Universo da obra
Universo da obra
Ambhar subiu ao quarto sozinha. Após o treino tão excitante, via novas perspectivas para si e para Saphyre. A primeira coisa que faria, depois de aprender a controlar seus poderes, era tentar achar sua família: seus pais e sua irmã caçula, que estavam perdidos. Precisava descobrir o que houve com eles. Ficou repassando na mente tudo que a mãe fizera questão que elas aprendessem: os pequenos gestos. Inclusive, lembrou-se das vezes em que a mãe falava com o pai e acabavam bravos um com o outro.
Conforme foram crescendo e se tornando fortes, lembrava que a mãe dizia ser muito importante que mulheres soubessem lutar. Então, matricularam-se em cursos de defesa pessoal. E, ao final do dia, já era rotina elas chegarem, se reunirem com a mãe e fazerem os exercícios que ela dizia que eram tão importantes. Elas faziam e sabiam de cor todos os movimentos.
Sora e Fayne disseram que tentariam reproduzi-los quando voltassem às aulas de treinamento, só para descobrir se a mãe havia ensinado mais movimentos a elas sem que percebessem. A descoberta de hoje foi uma surpresa. Foi como se tivessem desvendado uma parte do mistério. Ambhar só queria achar seus pais e Em. Por isso, faria tudo que fosse preciso. Desceu e foi em direção ao pátio. Viu Sora e foi para junto dela. — O que teremos hoje para comer? Estou faminta! — Teremos o resultado da caça de hoje.
Vocês comem animais? — Sim, comemos, mas não muito. — Olhou para Sora. — Viu Fayne e Saphyre? — Não. Vi Saphyre junto com você, só. Mas a Fay está no dormitório dela ou na cozinha. Pode chamá-la, se quiser… e
aproveite que, se ela estiver na cozinha, já poderiam trazer comida para nós, não? Estou faminta como você. — Eu vou ver. E é óbvio que trago. Você come o quê? Qualquer coisa? — Sim, mas, se puder trazer pedaços da carne que os meninos trouxeram do mar, eu ficarei deliciada. De verdade. — Sora riu, colocando os pratos e talheres nas mesas para todos se servirem quando a comida viesse. Todos estavam atarefados na organização, pois, após o jantar, iriam para a praça central. Ambhar caminhou por entre as pessoas.
O local estava lotado. Muitos diziam “oi” ou comentavam como ela e Saphyre tinham ido bem hoje nos treinos. Ambhar sorria e agradecia. Perto da cozinha, Ambhar viu Fayne conversando com um elfo. Ela repassou uma bandeja cheia de comida para ele e, logo depois, olhou para a camisa: a frente estava toda espirrada de molho. — Oi, Fayne. O que houve? — Olá, Ambhar. Derrubei molho na roupa. Fui levar esta bandeja para o pátio, mas tem tanta gente que acabei esbarrando em alguém. Precisa de alguma coisa?
— Sim: de você e de comida pra mim e pra Sora. Estamos famintas. — Vou me trocar. Quer ir pegando comida? — Eu te acompanho. Queria falar com você, se não se incomoda. Na volta, levamos a comida juntas. — Não, não me incomodo. Vamos! Foram por entre as pessoas que circulavam na organização da festa e, quando chegaram ao local onde Fayne morava, Ambhar se surpreendeu com a beleza. — Uau… nunca caminhei para este lado. Que lugar lindo! Ambhar olhou curiosa para a pequena casa de Fayne.
Fayne abriu a porta, entrou e chamou: — Venha, Ambhar. Pode entrar.
— Sua casa é muito aconchegante, Fay. Imaginei que você vivesse a maior parte como dragão, e não que tivesse uma casa pequena. — É mesmo? E o que fez você pensar nisso? As poucas vezes em que fiquei como dragão foram somente na primeira vez que nos vimos e mais duas… e foram rápidas. Eu amo ser dragão, mas amo essa forma também. Eu me sinto muito bem com ela, com meu corpo. — disse, tirando a camisa. — Você não prefere se trocar no seu quarto? Ou quer que eu vire? — Ambhar perguntou, virando de costas.
— Ambhar, eu me transformei e fiquei nua na sua frente na primeira vez que nos conhecemos. Foi traumático para você? Porque, por algum motivo, isso parece ser um tabu. Você se sente constrangida de me ver nua? Pode falar. E pode me olhar. Eu não sou tímida, só reservada, o que é diferente. Ambhar virou-se. Fayne já havia retirado a camisa e buscava outra em um armário escondido por uma porta. — Não, não é nada disso. É que eu não quero que você ache que estou prestando atenção no seu corpo.
Não que ele não seja lindo, ele é… mas eu não quero que você pense, que tenha a impressão de que eu olho muito para você e que estou te admirando, ou algo assim. Não que você não seja alguém que não deva ser admirada. Você é muito admirável… e linda. Fayne caminhou até ela, olhou em seus olhos e segurou seu queixo. — O que você quer dizer, Ambhar? Seja direta. Eu incomodo você quando estou nua? — Não! — Então me conta o que você sente.
Eu sei que você é tímida, mas acho que temos intimidade o bastante para falar o que pensamos, não é? Ambhar fez que sim com a cabeça. — Eu não sei se você vai gostar muito disso, mas eu gosto de
garotas. Sempre gostei. Por isso, acho melhor você se vestir. Eu não quero que você se sinta envergonhada. — Eu não me sinto envergonhada… não com você. — Ah… tudo bem, então. — É só isso o problema entre nós, ou tem mais? Você se sente atraída por mim? Ambhar arregalou os olhos e ficou vermelha. — Bem… você é muito linda. Você sabe. Eu não acho que exista alguém que não se sinta atraído por você. — Isso seria um “sim”? — Sim, mas é óbvio que eu não espero absolutamente nada. Somos amigas, não é?
Eu acho que, numa amizade como a nossa, a gente não arrisca. E você, além de tudo, salvou minha vida… eu não quero que isso seja um problema, entende? — E seria um problema se eu também sentisse atração por você? — Fayne sorriu, percebendo a timidez de Ambhar. Colocou um corpete limpo e uma blusa soltinha. Virou para ela e arqueou as sobrancelhas. Ambhar não respondeu. — Se eu quiser te beijar, você vai aceitar? Ambhar inspirou fundo e fez que sim com a cabeça. — Já beijou alguém antes?
Ambhar fez que não com a cabeça. — Então posso te dar o seu primeiro beijo? — Sim. — Ambhar respondeu, um pouco engasgada. Fayne se aproximou e a beijou de leve, só com os lábios se tocando. Fayne passou a ponta da língua no lábio inferior de Ambhar. — Abre a boca pra mim, Ambhar? Ambhar abriu, e Fayne invadiu lentamente, tocando a língua dela com a sua. Ambas suspiraram, deslizando devagar as línguas, sentindo o sabor de Ambhar e percebendo no beijo o quanto ela era inocente.
Mas estava disposta a aprender; imitava os
movimentos, lentamente. Fayne aprofundou o beijo, abraçando-a, e decidiu parar ali. Não queria assustar Ambhar. Separou os lábios e olhou nos olhos dela. A boca de Ambhar estava molhada e entreaberta, e o aroma de fruta… delicioso. — Bom, vamos voltar. Como você, eu também estou faminta. Venha! Pegou a mão dela e foram para onde cozinhavam as comidas no pátio. Montaram as bandejas, levando comida para Sora também. Os olhares se cruzavam e as duas sorriam uma para a outra, como se compartilhassem um segredo.
Chegaram com uma grande quantidade de coisas. Foram espalhando as travessas na mesa, oferecendo a todos que estavam junto com Sora, e se sentaram lado a lado. Braços e coxas se tocavam por vezes enquanto comiam. Parecia, para Ambhar, que o mundo estava em suspenso, apenas esperando a hora em que Fayne colaria os lábios nos dela de novo. Só então, continuaria a rodar. Um rapaz — Safin, era o nome dele — veio rapidamente em sua direção.
Abaixou-se e disse: — Senhorita Ambhar, sua irmã está lhe esperando, juntamente com o rei Kaeidh e o rei Àsgar. Pode, por favor, me seguir? — Sim, claro. — Ambhar se levantou e seguiu Safin pelo pátio. Foram até um local com uma porta grande e Safin bateu. Imediatamente, a porta foi aberta e Ambhar viu Saphyre, Kaeidh, Àsgar, Leigh e um outro ser impressionantemente alto. Ele era mais alto que os outros e estava sorrindo sensualmente para Leigh. — Ambhar. Venha ver isto. — disse Saphyre, puxando Ambhar pela mão.
Ela levantou um cristal e dele saiu uma imagem em movimento: um homem e uma garotinha. — Talvez você reconheça alguém. Ambhar arregalou os olhos.
— Agarotinha… é nossa mãe? Isto é onde? Aqui, neste planeta? — Sim. E olá… já que ninguém nos apresentou. Sou Tarwin. E você é Ambhar. Essa é a memória de meus bisavós. Há muitos milênios. — disse ele. — Olá. É um prazer conhecê-lo. Mas como? Nossa mãe tem quarenta e sete anos apenas. Saphyre explicou tudo que já tinham falado até ali, e todas as hipóteses. Mais uma pequena parte da história se revelava a elas. Mas precisariam da mãe e do pai para entender o que aconteceu. Qual era a história por trás disso tudo? E a profecia?
Em um mundo marcado por guerras antigas, pactos esquecidos e poderes que jamais deveriam ser despertados, as chamas não nascem do fogo, nascem da escolha. Quando sinais de um desequilíbrio voltam a surgir, reinos inteiros entram em alerta. Dragões desaparecem, portais são abertos nas entranhas das montanhas e forças que haviam sido seladas começam a se mover nas sombras. No centro desse caos está um segredo capaz de mudar o destino de todos: um poder ancestral ligado às Chamas Celestes, cuja existência foi apagada da história. Entre alianças frágeis, traições silenciosas e conflitos que atravessam raças e territórios, personagens são forçados a confrontar não apenas inimigos externos, mas também aquilo que carregam dentro de si. Uma decisão cobra um preço. E a verdade revelada ameaça incendiar todo o mundo conhecido. Chamas Celestes é um romance de fantasia que combina intrigas políticas, magia antiga e tensão crescente, conduzindo o leitor por um universo onde o passado insiste em retornar — e onde nem todos sobreviverão ao despertar das chamas.
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