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Capítulo 32 · Chamas Celestes

Capítulo 32

32 de 40 ≈ 15 min de leitura

Kaeidh amanheceu com Saphyre entre os braços, e suas asas cobriam os dois, completamente arqueadas sobre ela. Até mesmo no sono ele a protegia instintivamente. E o certo era que talvez ela fosse mais forte do que ele. Seria ainda mais quando terminasse o treinamento — ainda mais agora, com a possibilidade de lerem algo sobre a parte elemental dela. Estavam mais perto de ajudá-la a controlar o poder do que jamais estiveram.

Mas primeiro iriam acordar, tomar um banho maravilhoso de mar; depois ele a levaria à banheira natural e, enquanto assava algo, se banhariam para comer e ir embora. Mostraria a ela como usar as singularidades da parte élfica dos descendentes de Dramhir, uma casta de elfos com habilidades transmorfas de adaptação aos ambientes. Voltariam para casa e, logo, se não houvesse nenhuma emergência, iriam à floresta secreta visitar o castelo do rei fauno Faleey. — Hummm.

Gostei do seu planejamento sobre como vamos passar a nossa primeira manhã depois da conexão juntos, meu amor. — Ela falou e virou para ele, beijando-o nos lábios. Apalpou as asas, encantada com a maciez e a cor das penas. — Você é um anjo, Kae… e estou impressionada como a cor das asas é a mesma dos seus cabelos. Um cobre escuro. Lindíssimo, meu amor. — Você que é lindíssima. E acho que você também pode fazer essas mudanças transmorfas, assim como eu. — Será? Não me imagino tendo asas. — Temos que tentar.

— Ele beijou os lábios dela. — Vamos. Primeiro iremos nadar um pouco. Vou submergir para caçar algo para nós e fazer todas as coisas que eu pensei… e que você já sabe. Eles se levantaram e Saphyre foi andando para sair do quarto, até que parou. Voltou-se para ele.

— Minhas roupas… não sei onde estão e não trouxe nada para nadar. — Não tem problema. Vamos nus. Este local está vazio, não tem nenhum ser que more por aqui. Mas, se você se sentir melhor, pode me esperar. — Não! Confio em você. Vamos. Foram os dois nus, caminhando pela pedra lisa até a parte mais baixa da ilha, que continha pedras cristalinas de diversas cores — arredondadas e incrivelmente lindas — que, no escuro, ela não tinha visto. Com o brilho do sol, pareciam faiscar.

Brilhavam ainda mais as que estavam banhadas pela água do mar. Transparente e cálido, o mar abraçou os corpos deles. Entraram na água entre brincadeiras e beijos. No meio do caminho Kaeidh já tinha retraído as asas e, quando a água batia em seu peito, mostrou a ela como apareciam as guelras. — Basta pensar em respirar debaixo d’água, e seu corpo vai saber o que fazer. Quer tentar? — Claro. Só pensar? — Sim. — Ele sorriu. Saphyre fechou os olhos, pensou em estar debaixo d’água e puxou o ar. Nada ocorreu.

Tentou de novo e, de novo, nada. Abriu os olhos e o encarou, séria. De repente, baixou o corpo e mergulhou completamente. Puxou o ar e as guelras foram se formando; ela soltou várias bolhas pelos lábios. — Saphyre! — Kaeidh a puxou para cima rapidamente, achando que ela tinha tropeçado. Quando ela saiu da água sorridente, ele olhou o pescoço dela e viu as guelras dos dois lados. — Que susto você me deu! Você conseguiu, Saphy… mas não faça mais isso, tarine. Se você não conseguisse, ia se afogar.

— Eu tive que me dar um “tratamento de choque”. — Ela riu. — Não se preocupe, meu amor. Estou bem.

— Está, mas não faça mais isso. Se você morresse eu não conseguiria viver desta vez, entende? Eu… Você é minha vida agora. Dividimos uma só consciência. Saphyre colocou as mãos no peito dele e beijou seus lábios. — Desculpe, Kae. Não farei mais isso. Prometo. — Encostou a face no rosto dele. — Mas me diga: eu posso submergir agora que tenho guelras? — Sim. Vamos. Segurando a mão dela, ele mostrou que entre os dedos havia uma membrana, e que também surgiam algumas barbatanas nos antebraços e pernas.

Kaeidh nadou e Saphyre acompanhou os movimentos, imitando-o. Sorriram um para o outro debaixo d’água. Ele apontava para as coisas e falava mentalmente com ela. — O pequeno banco de corais… Era incrível, colorido como nada que ela tinha visto. Ele mostrou pequenas árvores com “frutas do mar”, pegou uma e colocou na boca dela. Saphyre mordeu e sentiu um sabor doce. — Hum… deliciosa! Desceram mais um pouco até o fundo de areia branca. Pequenos animais corriam para todos os lados.

Cardumes de diversos tipos passavam por eles. Viram tantas formas de vida que Saphyre jamais imaginara. E as cores, formatos e variedades de animais e peixes eram inacreditáveis: conchas abrindo e fechando, peixinhos de carinha redonda como bolinhas, uns muito grandes que só comiam plantas, outros menores e carnívoros. Kaeidh apontou para um animal de tamanho considerável. — É aquele que vamos pegar. Ele a puxou e deu um impulso tão rápido que acabou carregando Saphyre junto.

Soltou a mão dela e pegou o animal, que nem lutou. Saphyre arqueou as sobrancelhas, impressionada. Saíram da água com o animal e ele a levou para os fundos da cabana. Lá já havia um círculo de pedras com uma esponja e alguns galhos: o lugar da fogueira. Saphyre tentou acender o fogo

com muita concentração. Da esponja subiu uma fumacinha tímida. Kaeidh arregalou os olhos e sorriu, baixou a cabeça e soprou até o fogo pegar forte. Saphyre ficou orgulhosa. — Parece que as coisas estão melhorando, não é? — Sim. E eu tenho muito orgulho de você, tarine. Ele colocou o animal numa pia, lavou e temperou com ervas secas que pegou na cozinha. Mostrou a ela cada coisa. Espetou-o em um ferro comprido e levou ao fogo. Depois foi com ela para a piscina termal e se sentaram. Relaxariam ali, de olho na comida.

Saphyre, nua, entrou na água tépida e encostou na borda de areia fina. Estavam sozinhos, nus e felizes. Ela se deitou de barriga para cima; o topo dos seios subia e descia dentro e fora da água. Os olhos fechados. Os cabelos jogados acima da borda. Bolhas quentes subiam e estouravam na superfície. Kaeidh sentou ao lado dela e a puxou para o peito. Saphyre sorriu e suspirou. As mãos dela passearam pelo peito dele, brincando com as mechas de cabelo cor de cobre e com as tranças finas espalhadas ali.

— Eu amo a cor dos seus cabelos, Kae. E amo a cor dos seus olhos. — Que bom… porque eu amo tudo em você, tarine. — Vamos comer e voltar? — Sim. Mas podemos vir aqui sempre que você quiser. — Obrigada por me trazer aqui. — Eu ia te trazer de qualquer forma, mais cedo ou mais tarde. Tenho muitos lugares que quero te levar. E vamos ver todos… principalmente quando tudo isso acabar, quando acharmos sua irmã e seus pais. — Seria maravilhoso. Fizeram amor mais uma vez, lentamente.

Ambos se iluminaram, mas Saphyre não explodiu descontrolada. A conexão

estava completa e os poderes dela já tinham se acostumado com a intrusão da mente dele. Comeram tranquilos e se vestiram, um ajudando o outro. Limparam o que usaram e guardaram tudo no devido lugar. Saíram da ilha e Saphyre olhou para trás, ao longe, sorrindo. Deram as mãos e se abraçaram na carruagem, voltando para a ilha flutuante. — Àsgar, acorde! — Filanthe o chacoalhou. — O que houve? — Acorde, já escureceu. Borag virá mais cedo do que o normal. Você tem que ir. — A parte mais difícil é essa…

Desde que te conheci, ir embora e te deixar aqui. — Infelizmente, é essa a minha vida. — Não deveria ser. Eu queria ter o poder de te livrar disso. — Eu sei. Mas não podemos… por enquanto. Vamos, você precisa ir. Ele se vestiu e ela também. Colocou duas camadas de roupas pesadas, se cobrindo de cima a baixo. Não deixava nada de pele visível perto de Borag. Não queria que ele alimentasse qualquer pensamento sobre seduzi-la. — Se cobrindo toda para ele não ver nada, não é? — Sim. Minha vida já é difícil…

imagina se ele pensar que pode me seduzir. Só de imaginar ele me tocando, eu tenho nojo. — Se ele fizer isso, eu o mato. Seriamente, Filanthe… — Àsgar segurou o queixo dela e olhou dentro dos olhos, rosnando: — Se ele te tocar, eu perco todas as restrições e o frito até virar cinzas. — E eu gostaria… mas não podemos. Não sabemos o suficiente sobre a montanha: como é, onde ficam os sequestrados, se há algum feitiço que tranca a montanha ou que ele tenha lançado nos cativos. Precisamos fazer as coisas com frieza.

Prometa, Àsgar. Não vamos nos precipitar. Eu perdi muito e sofri muito para, no final, não salvar minha filha.

— Eu sei. Eu não farei. — Ele respirou fundo. — Vou embora. Esconda o espelho, mas deixe-o funcionando comigo para eu ouvir o que ele fizer e falar. Você pode? — Posso. Vou deixá-lo no bolso do vestido de dentro. Ela levantou as saias e colocou o pequeno espelho lá. — Só que você não pode fazer barulho. Quando a gente falou, eu ouvi suas asas batendo. Como vai fazer? — Eu vou deixar em silêncio. Tem um modo. — Depois você tem que me mostrar como usar isso. Você não explicou, eu me assustei…

e você viu meu corpo todo até virar o rosto. Ele sorriu. — Foi a melhor visão da minha vida. Puxou-a e beijou-a com paixão. — Me chame quando puder. Beijou de novo, saiu para a varanda em silêncio, ouviu os sons da floresta, olhou para todos os lados e voou, rápido, no impulso supersônico. Filanthe suspirou e fechou os olhos. Foi até a banheira e se lavou depressa com água fria, esfregando sabão na pele, com medo de Borag sentir o cheiro de Àsgar. Pegou os lençóis, retirou da cama, colocou num cesto e fechou.

Estendeu outros, arrumou tudo. Fez uma magia simples para disfarçar cheiros, sentou à mesa da cozinha e comeu. — Àsgar? — Sim, Filanthe. — Só para saber se você está aí. Troquei os lençóis e me lavei, joguei um feitiço caso a cabana ou eu tenha ficado com seu cheiro. Só estou te avisando para você saber o que eu fiz e não ficar imaginando o que foram esses barulhos. — Tudo bem. Como você está? — Muito bem. E você? Desculpe expulsar você.

— Eu entendo. Estou muito bem. Seu cheiro está em mim… — ele baixou a voz. — Você teve uma visão? — Sim. Enquanto eu dormia. Acordei em seguida. Tenho muitas quando vou receber visitas. Nunca falhou. É bem útil… e eu aprendi a ouvir com o tempo. Depois que ignorei por um tempo, isso me fez perder minha filha. — Sinto muito. — Eu também. Até daqui a pouco. — Até. Ela ficou em silêncio, pensando em tudo e em nada. Ouviu as asas do tentri century batendo e logo Borag pousou na varanda.

Preparou-se para aguentar a presença odiosa dele dentro do lugar que construiu com esforço com a mãe e onde viveu tantos dias felizes antes de ele aparecer. Levantou e abriu a porta. — Olá, minha querida. Vim mais cedo hoje, pois precisei resolver um assunto desagradável… e devolver alguém ao seu devido lugar. — Devolver alguém? — Você sabe quem. Salyan teve a ideia idiota de que eu me casaria com ela! Não sei como ela chegou a essa conclusão.

Minha noiva está bem guardada atrás dos muros; ela, sim, tem sangue nobre. O mais poderoso. Nada chega aos pés dela. — Ele sorriu torto. — Mas talvez você saiba de algo… sobre como Salyan chegou a essa conclusão de que eu me casaria com ela. Sabe de algo? Não pode ser que tenha pensado nisso sozinha. Carece de inteligência, a pobrezinha. Filanthe piscou. Noiva? Que informação era aquela? Disfarçou rápido.

Às vezes Borag vinha vê-la e parecia bêbado e eufórico; nessas ocasiões, falava coisas que jamais mencionava quando estava sóbrio e maquiavélico.

— Como eu saberia, Borag? Eu não saio daqui para nada, já que você me prendeu. Quando verei minha filha? Quando vai trazê-la para viver comigo? — A sua filha me é muito útil, querida Filanthe! Estou treinando-a. É habilidosa, você deve saber… com a magia. Muito habilidosa. Já te disse que eu a eduquei como minha filha? A queridinha me chama de papai. O estômago de Filanthe revirou. Ela engoliu a fúria. — Você falou para ela que você é o pai dela?! — Sim. Como você acha que eu teria a cooperação dela?

Eu disse que era o pai… e que você a tirou de mim, que eu só estava reavendo a minha preciosa bebê roubada. Desculpe, querida, mas eu tive que dizer isso. A garota só chorava. Ou eu fazia isso… ou eu a matava. Você não gostaria que eu a tivesse matado, não é? — Ele ergueu a mão e a imagem apareceu como um reflexo. — Olhe como ela está bonita e feliz. Filanthe segurou as emoções. Não queria que ele a visse chorar.

Borag sempre reparava no rosto dela quando mostrava a filha, como se tentasse entender ou imitar sentimentos. A filha dela estava fazendo poções; Troilla estava ao lado, sorrindo, parabenizando-a quando Kaly conseguia fazer algo com perfeição. Ela tinha o dom. — Era cru ainda o dom dela quando eu descobri… explode coisas, não? Interessante. Você teria o mesmo poder, Filanthe? Nunca me disse. Borag apertou os olhos, analisando a expressão dela. — Não.

Como você sabe, meu poder é só para fazer amuletos de proteção e premonição. Não serve de nada. Se servisse, eu não estaria aqui… presa. Ele riu com escárnio. — Tem razão. Mas fique tranquila: sua criança não é inútil. Ela explodiu um copo, acredita? Foi a primeira vez que eu vi esse poder. Claro que agora ela explode coisas bem maiores. Lindo

poder, minha querida. Deveras útil. Bom trabalho você fez. — Ele deu um passo para trás. — Bom… eu já vou. Tenha uma boa noite. — Boa noite, Borag. — Ah… não me espere por essas noites. Tenho coisas urgentes para resolver e vou precisar passar uma semana longe. Meus experimentos me esperam. Pretendo tentar transformar alguns elfinhos e um metamorfo em tentri. Sangue poderoso… não posso desperdiçar nem uma só gota. Ele saiu balbuciando coisas estranhas sobre sangue. Filanthe não entendeu tudo.

Quando ele se foi, ela suspirou alto. Caminhou até a varanda e ficou olhando as luas e o brilho da segunda lua refletido na água do rio abaixo. As lágrimas desceram. — Filanthe? — ouviu a voz de Àsgar. Ela se assustou. — Deuses… eu esqueci de você. Àsgar pousou em frente a ela. Olhou o rosto dela. Não disse nada: apenas a abraçou. Entraram. Ele a levou para a cama e ficou ali com ela aninhada, passando as mãos nos cabelos dela. — Eu não posso ficar muito tempo. Fiquei esperando perto, mas escondido, por precaução.

Eu não confio nele. Tive medo de ele sentir meu cheiro em você e querer fazer alguma coisa. Que ser asqueroso… — Àsgar respirou, tenso. — Ele fez sua filha chamar ele de pai… Espero que, pelo menos, ele não tenha sido cruel com ela. Depois, nós vamos consertar tudo. Tudo vai voltar ao seu lugar. Eu estou com você, Filanthe. Dorme. Ela não respondeu. Só chorou nos braços dele. Dormiu. E quando estava quase amanhecendo, Àsgar voou de volta para casa. Deixar Filanthe era agora ainda pior do que antes.

Ele tinha concordado que seria apenas sexo… mas sabia que era muito mais do que isso. Tinha esperança de que ela soubesse também. Talvez um dia. Esperaria o tempo que fosse.

Pensando nisso, lembrou da conversa dela com Borag. Doía imaginar o quanto era penoso para Filanthe saber que a filha estava com ele — e pior ainda, acreditar que Filanthe era a sequestradora. Inacreditável a maldade dele. Era uma mente completamente podre. Àsgar não o conhecia de verdade… até agora. E havia uma noiva. De sangue raro e poderoso. Ele precisava contar isso aos pares. E tinha ainda a parte do sangue: “não desperdiçar nem uma só gota”. Precisava registrar aquilo.

Mandaria gravar com uma joia da memória para que todos ouvissem na nova reunião, antes de irem embora. As festividades estavam quase no fim. Olhando de cima da multidão, foi em busca de Travalt. Era alto — embora muitos fossem altos — mas magro em excesso e com os cabelos bem curtos. Àsgar o visualizou depois de algum tempo, na barraca da competição de soletrar palavras. Típico de historiadores: sabiam muito de todas as línguas. Pousou num local mais afastado e atravessou a multidão até chegar perto. — Pernóstico.

Dez letras: P, E, R, N, Ó, S, T, I, C, O. Pernóstico! — Correta a palavra. Mais um ponto para Travalt! — anunciou alguém. Travalt sorriu. Àsgar bateu no ombro dele. Travalt virou, o cenho franzido; ao reconhecer Àsgar, voltou a sorrir. — Está se divertindo, não é? — Sim. Muito. Precisa de algo? — Preciso. Uma memória recente… sobre uma coisa que eu quero que todos vejam. Me acompanha? — Claro, Àsgar. Será um prazer.

Chamas Celestes

Sinopse

Em um mundo marcado por guerras antigas, pactos esquecidos e poderes que jamais deveriam ser despertados, as chamas não nascem do fogo, nascem da escolha. Quando sinais de um desequilíbrio voltam a surgir, reinos inteiros entram em alerta. Dragões desaparecem, portais são abertos nas entranhas das montanhas e forças que haviam sido seladas começam a se mover nas sombras. No centro desse caos está um segredo capaz de mudar o destino de todos: um poder ancestral ligado às Chamas Celestes, cuja existência foi apagada da história. Entre alianças frágeis, traições silenciosas e conflitos que atravessam raças e territórios, personagens são forçados a confrontar não apenas inimigos externos, mas também aquilo que carregam dentro de si. Uma decisão cobra um preço. E a verdade revelada ameaça incendiar todo o mundo conhecido. Chamas Celestes é um romance de fantasia que combina intrigas políticas, magia antiga e tensão crescente, conduzindo o leitor por um universo onde o passado insiste em retornar — e onde nem todos sobreviverão ao despertar das chamas.

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Chamas Celestes

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