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Capítulo 29 · Chamas Celestes

Capítulo 29

29 de 40 ≈ 18 min de leitura

Sírius colheu algumas das maiores folhas das árvores eternas mais antigas, próximas ao topo do muro. Pegou tantas quantas conseguiu. Juntando muitas das pedras soltas e madeira seca de algumas árvores lenhosas, foi empilhando as pedras ao lado das madeiras e galhos. Queria fazer um abrigo com elas, que se mesclasse e parecesse a continuação do próprio muro, que tinha alguns metros de largura. Aproveitaria essa largura para fazer não só o abrigo, mas também pequenas armadilhas para alguns animais que viviam por ali.

Ansioso para vigiar o outro lado, deitou no chão e, rastejando, foi até a beira para olhar lá embaixo. Tirou da cintura, com extremo cuidado, a caixinha contendo o pequeno binóculo de um olho, feito em cristal, que seu pai lhe havia dado para olhar as estrelas. O binóculo tinha algumas pequenas lentes, cada uma com seus graus de aumento. Eram, ao todo, seis lentes, da menor ao maior grau, que davam à visão o alcance que ele escolhesse.

Com muito cuidado, colocou a última lente dentro do compartimento de madeira entalhada. Fechou a entrada com o pequeno trinco para que a lente não caísse e a colocou no olho. Apontando para baixo, foi virando lentamente para fazer o reconhecimento do local que havia visto apenas a olho nu. Como havia constatado, o muro se estendia enormemente acompanhando o entorno da montanha, mas não completamente: o muro se fechava no meio, fazendo a metade do outro lado ficar aberta.

Mas não se passava para o outro lado se não escalasse a encosta pedregosa ou o próprio muro. O muro aparentava ser extremamente antigo, porque era recoberto das mesmas videiras e musgos que esta parte da montanha. E, enquanto a outra parte aparentemente era seca e árida — somente pedra enegrecida — deste lado, dentro do muro,

a montanha era repleta de vida. As pequenas árvores e plantinhas soltaram suas sementes, que se entranharam em meio às pedras e foram irrigando a si mesmas e se multiplicando, fazendo com que o muro ficasse invisível do lado de fora, coberto de plantas. Lá embaixo, via-se um lago represado de um lado em que, em uma parte separada por pedras, saíam vapores; provavelmente termal. Parecia um jardim de conto de fadas.

Uma cabana incrustada na montanha — tanto que até parecia ter saído dela — com um solário cheio de leguminosas cultivadas. Do lado de fora da cabana, em meio ao jardim, havia uma mesa com cadeiras; e, nos extremos do jardim, várias árvores aquosas. Sem sombra de dúvidas, este lugar havia sido planejado e construído para que Borag não tivesse contato algum — ou o mínimo possível — com a água vida enquanto estivesse ali.

Vendo uma sombra passar pela janela da cabana, Sírius viu quando as portas do balcão foram abertas completamente, sendo presas e encostadas nas paredes, e dois braços saíram brevemente para fora. Mais um pouco e ele viu a linda mulher sair. Colocando os braços para cima, ela se espreguiçou, esticando a coluna e colocando os seios para frente. Abrindo a boca num bocejo, ela caminhou até uma parte ao lado do lago, na área separada de água de onde saía o vapor.

Chegando próximo da água, começou a puxar suas roupas pelos braços, descendo-as. Sírius virou-se na mesma hora, de barriga para cima, e o coração veio à boca. Ela iria se banhar ali. Deuses… quase a viu nua! Daria tempo para que se banhasse e se vestisse calmamente e, enquanto isso, ele iria acalmar o coração levantando as paredes da cabana. Guardando o binóculo, Sírius se levantou e pegou as tábuas e galhos maiores. Fez oito colunas com as madeiras, fincando-as na parte de terra entre uma pedra e outra.

Amarrou a base de cada uma delas, umas nas outras, com cipós de árvore eterna; depois fez a mesma coisa em cima e ao meio.

Satisfeito com o trabalho que havia feito, começou a empilhar as pedras, usando o próprio barro que prendia as pedras interiormente para juntá-las umas às outras. Subindo uma por uma, buscando mais pedras e mais longe, em cima do muro, e trazendo mais terra, que misturava com a água que caía de uma ou outra árvore aquosa. Foi se cansando o suficiente para não pensar na elfa nua se banhando.

Quando olhou para o céu e viu que já era hora da primeira refeição substanciosa, foi checar suas armadilhas e ver se teria algo que comer. Encontrou duas delas com animais: um pequeno e o outro grande e gordo. O pequeno ele soltou e recolocou sementes da lua para tentar pegar mais dos animais maiores, o timtê. Resolveu ir para o outro lado, nas outras duas armadilhas, e, surpreso, achou-as repletas de animais. Ficou feliz, pois aquela noite teria um jantar decente.

Tirou os três timtê e um pinfo selvagem, que estava bem bravo e o arranhou no processo. Ele o matou rapidamente para que não sentisse dor. E agradeceu pela dádiva de sua carne. Ali em cima, como não havia têntris, provavelmente os animais se sentiam mais livres e migraram para as partes mais altas da floresta. Pelo menos era o que Sírius estava propenso a acreditar, pois pegou mais animais conforme foi subindo do que havia pego em terra.

Por isso, era primordial que destruíssem Borag: ele estava mudando até mesmo os hábitos dos animais da floresta, afastando-os de seus habitats naturais. Limpou, lavou e colocou seu alimento no fogo que fez dentro de uma falha no chão de pedra. Colocou dois galhos em formato de forquilhas, um de cada lado, espetou um timtê e deixou assar. Colocou o resto do alimento embrulhado em folhas para mais tarde.

Com as energias renovadas, pensou em dar uma espiada lá embaixo, pois achava que a elfa já teria terminado o banho devido

ao tempo que passou. Voltou a espiá-la e encontrou-a devidamente vestida, sentada em uma espreguiçadeira próxima ao solário, lendo. Estava com as folhas do livro paradas e ela ficou lá por mais ou menos uma hora… lendo a mesma página? Após a estranha forma de leitura, ela se levantou, colocou o livro na mesinha ao lado da espreguiçadeira e caminhou até a água do lago.

Sírius ficou tenso, à espera de algum movimento dela para voltar a tirar qualquer peça de roupa, mas ela apenas pegou um balde, colocou-o na água e o encheu, caminhando até as plantações e ali despejou aos poucos a água.

Ela se agachou e cavou próximo à horta, onde a terra já estava remexida, e escavou um buraco longo, tirando dali um galho reto e liso, que estava, em algumas partes, encordoado com cipó de árvore eterna; e, na ponta, uma parte mais larga também com cipó enrolado, brilhava uma pedra negra: a pedra de diamar. Ela havia criado uma arma. Ela levantou do chão, parou olhando para a parede como se estivesse ouvindo algo, olhou para cima, para o céu do lado da montanha, e viu o sol esmorecendo já.

Abaixou-se novamente, enfiou a lança de volta no buraco e cobriu rapidamente com a terra. Começou a pegar água com as mãos em concha e jogar em cima; de repente, ela olhou para o lado que estava vigiando a cada passo da descoberta da lança e sorriu. Levantou, com os joelhos e as mãos cobertos de terra. Sírius virou um pouco o binóculo e viu Borag. Ela sorria para ele como da primeira vez que Sírius a viu e, disfarçadamente, ficou olhando pela porta aberta atrás de Borag. Talvez esperando vê-lo ali novamente?

Ela percebeu que ele iria matar Borag pela faca em suas mãos. Ela cumprimentou Borag, falou algo a ele e apontou para a terra remexida e os joelhos do vestido sujos; então foi lavar as mãos. Voltando para perto dele, enxugou as mãos em um tecido em cima da mesa. Sentou-se e o convidou.

Sírius ficou observando os dois. A forma como Borag falava com ela era completamente diferente de como falava com os outros seres, principalmente com aqueles que queria matar. Ele sorria e aparentava trejeitos de sedutor. Sírius percebeu que Borag se sentia atraído por ela, na forma como, a toda hora, tentava tocá-la: pegava algumas mechas de seus cabelos, tocava suas mãos.

Depois, quando se despediu, após ter ficado quase uma hora conversando com ela, sentados na mesa da varanda — enquanto ela servia algo para os dois tomarem e ele, o tempo todo, tocava suas mãos, deslizava um dos dedos ou o dorso da mão por seu braço — Borag a abraçou. O rosto dela era de asco e de total desagrado. E o abraço pareceu a Sírius ter durado uma eternidade. Borag se afastou e baixou a cabeça para beijá-la nos lábios. Ela virou o rosto e ele a beijou na bochecha. Ela ficou imóvel.

Borag falou mais algumas palavras, se despediu e saiu. Ela abraçou a si mesma, apertando os olhos, foi até a água e pegou uma barra de algo que espumou em suas mãos. Lavou com força todo lugar que Borag havia tocado nela, com nojo. Entrou de roupa e tudo. Sírius percebeu que ela odiava Borag tanto quanto ele. Ficou cada vez mais claro para ele que ela talvez fosse uma aliada contra Borag. Borag confiava tanto nela que ia vê-la sem nenhuma roupa de guerra e nenhum tipo de arma. E a lança?

O fato de ela ter feito a lança com as próprias mãos… talvez pensasse que, se tivesse algo para matá-lo, poderia escapar de alguma forma daquele lugar. A cada dia que ficava ali em cima, mais e mais entendia os movimentos da elfa. Ficou dias ali em cima, se preparando fisicamente para descer. Havia emendado os cipós de árvore eterna e precisava de mais; então, acabou tendo que descer pelo outro lado novamente para alcançar mais cordas de cipó.

Por dois dias, seus únicos movimentos foram: se alimentar, dar nó nas cordas, fazer algum exercício para se manter forte,

beber água e vigiar a elfa. Todos os dias, quando começava a anoitecer, Borag aparecia e, todas as vezes, arrumava um jeito de tocá-la. Ao se despedir, falava algo e ela negava, fingindo inocência ao baixar o olhar. E sempre, quando ele saía, ela se lavava enfurecida. Sírius se deitava ali, de barriga para cima, imaginando o dia em que mataria Borag com a ajuda dela e a levaria para longe dali. Depois de quase uma semana vigiando, ele resolveu que enviaria algo para que ela soubesse que ele estava ali. O que faria?

Pensou na corda que havia amarrado uma à outra. Não sabia se ela chegaria até lá embaixo. Faria o teste naquela noite: esperaria ela entrar e desceria a corda com algo amarrado na ponta. Se visse que chegava ao chão, tentaria, no outro dia pela manhã, baixar a corda próximo de onde ela tomava banho e deixaria lá para ela ver que tinha alguém ali em cima do muro. Foi devagar procurando o melhor local para que a corda não enroscasse, impedindo que ele subisse por ela depois.

Amarrou uma folha branca na ponta para que conseguisse vê-la contra o muro escurecido. Foi baixando e baixando a corda e, quando chegou quase ao final, amarrou a ponta dela e foi andando pelo muro para ver até onde tinha chegado. Constatou que alcançou apenas metade da altura do muro. Ficou irritado, pois isso significava que teria que arrumar mais e mais cordas e teria que caminhar pelos dois lados mais distantes do muro, e talvez até descer bastante para pegar mais cordas de cipó.

Talvez isso levasse mais tempo do que pensou. Deixou a corda ali, pendurada, e, conforme fosse emendando mais cordas, iria amarrando na ponta de cima, fazendo a corda ir descendo. Então, todos os dias, ele caminhava pela borda do lado de fora do muro, pulava nas árvores e puxava as cordas, uma a uma. Ia enrolando-as em volta do torso e, quando voltava, por fim, deitava de barriga para baixo apenas com a cabeça para fora e voltava a

vigiar lá embaixo. Na hora de dormir, ele deitava, depois de comer, e ia tecendo os nós das cordas, pensando na elfa. Quem seria? Como fora parar ali, naquele local? De que cidade viria? Não se lembrava de ter visto nenhum elfo ou elfa de cabelos brancos; seria inesquecível se tivesse visto. Aquela cor de cabelo era incrível, e ele tinha certeza de que algo assim seria herança genética de algum dos pais.

Ele havia viajado muito em sua vida, principalmente na época em que fez viagens em prol dos povos das vilas e cidades — a viagem de aprendizado que todos os povos faziam para aprender a cuidar, e como cuidar. Ela era única e ele entendia o desejo de Borag por ela, mas queria descobrir como ela ficou presa ali. Dormiu por uns instantes e acordou sobressaltado com algo batendo em sua face. Abriu os olhos e sentou-se abruptamente, assustado com algo que batia asas ali dentro de sua casa de pedras.

A escuridão não o atrapalhava e ele viu uma pequena fada parada ali perto do seu rosto. Rugiu. — Ei, silêncio! Eu vou pousar. Venho em nome da rainha Alanda. Não… me… machuque… ok? — Desculpe! — falou ele, sussurrando com a voz rouca. — Você me assustou, pequenina. Preste atenção no que eu vou dizer: nunca acorde um leão. Eu poderia ter dado uma patada e você, com certeza, não sobreviveria. — Desculpe, rei Sírius. Sou Tamany. Eu moro na floresta, vigio as coisas que Borag faz.

Mas nunca cheguei tão perto de onde estamos. — Me desculpe você. Estou há muito tempo aqui. Não falo em voz alta com ninguém desde que saí do trono e vim para a floresta. O que faz aqui? — A rainha Alanda me enviou em nome dela e dos reis Tarwin, Kaeidh, Àsgar e mais alguns, para afirmar que você não está só. Eles montaram uma reunião, entraram em acordo e virão para a guerra. Querem pôr um fim em Borag de vez. Irão atacar

dessa vez — e não só se defender —, mas precisamos de informações. O que está fazendo aqui em cima deste monte de pedras? — Não é um monte de pedras. É um muro gigante. — Um muro? Mas como? E para quê? — Para prender uma única elfa. Sírius acendeu o fogo. A fada falou: — Não faça isso. Vai chamar atenção. — Não vai. O fogo está baixo, dentro do muro, e a minha cabana é de pedra.

Eu andei em torno disso, tapei todos os buracos, e a porta está segura: tem pedras fechando e o tecido é da ilha dos dragões, impenetrável e muito forte. Não passará nenhuma fresta de luz. — Ok. Mas por que tudo isso para uma elfa? O que ele planeja para ela? — Aparentemente, ele gosta dela. Mas ela o odeia. — E como sabe disso? — falou a fada, espantada. — Estou há dias vigiando-os. Ele vem, ela sorri e o recebe, oferece algo para beber e comer, sentam à mesa do terraço da casa ali embaixo e conversam.

Ele fica o tempo todo tocando-a, passando a mão em seus braços ou pegando suas mãos. Ao final, às vezes tenta beijá-la, o que ela recusa virando o rosto. Se despedem e, quando ele sai, ela corre para se esfregar com sabão onde ele a tocou. Chora um pouco… fala impropérios, aparentemente. Depois cava, pega uma lança que ela mesma fez e senta à beira do muro amolando a pedra da ponta. Adivinha que pedra ela colocou na lança? — Intrigante… qual pedra? — Pedra de diamar. — Oh… raras, não? — Não aqui.

A montanha é feita dessa pedra em sua maior parte.

— Muito intrigante. Tem mais alguma coisa para me informar? — Sim. Quase matei Borag há não sei quantos dias… perdi as contas. Quando ele abriu a parede do muro e ela estava esperando por ele — sorriu para ele — eu estava bem atrás de Borag, nesse momento. Eu ia fincar minha faca nas costas dele. Ela me viu. Não falou nada. Ele ia virar, mas ela disfarçou, puxou-o para dentro pelo braço, e a parede fechou. A fada olhou para ele, embasbacada. — Então eu escalei esse muro por seis dias.

E tem mais: ele tem um têntri century. Não sei como ele transformou um century em um têntri. — Então descobrimos por que ele está sequestrando seres em todos os lugares da floresta — falou a fadinha, como que para si mesma. — Sequestrando? Como? — ele perguntou, com raiva. — Pelo que sabemos, ele pega dwarfs de seus buracos com a ajuda de algumas bruxas. Amarram o pobre com cordas de árvore eterna e dão tantos nós que, quando alguém vai salvá-lo, perde muito tempo desatando, e então escurece e um têntri os pega.

O rei Kaeidh, Zarin e Zenit salvaram uma elfa em cima da árvore outro dia. — Que desgraçado! A cada dia que passa meu ódio aumenta mais. — Será que ele pretende transformar a elfa de quem você fala em têntri também? — Não acho que esse seja o caso. Ela vive ali com tudo que um ser precisa, e o local foi planejado para se ter conforto, calor, pequenos animais fofos para brincar, água quente e água fresca, um belo jardim de conto de fadas para cuidar. Pelo que vi, livros, os quais ela só segura; não lê.

Talvez seja um tempo para ela pensar? O local foi feito… para agradar uma fêmea. Não é “apenas um caso”. Ele foi muito famoso por sua beleza e por seduzir muitas

fêmeas de todas as raças, mas jamais ficou mais de uma noite com elas. E ele tem todas as atitudes de quem está cortejando a moça. Sírius deu um soco na própria mão. — É isso. Ele pretende tê-la como sua mulher! Ele olhou para a fada. — Você poderia ser útil. Você poderia voar até ela e levar uma mensagem. Eu estou há dois dias escalando e descendo um pouco pelo muro e em torno dele para coletar mais cordas de cipó das árvores, e isso está me tomando muito tempo. Levei dias para subir e caí… quase morri.

Ele mostrou a cicatriz. — Estava quase sem alimento. Poucos animaizinhos aqui e ali; pouquíssimo para minha dieta de leão. Eu não me transformo há um tempo já. Não estou tão forte. Preciso de seis a oito quilos de carne por dia. Estou me alimentando com apenas um ou dois quilos quando tenho sorte. Não estou no meu melhor. — Eu posso ficar. Na verdade, me considere sua amiga de vigilância. Ao amanhecer farei uma chamada e podemos contar tudo isso para minha rainha. — Sim… mas preciso dormir.

Por favor, se acomode onde quiser. Eu estou exausto. — Eu também estou cansada. Meu amigo de vigilância me indicou o caminho em que viu você subir, mas não imaginou que você tivesse subido tanto. Estamos quase no céu. — Estamos. Tem hora que as nuvens passam no nosso rosto. Vamos dormir. Amanhã você verá onde estamos. Boa noite. — Boa noite, rei Sírius. — Faz muito tempo que não sou um rei. — Na minha opinião — e na opinião dos outros reis e rainhas —, ainda é. Talvez seja o melhor deles.

Afinal, você viu o que Borag era; eles não. Só descobriram agora. Sírius ficou em silêncio. Estava emocionado. Havia lutado tanto, se protegido tanto para nunca ser

infectado… e tinha conseguido, mas sozinho. Até que ponto iria? Agora, olhando para si mesmo depois de tanto tempo, percebia que devia ter entrado em contato com seus amigos, tê-los convencido do perigo que Borag representava mesmo isolado; que ele acharia um jeito de praticar sua maldade. E ele não devia ter se perdido na loucura da vingança e passado tanto tempo sem toda sua força de se metamorfosear: seus instintos pedindo vingança e ele perdendo o bom senso. Ele iria se comunicar com seus amigos amanhã e iria tentar falar com a elfa por meio da fada. Seria um dia cheio.

Chamas Celestes

Sinopse

Em um mundo marcado por guerras antigas, pactos esquecidos e poderes que jamais deveriam ser despertados, as chamas não nascem do fogo, nascem da escolha. Quando sinais de um desequilíbrio voltam a surgir, reinos inteiros entram em alerta. Dragões desaparecem, portais são abertos nas entranhas das montanhas e forças que haviam sido seladas começam a se mover nas sombras. No centro desse caos está um segredo capaz de mudar o destino de todos: um poder ancestral ligado às Chamas Celestes, cuja existência foi apagada da história. Entre alianças frágeis, traições silenciosas e conflitos que atravessam raças e territórios, personagens são forçados a confrontar não apenas inimigos externos, mas também aquilo que carregam dentro de si. Uma decisão cobra um preço. E a verdade revelada ameaça incendiar todo o mundo conhecido. Chamas Celestes é um romance de fantasia que combina intrigas políticas, magia antiga e tensão crescente, conduzindo o leitor por um universo onde o passado insiste em retornar — e onde nem todos sobreviverão ao despertar das chamas.

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LITEBN-978657936576259710024001
Chamas Celestes

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