Universo da obra
Universo da obra
No momento, sabemos que somos meio feiticeiras elementais e meio elfas. Agora sabemos de onde vem o nosso poder não usual. Resta saber sobre a profecia. Todos sabem sobre a profecia, mas não sabem os detalhes. — Não sabemos, pois tivemos as bibliotecas queimadas e, junto com elas, os nossos bibliotecários. Eles sabiam sobre a profecia e, como passam isso de geração em geração, a geração seguinte, em parte, tinha iniciado os estudos, e a outra parte ainda não existia ou não tinha idade para isso — falou Kaeidh.
— E quem estava iniciando os estudos? Podemos falar com eles? — perguntou Ambhar a Àsgar e Kaeidh. — Podemos. Um deles vive em reclusão em Filanthopia, e o outro, infelizmente, está desaparecido já há alguns meses. Seus nomes são Kasphio e Alazôr. Alazôr é um centaury, e é ele que está desaparecido — falou Àsgar. — Devemos continuar nas buscas. É o que podemos fazer por agora. Àsgar está saindo todos os dias com a armada. Já se encontraram com Zoltark e sua tropa em vários pontos — falou Kaeidh. — Sim.
Tivemos notícias de desaparecimentos e também de dwarfs entrando nas vilas, pedindo ajuda, pois estavam sendo caçados por um têntri. Então, realmente, eles estão usando dwarfs para pegar moradores das vilas próximas ou que estão a caminho de algum lugar e são pegos pela noite, antes de encontrar algum lugar seguro — explicou Àsgar. — Vocês já pensaram em falar com as bruxas? Não são todas más — disse Tarwin. — Não pensamos. Pelo simples fato de não sabermos como descobrir qual é a boa e qual é a má — falou Àsgar.
— Temos um jeito de saber — contou Tarwin. — Temos um
animal abissal que secreta um gás. Tenho este gás em estoque. Ele, ao ser inalado, nos faz relembrar ou dizer a verdade, e não conseguimos ocultá-las de nenhum jeito. Desde que façamos a pergunta correta, teremos as respostas para todas as nossas perguntas. Mandarei alguém levar até o litoral, mas teremos que buscar. — Quanto você acha que tem? — perguntou Àsgar a Tarwin. — Tenho muito. Inclusive tenho cinco aqui comigo. Experimente em alguém, para testar — disse Tarwin, entregando os frascos a Àsgar.
— Nós usamos para brincar uns com os outros; é bem divertido. Quanto vocês acham que vão precisar? — Não sei. Quanto você sugere para usar em todas as bruxas possíveis? — perguntou Àsgar. — Este pequeno frasco tem dez mililitros, e só isso é suficiente para cada uma. Temos quantas bruxas nas florestas? Umas quinhentas, possivelmente? — parou para pensar, fazendo as contas. — Envie um dragão com uma das cestas.
Tenho o suficiente para encher uma e sobrar tranquilamente para nós, até conseguirmos coletar mais — informou Tarwin. — Vamos fazer isto, então. Infelizmente, temos que ser mais agressivos e, ao contrário dos nossos antepassados, vamos lutar e, se preciso, vamos não apenas nos proteger, mas atacar também — Àsgar falou, e a voz se elevou um pouco. — Quem de vocês concorda? — Eu concordo! — Eu concordo! — falaram todos juntos. Àsgar anuiu e caminhou até a porta, abriu e chamou o pequeno dragão Safin.
— Safin, envie mensagem a todos os povos. Diga que temos uma reunião de urgência aqui, amanhã, após o almoço de comemoração. Diga que esperamos por todos que têm voz nos reinados, inclusive a guarda. E finalize dizendo que fui eu, Kaeidh e Tarwin que convocamos e que é inadiável. E faça logo, peça ajuda
de Sabrina — disse, batendo nas costas do rapaz. — Espero que vocês estejam preparados para a queda, filho. — Sim, senhor, estamos sim. Eu e Sarina treinamos muito, não vamos decepcionar. Reis, Àsgar, Kaeidh, Tarwin e senhoritas — cumprimentou e saiu, fechando a porta. Todos saíram para jantar, mas Àsgar ficou. Ele estava há muito tempo pensando sobre aquilo. Entendia as circunstâncias da paz, o apelo e a necessidade de cessar as mortes, que por um tempo funcionaram muito bem.
Mas agora, por algum motivo desconhecido por eles, Borag havia começado a matar e a sequestrar. Já haviam perdido muitos, e não haveria mais perdas. Não sem uma luta séria. E não em seu reinado. Não mais. Precisava encontrar Sírius. E iria fazer isso agora. Enquanto todos estavam se divertindo, iria sobrevoar as florestas, onde ele foi visto pela última vez, até o amanhecer. Levantou-se e saiu. Foi em direção às mesas e lá viu Zarin e Zenit, Fayne e Sora, bem como boa parte de sua armada.
O pátio estava repleto de seres de todos os povoados. Eles geralmente vinham visitar, fazer negócios e aproveitar as comidas, danças e competições. Queria protegê-los, mesmo que, para isso, tivesse que dar sua vida. — Zenit, Zarin, gostaria de fazer uma ronda. Vão comigo? — Sim, após comermos? — disse Zarin, enfiando uma górgona na boca. — Estou faminto. — Claro — respondeu Àsgar, sentando-se e se servindo também. Afinal, se pretendia voar até o amanhecer, precisava estar bem alimentado.
Lembrou de seus pais e da decisão de seus avós sobre a parede de proteção. Sabiam que, para aquele momento, estavam fazendo a escolha correta. Gostaria de saber se eles o apoiariam na decisão que tomaram — ele, Kae e Tar. Não pensava em tirar a parede de contenção, mas em acampar os exércitos na saída das pontes e montar estratégias para que não
fossem encontrados, mesmo profundamente dentro da floresta. Assim como os dwarfs conseguiam se camuflar, eles talvez conseguissem, aliando amuletos de proteção quando não estivessem em grutas. Incluiria as bruxas que não se aliaram a Borag na equação e garantiria proteção em troca de espionagem. Estavam em uma nova era e precisavam tomar novas direções, para parar Borag de vez. Seria um caminho sem volta, e a única vantagem de Borag é que eles não revidavam; apenas se protegiam.
Mas agora iam revidar, e iriam atacar antes que Borag soubesse de onde veio o ataque. Terminaram o jantar e a maioria foi se retirando para o pátio e, de lá, descendo pelo caminho que levava em direção à praça central. Onde se viam, já montadas e a todo vapor, mais e mais barracas de comidas doces, salgadas, petiscos e caramelos multicoloridos. Frutas e leguminosas temperadas com pimentas carameladas e espetadas em palitos enfeitavam algumas barracas.
Em outras, insetos marítimos vivos, em tanques enormes de aquários, esperavam para serem levados aos seus novos lares, pois eles faziam, em sua grande maioria, diversos tipos de tecidos extremamente fortes, como uma teia de aranha, que eram usados para feitura de sapatos, botas, chinelos e outros tipos de calçados.
Algumas tinham armas de tiro ao alvo, assim como arenas de competições diversas: corrida, saltos, mergulho, lutas corpo a corpo, lutas de espadas, balestras, arco e flecha, competições de quem é mais forte e de voo mais rápido, com barreiras. Havia arenas para diversão, encenações, canto, dança e brincadeiras. Barracas diversas de bebidas, de todos os tipos e para todos os povos. E as enormes barracas de comida do mar.
O local estava cheio de riso e alegria, canto, e alguns dançavam as músicas cantadas e acompanhadas pelos artistas com instrumentos. A música fluida saía dos instrumentos de corda e flutuava aos arredores como magia, fazendo com que casais balançassem ao seu som, mesmo que timidamente.
Àsgar chamou os rapazes e foram em direção ao prédio da armada. — Resolvi que vamos tentar achar Sírius esta noite. Vamos nos transformar apenas parcialmente, colocar as armaduras que venho idealizando há tanto tempo e vamos voar o mais rápido e incógnitos que pudermos. Estão dentro? Zenit e Zarin se olharam, sorriram e falaram quase ao mesmo tempo: — Sim! — falou Zenit. — É óbvio que sim, cara! — completou Zarin, todo empolgado. — Haha, não fazemos isto desde a adolescência. — Sim, mas foi efetivo, não?
E eu fiz isto por mais algumas noites sozinho — contou Àsgar, sorrindo, orgulhoso do feito. — Não contei, nem chamei vocês, por medo do castigo que ganhariam. Tio Shatik era muito severo. — Mas nós fizemos também. Claro que quase um mês depois de sermos os anjos complacentes e nossos pais não mais desconfiarem de nós — brincou Zarin. — Como acha que Zenit ficou tão bom em caça em alto-mar? — Sim, treinamos na madrugada. — Seus dois malucos! Queria ter acompanhado vocês! — exclamou Àsgar, rindo.
— Estamos prontos, então. Estavam vestidos com as roupas que Àsgar havia mandado fazer. O dragão que as fez não entendeu muito por que o rei queria uma roupa-armadura para sua forma humana, mas Àsgar explicou que era para o caso de precisar e estar fraco demais para se transformar completamente. Por isso a roupa era larga e grande, mas, quando os três se transformaram parcialmente, as roupas ficaram perfeitas no corpo deles.
Ficaram com dois metros de altura cada um e seus músculos ultra-desenvolvidos, aliando agilidade e leveza, velocidade e estratégia de voo, visão de longe, sentidos aguçados e asas. Enormes e lindas asas de dragão, com duas garras nas pontas e,
claro, algumas escamas. Voaram dali mesmo e subiram como um torpedo para o céu escuro, sem que ninguém os visse.
Em um mundo marcado por guerras antigas, pactos esquecidos e poderes que jamais deveriam ser despertados, as chamas não nascem do fogo, nascem da escolha. Quando sinais de um desequilíbrio voltam a surgir, reinos inteiros entram em alerta. Dragões desaparecem, portais são abertos nas entranhas das montanhas e forças que haviam sido seladas começam a se mover nas sombras. No centro desse caos está um segredo capaz de mudar o destino de todos: um poder ancestral ligado às Chamas Celestes, cuja existência foi apagada da história. Entre alianças frágeis, traições silenciosas e conflitos que atravessam raças e territórios, personagens são forçados a confrontar não apenas inimigos externos, mas também aquilo que carregam dentro de si. Uma decisão cobra um preço. E a verdade revelada ameaça incendiar todo o mundo conhecido. Chamas Celestes é um romance de fantasia que combina intrigas políticas, magia antiga e tensão crescente, conduzindo o leitor por um universo onde o passado insiste em retornar — e onde nem todos sobreviverão ao despertar das chamas.
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