Leia agora
Livro físico Chamas Celestes - autografado na Bienal Brochura R$ 60,00 Estoque: 40 exemplares
Livro digital Chamas Celestes (Ebook) PDF R$ 10,00
Capítulo 23 · Chamas Celestes

Capítulo 23

23 de 40 ≈ 13 min de leitura

Àsgar chegou à praça principal da ilha flutuante em sua meia forma de dragão, com as asas negras abertas. Pousou no palco onde os adolescentes seriam apresentados por ele para a primeira transformação. Todos silenciaram e o olharam com os olhos arregalados. Ele viu a multidão de seu povo, misturada aos montes de povos que estavam no festival: todos muito curiosos e espantados. Viu seus primos vindo vestidos com as armaduras ainda alargadas em seus corpos. Subiram no palco junto a Àsgar, e todos ficaram ainda mais espantados.

Os dois, Zarin e Zenit, começaram a se transformar parcialmente. Ouviram-se murmurinhos — as pessoas falando sobre o que estava acontecendo. Àsgar deu um passo à frente. — Olá a todos. Sejam bem-vindos ao festival do Salto de Dragões. E, como vocês podem ver, estamos eu e meus primos Zarin e Zenit meio transformados. Eu sei que todos vocês foram instruídos por milênios a nunca ficarem nesta forma, e vocês sabem por quê.

Mas eu, junto aos artesãos Katius e Varym, desenvolvi — com a mescla de metais raros, estudos e testes — um metal maleável, mas indestrutível; pelo menos, não com algo que conhecemos neste planeta. E, assim, aliamos as melhores características do dragão e da nossa forma humanoide. — Estamos, então, neste momento, liberando e oferecendo treinamento a quem quiser ficar desta forma. É claro que todos que optarem por ela receberão este uniforme.

Depois dos saltos dos nossos queridos garotos e garotas, vamos premiar a todos com suas próprias casas. E, após isso, Zarin e Zenit estarão recebendo os nomes para mandar fazer as roupas e para treinar como usar todos os poderes aliados das duas formas. Zarin e Zenit afirmaram com a cabeça.

Àsgar apresentou os garotos e garotas que fariam o salto. Eles estavam todos exultantes e foram aplaudidos de pé. Foram um por um, saltando. A cada salto e transformação, as pessoas — e os pais na arquibancada —, vendo seus filhos se transformarem completamente em dragões, aplaudiam e faziam elogios à beleza e às cores de suas escamas. As misturas de cores únicas de cada um os fariam ser reconhecidos antes mesmo de falarem algo. Todos estavam muito emocionados com a felicidade e a estratégia de voo deles.

Alguns, como era comum, se desequilibravam um pouco em meio a algumas manobras, mas, em geral, estavam indo muito bem. Alguns voavam emparelhados e gritavam de felicidade. Era extasiante, para todos. Começaram a descer depois de quinze minutos de voo, muito cansados: tanto porque, pela primeira vez, estavam usando seus novos músculos, quanto pela excitação e adrenalina do voo. Depois das apresentações, Zarin e Zenit começaram a anotar os nomes dos adultos e de alguns jovens que se empolgaram com a ideia.

Àsgar foi até a sala de reuniões da Casa do Povo. Encontrou Kaeidh com Saphyre e Ambhar conversando. Eles o cumprimentaram, e ele sentou em uma cadeira próxima à enorme mesa. — Ainda bem que já estão aqui antes do resto dos convocados chegarem — falou Àsgar. — Essa noite saímos eu, Zarin e Zenit para procurar Sírius. Estávamos no caminho que deduzimos pelo último relato que tivemos, sobre o local onde afirmaram ter visto ele na floresta, e faríamos o caminho de lá até a montanha.

Espionamos as casas das bruxas que encontrávamos, para ver se víamos algo diferente ou ouvíamos algum comentário. E, depois de um tempo, eu vi uma pequena explosão de luz saindo de uma cabana, numa das árvores mais altas. Fui até lá para espionar e vi uma bruxa fazendo um feitiço de proteção bem raro. Percebi que ela estava com os tornozelos acorrentados. Curioso, resolvi bater à

porta dela. — Sozinho? — perguntou Kae. — Sim. Mas eles estavam por perto, e eu tinha certeza de que ela não iria me atacar. Ela chorava e estava acorrentada. Isso era coisa de Borag. — E ela abriu apenas uma fresta da porta e teve uma visão sobre mim. Então, baixou a guarda e abriu completamente. Me ofereceu uma cadeira para sentar. Conversamos. Ela foi presa por Borag e tem uma história enorme sobre isso. Ambhar... o pai de vocês, qual é o nome dele? — Meu pai se chama Sátio. — É o mesmo nome que ela me deu.

Ela ficou presa ao ajudar ele e uma elemental. Borag descobriu e, como seu pai voava e sua mãe estava cada noite em um local, Borag não conseguiu pegar nenhum dos dois. Então, Borag levou a filha dela como garantia de que ela iria delatar os dois. Nunca os achou, e ela está presa há trezentos anos. Ele disse a ela que nunca mais a soltará. Elrony, a amiga de infância dela, me disse que ele não vai fazer isso, pois tem medo dos poderes acumulados dela.

Ela não consegue usar a magia; só lhe restou um pouco, para feitiços simples de proteção. — Então ela conheceu nossos pais? — perguntou Saphyre. — Não. Apenas seu pai. Ela nunca mais viu a filha, que já é adulta. Eu vou ajudá-la. Era obrigação de todos saber quem estava com Borag... o sofrimento que causamos a essas pessoas inocentes. Eu não consigo nem pensar sem me irritar. Mais do que isso: nossos antepassados as destruíram. A ela e à família. De todos os modos.

Ela perdeu a mãe na floresta, perdeu o marido e a filha por causa de Borag. E tudo isso porque jogamos todas as bruxas para fora do muro de proteção sem filtrar quem era boa e quem era má. Ela foi separada da mãe bruxa aos doze anos porque era meio elfa. Fugiu e vagou pela floresta até encontrar a mãe, que nunca havia precisado construir uma casa e nunca havia escalado uma árvore. Além de ter perdido o marido, foi expulsa da própria casa e teve a

filha sequestrada. É inacreditável tudo isso. Eu estou revoltado. Como não vimos isso, Kae? — Não sabíamos, Àsgar! Não fazíamos ideia. — E, se não fosse por elas — apontou para as meninas —, Saphyre e Ambhar, estaríamos ainda na ignorância. Ambhar fechou a expressão. — Mas, se nosso pai foi a causa de ela ser presa e ter a filha tirada, eu não vejo como ser grato a nós, de alguma forma. — Não entende? Seu pai estava protegendo a mulher dele, sua mãe.

Ele não teve culpa de Borag perseguir eles e, consequentemente, Filanthe. — Sim, Ambhar. Só Borag tem culpa — disse Kaeidh, com a mão no ombro dela. Saphyre se levantou. — Eu gostaria de falar com ela. Conhecê-la... Será que podemos, Àsgar? Gostaria de pedir o perdão dela, pelo meu pai que, mesmo inconscientemente, levou Borag até ela. — Ela sabe que ele não teve culpa. Acho que não vai aceitar suas desculpas, mas eu levarei vocês até lá. Temos que ter muito cuidado. Não podem ver ela recebendo ninguém.

É muito perigoso para ela. Agora, vamos falar com os reis que convocamos. Em alguns minutos, foram chegando reis e outros suplentes. Os suplentes vinham andando apressadamente, como se estivessem com mais pressa do que os reis.

— Bem-vindos, reis e rainhas: rei Travalt, do povo do norte; Shatir, rainha dos century; Soudyn, rei dos fae; Faleey, rei dos faunos; rei Morlond, do mar Sezanico; rei Vêon, do mar Balnico; Alanda, rainha do povo Pirim; e os suplentes: Grahara, rainha suplente das ninfas; e, por fim, Bravy, rainha suplente das Creaturs. Sejam bem-vindos. Chamamos vocês aqui para falar de guerra — disse Àsgar. Zarin e Zenit entraram nesse instante, acompanhados de Tarwin e Leigh.

— Ah, felizmente cheguei a tempo. Que sala repleta, não? — disse Tarwin. Inclinou-se, galante, para todos da sala. — Olá, reis... rainhas... Já sabem do que se trata a reunião, neste ponto, pelas caras de espanto, suponho. — Supôs corretamente, Tarwin. Acabei de falar — explicou Àsgar. Tarwin puxou uma cadeira para Leigh ao lado da sua, juntou mais cadeiras, se sentou e não largou a mão dela do seu braço em nenhum instante. Kaeidh arqueou as sobrancelhas ao ver isso. — E então?

Vão falar algo ou podemos concluir que vão deixar as decisões para nós? — provocou Àsgar. Shatir, rainha dos century, ergueu o queixo. — Estou surpresa, rei Kaeidh, que o senhor esteja querendo guerra, não importa com quem. Sempre foi tão pacífico. O que mudou? Kaeidh respondeu com calma: — O que mudou? A senhora teve alguma conversa com Zoltark nos últimos tempos, rainha Shatir? — Oh, mas é claro que sim. E você acha que isso é suficiente para uma nova guerra? É sério? Depois de tudo que o nosso povo sofreu?

— respondeu ela. Kaeidh se levantou, foi até a mesa auxiliar, pegou as pastas com cópias dos relatórios de todos os locais possíveis — coletados durante meses — e colocou delicadamente, em cima da mesa, uma em frente de cada um. — Ainda sofrem. Só que pior: porque são torturados e ninguém está lá para ajudar. Abram estes relatórios. São somente dos últimos dois meses. Folheiem e leiam cada palavra. Estas são as ocorrências das quais fomos reportados.

E eu, como tenho amigos em quase todos os territórios — inclusive alguns dos territórios de vocês —, recebi muitas. Desaparecidos que, na verdade, foram sequestrados. Dwarfs amarrados em cordas, servindo de isca para o nosso povo, que, obviamente, não os

deixaria preso e tentaria salvá-los, mas não consegue libertá-los antes do anoitecer... quando um têntri vem. Neste relato, o dwarf foi devorado vivo pelo têntri em frente a uma elfa, que, obviamente, nunca mais porá os pés na floresta. Ninguém nos contou. Nós estávamos lá: eu, Zarin e Zenit a salvamos. Todos o olharam horrorizados. — Olhem para os números. Vejam por si. Se não for suficiente, meu amigo aqui — apontou para Àsgar — tem algo mais a contar. Algo que todos ignoramos.

Cada um abriu sua pasta e, conforme liam, os olhos iam se abrindo de horror; se enchendo de tristeza, de pesar. Em alguns, a indignação e a raiva ficaram aparentes. Pela primeira vez, estavam ouvindo, vendo, sentindo e demonstrando o horror que deveriam. Àsgar respirou fundo e começou: — Vou contar uma história que é parte da vida dos pais da Esquecida — apontou para Saphyre —, que vocês todos conheceram quando foram à casa de Kaeidh para ajudar nos estudos.

E que, agora, graças à irmã dela, Ambhar, aqui presente — apontou Ambhar —, sabemos se chamar Saphyre e por que ela perdeu a memória. Mas ela tem uma terceira irmã e os pais: Sátio e Mona. Um elfo e uma elemental. Bravy, rainha suplente do povo Creaturs, uma das mais velhas, arregalou os olhos e falou, horrorizada: — Uma elemental! Eles foram todos mortos por Borag! — E você como sabe disso? — perguntou Tarwin. — Porque eu era criança quando isso ocorreu.

Lembro que ouvi, em uma conversa entre meus pais e uma visita: Borag extinguiu eles... os elementais. Eu brincava de ser detetive e espionava as pessoas quando elas visitavam meus pais. Lembro- me de que fiquei com tanto medo de uma história que ouvi, que não dormi por dias — disse a anciã Bravy. — Que história foi essa? — perguntou Àsgar. — Uma na qual acharam corpos drenados de elementais no

quarto que Borag ocupava, no castelo dos century. Corpos de homens e mulheres. — Drenados? Você quer dizer... que ele tomou o sangue deles? — perguntou Saphyre, consternada. — Na verdade, eles não sabiam na época em que encontraram os corpos, mas depois descobriram que sim. E me lembro de que houve muitas famílias que tentaram fugir. Ninguém conseguiu. — Conseguiu, sim — disse Àsgar. — A mãe de Saphyre e Ambhar. Ela era uma elemental.

Vou lhes contar a história de uma bruxa isolada na floresta, próximo do vilarejo de Flandys. Filanthe é seu nome: filha de pai elfo e mãe bruxa. — Filanthe passou a infância em Flandys. A mãe era conhecedora da arte das ervas e de amuletos de proteção poderosíssimos, e passou esse ensinamento à Filanthe. O pai, botânico, também ensinou a filha sobre o assunto. Ele foi à guerra. Ela e a mãe continuaram na casa, ajudando no que podiam. Quando a guerra acabou, receberam a notícia de que o pai estava morto.

Nem uma semana se passou e a mãe de Filanthe foi expulsa da própria casa, e a filha mestiça foi enviada para o orfanato. A menina — esperta e criada nas florestas, escalando árvores enquanto os pais colhiam ervas para seus estudos e feitiços — conseguiu fugir e se embrenhou na floresta atrás da mãe. — Usando todos os meios para não ser pega pelos têntri, ela conseguiu achar a mãe. Construíram uma cabana no topo da mais alta árvore eterna e lá viveram. A mãe morreu.

Filanthe encontrou o amor, ficou grávida e, na tentativa de fugir de um têntri, o marido deu a vida por ela e pela filha. Ela ficou desacordada após ter a menina naquela mesma noite e passou dias na cama. E, ainda assim, voltou para a cabana — mesmo com o risco para a bebê —, porque achou que o marido voltaria para casa a qualquer momento. — Os anos passaram. E um elfo — o pai da Esquecida, de Saphyre e de Ambhar — foi até a casa dela pedir dois amuletos:

um para ele e outro para Mona. Um têntri o viu com Mona, o seguiu e viu que ele havia entrado na cabana de Filanthe. Mais tarde naquele dia, Filanthe recebeu a visita de Borag que, enlouquecido por saber onde estavam Sátio e Mona, a aprisionou junto com seus poderes de bruxa em correntes enfeitiçadas... e sequestrou a filha dela. Àsgar bateu a mão na mesa. — Isso foi há trezentos anos! Ela está presa — sem ver a filha, que tinha apenas cinco anos — há malditos trezentos anos! E nós não sabíamos. Por quê?

Porque achamos que a maldade é de determinada raça. Isolamos as boas pessoas junto com as más e, por essa ação, inocentes sofrem até hoje por culpa dos nossos antepassados, que foram preconceituosos! Àsgar se inclinou sobre a mesa, alterado. — E se alguém tentar me convencer de que não precisamos acabar com isso agora que sabemos... eu vou lhe dizer que o meu povo declara guerra contra o seu povo também! Ele colocou as duas mãos na mesa e encarou todos os reis e rainhas no recinto.

Seus olhos flamejantes e suas narinas soltando fumaça. Enquanto falava, os braços se transformavam e se recobriam de escamas. Ele se transformou parcialmente, mostrando todo o esplendor de suas duas formas combinadas. Os presentes o olharam espantados, de boca escancarada — horrorizados pelo longo relato, amedrontados e encantados pelo tamanho, beleza e poder dele.

Chamas Celestes

Sinopse

Em um mundo marcado por guerras antigas, pactos esquecidos e poderes que jamais deveriam ser despertados, as chamas não nascem do fogo, nascem da escolha. Quando sinais de um desequilíbrio voltam a surgir, reinos inteiros entram em alerta. Dragões desaparecem, portais são abertos nas entranhas das montanhas e forças que haviam sido seladas começam a se mover nas sombras. No centro desse caos está um segredo capaz de mudar o destino de todos: um poder ancestral ligado às Chamas Celestes, cuja existência foi apagada da história. Entre alianças frágeis, traições silenciosas e conflitos que atravessam raças e territórios, personagens são forçados a confrontar não apenas inimigos externos, mas também aquilo que carregam dentro de si. Uma decisão cobra um preço. E a verdade revelada ameaça incendiar todo o mundo conhecido. Chamas Celestes é um romance de fantasia que combina intrigas políticas, magia antiga e tensão crescente, conduzindo o leitor por um universo onde o passado insiste em retornar — e onde nem todos sobreviverão ao despertar das chamas.

Ver ficha da edição física
LITEBN
LITEBN-978657936576259710024001
Chamas Celestes

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Chamas Celestes

Trilha sonora oficial

Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.

Abrir no Spotify
Ir para o carrinho
Mercado de Chamas Celestes

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Relíquias da Obra

Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Jornada ativa Chamas Celestes Acompanhe titulares, ofertas e marcas desta jornada.
100Relíquias
0Titulares
2 Ofertas
Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Capítulo 23 carregado no app · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo

Capítulos disponíveis para continuar a leitura.

Capítulos de Chamas Celestes

Cada capítulo avulso custa R$ 0,00. Ao completar R$ 10,00 em capítulos, você ganha automaticamente o e-book e o acesso à obra completa.

Todos os capítulos 40 disponíveis

Donos de Relíquias

0 titulares

Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!

Conhecer as 100 Relíquias

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Entrar para resenhar

Posses do livro

5 Leitores com posse
6 Unidades registradas

Adicionais do Universo

Visual ClássicoAbra a leitura editorial, no estilo de uma página de livro
ler
Visual AuroraApresentação imersiva do universo da obra
abrir