas começam a se mover nas sombras. No centro desse caos está um segredo capaz de mudar o destino de todos: um poder ancestral ligado às Chamas Celestes, cuja existência foi apagada da história. Entre alianças frágeis, traições silenciosas e conflitos que atravessam raças e territórios, personagens são forçados a confrontar não apenas inimigos externos, mas também aquilo que carregam dentro de si. Uma decisão cobra um preço. E a verdade revelada ameaça incendiar todo o mundo conhecido. Chamas Celestes é um romance de fantasia que combina intrigas políticas, magia antiga e tensão crescente, conduzindo o leitor por um universo onde o passado insiste em retornar — e onde nem todos sobreviverão ao despertar das chamas.

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